A Rua do arquiteto Adães Bermudes, vereador da CML em 1918 e 1919

Freguesia de Marvila
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

O arquiteto portuense Adães Bermudes, foi também vereador da Câmara Municipal de Lisboa em 1918 e 1919, tendo sido perpetuado como topónimo de uma rua de Marvila em 1978, com mais onze arquitetos.

Republicano assumido e membro da Maçonaria, Adães Bermudes foi vereador da Comissão Administrativa da CML de 15 de março de 1918 a 21 de  fevereiro de 1919, a que sucedeu à presidida pelo também republicano José Carlos da Maia, que saiu para ser ministro da Marinha de Sidónio Pais em março de 1918 e fez com que pedisse a exoneração dos vereadores republicanos Matias Ferreira de Mira, Raul de Almeida Carmo, António Ferreira e António do Couto Abreu, tendo sido então designados em 15 de março de 1918, para os mesmos cargos, o presidente da Sociedade de Ciências Médicas Zeferino Falcão para Presidente da edilidade, o tenente-coronel de engenharia José Tavares de Araújo e Castro, o advogado Carlos Barbosa e Adães Bermudes, a quem coube o Pelouro da Arquitetura e a 4ª Repartição. Nesta Comissão Administrativa serviu como presidente de 10 de maio  até 4 de julho de 1918, a partir do que será presidente  José Tavares de Araújo e Castro, bem como nos impedimentos deste, tendo assim assinado como vogal-presidente os Editais que permitiram à Companhia de Carris de Ferro de Lisboa aumentar os preços das tarifas das carreiras durante os dias da semana excepto ao domingo, durante 3 meses, bem como aumentar a lotação em 50%, assim como o que determinou iguais condições para a  Nova Companhia dos Ascensores Mecânicos de Lisboa (23 de maio de 1918); o dos termos da cobrança dos impostos municipais a partir de 15 de julho para os relativos ao 2º semestre de 1918,  (1 de junho de 1918); a atribuição da Rua da Paz e outras desanexações e integrações toponímias na Ajuda ( 11 de novembro de 1918).

O Occidente, 20 de maio de 1913

Arnaldo Redondo Adães Bermudes (Santo Ildefonso – Porto/29.09.1863 – 18.02.1947/Paiões- Rio de Mouro) foi um arquiteto formado pela Academia Portuense de Belas Artes (entre 1880 e 1886), Escola de Belas-Artes de Lisboa e pela École des Beaux-Arts de Paris. Destacou-se como um expoente do movimento da Arte Nova e criou em 1898 um modelo de escola que foi difundido em todo o país e identificado como Escola Adães Bermudes. Traçou o Bairro de casas económicas do Arco do Cego, em 1897,  de acordo com o conceito cidade-jardim. Como arquiteto já antes lhe dedicámos um artigo mas sintetizamos agora que a sua obra em Lisboa soma um edifício Arte Nova concebido em 1908 para a Avenida Almirante Reis (na época, era a Avenida Dona Amélia) que foi distinguido com o Prémio Valmor; o restauro do Mosteiro dos Jerónimos, do Museu Nacional de Arte Antiga e do Museu Nacional de Belas Artes; o mausoléu dos benfeitores da Santa Casa da Misericórdia  no Cemitério do Alto de São João (1908); o Instituto Superior de Agronomia (1910); a Escola Normal Primária de Lisboa (1913), em Benfica;  e o Monumento ao Marquês de Pombal (1914), em equipa com Francisco Santos e António do Couto.

O Edital de 10 de agosto de 1978, proposto pela primeira Comissão Municipal de Toponímia que integrou um arquiteto – o  arqº Frederico George -, procurou criar pela toponímia um «bairro de arquitetos», até aí quase ausentes da toponímia lisboeta. A Adães Bermudes coube a  a Rua 14 da Zona N 2 de Chelas e os outros onze escolhidos foram Adelino Nunes (ruas 2 e 3), Álvaro Machado (arruamento de ligação entre a via envolvente e a rua 6), Cassiano Branco (ruas 4 e 5), Domingos Parente (rua 13), José Luís Monteiro (ruas 11B e 12), Keil do Amaral (ruas 1, 6 e 7), Luís Cristino da Silva (via comercial), Miguel Nogueira Júnior(rua 11), Norte Júnior (ruas 8 e 11A), Pardal Monteiro (via envolvente) e Pedro José Pezerat (rua 10).

Adães Bermudes foi pai do arquiteto Jorge Bermudes, irmão mais velho de Félix Bermudes e assim, também tio de Cesina Bermudes.

Está também presente na toponímia de Rio de Mouro (no concelho de Sintra), localidade onde faleceu e foi sepultado.

Freguesia de Marvila
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)