MURO’19: A bola de San Spiga a rolar no Grupo Desportivo do Bairro da Cruz Vermelha ou das Marias

San Spiga, artista argentino focado no futebol e no sorriso, vai fazer rolar as suas tintas para intervir nas paredes exteriores do Grupo Desportivo e Recreativo do Bairro da Cruz Vermelha, junto à extinta Rua das Três Marias, no Bairro também conhecido popularmente como «Bairro das Marias»,  no âmbito do MURO’19, 3ª edição do Festival de Arte Urbana de Lisboa que desta vez junta arte urbana com sonoridades que a toponímia local ligada à música sugere.

San Spiga é o nome artístico de Santiago Spigariol, nascido em 1981 na Argentina. Este artista  multifacetado, adepto do lema «faz-se, aprende-se», é também desenhador gráfico, professor universitário e investigador da Universidade de Buenos Aires, bem como sócio e diretor criativo da empresa The Brandbean. Tem obra pedagógica e de investigação publicada, tendo despendido dois anos em viagem pelas universidade de desenho mais prestigiadas do mundo para entrevistar alunos e docentes orgulhosos da sua vocação.  O mundo visual  de San Spiga, bem humorado e de sorriso desenhado é feito com paixão e essa vocação natural cria a marca da diferença da sua obra. Já esteve em Lisboa a participar no MURO’16.

A Rua das Três Marias em 1970
(Foto: João H. Goulart, Arquivo Municipal de Lisboa)

A Rua das Três Marias era a Rua 7 do Bairro Municipal da Cruz Vermelha, atribuída pelo Edital municipal de 27 de outubro de 1966, como os restantes topónimos do Bairro da Cruz Vermelha.

Ao contrário do que era hábito na toponímia de Lisboa desde a criação em 1943 da Comissão Municipal de Toponímia, através do Edital de 27 de outubro de 1966 a Câmara Municipal de Lisboa atribuiu aos arruamentos do Bairro da Cruz Vermelha o nome de pessoas ainda vivas: o de seis mulheres da Secção Auxiliar Feminina da Cruz Vermelha que naquela mesma década promoveram uma campanha nacional de angariação de fundos para a construção do Bairro, tendo até perante as câmaras da RTP solicitado um escudo  a cada telespetador – um escudo equivale a cerca de meio cêntimo dos nossos dias -, para se proceder ao realojamento das famílias cujas barracas na Quinta da Feiteira (à Charneca do Lumiar), tinham sido destruídas por um incêndio em 15 de julho de 1963.  As beneméritas ficaram identificadas exclusivamente pelos seus nomes próprios: Rua Maria Carlota (de Maria Carlota Saldanha Pinto Basto), Rua Maria Emília (de Maria Emília Moreira Sena Martins), Rua Maria Helena (de Maria Helena Monteiro de Barros Spínola, mulher de António de Spínola), Rua Maria Margarida (de Maria Margarida Montenegro Fernandes Tomás de Morais, a presidente da Secção Feminina da Cruz Vermelha), Rua Maria Ribeiro (de Maria Ribeiro Espírito Santo Silva de Melo) e Rua Maria Teresa (de Maria Teresa Assis Palha Holstein Beck). Nos restantes arruamentos a edilidade lisboeta fez nascer a Rua das Duas Marias, a Rua das Três Marias, a Rua das Quatro Marias, a Rua das Cinco Marias e o Largo das Seis Marias.

Desta toponímia inicial do Bairro da Cruz Vermelha, popularmente conhecido como das Marias, hoje restam a Rua Maria Carlota e a Rua Maria Margarida. E as outras «Marias» que se juntaram depois: a Rua Maria Albertina (Edital municipal de 25 de junho de 1985) e as Ruas Maria Alice, Maria do Carmo Torres e Maria José da Guia ( Edital municipal de 5 de julho de 2000).

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