A Rua Jorge Brum do Canto de «Os Lobos da Serra»

Freguesia da Ajuda
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

Jorge Brum do Canto, o realizador de Os Lobos da Serra, filmado em grande parte nas instalações da Tobis Portuguesa, está desde 1995 fixado na toponímia de uma Rua  da Freguesia da Ajuda.

A inscrição de Jorge Brum do Canto como topónimo lisboeta resultou da Moção de Pesar 5/CM/94, processo que terminou com a publicação do Edital municipal de 16 de janeiro de 1995, que colocou o nome do  cineasta na Rua 19 do Bairro do Caramão da Ajuda, a unir a Rua José Pinto Bastos à Rua Francisco de Sousa Tavares.

Animatógrafo, 17 de fevereiro de 1942

Jorge Brum do Canto (Lisboa/10.02.1910 — 07.02.1994/Lisboa) desde muito novo mostrou-se um entusiasta do cinema e foi realizando um percurso por ele, tornando-se também um cineasta. Por ordem cronológica, nos anos vinte, estreou-se como ator no filme O Desconhecido de Rino Lupo, em 1925, quando contava 15 anos. Dois anos depois e até 1929,  foi crítico de cinema no jornal O Século com a página O Século Cinegráfico, enquanto frequentava o curso de Direito em Lisboa, que acabou por abandonar, mas mostrou logo em 1929 a sua primeira obra como realizador, A Dança dos Paroxismos, considerado um inovador exercício fílmico, ainda mudo, influenciado pelo vanguardismo francês.

Na década de trinta, colaborou em várias revistas de cinema – Cinéfilo, Kino e Imagem– e realizou alguns documentários como Fabricação de Mangueiras (1932), Uma Tarde em Alcácer, Sintra – Cenário de Filme Romântico, Abrantes –  Nada de Novo… em Óbidos (todos em 1933), ou Berlengas (1934), para além da sua curta-metragem A Hora H (1938) e o seu filme de maior sucesso, A Canção da Terra (1938). Foi também assistente de realização e autor da planificação de As Pupilas do Senhor Reitor (1935) de Leitão de Barros e de O Trevo de Quatro Folhas (1936) de Chianca de Garcia.

Nos anos 40, estreou 5 películas: João Ratão (1940), Lobos da Serra (1942), Fátima, Terra de Fé (1943), Um Homem às Direitas (1945), Ladrão, Precisa-se!… (1946). Nas décadas de  cinquenta e sessenta, fixou-se de 1953 a 1959 em Porto Santo e depois, realizou Chaimite (1953), Retalhos da Vida de um Médico (1962), Fado Corrido (1964) e Cruz de Ferro (1968). Em 1973 entra como ator nas peças teatrais da RTP, dirigidas por Artur Ramos, tal como em 1975, na série Angústia Para o Jantar, de Jaime Silva. Entre 1978 e 1984, ainda rodou o seu último filme: O Crime de Simão Bolandas.

Adepto da pesca desportiva e da culinária, foi ainda diretor gráfico e responsável da secção de pesca da revista Diana, bem como co-autor com sua mãe, Bertha Rosa Limpo, de O Livro de Pantagruel (1947).

Em 1982 foi realizada sobre ele a média metragem Jorge Brum do Canto, para a RTP, e em 1984, a Cinemateca editou um catálogo da sua obra. Para além de Lisboa, o seu nome faz parte também dos concelhos da Amadora, Oeiras (Carnaxide), Porto Santo, Seixal (Corroios) e Sintra (Mem Martins).

Freguesia da Ajuda
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

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