A Estrada da Torre e a reinterpretação de Regg para «Mãos em Oração»

A intervenção de Regg na Estrada da Torre
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2019

A quinhentista Estrada da Torre recebeu, no âmbito do Festival de Arte Urbana de Lisboa – MURO’19,  a reinterpretação de Regg Salgado para uma gravura também do séc. XVI, a Mãos em Oração, de 1508, de Albrecht Durer, em que uns auscultadores tomam o lugar de um rosário.

Regg é Tiago Salgado, nascido em Lisboa a 10 de janeiro de 1988. Depois de estudar Design licenciou-se em Artes Plásticas e a partir de 2010 começou a pintar pequenos murais em Santarém e Lisboa usando a técnica de stencil. Em seguida, passou para as trinchas e finalmente para o extensor com tinta plástica. Para além da pintura mural Regg Salgado também explora novas técnicas de pintura em tela e em meio digital.

Na arte urbana, destaquem-se as suas intervenções na Amadora, Barcelos, Covilhã, Lagos, Loures, Santarém, bem como nos Festivais ESTAU (de Estarreja), Tons da Primavera de Viseu ou Le M.U.R Mulhouse (França). Em Lisboa, produziu arte urbana no Bairro Alto, no Festival Todos na Colina de Santana, na Lx Factory, na Rua Capitão Santiago de Carvalho e na edição do MURO de 2016.

Estrada da Torre que hoje liga a Alameda das Linhas de Torres à Avenida David Mourão-Ferreira advém da Torre do Lumiar, um novo lugar do séc. XVI tal como o Chão do Meirinho, a Rua Direita, o Vale do Forno, Mejam Frio, Poço do Ouro, Ribeiro do Porto e os Barros. De acordo com memórias paroquiais de 1758, nessa época já o sítio ou lugar da Torre do Lumiar tinha 19 fogos, 104 habitantes e uma Ermida dedicada a Nossa Senhora do Livramento. No final do séc. XIX, a Azinhaga e a Estrada da Torre foram pavimentadas e a última alinhada. Em 1907, a planta de Silva Pinto tanto indica a Estrada da Torre como a Azinhaga da Torre, para além da  Quinta da Torre e da Quinta de Nossa Senhora do Livramento. No período de 1919 a 1921 esta Estrada recebeu diversas vivendas novas e mais tarde, nos anos 50, foi a morada de uma sociedade de padarias, propriedade de Castanheira de Moura, que esteve sediada na Quinta do Pombal, nos nºs 100 a 108.

A Estrada da Torre nos anos 50 do séc. XX
(Foto: Judah Benoliel, Arquivo Municipal de Lisboa)

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