A Rua Artur Duarte, de «O Leão da Estrela»

Freguesia de Marvila
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

Artur Duarte, o realizador de O Leão da Estrela está desde 1984 como topónimo da Freguesia de  Marvila, tal como Chianca de Garcia, outro cineasta alfacinha, nas Rua L 2 e  Rua L 3 da Zona L de Chelas, pelo Edital municipal de 28 de fevereiro de 1984, tendo ambos os topónimos resultado de sugestão da Cinemateca Portuguesa que a edilidade lisboeta consagrou.

A Cinemateca Portuguesa sugeriu também o nome do pioneiro do cinema Paz dos Reis, mas este já estava homenageado numa artéria de Benfica desde há 3 anos, através da publicação do Edital de 4 de dezembro de 1981, por ocasião do centenário da morte do cineasta e por sugestão da Secretaria de Estado da Cultura.

Animatógrafo, 12 de junho de 1933

Arthur de Jesus Pinto Pacheco Duarte (Lisboa/17.10.1895 – 22.08.1982/Lisboa) foi primeiro ator de teatro e de cinema, ainda antes do sonoro, para se tornar também cineasta. Logo em 1934, foi ator mas também diretor de produção de António Lopes Ribeiro para a realização de Gado Bravo (junho a novembro de 1933), função que repetiu em O Feitiço do Império (abril de 1938 a junho de 1939), tal como em Rosa do Adro (1937) de Chianca de Garcia e em Bocage (1935-1936) e Varanda dos Rouxinóis (1938 – 1939) de Leitão de Barros. Como cineasta, realizou 6 filmes que foram de grande sucesso junto do público:  Os Fidalgos da Casa Mourisca (1938), O Costa do Castelo (1943), A Menina da Rádio (1944), O Leão da Estrela (1947), O Grande Elias (1950) e O Noivo das Caldas (1956). O primeiro filme que realizou foi a comédia O Castelo de Chocolate, em 1923. Também realizou Férias à Beira-Mar (1942), O Caminho da Vida (1943), mais cerca de dez películas em Espanha – como El Huésped Del Cuarto 13 – O Hóspede do Quarto Treze (1947) ou e Nubes de Verano – Parabéns, Senhor Vicente (1955)-, assim como em A Garça e a Serpente (1954), Dois Dias no Paraíso (1957), Encontro com a Vida (1960). No Brasil, também rodou o filme Em Legítima Defesa-Encontro com a Morte (1965). Aos 81 anos conseguiu ainda concretizar a Recompensa (1976). Também realizou curtas metragens, documentários e filmes publicitários.

Artur Duarte completou o curso de representação do Conservatório Nacional e ingressou na companhia Rosas & Brasão, em 1918, estreando-se na peça A Conspiradora, no então Teatro da República (hoje é o São Luiz). Pisou também os palcos do São Carlos, do Trindade e do D. Maria II, em Lisboa.

Como ator cinematográfico, começou em 1921, em A Morgadinha de Vale Flor, de Ernesto de Albuquerque, conseguindo ser o ator português mais internacional, tanto que na Alemanha, onde viveu de 1925 a 1930, participou em 57 filmes mas, ainda trabalhou em Paris, Madrid, Viena, Suíça e África do Sul.

Na sua vida particular, foi casado com a atriz Teresa Casal, que apareceu em vários dos seus filmes, como a Gabriela de Os Fidalgos da Casa Mourisca ou a Isabel de O Costa do Castelo.

Faleceu em Lisboa, no Instituto Português de Oncologia e o seu nome, para além de estar na toponímia desta sua terra natal, surge também nos concelhos de Almada (Charneca da Caparica), Oeiras (Carnaxide), Sintra (Mem Martins).

Freguesia de Marvila
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

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