Da Azinhaga da Ponte Velha à Rua das Laranjeiras em 1919

Excerto da planta municipal de maio de 1905

A Azinhaga da Ponte Velha, na Palma de Baixo, passou em 1919 a ter categoria de Rua e a denominação de Rua das Laranjeiras, por referência à Estrada das Laranjeiras onde começava, por via do Edital municipal de 19 de julho desse ano.

Esta decisão foi aprovada por unanimidade na reunião 10 de julho da Comissão Executiva da CML, a partir da proposta do Vereador Augusto César de Magalhães Peixoto, «Considerando que tal denominação [ a de Azinhaga ] não se coaduna com as construções que actualmente possue, e que a tornam hoje uma via pública moderna», tanto mais que já em 1905 a Azinhaga da Ponte Velha havia sido alargada conforme planta municipal. O sítio da Ponte Velha situava-se no extremo da Estrada das Laranjeiras. Já o topónimo Laranjeiras, nesta zona de Lisboa está ligado à famosa Quinta das Laranjeiras.

A Rua das Laranjeiras hoje
Freguesia de São Domingos de Benfica
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

Denominada inicialmente Quinta de Santo António, a Quinta das Laranjeiras, de Estêvão Augusto de Castilho, tem como referência mais antiga conhecida a data de 1671. No final do séc. XVII já era de Manuel da Silva Colaço e  em 1760 pertencia a Luís Garcia Bívar. Sabe-se que depois foi propriedade de Francisco Azevedo Coutinho, até em 1779 ser adquirida pelo Desembargador Luís Rebelo Quintela que em 1802, com um Palácio novo, a deixou de herança ao seu sobrinho,  Joaquim Pedro de Quintela (1801-1869), o 2º Barão de Quintela e 1º Conde de Farrobo.

É com este último que o Palácio da Quinta passou a ser famoso e identificado como Palácio Farrobo. O 2º Barão de Quintela deu-lhe a divisa OTIA TUTA (Toda prazeres). Os bailes, os festejos e eventos artísticos ocorridos nesta propriedade do 1º Conde de Farrobo, que passou também a incluir o Teatro das Laranjeiras ou Teatro Tália – construído em 1820 para 560 espectadores-, geraram a expressão popular «farrobodó». No ano da morte Joaquim Pedro de Quintela, ano de 1869, o Palácio das Laranjeiras foi comprado pelo Monteiro dos Milhões, o capitalista António Augusto Carvalho Monteiro, e em 1874, foi vendido ao fidalgo espanhol Duque de Abrantes e Liñares. Três anos depois, a propriedade foi adquirida pelo comendador José Pereira Soares que também comprou as adjacentes Quintas das Águas Boas e dos Barbacenas e que 1888 vendeu uma casa na Estrada das Laranjeiras para o Serviço de Incêndios em 1892 vendeu outra, para um posto de limpeza.

Em 1903, o conjunto da propriedade foi comprado pelo Conde Burnay, que  em 1904 arrendou os jardins das Laranjeiras e das Águas Boas ao Jardim Zoológico, que assim foi inaugurado em 28 de maio de 1905. Em 1940, o Palácio das Laranjeiras e toda a restante propriedade rústica e urbana foi adquirida aos herdeiros da condessa de Burnay pelo Ministério das Colónias e desde aí vários serviços ministeriais foram lá instalados.

Freguesia de São Domingos de Benfica
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)