A cantora Maria Albertina e a pantomima gráfica de Pantónio no 3ª Festival de Arte Urbana de Lisboa

Pantónio no MURO’19
(Foto : © CML | DMC | DPC | José Vicente, 2019)

Unidos pelo movimento, o 3º Festival de Arte Urbana de Lisboa, a decorrer desde ontem no Lumiar, integra as presenças da cantora e atriz de revista Maria Albertina, por ser nome de rua local, e Pantónio, o artista do movimento de pantomima gráfica, por executar uma intervenção mural com uma espécie de andorinhas fantásticas nas proximidades da Rua Maria Alice.

Pantónio é o nome artístico de António Correia, natural da Terceira nos Açores, nascido em 1975, que após um percurso bem sucedido em Marketing e Publicidade, decidiu dedicar-se ao que lhe dá mais prazer:  intervir em espaços públicos pela arte, com uma paleta de cores restrita – sobretudo preto, branco e  azul –  e inspirada nas cores da sua ilha natal ( o azul do mar, o branco das nuvens e o preto das rochas vulcânicas), de que resulta uma pantomima gráfica de emoções, uma intensa ideia de constante movimento presente em cada uma das suas obras visuais. As suas obras caracterizam-se por um fluxo de linhas fluídas sugerindo uma grande liberdade de movimentos, semelhantes aos seus gestos quando as pinta a pincel e trincha como se fora um lápis o que usa na mão.

Pantónio já trabalhou em Lisboa, Amadora, Fundão e internacionalmente, nas cidades de Paris,  Averdon, Nantes, Bayonne, Grenoble, Marselha  (todas em França), Pescara (Itália) e Berlim.

Maria Albertina em 1936, por Amarelhe

Maria Albertina, voz do vira e do fado de Lisboa, bem como do elenco de operetas e revistas alfacinhas, ficou como topónimo de uma rua do Bairro da Cruz Vermelha por solicitação do Grupo Folclórico As Tricanas de Ovar, cerca de três meses após o seu falecimento, através do Edital municipal de 25 de junho de 1985, com a legenda «Cantadeira/1909 – 1985».

Maria Albertina Soares de Paiva (Ovar/05.01.1909- 27.03.1985/Lisboa), conhecida pelo nome artístico de Maria Albertina, viveu grande parte da sua vida na capital, onde se estreou em 16 de julho de 1931, no Teatro Maria Vitória, na opereta História do Fado, ao lado de Berta Cardoso. Nos anos trinta conquistou inúmeros prémios como o Guitarra de Ouro (julho de 1932), o prémio Capacete de Ouro (setembro de 1932), venceu o concurso Qual a mais famosa artista do teatro português? (1936) e ganhou o  título de Melhor Cantadeira num concurso da Rádio Luso. Em 1934,  na revista Vista Alegre, com Carlos Ramos fez o célebre quadro «O Fado de Malhoa», a que se seguiram em 1935 os sucessos de Viva a folia!, Bola de neve, O Rapa, Sardinha assada e no ano seguinte, À vara larga, Feira de Agosto, a opereta Coração de Alfama, Há festa na Mouraria, Maria Rita e Água vai em 1937. Em 1941 Maria Albertina entrou na Grande Marcha de Lisboa e a partir da década 60, e durante mais de 20 anos, cantou n’ O Faia, na Rua da Barroca nºs 54-56, no Bairro Alto.

Cantou ainda no Retiro da Severa no Luna Parque, nos teatros Ginásio e Maria Vitória, no Grémio Alentejano e no Maxim’s, no Solar da Alegria e no Salão de Chá do Café Chave d’Ouro, em esperas de touros em Vila Franca de Xira, e também em casas particulares como a da Duquesa de Palmela, do banqueiro Ricardo Espírito Santo e nos palácios do Conde da Torre e de Fontalva, para além de ter participado em digressões pelo Brasil, Argentina, Espanha, E.U.A, Canadá e Paris.

Os seus maiores sucessos musicais foram Voz do Povo,  Meu Filho e Bailarico Saloio e sobretudo, o vira Tricanas de Ovar (1936) de Lopes Costa) criado para o teatro de revista e que em 1966 o locutor Jorge Alves exibiu no programa da RTP Melodias de Sempre. Em 1998, foi editado em CD uma compilação de 16 faixas das suas músicas.

Participou ainda no cinema em A Canção de Lisboa (1933) de Cottinelli Telmo, cantando o fado mouraria Fado dos beijos quentes; em Bocage (1936) para cantar Bailarico Saloio e ainda integrou o elenco de Vendaval Maravilhoso (1949), ambos filmes de Leitão de Barros.

Em nota final, refira-se que Maria Albertina foi mãe do apresentador de rádio e televisão Cândido Mota.

© CML | DPC | NT e GAU | 2019

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