Shegundo Galarza e a Sons da Lusofonia no Muro’19

O compositor basco Shegundo Galarza e a Sons da Lusofonia vão partilhar o espaço do Muro’19, 3ª edição do Festival de Arte Urbana de Lisboa, desta feita com a inspiração da música que a toponímia local evoca –  com a Alameda da Música, as fadistas Maria Alice, Maria do Carmo Torres e Maria José da Guia ou nomes da  música clássica como Arminda Correia ou Tomás del Negro-, fazendo a ligação da arte urbana a sonoridades, na vontade expressa da Galeria de Arte Urbana de Lisboa|GAU de apostar na divulgação de abordagens artísticas experimentais e inovadoras.

Criada em 1996, a Associação Sons da Lusofonia partiu do saxofonista português Carlos Martins e da sua experiência musical, com o intuito de juntar artistas de diversas origens- em especial, africanos, brasileiros e portugueses – em vários agrupamentos dos quais se destaca a Orquestra Sons da Lusofonia. A Associação procura ainda aliar a intervenção social e a educação global à música, assim como à relação entre comunidades, pessoas e artes,  numa ampla área de intervenção de  Criação de Projetos Culturais, Festivais, Cooperação cultural e técnica, Educação Global através da música, Criação e produção de suportes de comunicação, Investigação em Etnomusicologia e Promoção de espetáculos.

A Associação Sons da Lusofonia tem marcado o seu percurso através de cruzamentos interdisciplinares e pessoas de diferentes geoculturalidades e neste âmbito produz anualmente a Festa do Jazz, a OPA- Oficina Portátil de Artes, a Lisboa Mistura, assim como desenvolveu o Portugal em Jazz, para além de editar discos e livros. Em 2007, realizou ainda para televisão o programa Lisboa Mistura TV, da autoria de Carlos Martins.

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Shegundo Ramón Galarza Arace (Espanha – Guipuzcoa/07.09.1924 – 04.01.2003/Lisboa), maestro e compositor de origem basca, filho único de um comerciante, começou a residir em Lisboa a partir de 1948 e em mais de 50 anos de carreira deixou uma marca de qualidade na música ligeira portuguesa que justificam a sua presença desde a publicação do Edital municipal de 15 de dezembro de 2003 como topónimo no núcleo dedicado à toponímia musical, no arruamento formado pela junção da Rua B com a  Rua 7.1 do Alto do Lumiar, pelo que hoje une a Avenida Álvaro Cunhal  à Rua Ferrer Trindade.

Com a sua orquestra de violinos, Shegundo Galarza esteve presente na televisão portuguesa desde o seu começo e celebrizou o restaurante Mónaco, de que era coproprietário com o empresário galego Manuel Outerelo Costa.

Shegundo Galarza concluiu o conservatório de Bilbau,  ganhou um prémio de piano e aos 18 anos começou a percorrer a Europa em concertos. Chegou a Portugal com 24 anos de idade e a partir de 25 de novembro de 1948 passou a atuar diariamente no Casino Estoril, situação que manteve até maio de 1950. Na década de cinquenta também tocou em diversos restaurantes portugueses, nos de Luanda e da então Lourenço Marques (hoje Maputo), bem como de Joanesburgo (1952 -1954), até se estabelecer  junto à Marginal, no Restaurante Mónaco (de novembro de 1956 a 1974), local que introduziu o jantar dançante em Portugal.

Em paralelo, Shegundo Galarza integrou prestigiadas orquestras ligeiras portuguesas e teve a sua, para além de um conjunto em nome próprio. Por via do maestro José Atalaya, logo em 1956 foi convidado pela RTP a protagonizar um programa semanal, com a sua orquestra de violinos, que atingiu 100 emissões. Ao longo da sua carreira colaborou com a RTP quer em programas de música quer em arranjos musicais de várias longas metragens e de centenas de documentários.

Gravou os seus três primeiros discos para a editora Melodia (1951) com temas de Frederico Valério e seus; mais seis para a editora Decca  (1952 -1954) e assinou a gravação de quatro com a editora Estoril, para além de ter gravado  Fado Rossio para a Fonomat, de Lisboa,  em 1959. Como solista ou com a sua orquestra de violinos, gravou cerca de 50 discos em Portugal e Espanha, para editoras como a Alvorada, BelterEstoril, Marfer, Orfeu, RCA, Roda e Voz do Dono. Em 1996, Shegundo Galarza gravou um disco em que interpretava, ao piano, temas como Lisboa AntigaMadeiraAçoresMoçambique, Aldeia da Roupa Branca e em 2001 editou Sorrisos do Tempo.

Como orquestrador,  Shegundo Galarza trabalhou para o Festival Eurovisão da Canção ou da OTI – tendo dirigido a orquestra da Eurovisão para Playback de Carlos Paião (1981) – e trabalhado com outros inúmeros artistas como AmáliaCândida Branca FlorManuel João Vieira, Frei Hermano da Câmara, Herman José, Jorge Fontes, José Cid, Lara Li, Madalena Iglésias, Marco Paulo, Maria da Fé, Maria de Lurdes Resende, Max, Natália de Andrade, Paulo de Carvalho, Quim Barreiros, TonichaTony de Matos ou Tozé Brito.

Na sua vida pessoal, foi pai da enfermeira Teresa Galarza (1952) e do também músico Ramón Galarza (1957).

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