Maria Alice e Third no Festival de Arte Urbana de Lisboa – MURO’19

(Foto: © Bruno Cunha, 2019 |DPC |DMC |CML )

A Rua Maria Alice tem ao longo de sete prédios, a intervenção de Third no MURO’19 – Festival de Arte Urbana de Lisboa, para narrar em pintura a história de Glória Mendes Leal de Carvalho, a fadista Maria Alice e a primeira a gravar um disco em Portugal, que desde o ano 2000 está perpetuada como topónimo da Freguesia do Lumiar.

Já o artista Third  é Nuno Príncipe Palhas, nascido em Vila Nova de Gaia em 1979, e que cedo revelou uma paixão pela cultura hip hop e a partir de 1996 se dedicou à pintura mural, a par do seu trabalho de designer têxtil para uma marca de streetwear. Expressa-se hoje através da arte urbana e da ilustração, com um estilo reconhecível pelo seu realismo, quer na forte presença dos retratos, como por exemplo a sua Carmen Miranda, quer nas estruturas tridimensionais que cria num hábil jogo de luz e sombra, sejam criaturas fantásticas ou robóticas.

De forma resumida, destaque-se que pintou obras em Águeda com o Colectivo Rua, um dragão para o Estádio do Dragão, participou no Festival de Arte Mural de Cascais, Festival de Murals i Art Rural a Penelles ( Catalunha -Espanha), Festival Sebastianas de Paços de Ferreira, o Míscaros – Festival do Cogumelo (Alcaide – Fundão), o mural inspirado na poesia de José Régio para a GAU na Calçada da Glória (em 2015),  para o Parque do Corgo (Vila Real) ou o Tons da Primavera de Viseu. Ainda recentemente expôs na 60-62 Art Gallery do Porto e ainda este ano vai participar na Exposição CAIS Urbana.

Maria Alice foi o nome artístico de Glória Mendes Leal de Carvalho (Figueira da Foz/01.09.1904 – 13.02.1996/Lisboa), a cantora de voz fina, maviosa e castiça  que foi muito popular na década de 30 do século XX  a ponto de ter gravados vários discos na editora Valentim de Carvalho. Foi também a segunda mulher do editor Valentim de Carvalho que aliás foi quem lhe escolheu o nome artístico, fazendo uso do nome da sua primeira mulher.

Desde os 3 anos de idade que Glória residia em Lisboa e em 1928 estreou-se numa Festa do Fado da Velha Guarda, no retiro Ferro de Engomar, na Estrada de Benfica. Continuou a cantar em Lisboa, em retiros, festas de beneficência, esperas de toiros, bem como integrou duas digressões ao Brasil. Os seus maiores sucessos foram Fado TristePerseguiçãoCrueldadeFado da TraiçãoFado da PerdidaFado-TangoA Voz do PovoA Minha SinaHumildadeVida Triste ou Esse Olhar Dá-me Tristeza. Retirou-se da carreira artística após o seu casamento com Valentim de Carvalho, nos anos quarenta do século XX.

Esta Rua Maria Alice,  que liga a Rua Maria do Carmo Torres à Avenida David Mourão Ferreira, nasceu do Edital municipal de 5 de julho de 2000, ao mesmo tempo que a Rua Maria José da Guia e a Rua Maria do Carmo Torres no Bairro da Cruz Vermelha. Este bairro conhecido popularmente como Bairro das Marias, recebeu mais estes três topónimos marianos, todos de fadistas, todos por sugestão de Appio Sottomayor enquanto membro da Comissão Municipal de Toponímia de Lisboa. Aliás, a designação popular do Bairro resultava da sua toponímia comportar apenas Marias, fosse através dos nomes próprios das senhoras da Secção Auxiliar Feminina da Cruz Vermelha – de cuja iniciativa foram angariados os fundos que permitiram a construção do Bairro Municipal da Cruz Vermelha-, fosse de jogos de nomes como a Rua das Duas Marias, a Rua das Três Marias, a Rua das Quatro Marias, a Rua das Cinco Marias e o Largo das Seis Marias. Na década de oitenta do séc. XX, foi também atribuída no local a Rua Maria Albertina.

© CML | DPC | NT e GAU | 2019

 

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