A Rua Maria Carlota do Bairro da Cruz Vermelha e a cianotipia da Agência Calipo no MURO’19

(Foto: © Bruno Cunha| CML| DPC| 2019)

O pátio nas traseiras dos prédios da Rua Maria Carlota, no antigo Bairro da Cruz Vermelha ou das Marias,  junto à Associação dos Moradores do Bairro da Cruz Vermelha,  é o palco da Agência Calipo no MURO’19 para a realização de wokshops de cianotipia, que têm decorrido nos sábados e domingos deste mês e assim sucederá também nos próximos dias 18, 19, 25 e 26 de maio.

A Agência Calipo junta fotógrafos de distintas linguagens visuais e técnicas fotográficas, que partilham entre si o conhecimento, a discussão de ideias e sobretudo, a vontade de produzir trabalho de qualidade, desde 2014. São eles Alice Wr, Filipe Canário, João José Bica, José Vicente, Luís Vintém, Manuel Falcão Malzbender, Marcin Górski, Mário Tavares e Rui Cartaxo Rodrigues.

Já a Rua Maria Carlota, que foi antes da publicação do Edital identificada como Rua 10 do Bairro Municipal da Cruz Vermelha e hoje liga a Rua Maria do Carmo Torres à Rua Maria José da Guia,  homenageia Maria Carlota de Saldanha Pinto Basto, nascida em Lisboa, na então freguesia da Lapa, em 13 de junho de 1945, filha de Tomás Ferreira Pinto Basto e Maria Carlota da Câmara de Saldanha, sendo irmã de Maria Ana de Saldanha Pinto Basto e de Teresa de Jesus de Saldanha Pinto Basto. Era uma das senhoras da Cruz Vermelha que contribuíram para o nascimento do Bairro da Cruz Vermelha.

Por edital de 27 de outubro de 1966, ao contrário do que era hábito na toponímia da cidade, a Câmara Municipal de Lisboa atribuiu aos arruamentos do Bairro da Cruz Vermelha o nome de pessoas ainda vivas, sendo neste particular o de seis mulheres da Secção Auxiliar Feminina da Cruz Vermelha que naquela mesma década promoveram uma campanha nacional de angariação de fundos para a construção do Bairro, tendo até perante as câmaras da RTP solicitado um escudo  a cada telespetador – um escudo equivale a cerca de meio cêntimo dos nossos dias -, para se proceder ao realojamento das famílias cujas barracas na Quinta da Feiteira (à Charneca do Lumiar), tinham sido destruídas por um incêndio em 15 de julho de 1963.  As beneméritas ficaram identificadas apenas pelos seus nomes próprios: Rua Maria Carlota (de Maria Carlota Saldanha Pinto Basto), Rua Maria Emília (de Maria Emília Moreira Sena Martins), Rua Maria Helena (de Maria Helena Monteiro de Barros Spínola, mulher de António de Spínola), Rua Maria Margarida (de Maria Margarida Montenegro Fernandes Tomás de Morais, a presidente da Secção Feminina da Cruz Vermelha), Rua Maria Ribeiro (de Maria Ribeiro Espírito Santo Silva de Melo) e Rua Maria Teresa (de Maria Teresa Assis Palha Holstein Beck), acrescentando ainda nos arruamentos restantes do Bairro, a Rua das Duas Marias, a Rua das Três Marias, a Rua das Quatro Marias, a Rua das Cinco Marias e o Largo das Seis Marias, pelo que não é de estranhar que popularmente o Bairro também fosse conhecido como o «Bairro das Marias».

Desta toponímia inicial do Bairro hoje restam apenas esta Rua Maria Carlota e a Rua Maria Margarida. Nos anos oitenta do século passado, pelo Edital municipal de 25 de junho de 1985 foi acrescentada a Rua Maria Albertina, em homenagem a uma cantora de temas populares e de fado, pelo que quando o Bairro cresceu em mais três arruamentos, o Edital municipal de 5 de julho de 2000, colocou lá os nomes de mais três cantoras e fadistas, todas marianas: Maria Alice, Maria do Carmo Torres e Maria José da Guia.

Nos anos sessenta do séc. XX, a edilidade lisboeta adquiriu um terreno de seis hectares da Quinta da Feiteira para aí ser edificado o Bairro da Cruz Vermelha correspondendo à campanha então lançada. A inauguração oficial teve lugar em 13 de dezembro de 1966, com a entrega de chaves de 230 fogos, não só às famílias vítimas do incêndio que despoletou a contrução do Bairro, mas também a outras que a campanha «Dez Tostões para uma Casa» do jornal Diário de Notícias permitiu acrescentar. No ano seguinte, em janeiro, a CML adjudicou a construção do grupo escolar do Bairro a António Augusto Freire e a inauguração oficial teve lugar a 27 de outubro, com a presença do Presidente de então da edilidade, António Vitorino França Borges. Ainda em 1967, em outubro, foi também adjudicada a construção do edifício com  salão de festas e já em janeiro de 1968 foi adjudicada também a construção de uma creche, a  José Matias e em 1969, foi a vez da biblioteca.

© CML | DPC | NT e GAU | 2019

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