A Rua Maria José da Guia, Tamara Alves e Ozearv no MURO’19

A 3ª edição do Festival de Arte Urbana de Lisboa, o MURO’19, na proximidade da Rua Maria José da Guia, junta Tamara Alves e Ozearv numa intervenção artística conjunta no muro do estacionamento, ligando assim a arte urbana à música presente na toponímia local. Tamara Alves & Ozearv realizarão também um workshop no local.

Tamara Alves, nascida em 1983 é uma artista multifacetada que se exprime da pintura à  ilustração, das tatuagens à arte mural urbana, com o denominador comum de uma visão erótica de um corpo contemporâneo com limites expandidos: sem órgãos, uma paixão bruta, um devir animal. Desde o ano 2000 que participa em diversos projetos, exposições individuais e coletivas, afirmando-se como uma das mulheres mais conhecidas da arte urbana.

José Carvalho, nascido em 1980, é o nome civil do artista Ozearv, licenciado em Artes Plásticas pela Escola Superior de Artes e Design das Caldas da Rainha. Desde 1996 que tem integrado diversos projetos individuais e coletivos, políticos e humanitários, como membro da primeira geração de artistas de arte urbana portugueses. O seu trabalho para a arte mural procura o espaço, o movimento e a cor das cidades e os seus contrastes, através de técnicas que vão do aerosol ao stencil, da ilustração à fotografia, para «preencher o branco que existe no dia-a-dia de cada um de nós». Já em 2017, na 2ª edição do MURO, integrou o «Incursões pela Arte» em que pintou com os alunos da Escola Básica de Marvila.

A Rua Maria José da Guia,  que liga a Rua Pedro Queirós Pereira à Rua Maria Carlota, nasceu do Edital municipal de 5 de julho de 2000, junto com a Rua Maria Alice e a Rua Maria do Carmo Torres no Bairro da Cruz Vermelha. Este bairro conhecido popularmente como Bairro das Marias, recebeu mais estes três topónimos marianos, todos de fadistas, todos por sugestão de Appio Sottomayor enquanto membro da Comissão Municipal de Toponímia de Lisboa.

Maria José da Guia

Maria José dos Santos Guia de Freitas (Angola/16.10. 1929 – 02.09.1992/Espanha) que usou o nome artístico de Maria José da Guia, ficou famosa no Fado na década de quarenta do século XX. Aos quatros anos foi morar para Alfama e aí começou a cantar, tendo  até sido mascote da Marcha de Alfama. A sua carteira profissional data de 1944 e a sua voz sustentava-se num corpo vestido de negro e xaile traçado.

Maria José da Guia cantou em várias casas de fado do Bairro Alto e de Alfama, tendo integrado os elencos do Café Luso, do Retiro da Severa, do Faia ou da Adega Machado. Celebrizou fados como Lisboa Antiga – com letra de José Galhardo e música de Raúl Ferrão -, Casa Portuguesa ( letra de Gustavo de Matos Sequeira e Reinaldo Ferreira com música de Artur Fonseca), Grão de Arroz ( letra e música de Belo Marques), Sempre que Lisboa Canta ( letra de Aníbal Nazaré e música de Carlos Rocha), Bairro Divino (letra e música de Álvaro Duarte Simões), Ciúme duma Verdade (letra de Fernando Peres e música de Jaime Santos, Victor Ramos e Santos Moreira),  Fado da Minha Saudade ( letra de Fernando Peres e música de Francisco José Marques), Um Golpe de Vento (letra de Linhares Barbosa e música de Nuno Meireles) ou o fado Severa ou a Marcha dos Centenários (letra de Norberto de Araújo e música de Raúl Ferrão).

No Fado, Maria José da Guia foi madrinha artística de Ada de Castro mas também passou pela rádio e televisão, assim como participou em várias revistas dos Teatros Maria Vitória, Variedades e ABC, no Parque Mayer, para além de ter cantado no filme O Homem do Dia (1958) de Henrique Campos. Na vida pessoal, Maria José da Guia casou com Amadeu José de Freitas, profissional do relato desportivo nos jornais, na rádio e na televisão, com quem teve dois filhos.

© CML | DPC | NT e GAU | 2019

 

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