A Avenida Carlos Pinhão, entre Beato e Marvila

Freguesia de Marvila, Areeiro e Beato
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

O jornalista desportivo, cronista de Lisboa e escritor, Carlos Pinhão nasceu no Beato e em criança circulou por essa freguesia e pela vizinha Marvila, pelo que depois da autarquia lisboeta ter decidido dar o seu nome a uma artéria lisboeta na reunião de câmara de 20 de janeiro de 1993, a Junta de Freguesia de Marvila propôs que fosse atribuído a uma das novas artérias em construção naquela Freguesia e, assim o  Edital municipal de 12 de abril de 1995 atribuiu à a Via Central de Chelas-Olaias o topónimo Avenida Carlos Pinhão.

A Bola, 16 de junho de 1993

Carlos Alberto da Silva Pinhão (Lisboa/04.05.1925 – 15.01.1993/Lisboa) nasceu na freguesia do Beato e chegou a frequentar o curso de Direito na Universidade de Lisboa até ao terceiro ano, mas abandonou quando corria o ano de 1944, para aceitar um lugar no jornal desportivo Os Sports, que viria a dar origem ao Mundo Desportivo. Onze anos depois, em 1955, tornou-se redator de A Bola e permaneceu na «Bíblia dos jornais portugueses» até morrer, mostrando a sua mestria na arte de escrever bem como um sorriso cúmplice com os leitores na sua prosa clara. Ficou célebre a sua rubrica «A duas colunas» e foi considerado o responsável pela introdução da crónica e do conto no jornalismo desportivo. Na notícia da morte de Carlos Pinhão, Vítor Serpa, diretor d’A Bola afirmou que «os textos do Pinhão eram peças notáveis de diálogos permanentes com o leitor».

Pinhão também colaborou com outros títulos nacionais como o Diário Popular, Século Ilustrado e Público, bem como na imprensa regional, para além de ter sido correspondente dos  jornais Marca (Espanha), France Soir (França) e Les Sports (Bélgica).

Carlos Pinhão foi também cronista, poeta e prosador, escolhendo o desporto e a cidade de Lisboa como os seus temas principais. Começou por publicar títulos com humor como Entrevistas sem Entrevistado – com prefácio de Raul Solnado -, O Meu Barbeiro (1968) ou Londres sem Tamisa Ou O Homem Que Dormia No Chão (1969). Na temática desportiva, publicou Os Magriços, (1966), Futebol de A a Z (1976), O Lançamento do Díscolo – Realidade e Alienação em Desporto (1980), assim como Carlos Lopes (1992) e Humberto Coelho: narrativa (1993), com desenhos de João Fazenda.

O seu primeiro livro publicado para crianças foi Bichos de Abril (1977), que teve êxito imediato. Depois deu a lume, entre muitos, Gaivotas Com Óculos (1979), O Professor do Pijama Azul (1981), uma alegoria divertida contra o racismo intitulada Era uma vez um Coelho Francês (1981), A Onda Grande e Boa (1982), O Coelho Atleta e a sua Escola de Desporto (1983), O Senhor que não Sabia Contar Histórias  e Vovô Bicho(ambos em 1984), Lua Não, Muito Obrigado (1986) ou Sete Setas (1987), somando mais de uma dezena de livros para crianças. O último foi Abril Futebol Clube (1991). Postumamente, em 1994, saiu ainda João Campeão. Carlos Pinhão havia sonhado em criar uma coleção para o desporto intitulada «Agora Que Sou Crescido» mas faleceu antes de a concretizar.

Refira-se que a também jornalista desportiva Leonor Pinhão é sua filha.

Carlos Pinhão foi agraciado com o Prémio Júlio César Machado pelas suas crónicas no Público sobre Lisboa e a título póstumo, com a Medalha de Mérito Desportivo do Ministério da Educação ( 2 de fevereiro de 1993), o Grau de Comendador da Ordem de Mérito  (9 de junho de 1993) e a Medalha de Ouro do Concelho de Oeiras (1 de junho de 1994). Pinhão foi também um dos a quem José do Carmo Francisco dedicou Os Guarda-Redes Morrem ao Domingo (2002) e o seu nome integra ainda a toponímia da Amadora, Azeitão (Setúbal),  Beja, Corroios (Seixal), Évora, Mem Martins e Queluz (ambos em Sintra), Samora Correia (Benavente), Vialonga (Vila Franca de Xira).