Rua Matilde Rosa Araújo

Freguesia da Penha de França
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

Desde há dois anos que a escritora Matilde Rosa Araújo, autora de mais de 40 títulos para adultos, jovens e crianças, dá nome ao arruamento onde está sediada a Escola Patrício Prazeres,  unindo a Avenida Mouzinho de Albuquerque ao Alto do Varejão, na Freguesia da Penha de França,  passados que eram seis do seu falecimento.

Em 2010, no ano da morte da escritora, o voto de pesar da Assembleia Municipal de Lisboa, aprovado por unanimidade, solicitava que o seu nome fosse dado a uma artéria lisboeta, a que se somou no mesmo ano um pedido no mesmo sentido da  direção e conselho de administração da SPA- Sociedade Portuguesa de Autores, sendo pelo Edital municipal de 10 de novembro de 2016 que a Quinta das Comendadeiras passou a denominar-se Rua Matilde Rosa Araújo, com a legenda «Escritora/1921 – 2010».

Matilde Rosa Araújo (Lisboa/20.06.1921 – 06.07.2010/Lisboa) notabilizou-se como escritora de ficção e poesia, mais conhecida pela literatura infantil, embora se tenha estreado em 1943, ao vencer o  concurso «Procura-se um Novelista» do jornal O Século, sendo Aquilino Ribeiro um dos membros do júri, com A Garrana, uma história sobre a eutanásia. Para o público adulto escreveu, entre outros, Estrada Sem Nome (1947) – obra galardoada num concurso de contos da Faculdade de Letras de Lisboa-, A Escola do Rio Verde (1950), Praia Nova (1962),  a poesia de Voz Nua (1982), A Estrada Fascinante (1988) e O Chão e as Estrelas (1997).

Contudo, ficou mais conhecida pela literatura infantil e juvenil que só produziu a partir de 1957, com O Livro da Tila, escrito nas viagens de comboio entre Lisboa e Portalegre, para ir dar aulas, e cujos poemas foram musicados por Fernando Lopes Graça.  Seguiram-se, entre outros,  O Palhaço Verde (1960) considerado o melhor livro estrangeiro pela associação Paulista de Críticos de Arte de São Paulo (em 1991), História de um Rapaz (1963), os poemas O Cantar da Tila (1967), O Sol e o Menino dos Pés Frios (1972), O Reino das Sete Pontas (1974),  O Gato Dourado (1977), Camões Poeta, Mancebo e Pobre (1978), Mistérios (1980), A Velha do Bosque (1983), O Passarinho de Maio (1990), As Fadas Verdes (1994), Capuchinho cinzento ( 2005) ou História de uma flor (2008). Recebeu da Fundação Calouste Gulbenkian o Grande Prémio de Literatura para Crianças (1980) e o Prémio do Melhor Livro Infantil (1996).

Nascida em Benfica, numa quinta dos avós, Matilde estudou em casa com professores particulares até ter entrado para a Faculdade de Letras da Universidade Clássica de Lisboa,  onde se licenciou em Filologia Românica, em 1945, com uma tese sobre jornalismo, tendo sido aluna de Jacinto  do Prado Coelho e Vitorino Nemésio, assim como colega de Sebastião da Gama, Luísa Dacosta, David Mourão-Ferreira e Urbano Tavares Rodrigues.

Exerceu como professora do ensino técnico profissional em várias cidades do país, como em Portalegre ou no Porto, tendo em Lisboa sido docente da Escola Industrial Fonseca de Benevides. Foi também formadora de professores na Escola do Magistério Primário de Lisboa, nomeadamente do primeiro Curso de Literatura para a Infância.

Matilde Rosa Araújo também colaborou na imprensa nacional e regional, em A Capital, O Comércio do Porto, Diário de Lisboa, Diário de Notícias, Jornal do Fundão ou República, bem como nas revistas Árvore, Colóquio/Letras, GraalMundo Literário, Seara NovaTávola Redonda e Vértice.

Preocupada com os direitos das crianças, tornou-se sócia fundadora do Comité Português da UNICEF e do Instituto de Apoio à Criança, bem como participou em iniciativas da Câmara alfacinha na área da Educação. Também integrava a direção da Sociedade Portuguesa de Escritores em 1965, quando esta instituição premiou o angolano José Luandino Vieira, então preso no Tarrafal, e viu as suas instalações  invadidas pela PIDE e a direção demitida compulsivamente.

Matilde Rosa Araújo foi agraciada com o Grande Oficialato da Ordem do Infante D. Henrique (2003) e, em maio de 2004, foi distinguida com o Prémio Carreira da Sociedade Portuguesa de Autores, assim como no ano seguinte com a Medalha de Honra. Em 1994, também foi nomeada pela secção portuguesa do IBBY (Internacional Board on Books for Young People) para o Prémio Andersen, considerado o Nobel da Literatura para a Infância e em 1998 passou a dar nome a um prémio revelação na literatura infantil e juvenil da Câmara Municipal de Cascais. O nome de Matilde Rosa Araújo dá ainda nome a artérias dos concelhos de Almada, Amadora e Trofa.

Freguesia da Penha de França
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)