A Avenida Carlos Paredes e Utopia no MURO’19

Avenida Carlos Paredes
(Freguesia do Lumiar)

O MURO’19 que vai decorrer de 23 a 26 de maio na freguesia do Lumiar tem como tema a Música aproveitando a toponímia do local específico onde vai decorrer, em que a Avenida Carlos Paredes serve como o braço de uma guitarra portuguesa em que os outros arruamentos com topónimos ligados à música, de ambos os lados, funcionam como o corpo do instrumento.

Esta 3ª edição do Festival de Arte Urbana de Lisboa comportará ainda, em 3 espaços distintos, a criação de uma peça única em resultado do trabalho conjunto de um músico e de um street artist.

Utopia, de seu nome Oliveiros junior, é um artista brasileiro, natural de São Paulo, que desde 1997 realiza arte urbana usando uma mistura de materiais, de formas e de cores que tornam o seu estilo único. No MURO’19, vai ter intervenção na Avenida Carlos Paredes, na EB 2+3 do Alto Lumiar, onde está sediado também o Agrupamento Escolar, bem como em mais duas escolas da zona (a EB Nuno Cordeiro e a EB Padre José Manuel Rocha e Melo).

O mestre da guitarra portuguesa Carlos Paredes está homenageado nesta artéria que antes de ter topónimo era identificada como Avenida 2 do Plano de Urbanização no Alto do Lumiar. Ficou Avenida Carlos Paredes, a primeira da cidade a ser dedicada a um nome ligado à Música, através da publicação do Edital municipal de 6 de outubro de 2005, próxima da Alameda da Música e de outras ruas com topónimos de compositores, instrumentistas e cantores, com que a edilidade pretendeu criar um Bairro da Música através da toponímia em 2004.

Carlos Paredes (Coimbra/16.02.1925 – 23.07.2004/Lisboa), guitarrista ímpar da cultura portuguesa, filho, neto e bisneto de vultos da guitarra portuguesa – Artur, Gonçalo e António Paredes -, estudou  este instrumento logo a partir dos 4 anos. Aos 9 anos veio residir para Lisboa, estudou no Liceu Passos Manuel e chegou a frequentar o primeiro ano do Curso industrial do Instituto Superior Técnico. Porém, em 1949, apresentou-se em parceria com o seu pai no programa semanal deste na Emissora Nacional e nesse mesmo ano tornou-se arquivista de radiografias do Hospital de São José. Em 1958 aderiu ao Partido Comunista Português e por denúncia de colegas de trabalho, foi preso pela PIDE em setembro e libertado só 18 meses depois, com a consequente expulsão da função pública. Mas  Carlos Paredes vai tornar-se uma figura reconhecida nacional e internacionalmente como músico, tanto como executante, quer como compositor e ainda como um dos grandes responsáveis pela divulgação e popularidade da guitarra portuguesa. Usou uma guitarra de Coimbra e a afinação do Fado de Coimbra mas a sua vida em Lisboa inspirou-lhe inúmeras das suas composições.

A sua discografia soma os singles  Mudar de VidaAntónio Marinheiro e Balada de Coimbra(todos em 1972); os EP’s Carlos Paredes (1957), Porto SantoDivertimento e  Variações em Ré Menor (todos em 1968); bem como os álbuns Guitarra Portuguesa (1967), Movimento Perpétuo(1971), Carlos Paredes-Meister der portugiesischen Guitarre (1977, na RDA), O Oiro e o Trigo (1980, na RDA), Concerto em Frankfurt (1983), Espelho de Sons ( 1988), Na Corrente (1996), Canção para Titi (2000).  Acompanhou e/ou produziu ainda discos de poemas de  Ary dos Santos (1969), da cantora Cecília de Melo(1971), de Manuel Alegre(1974), para além de colaborações com Adriano Correia de Oliveira (1975), António Vitorino de Almeida (1986), Charlie Haden (1990) ou Madredeus (1992).

Para o cinema fez a banda sonora da curta Rendas de Metais Preciosos (1960) de Cândido Costa Pinto, de Os Verdes Anos (1962)  e Mudar de vida (1966) de Paulo Rocha, de P.X.O. (1962) de Pierre Kast, de Fado corrido (1964) de Jorge Brum do Canto, As pinturas do meu irmão Júlio (1965) de Manoel de Oliveira, Crónica do esforço perdido (1966) de António de Macedo, A cidade (1968) e The Columbus route (1969) de José Fonseca e Costa, Tráfego e estiva (1968) de Manuel Guimarães, bem como do documentário Na corrente (1969) de  Augusto Cabrita. Colaborou também com o Teatro Moderno de Lisboa, o Teatro Experimental de Cascais, o Grupo de Teatro de Campolide, o  Teatro Na Caixa e Vasco Wallenkamp também usou a sua música para a criação do bailado Danças para Uma Guitarra (1982).

Após o 25 de Abril de 1974, Carlos Paredes  foi reintegrado nos quadros do Hospital de São José e o anúncio televisivo diário das primeiras eleições livres para a Assembleia Constituinte tinha música sua. A sua última actuação em público ocorreu em outubro de 1993, na Aula Magna da Reitoria da Universidade de Lisboa, acompanhado por Luísa Amaro.

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