A Rua Aquilino Ribeiro

Freguesia de Marvila - Placa Tipo IV (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Marvila – Placa Tipo IV
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Aquilino Ribeiro, autor de Quando os Lobos Uivam ou O Romance da Raposa, está como topónimo de uma Rua da freguesia de Marvila desde 1970, sete anos após a morte deste homem de cultura.

Foi pelo Edital municipal de 4 de Novembro de 1970  que duas artérias da Malha I de Chelas passaram a homenagear os republicanos Manuel Teixeira Gomes (nas Ruas I – 2 e I – 6) e Aquilino Ribeiro (na Rua I – 9). Já em 25 de janeiro de 1965 surgira a proposta para apreciação na Comissão Municipal de Toponímia, por via de sugestão publicada no jornal República em 19/11/1964, que se repetiu na reunião de 16 de maio de 1969 e em 15 de maio de 1970, até que um despacho do Presidente da edilidade em 21 de outubro de 1970, despoletou a atribuição.

Freguesia de Marvila
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

Aquilino Ribeiro (Sernancelhe – Carregal de Tabosa/13.09.1885 – 27.05.1963/Lisboa) foi um notável escritor e defensor dos ideais republicanos. Aquilino frequentou os seminários de Lamego, Viseu e Beja mas em 1906 abandonou os estudos teológicos e fixou-se em Lisboa onde se dedicou à tradução e ao jornal republicano A Vanguarda. Em 1907, foi iniciado mação na Loja Montanha de Lisboa mas em novembro, na sequência de um acidente com explosivos no seu quarto na Rua do Carrião, que vitimou dois carbonários, foi preso. Conseguiu evadir-se em 12 de janeiro de 1908 e durante a clandestinidade em Lisboa manteve contatos com os regicidas, refugiado que estava na casa de Meira e Sousa, na Rua Nova do Almada, em frente do Tribunal da Boa Hora.

Em 1910, Aquilino Ribeiro partiu para Paris onde estudou na Faculdade de Letras da Sorbonne e conheceu a sua primeira mulher Grete Tiedemann, residindo na Alemanha e em Paris, com uma vinda a Portugal após a implantação da República. Em 1914, com a eclosão da 1ª Grande Guerra, regressou a Portugal e passou a ser docente no Liceu Camões (1915 – 1918), integrando também a partir de 1921 o grupo fundador e a primeira direcção da Seara Nova. A convite de Raúl Proença, trabalhou depois na Biblioteca Nacional, de 1919 a 1927, mas como defensor da justiça e da liberdade envolveu-se em conspirações contra a ditadura do Estado Novo, como a revolta de 7 de fevereiro de 1927 e a revolta de Pinhel de 1928, que lhe acartaram perseguições e prisão conduzindo-o a um novo exílio em Paris. Em 1929, já viúvo, casou com a filha de Bernardino Machado, Jerónima Dantas Machado, de quem tem no ano seguinte um filho, Aquilino Ribeiro Machado que será Presidente da CML entre 1977 e 1979 e já é também topónimo em Lisboa. Em 1931 vai viver para a Galiza e no ano seguinte volta a Portugal, embora clandestinamente, sendo depois amnistiado e passa a viver na Cruz Quebrada. Recebeu o Prémio Ricardo Malheiros em 1933, integrou a Academia das Ciências de Lisboa em 1935, foi um dos fundadores e e presidente da Sociedade Portuguesa de Escritores em 1956 e, passados quatro anos foi proposto para Prémio Nobel da Literatura.

Escritor ímpar, com um vocabulário exuberante, original e pitoresco, foi autor de uma vasta e importante obra literária, de mais de 60 volumes, abrangendo ficção, crítica, biografia, evocação histórica, ensaio, teatro, etnografia e contos para crianças, de que destacamos o seu primeiro, o livro de contos Jardim das Tormentas (1913) bem como Terras do Demo (1919),O Malhadinhas (1920), Filhas da Babilónia (1920), Estrada de Santiago (1922), O Romance da Raposa (1924) para jovens, Andam Faunos pelo Bosque (1926), Batalha Sem Fim (1931), As Três Mulheres de Sansão (1932), Maria Benigna (1933), Volfrâmio (1944), Constantino de Bragança (1947), O Homem da Nave (1951),  Abóboras no Telhado (1955), A Casa Grande de Romarigães (1957) e Quando os Lobos Uivam (1958) que foi apreendido pela censura e lhe valeu um processo em tribunal ou ainda o infantil O Livro de Marianinha (1962).

No ano de 1963, em que faleceu, comemorava os cinquenta anos de vida literária e foram várias as cidades portuguesas que o homenagearam embora a Censura tenha ordenado aos jornais que não o noticiassem. Em 2007, a Assembleia da República determinou que os seus restos mortais integrassem o Panteão Nacional e o seu nome está também presente na toponímia dos concelhos de Sernancelhe, Aguiar da Beira, Albufeira, Almada, Amadora, Amarante, Aveiro, Azeitão, Barcelos, Barreiro, Barroselas, Beja, Benavente, Bragança, Carrazeda de Ansiães, Cascais, Chaves, Coimbra, Entroncamento, Évora, Fafe, Faro, Ferreira do Alentejo, Gondomar, Grândola, Guimarães, Lagos, Lamego, Loures, Maia, Mafra, Mangualde, Marinha Grande, Marvão, Matosinhos, Moimenta da Beira, Moita, Montemor-o-Novo, Odivelas, Oeiras, Olhão, Ovar, Palmela, Paredes de Coura, Penafiel, Pinhel, Pombal, Ponte de Lima, Ponte de Sor, Portimão, Porto, Santarém, Seixal, Sesimbra, Setúbal, Sintra, Tabuaço, Torredeita, Trancoso, Trofa, Valongo, Viana do Castelo, Vila Franca de Xira, Vila Nova de Famalicão, Vila Nova de Gaia, Vila Nova de Paiva, Viseu.

Freguesia de Marvila
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)