A Rua Delfim de Brito Guimarães, o escritor e editor da Guimarães Editores

Freguesia de Campolide
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

O escritor e editor Delfim de Brito Guimarães está como topónimo de uma rua Campolide desde 1995, passados 62 anos sobre a sua morte, tendo a edilidade seguido a proposta da Casa do Concelho de Ponte Lima, já que o homenageado se afirmava limiano de afeição.

A Casa do Concelho de Ponte Lima solicitou que o nome de Delfim Guimarães, filho de um limiano e que muito tempo viveu nela, fosse atribuído a um arruamento de Campolide, nas imediações da sua sede, proposta com que a Câmara Municipal de Lisboa concordou e assim atribuiu a Rua Delfim de Brito Guimarães ao troço da Rua A à Avenida José Malhoa, compreendido entre a Rua Basílio Teles e a Avenida José Malhoa, pelo Edital municipal de 17 de fevereiro de 1995.

Na Ilustração Portuguesa de 17 de janeiro de 1910

Delfim de Brito Monteiro Guimarães (Porto/04.08.1872 – 06.07.1933/Amadora), nascido na Rua do Bonjardim nº 184 como terceiro dos seis filhos do limiano, comerciante e jornalista Delfim José Monteiro Guimarães Júnior e de Maria Júlia Moreira de Brito Barreiros, foi um poeta, novelista, dramaturgo, crítico, tradutor,  investigador literário, e o fundador com Libânio da Silva, em 1899, da Livraria-Editora Guimarães Editores na Rua da Misericórdia, que assim começou por designar-se Guimarães, Libânio e C.ª.

Com dezoito anos, em 1890, veio para Lisboa, acompanhando a mudança da família, e começou a trabalhar como guarda-livros – hoje diríamos contabilista-,  n’ O Século e aí se manteve dez anos mas foi obrigado a retirar-se por à Administração desagradar a sua atividade literária. Fundou então a Guimarães Editores que grande serviço prestou à cultura portuguesa, nomeadamente pelos autores estrangeiros que trouxe aos portugueses em cuidadas traduções, construindo uma chancela que ainda hoje existe integrada no grupo Babel.

Lançou-se como escritor em 1893, com poemas em Alma Dorida, Poemas em Prosa dedicado à sua mãe, bem como com Lisboa Negra, versos que dedicou à Capital e à sua difícil adaptação a ela. No ano seguinte, por morte do pai, heróico soldado liberal, jornalista e editor de Alberto Pimentel, administrou e reorganizou a revista Mala da Europa, para mais tarde ter a sua Arquivo Literário, de 1922 a 1928.

Publicou ainda, entre outros, a poesia de Confidências (1894) e Evangelho (1895), Sonho Garrettiano” (1899), o poema inspirado em ambientes medievais e de cariz romântico intitulado A Virgem do Castelo (1901), a peça escrita com D. João da Câmara Aldeia na Corte (1901), a comédia Juramento Sagrado (1902), bem como Outonais  (1903), o romance O Rosquedo: scenas da vida da província – Ponte do Lima – Minho (1904),  o livro de contos Ares do Minho (1908), A Alma  Portuguesa (1913), O Livro do Bebé (1917) ilustrado por Raquel Roque Gameiro, Aos Soldados Sem Nome (1921), Asas de Portugal (1922), A Paixão de  Soror Mariana (1926) ou a peça em um ato em verso Sol da nossa terra (1932).

Chegou a usar o pseudónimo Castro Monteiro para as publicações literárias e como investigador e crítico literário, foi inovador e polémico. Desde «A Viagem por Terra do Sr. João Penha» (1892), passando por  Saudades: história de menina e moça (1905), até quando escreveu sobre os poetas limianos Diogo Bernardes e Agostinho Pimenta, tendo-se confrontado com o seu amigo João Gomes d’Abreu sobre o primeiro ou quando publicou Trovas de Crisfal, de Bernardim Ribeiro (1908) que o fez entrar em polémica com Teófilo Braga.  Também evocou os os poetas limianos da sua eleição, sobretudo Diogo Bernardes, Frei Agostinho da Cruz e António Feijó em Ponte de Lima – Minha Avozinha.

Como tradutor produziu Flores do mal: interpretação em verso de poesias de Carlos Baudelaire (1909), parte da  Graziella de Lamartine, A Dama das Camélias de Alexandre Dumas Filho e o Romance duma rapariga russa de Henry Gréville.

Politicamente, Delfim Guimarães era de filiação republicana e maçónica, tendo participado no debate das cores e dos símbolos da bandeira nacional. No início do século XX, foi Administrador do Concelho de Ponte de Lima e depois de se fixar na Amadora foi um dos principais impulsionadores da Liga dos Melhoramentos da Amadora.

Na sua vida particular, casou em 1895,  aos 23 anos, com Rosina Vieira da Cruz e foi pai de oito filhos, tendo sepultou uma sua filha, precocemente falecida, no cemitério de Ponte de Lima.

Foi feito Cavaleiro (1908) e Comendador (1919) da Ordem de Santiago da Espada  e retratado em carvões de Carlos Reis e de Veloso Salgado, aguarelas de Alfredo Morais e de Roque Gameiro, e ainda em caricaturas de Francisco Valença e de Sebastião Sanhudo. Para além de Lisboa, Delfim de Brito Guimarães está também na toponímia da Amadora ( Parque Delfim Guimarães, atribuído em 1937), no Porto e em Ponte de Lima.

Freguesia de Campolide
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)