Nóbrega e Sousa de «Vocês Sabem Lá» e a «underground» Rádio Quântica no MURO’19

 

O compositor Nóbrega e Sousa,  funcionário da Emissora Nacional e autor de Vocês Sabem Lá e a Rádio Quântica, uma rádio online do underground português marcam presença  na 3ª edição do Festival de Arte Urbana de Lisboa, o MURO’19, que no Lumiar, nos Bairros da Música e da Cruz Vermelha vai exibir arte urbana e sonoridades inspiradas pela toponímia local.

A emitir online desde 1 de novembro de 2015-  em https://www.radioquantica.com/ -, a Rádio Quântica é uma estação de rádio, uma plataforma comunitária para artistas do underground português se fazerem ouvir. Fundada pelos artistas portugueses Photonz e Violet, ambos com 12 anos combinados de experiência em rádio local, nacional e online, em conjunto com um grupo de artistas e crews. Esta estação de rádio online é a manifestação de um movimento não-local que se desenha há alguns anos e que inclui DJs, editoras, crews, músicos, colecionadores, agitadores culturais e ativistas de igualdade de origem portuguesa ou lusófona. Anos de colaborações na promoção de festas, lançamento de música, presença em festivais, gravações de guest mixes e uma apreciação mútua  deu sentido a uma plataforma que junta estas pessoas da cultura portuguesa.

Nóbrega e Sousa, compositor famoso por canções como Sol de Inverno ou Vocês sabem Lá, é o topónimo dado à Rua B da Malha 3 do Alto do Lumiar que liga a Rua Vasco Gonçalves à Avenida Carlos Paredes através do Edital municipal de 15 de dezembro de 2003. A inauguração oficial ocorreu no  Dia Mundial da Música de 2004, em conjunto com a Alameda da Música e as Ruas Adriana de Vecchi, Arminda Correia, Belo Marques, Luís Piçarra, Shegundo Galarza e Tomás Del Negro.

O cagaréu Carlos de Melo Garcia Correia Nóbrega e Sousa (Aveiro/04.11.1913 – 04.04.2001/Lisboa) desde a sua primeira valsa editada pela Sasseti, em 1933, durante muitas décadas contribuiu para o êxito da música ligeira portuguesa. Por insistência do seu pai ainda trabalhou 2 anos como escriturário na Câmara Municipal de Lisboa mas depois dedicou-se a uma carreira musical, quer em  programas em direto das rádios, quer no teatro de revista, quer em canções para filmes portugueses, somando mais de 500 canções da sua autoria, nos mais diversos géneros e ritmos, desde valsas a fado, das marchas ao rock, a maior parte delas gravadas comercialmente em Portugal, mas também em Espanha, Brasil, França, Itália, Inglaterra, Argentina ou Estados Unidos da América e que foram sucessos nas vozes de Amália Rodrigues, António Calvário, Madalena Iglésias, Maria de Fátima Bravo, Maria de Lurdes Resende, Simone de Oliveira e de Tony de Matos, entre outras. De 1940 a novembro de 1974 Nóbrega e Sousa foi também funcionário da Emissora Nacional, primeiro como Assistente de Programas Musicais e depois, como Chefe da Secção de Programas Ligeiros.

Nóbrega e Sousa foi distinguido com um Óscar da Casa da Imprensa para o melhor compositor de Música Ligeira (em 1962 e 1963); venceu o Festival da Canção por 3 vezes (1965, 1970 e 1979), com Sol de Inverno, Onde vais rio que eu canto e Sobe sobe balão sobe; ganhou o 1º Prémio da Grande Marcha de Lisboa em dois anos seguidos (1968 e 1969), com Lisboa dos Milagres e Lisboa dos Manjericos; para além de ter sido agraciado com o grau de Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique (1998) quando cumpria 70 anos de carreira e, em novembro de 2000 pela sua obra e como morador durante 35 anos na freguesia, na Rua Tomás da Anunciação, foi homenageado pela Junta de Santo Condestável (já extinta e absorvida pela Junta de Freguesia de Campo de Ourique).

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