O Aeroporto da Portela e a Avenida Almirante Gago Coutinho

Nova Iorque era o nome de código do Aeroporto que foi controlado às 4:20 pela coluna da EPI-Escola Prática de Infantaria, comandada pelo capitão Rui Rodrigues, incluindo o Aeródromo Base nº 1 (Figo Maduro). O capitão Costa Martins emitiu um comunicado NOTAM, interditando o espaço aéreo português e desviando o tráfego para os aeroportos de Las Palmas e Madrid.

Em 25 de Abril de 1974, o Aeroporto de Lisboa ficava no final da Avenida Almirante Gago Coutinho, topónimo de homenagem ao pioneiro da aviação e alfacinha que viveu na Rua da Esperança – Carlos Alberto Viegas Gago Coutinho (Lisboa/17.02.1869-18.02.1959/Lisboa) -, que tentou adaptar à aeronavegação os processos e instrumentos da navegação marítima, tendo criado em 1919 o famoso sextante que ostenta o seu nome e que, com Sacadura Cabral, realizou de 30 de março a 17 de junho de 1922, a 1ª travessia aérea do Atlântico Sul, entre Lisboa e o Rio de Janeiro. Assim era Avenida Almirante Gago Coutinho desde a publicação do Edital municipal de 2 de janeiro de 1960, com a legenda «Sábio e Herói da Navegação Aérea».

Em 23 de julho de 1956, o Aero-Club de Portugal sugeriu à  Câmara Municipal de Lisboa a atribuição do nome Avenida Gago Coutinho – Sacadura Cabral à Avenida do Aeroporto mas, seguindo as regras usuais da toponímia lisboeta tal não foi possível, uma vez que o almirante ainda estava vivo e Sacadura Cabral já era topónimo de uma artéria da capital desde a publicação do Edital de 14 de setembro de 1926. No dia seguinte ao falecimento de Gago Coutinho, o Vereador Dr. Baêta Henriques sugeriu em reunião de Câmara a atribuição do seu nome à Avenida do Aeroporto, o que após vários trâmites se concretizou pelo Edital municipal de 2 de janeiro de 1960.

Como topónimo, havia sido antes a Avenida do Aeroporto, atribuída por Edital municipal de 17 de fevereiro de 1947 à via pública no prolongamento da Avenida Almirante Reis que começava na Praça do Areeiro e findava junto do edifício do Aeroporto da Quinta da Portela de Sacavém, traçado por Francisco Keil do Amaral.  No final  do ano de 1988, justamente o seu troço final, o troço da Avenida Almirante Gago Coutinho compreendido entre a Praça do Aeroporto (vulgarmente conhecida como Rotunda do Relógio) e o Edifício-Gare do Aeroporto de Lisboa, passou a denominar-se Alameda das Comunidades Portuguesas pelo Edital municipal de 9 de dezembro de 1988.

Já no nossos séc. XXI, pelo Edital de 6 de maio de 2015, Gago Coutinho passou a ser mais um topónimo duplicado em Lisboa  por herança da Expo 98 – à semelhança de Fernando Pessoa -, através da Praça Gago Coutinho ao Parque das Nações. Também o Aeroporto de Lisboa, inicialmente construído na periferia da cidade, na época em que Lisboa terminava no Areeiro, se encontra hoje envolvido pelo espaço urbano e desde 15 de maio de 2016 que se denomina Aeroporto Humberto Delgado, o General Sem Medo, opositor de Salazar, que em campanha eleitoral para a Presidência da República disse em conferência de imprensa sobre o seu opositor «Obviamente, demito-o».

(Foto: Flama, 3 de maio de 1974)

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