A Rua de Nuno Bragança de «A Noite e o Riso» e de «Os Verdes Anos»

Freguesia de Belém
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

Nuno de Bragança, o autor de A Noite e o Riso e argumentista de Os Verdes Anos,  desde 1986 é o topónimo de um arruamento de Belém, na sequência da Proposta nº 34/85, aprovada por maioria na reunião da Câmara de 11 de fevereiro de 1985, quatro dias após a morte do escritor que estava quase a completar 56 anos de idade.

Depois, o Edital municipal de 3 de novembro de 1986 determinou que fosse a Rua A à Rua Tristão Vaz a ser a Rua Nuno Bragança, em Belém, e Alexandre O’Neill também ficou como topónimo de uma artéria de Alcântara por este mesmo Edital.

Nuno Bragança (Lisboa/12.02.1929 – 07.02.1985/Lisboa),  foi o autor de 3 livros fundamentais pela sua linguagem inovadora: A Noite e o Riso (1969), Directa (1977) e Square Tolstoi (1981), que traçam um olhar violento mas cheio de amor pela procura da liberdade e pelas pessoas. São ainda obras suas o livro de contos Estação (1984) e o póstumo Do Fim do Mundo (1990) , tornando-o um escritor de culto, que a si próprio se qualificava como um prático de escrever, com uma obra literária reduzida em número mas relevante em originalidade e qualidade.

De seu nome completo Nuno Manuel Maria Caupers de Bragança,  frequentou Agronomia mas foi Direito o curso que concluiu em 1957, ainda no Palácio Valmor, no Campo dos Mártires da Pátria. Em paralelo, era praticante de boxe e pioneiro de caça submarina em Portugal, tendo sido cofundador do Centro Português de Actividades Subaquáticas. Também publicou os seus primeiros textos literários no órgão da Juventude Universitária Católica: o jornal Encontro. Aliás, com António Alçada Baptista, João Bénard da Costa e Pedro Tamen integrou o denominado catolicismo progressista e foi cofundador da revista O Tempo e o Modo, em 1963, na qual escreveu assiduamente.

Nuno Bragança também trabalhou para Rádio nos anos 50, tendo escrito a peça nonsense radiofónica  A Morte da Perdiz,  em colaboração de Pedro Tamen, Nuno Cardoso Peres e Maria Leonor, assim como O Guardador de Porcos, uma sátira a Salazar escrita com M. S. Lourenço, Luís de Sousa Costa e Manuel de Lucena.

Escreveu ainda inúmeras críticas cinematográficas na 1ª série de O Tempo e o Modo, onde também organizou um dossiê sobre Belarmino, e deixou muito crítica de cinema em inúmeros jornais desde o Expresso ao Diário de Lisboa, tanto mais que o seu amor ao cinema o levara de 1956 a 1959, a fundar e dirigir, um cineclube: o Centro Cultural de Cinema. E foi o argumentista da adaptação e diálogos do filme Os Verdes Anos (1963) de Paulo Rocha, o filme inaugural do Cinema Novo. Em 1970, com Gérard Castello-Lopes, Fernando Lopes e Augusto Cabrita também assinou o documentário Nacionalidade Português sobre a emigração portuguesa em França e que foi estreado em Portugal três anos depois.

Nuno Bragança era funcionário do Estado, no Fundo de Desenvolvimento de Mão de Obra, onde participou na organização do Serviço Nacional de Emprego e, em 1968, aceitou ir para Paris exercer as funções diplomáticas de delegado português na O.C.D.E. e, posteriormente, de consultor de um estudo sobre os problemas de emprego nos países membros subdesenvolvidos. Refira-se que Nuno Bragança a partir da década de 60  era militante do MAR – Movimento de Acção Revolucionária e ao fixar-se em Paris aproximou-se do grupo conhecido como Brigadas Revolucionárias, de Isabel do Carmo e de Carlos Antunes. Regressou a Portugal em 1973.

Na sua vida pessoal, gostava de vinho tinto, de comer e de cozinhar e fez casal, sucessivamente, com Maria Leonor da Fonseca de Matos e Góis Caupers, a psicanalista Maria Belo e Maria Madalena Batalha Pestana.

Foi agraciado pelo Presidente da República Jorge Sampaio, a título póstumo, com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada (1998), com o documentário U Omãi que dava pulus (2008) de João Pinto Nogueira e está presente na toponímia dos concelhos de Almada (Charneca da Caparica), Beja, Oeiras (Porto Salvo), Porto, Seixal (Arrentela, Corroios) e Sesimbra.