Ferrer Trindade e a Orquestra de Câmara Portuguesa no MURO’19

Ferrer Trindade, compositor da Canção do Mar e maestro da sua Orquestra Ritmo, tal como a Orquestra de Câmara Portuguesa, criada em 2007, são presenças no MURO’19 que nesta 3ª edição liga a Arte Urbana à criação sonora, a espetáculos musicais, à toponímia musical dos Bairros da Música e  da Cruz Vermelha, na freguesia do Lumiar.

Fundada por Pedro Carneiro, Teresa Simas, José Augusto Carneiro e Alexandre Dias em julho de 2007 a Orquestra de Câmara Portuguesa teve a sua estreia na abertura da temporada do CCB- Centro Cultural de Belém, no dia 13 de setembro desse mesmo ano, sendo a OCP a Orquestra em Residência, desde o ano seguinte e uma presença constante nos Dias da Música em Belém.

A OCP já trabalhou com os compositores Emmanuel Nunes, Miguel Azguime e Sofia Gubaidulina, bem como com os maestros Alberto Roque, Luís Carvalho, Pedro Amaral e Pedro Neves,  e ainda  os coros Voces Celestes e Lisboa Cantat. Também acolheu solistas internacionais como António Rosado, Artur Pizarro, Carlos Alves, Cristina Ortiz, Filipe-Pinto Ribeiro, Gary Hoffman, Heinrich Schiff, Jorge Moyano, Sergio Tiempo, Tatiana Samouil ou Thomas Zehetmair. Já se apresentou em Alcobaça, Almada, Batalha, Castelo Branco, Coimbra, Leiria, Paços de Brandão, Portimão, Setúbal, Tomar, Vila Viçosa e Viseu, bem como no Festival Jovem Músicos da Antena 2, Festival ao Largo do Teatro Nacional São Carlos, concertos de Natal nas Igrejas de Lisboa, concertos da DGPC Música nos Mosteiros (2013) e no City of London Festival (em 2010). Desde 2014, a OCP tem ainda colaborado com a Companhia Nacional de Bailado e foi pioneira em modelos de Responsabilidade Social, no âmbito dos quais desenvolveu a Orquestra Portuguesa (JOP), a OCPsolidária e a OCPdois, com diversos patrocinadores e intercâmbios internacionais, sendo o Município de Lisboa um dos seus parceiros institucionais.

O compositor Ferrer Trindade, autor da famosa Canção do Mar, da qual se produziram inúmeras versões, está desde a publicação do Edital municipal de 14 de julho de 2004 homenageado como topónimo na artéria do Lumiar que se estende da Rua José Cardoso Pires à Rua Helena Vaz da Silva, antes identificada como Rua 7.2 entre a Malha 7 e PER 9.

Francisco Ferrer Trindade (Barreiro/09.12.1917 – 13.01.1999/Lisboa), compositor e maestro consagrado, popular por sucessos como Canção do Mar ou Nem às Paredes Confesso, dedicou-se à música ligeira integrando as orquestras de Tavares Belo e Almeida Cruz, dirigindo a Orquestra de Variedades da Emissora Nacional e também formando a sua própria orquestra –  a Orquestra Ritmo – que circulou pelos Casinos de Espinho, Figueira da Foz, Póvoa de Varzim e Casino Estoril, acompanhando importantes artistas nacionais e estrangeiros. Ferrer Trindade também compôs para o Teatro de Revista e nomes como Amália, Artur Garcia, Anita Guerreiro, António Calvário, António Mourão, Beatriz da ConceiçãoCarlos Ramos, Lenita Gentil, Maria da Fé, Maria de Lurdes Resende ou Madalena Iglésias, entre muitos outros, cantaram músicas suas.

Ferrer Trindade formou no Conservatório Nacional de Lisboa como aluno externo ao mesmo tempo que trabalhava. Somou ainda um curso de Composição e Direção de Orquestra da Academia de Santa Cecília em Milão. Começou por tocar na Orquestra de Câmara do Conservatório, clarinete na Banda da Armada e violino na Orquestra Filarmónica de Lisboa. Foi premiado com o 1º Prémio do Festival da Figueira da Foz – com a composição Olhos de Veludo – e um 3º com Sombras da Madrugada, para além do 1º e 2º Prémios do Festival de Luanda. Sendo colaborador da RTP desde a sua inauguração, como maestro, foi o escolhido em 1969 para dirigir a Orquestra da Eurovisão, com a canção A Desfolhada, no Teatro da Ópera de Madrid.

Foi agraciado com a Medalha de Ouro da Emissora Nacional, a Medalha de Mérito Artístico do Governo Civil do Distrito de Setúbal e a Medalha da Cidade de Setúbal e uma sessão comemorativa do seu centenário organizada pela Câmara Municipal do Barreiro.

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