O Rádio Clube Português e a Rua Sampaio Pina

A Rua Sampaio e Pina no dia 25 de abril de 1974
(Foto: Ana Haterly, Arquivo Municipal de Lisboa)

Ocupado pelas 3H20 pelos oficiais major José da Costa Neves, major Delfim Campos Moura, major João Sacramento Gomes, capitão Artur Mendonça de Carvalho, capitão José Correia Pombinho, capitão José Santos Coelho, capitão Nuno dos Santos Ferreira e capitão Nuno dos Santos Silva, com o apoio de uma Companhia do Batalhão de Caçadores nº5.

Esta ação pretendia fazer do Rádio Clube Português a emissora do MFA, para emitir os seus comunicados. Às 04H26, o jornalista Joaquim Furtado leu o primeiro comunicado.

No nº 24 da Rua Sampaio e Pina estava sediado o Rádio Clube Português em 25 de abril de 1974. E às 3 horas da madrugada uma companhia do Batalhão de Caçadores nº 5 saiu do quartel – onde hoje encontramos a Universidade Nova de Lisboa – para garantir a segurança do local que se tornaria a emissora do MFA.

O topónimo Rua Sampaio e Pina foi atribuído pela Câmara Municipal presidida pelo Conde d’Ávila (António José de Ávila), através do Edital de 18 de dezembro de 1903, à via pública ainda então a ser construída entre a Rua Castilho e a Rua José da Silva Carvalho (que foi na maior parte substituída pela reformulação da Rua Castilho e artérias adjacentes em 1915 dando origem em 1920 a uma nova Rua Silva Carvalho noutro local de Lisboa). A edilidade homenageava assim Manuel Inácio de Sampaio de Pina Freire, que em 24 de julho de 1833 reconheceu D. Maria II como monarca legítima da Coroa portuguesa.

Manuel Inácio de Sampaio e Pina Freire (07.08.1778 – 1856), 1º Visconde de Lançada, prestou relevantes serviços aos liberais, com a maior dedicação e coragem no dia 24 de julho de 1833, tornando possível ao Marechal Duque de Terceira após vencer a batalha da Cova da Piedade – com tropas onde se incluía os Caçadores 2 e 3 – atravessar o Tejo com as suas tropas e encontrarem já içada no Castelo de S. Jorge a bandeira azul e branca dos Liberais. Esteve  presente nesse dia 24 de julho de 1833 no Auto de aclamação e reconhecimento do governo legítimo de D. Maria II e da Carta Constitucional, nos Paços do Concelho de Lisboa, conforme noticia a Gazeta de Lisboa de 26 de julho de 1833.

Filho de Inácio José de Sampaio e Pina Freire de Andrade e Angélica Inácia Pereira de Aguirre, foi um administrador colonial português, enquanto governador-geral da capitania do Ceará, de 19 de março de 1812 a 1820 – razão para no centro de Fortaleza (Brasil) existir uma Rua Governador Sampaio -, assim como governador-geral da capitania de Goiás, de 1820 a 1822, onde em 14 de agosto de 1821 sofreu uma fracassada tentativa de deposição.

Visconde de Lançada por Decreto de 10 de janeiro de 1849 de D. Maria II, foi também membro do Conselho de Sua Majestade, Tenente-General, Fidalgo Cavaleiro da Casa Real e Membro do Tribunal do Tesouro Público, agraciado como Comendador da Ordem de Cristo e Cavaleiro da Ordem de São Bento de Avis.

Em Lisboa, segundo Júlio de Castilho, possuía o Palácio onde em 1880 se instalou o jornal O Século. Também conforme os arquivos municipais, detinha um prédio nos n.ºs 53 e 58 «no sítio das Janelas Verdes» em 1839, bem como na Rua do Olival nº 5, onde em 1836 foi intimidado pela Câmara Municipal de Lisboa a entulhar o fosso da sua casa no prazo de 24 horas que também lhe lavrou um auto sobre o estado da porta do n.º 5 A.

Na sua vida pessoal, Sampaio e Pina casou-se, em 1 de fevereiro de 1826, com Helena Teixeira Homem de Brederode, de quem teve dois filhos: Inácio Júlio de Sampaio Pina Freire e António de Sampaio Pina de Brederode, que casou com Maria Luísa Holstein, 3.ª duquesa de Palmela.

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A Rua Sampaio e Pina no dia 25 de abril de 1974
(Foto: Ana Haterly, Arquivo Municipal de Lisboa)