A Rua Manuel Costa e Silva do Cinema Documental

Freguesia do Lumiar
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

O criador dos Encontros Internacionais do Cinema Documental, o cineasta Manuel Costa e Silva, está desde o ano 2000 como topónimo da  Rua C da Urbanização do Parque das Conchas, a unir a Rua António Lopes Ribeiro à Rua Manuel Guimarães, duas artérias também com topónimos de realizadores de cinema, na mesma freguesia da cidade que viu nascer a Tobis Portuguesa.

Foi pelo Edital municipal de 31 de maio de 2000 que este realizador lisboeta, cuja história de vida é também o percurso do cinema português na 2ª metade do séc. XX, ficou consagrado na Freguesia do Lumiar.

Manuel Fernando da Costa e Silva (Lisboa/19.03.1938 – 26.01.1999/Lisboa) começou a mostrar-se como realizador no ano de 1969, com o documentário A Grande Roda – com argumento de Alexandre O’Neill– a que seguiu a rodagem em Trás-os-Montes, em 1973, do documentário Festa, Trabalho e Pão em Grijó de Parada; a curta-metragem Madanela, filmada na aldeia da Venda (entre Mosaraz e Mourão), que foi exibida na RTP2 nesse mesmo ano de 1978; a longa-metragem de ficção A Moura Encantada (estreada em 1985) e a sua última película, a curta A Primeira Vez (1999). Para além dos inúmeros documentários que realizou foi também um dos cineastas que participou no documentário coletivo de abril de 1974, intitulado As Armas e o Povo, como Alberto Seixas Santos, António da Cunha Telles, António Escudeiro, António de Macedo, António Pedro Vasconcelos, Artur Semedo, Eduardo Geada, Fernando Lopes, Fernando Matos Silva, Glauber Rocha, João Matos Silva, José Fonseca e Costa, José de Sá Caetano, Luís Galvão Teles e Ricardo Costa.

Em 1990, criou os Encontros Internacionais do Cinema Documental, com sede no Centro Cultural da Malaposta, iniciativa que dirigiu durante 9 anos, um trabalho notável na divulgação do cinema, e do documentarismo em particular, que marcou indiscutivelmente a cultura cinematográfica portuguesa.

Em 1957, após concluir o ensino secundário, Manuel Fernando abalou para a Áustria, onde frequentou um curso de engenharia mecânica na Universidade de Graz. Dois anos depois, mudou-se para Paris, para ser aluno na escola oficial de cinema, o IDHEC – Institut des Hautes Études Cinématographiques, com uma bolsa do Fundo de Cinema português, onde em 1961 ficou cineasta diplomado.

Costa e Silva começou a trabalhar em cinema como operador de imagem: em La Pyramide Humaine (1960) de Jean Rouch, em O Milionário (1962) de Perdigão Queiroga ou em Belarmino de Fernando Lopes (1964), assim como em vários trabalhos de reportagem. Continuou como assistente de imagem tendo desempenhado essa função logo em 1963 e 1964, em três filmes de Jorn Donner, na Suécia. De volta a Portugal, trabalhou na Tobis Portuguesa, na Média Filmes, na Unifilme e na cooperativa Centro Português de Cinema, tendo sido um dos fundadores quer na segunda quer na quarta mencionadas.

Desenvolveu a sua carreira também como assistente de produção, assistente de realização, diretor de produção e produtor executivo. Destaque-se que foi o diretor de fotografia de Coimbra, Uma Universidade – a sua primeira vez, em 1961-, de  Uma Abelha na Chuva (1971) – no mesmo ano em que ficou correspondente da CBS- ou de Crónica dos Bons Malandros (1984) e do documentário Olhar / Ver – Gérard Fotógrafo (1998), películas de Fernando Lopes, assim como de O Mal-Amado (1972) de Fernando Matos Silva, Sofia ou a Educação Sexual (1974) e Saudades para Dona Genciana (1985) de Eduardo Geada, do documentário Almada, Um Nome de Guerra (1977) de Ernesto de Sousa, do Amor de Perdição (1979) de Manoel de Oliveira, de  Repórter X (1986) de José Nascimento, tendo também trabalhado com os realizadores Alfredo Tropa, Ana Luísa Guimarães, António de Macedo, António Pedro Vasconcelos, Artur Semedo, Claude Miller, Cristina Hauser, Faria de Almeida, Ginette Lavigne, Isabel Calpe, João César Monteiro, Jorge Paixão da Costa, Jorge Queiroga, Lauro António, Luís Galvão Teles, Luís Vidal Lopes, Manuel Carvalheiro, Margarida Gil e Monique Rutler. Saliente-se que foi ainda  produtor executivo de séries de TV estrangeiras como Love Boat (1985) ou Le Retour d’Arséne Lupin (1989), tendo nesta década criado a sua produtora: A Quimera de Ouro.

Manuel Costa e Silva também somou à sua história de vida a escrita de artigos  para revistas especializadas como FilmeCelulóide ou Plano e para a revista sueca Chaplin, entre 1962 e 1965. A visita a estúdios e laboratórios nos E.U.A., em 1967, para estudar técnicas de cinema, como bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian. Ter dirigido, de 1969 a 1974, a Secção de Cinema e os Serviços de Produção do ITE – Instituto de Tecnologia Educativa. Ter sido membro da direção do Festival Internacional de Cinema de Tróia, em 1985 e 1986, bem como professor na Escola de Cinema do Conservatório Nacional e na Escola Superior de Teatro e Cinema. Ser autor de livros sobre cinema como o Guia Profissional Cinema Televisão Video (1989) ou Do Animatógrafo Lusitano ao Cinema Português (1996).

Costa e Silva teve um livro-homenagem editado por Nelson de Matos, intitulado Os Meus Amigos (1983), assim como está também presente na toponímia do concelho da Amadora.

Freguesia do Lumiar
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

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