Rua Maia Ataíde

Em 1994, o Engº Maia Ataíde (ao centro) a apresentar a sua comunicação às 1ªs Jornadas de Toponímia de Lisboa

 

Rua Maia Ataíde, topónimo atribuído por Edital de 30 de Janeiro de 2009 a um arruamento da freguesia de Benfica

Manuel José Maia Ataíde (1910-2003), engenheiro e olisipógrafo. Pertenceu ao Grupo Amigos de Lisboa, à Associação Portuguesa de Historiadores de Arte, à Associação Portuguesa de Museus e foi académico correspondente da Academia Nacional de Belas Artes. Estudou na escola dos CTT, onde seu pai era inspector e colaborador no Museu daquele organismo, e aí começou a trabalhar. Prosseguiu os estudos superiores no Instituto Superior Técnico, onde se licenciou em Engenharia Electrotécnica, trabalhando nos CTT e reformando-se em 1980, já como director das telecomunicações.

A partir dos anos 50 do século XX determinou aprofundar o seu interesse pela arte e a arquitectura da cidade, pelo que assistiu às aulas de Mário Tavares Chicó, na Faculdade de Letras de Lisboa. Com este professor viria a colaborar na organização de algumas exposições, nomeadamente no Brasil, na exposição Aspectos da Arquitectura Portuguesa de 1550 a 1950, e a aprofundar os estudos sobre os períodos maneirista e barroco. A partir deste primeiro contacto com o Brasil, desenvolveu estudos sobre as características do barroco português espalhadas pelo mundo de língua portuguesa.

Colaborou no Boletim Cultural da Junta Distrital de Lisboa, na Revista Municipal, no Olisipo: Boletim do Grupo Amigos de Lisboa. Durante a década de 60 do século XX, colaborou com a Câmara Municipal de Lisboa nas suas iniciativas de divulgação turística da cidade sendo o autor e coordenador de uma colecção de pequenos desdobráveis sobre alguns dos estilos arquitectónicos presentes na cidade, e de um dos livros da colecção Arte e Turismo, intitulado Monumentos de Lisboa, com edição em inglês, francês e alemão e que tiveram grande divulgação e êxito. Foi co-autor, juntamente com Ester de Lemos, de outro título desta colecção Arredores de Lisboa (1963).

Participou no grande inventário de património que a Junta Distrital de Lisboa promoveu desde os anos 60, tendo colaborado nos dois primeiros tomos da cidade de Lisboa e coordenando os restantes tomos, por eleição da equipa. Nesta obra, Monumentos e Edifícios Notáveis do Distrito de Lisboa, que pretendia fazer o levantamento e a história do património edificado no distrito, e que se veio a tornar numa obra de referência, assinou dezenas de entradas relativas a edifícios lisboetas. Na opinião de Irisalva Moita devem-se destacar, entre eles, os dedicados à Igreja e Convento de Benfica, à Igreja e Convento de Nossa Senhora da Graça, o da Igreja de Nossa Senhora da Pena, por exemplo. Em 1988, Maia Ataíde elabora o livro catálogo da exposição levada a cabo no Panteão Nacional João Antunes, arquitecto (1643-1712), que Vítor Serrão considera “ainda hoje a primeira referência obrigatória sobre o arquitecto de Santa Engrácia”. Em 1990, colabora com o Museu da Cidade (hoje Museu de Lisboa), na exposição e respectivo catálogo D. João V e o abastecimento de água a Lisboa, trazendo o seu contributo de engenheiro, aliado ao olhar do historiador de arte, num estudo pioneiro sobre a construção do Arco das Águas Livres.

Integrou o Grupo Amigos de Lisboa desde 1969, e veio a ser seu Vice-Presidente e Presidente da Junta Directiva. Representou o Grupo na Comissão Municipal de Toponímia, e participou nas I Jornadas de Toponímia organizadas pela Câmara Municipal de Lisboa, em 1994 com a comunicação Engenheiros e Arquitectos na Toponímia de Lisboa.

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