O Banco de Portugal e a Rua do Comércio

(Imagem: República, 25 de abril de 1974, 3ª edição )

Cerca das 5:45 as forças da EPC comandadas por Salgueiro Maia instalaram-se  na Praça do Comércio, assumindo simbolicamente o poder dos Ministérios e cercando outros pontos estratégicos próximos, como o Banco de Portugal, Bruxelas de nome de código.

No dia 25 de Abril, a coluna da EPC- Escola Prática de Cavalaria comandada por Salgueiro Maia, chega à Baixa de Lisboa, cerca os ministérios e ocupa a Praça do Comércio (Toledo, de nome de código), bem como outros pontos estratégicos da zona, como o Banco de Portugal na Rua do Comércio e a Rádio Marconi, na paralela Rua de São Julião. Instruendos da Escola Prática de Cavalaria pertencentes ao 5º pelotão de atiradores tomaram posição entre a Praça do Município, Rua do Comércio e  Largo de São Julião. Ao Posto de Comando instalado na Pontinha comunicou Salgueiro Maia «maior de Charlie Oito ao Posto de Comando: Ocupámos Toledo e controlamos Bruxelas e Viena.» Conforme  Salgueiro Maia declarou na altura ao jornalista Adelino Gomes,  «Estamos aqui para derrubar o Governo».

A Rua do Comércio, sede do Banco de Portugal – banco central da República Portuguesa – nasceu como Rua Nova de El Rei, pelo primeiro diploma de toponímia de Lisboa, de 5 de novembro de 1760, e passou a ser a Rua do Comércio pelo primeiro Edital de toponímia da Câmara Municipal de Lisboa, após a implantação da República em Portugal, em 5 de novembro de 1910.

O decreto régio de D. José I de 5 de novembro de 1760 consagrou as denominações da Baixa Pombalina e nele foi atribuído o topónimo Rua Nova de El Rei. No século seguinte, por Edital municipal de 8 de junho de 1889, foi retirado o atributo «Nova» e passou a denominar-se Rua de El Rei. E finalmente, pelo primeiro Edital camarário de 5 de novembro de 1910, um mês após a implantação da República, tornou-se a Rua do Comércio e assim ficou até aos nossos dias.

Em Lisboa, como no resto do país, as placas toponímicas serviram o propósito de divulgação dos valores e figuras republicanas, pelo que se procurou na época substituir os topónimos relacionados com a Monarquia. Assim, temos nesse primeiro Edital de 1910, em Lisboa, a Rua do Comércio a substituir a Rua de El Rei, a Avenida Almirante Reis a renomear a Avenida Rainha Dona Amélia, a Avenida Cinco de Outubro a ser a nova denominação da Avenida António Maria de Avelar, a Avenida Miguel Bombarda a tomar o lugar da Avenida Hintze Ribeiro, a Avenida da República a ficar na Avenida Ressano Garcia, a Avenida Elias Garcia a substituir a Avenida José Luciano, a Praça Afonso de Albuquerque a renomear a Praça D. Fernando, a Rua dos Fanqueiros a ser a nova designação da Rua da Princesa e a Rua da Prata a tomar o lugar da Rua Bela da Rainha.

(Imagem: Diário Popular, 25 de abril de 1974)

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