O Arraial da Calçada da Bica Grande

Calçada da Bica Grande – Freguesia da Misericórdia

Pela Calçada da Bica Grande, Beco dos Aciprestes e Travessa do Cabral, prolonga-se o Arraial das Festas de Lisboa 2019 promovido pelo Marítimo Lisboa Clube, coletividade fundada no dia 1 de outubro de 1944, e que também logo em em 1952 foi responsável pela organização da Marcha da Bica conseguindo o seu primeiro 1º Prémio, que repetiu em 1955 e 1958, bem como em 1963 ex-aequo com Marvila, assim como em 1992 e 2003.

A Travessa

A Bica é um conjunto urbano seiscentista e setecentista que como freguesia foi destacada da freguesia dos Mártires  em 1566, como Freguesia de São Paulo, que hoje é parte da freguesia da Misericórdia. A Calçada da Bica Grande, toda em escadinhas, que sobe da Rua de São Paulo até à Travessa do Cabral e nessa subida abre à direita o Beco dos Aciprestes. De acordo com o olisipógrafo Norberto de Araújo Bica Grande e Bica Pequena podem ter sido apenas denominações dadas com o sentido de Calçada Grande e Calçada Pequena, o que até se ajusta à largura e extensão das serventias. Certo é que Filipe Folque no seu Atlas de Lisboa de 1856 já a menciona como Calçada da Bica Grande. Em 1909 foram reformadas as escadas e o cano de esgoto desta Calçada, o mesmo em que datado de 4  de junho, encontramos um pedido de autorização de José Tavares, como presidente da comissão organizadora dos festejos a Santo António, São João e São Pedro, para construir um coreto na Calçada da Bica Grande.

Travessa do Cabral, surge referida em 1706 na Corografia Portuguesa do padre Carvalho da Costa, como Rua do Cabral, mas em 1856, no Atlas da Carta Topográfica de Lisboa de Filipe Folque, já figura com o topónimo que conhecemos hoje. Norberto de Araújo explica que o homenageado é o bacharel Manuel Rodrigues Cabral, que nasceu no final do século XVI e morreu em 1632, que seria morador no local apontando, sem garantir certeza, como o seu solar de residência o prédio no nº 35 que torneja para a Calçada da Bica Pequena e ostenta um pórtico nobre. Por seu turno, a investigadora Graça Índias Cordeiro, defende que o topónimo se deve ao embaixador espanhol Cabral. Nesta artéria, no séc. XX, também viveu António Alçada Baptista.

O Beco

E finalmente, junto ao nº 34 da Calçada da Bica Grande nasce o Beco dos Aciprestes, identificado em 1856 por Filipe Folque como Beco do Acipreste. Eventualmente, pode o topónimo ter sido originado pela residência no local de um Arcipreste, o pároco que numa diocese tem poder superior ao dos restantes párocos, e ter havido uma corruptela gráfica. Na Gazeta de Lisboa de 29 de julho de 1829, refere-se uma propriedade foreira da Sé de Lisboa neste arruamento – o nº 1 com os nºs 3 e 4 da Calçada da Bica Grande -, sendo o foro de «80 reis e huma gallinha». Outra hipótese pode ser a proximidade a um cemitério nas suas redondezas, por ser frequente usarem este tipo de árvores.

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