A Festa do Japão no jardim da Rua Vieira Portuense

Rua Vieira Portuense e Jardim Vasco da Gama
(Foto: Ana Luísa Alvim| CML)

No próximo sábado, dia 22 de junho de 2019, das 14:00 às 22:00 horas, vai decorrer a 9ª Festa do Japão em Belém, no Jardim Vasco da Gama da Rua Vieira Portuense, inserida nas Festas de Lisboa’19.

Fronteiro à Rua Vieira Portuense o Jardim Vasco da Gama foi construído nos anos oitenta do século XX a partir do traçado do  arquiteto António Saraiva para uma área de 4,2 hectares. Já a Rua Vieira Portuense homenageia o pintor Francisco Vieira e foi atribuído pelo Edital municipal de 7 de agosto de 1911 na artéria até aí designada como Rua da Cadeia. Por Edital de 20 de setembro de 1915 foi-lhe acrescentada a artéria de continuação, a Rua do Cais de Belém e por isso a Rua Vieira Portuense estende-se hoje da Praça Afonso de Albuquerque até à Travessa da Praça.

O conjunto urbano da Rua Vieira Portuense integra prédios do séc. XVI ao XVIII,  junto ao que foi a antiga praia de Belém e ainda assim surge na planta de 1858 de Filipe Folque, sendo então o seu topónimo Rua da Cadeia, que era paralela e maior que a Rua Direita de Belém (hoje Rua de Belém) e que tinha a meio e mais próximo do rio um Mercado. Em 24 de julho de 1880 foi colocada a primeira pedra de um novo Mercado e na planta de 1909 de Silva Pinto já podemos observar o novo Mercado instalado no meio da Rua da Cadeia e da Rua do Cais. Ao lado do Mercado e paralela à Rua da Cadeia existia uma Rua Bahuto e Gonçalves que terminava na Praça Dom Vasco da Gama, sendo hoje ambas espaço dos jardins. O Edital municipal de toponímia de 1911 tornou a Rua da Cadeia em Rua Vieira Portuense e a Rua Bahuto e Gonçalves em Rua Paulo da Game e o Edital de 1915 somou a Rua do Cais à Rua Vieira Portuense. A partir de 1939 toda a zona começa a ser remodelada para aí se instalar a Exposição do Mundo Português de 1940, finda a qual ficou a Rua Vieira Portuense e uma zona de terras a separá-la do Tejo.

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D. Filipa de Vilhena armando seus filhos cavaleiros (1801, Londres) de Vieira Portuense

Francisco Vieira (Porto/13.05.1765 – 02.05.1805/Funchal) distinguiu-se como pioneiro do neoclassicismo na pintura portuguesa, tal como Domingos Sequeira, ambos pintores régios, com o nome artístico de Vieira Portuense, por referência à sua cidade natal e para se distinguir do lisboeta Vieira Lusitano.

Presume-se que terá aprendido a pintar paisagens com o seu pai, Domingos Francisco Vieira, a par do ofício como droguista, assim como terá tido João Glama Strobërle e Jean Pillment como mestres e terá frequentado a Aula de Debuxo e Desenho do Porto. Depois veio para Lisboa, onde estudou na Casa Pia e na Aula Régia de Desenho, a partir de 1787. Seguiu para Roma em 1789, financiado pela família, pela Feitoria Inglesa e talvez também pela Companhia Geral de Agricultura e das Vinhas do Alto Douro. Em Roma, foi discípulo de Domenico Corvi e obteve o 1.º prémio de Desenho no concurso da Academia do Nu do Capitólio. Em Itália, esteve ainda em Parma – onde em 1794 se tornou académico da Academia de Belas Artes local-, Cremona, Bolonha – onde ingressou na Academia Clementina em 1795-, e Nápoles, para além de ter viajado também  pela Alemanha e Inglaterra, onde residiu em Londres na casa do embaixador D. João de Mello e Castro em 1789 e a 9 de julho de 1799 casou com Maria Fabbri, uma bolonhesa viúva de um aluno de Bartolozzi, pelo que após o casamento passou a viver na casa de Bartolozzi em North End (Fulham).

Vieira Portuense regressou a Portugal em 1800 e foi contratado pela Junta da Administração da Companhia Geral de Agricultura e das Vinhas do Alto Douro como professor da Aula de Desenho da Academia Real de Marinha e Comércio da Cidade do Porto, de que viria a ser diretor em 1803. Entre 1801 e 1802 também trabalhou em Lisboa, nas ilustrações de uma edição de “Os Lusíadas“, promovida por D. Rodrigo de Sousa Coutinho.

Ao contrair tuberculose em 1805 mudou-se para a Madeira, por ser considerada mais saudável, mas acabou por falecer lá antes de completar 40 anos de vida. A sua obra está presente no Museu Nacional de Arte Antiga e no Museu Nacional de Soares dos Reis (Porto), sendo famosos os seus quadros Leda e o Cisne (1798) ou D. Filipa de Vilhena armando os filhos cavaleiros (1801), para além de Latona e os camponeses da Lícia pertença da Câmara Municipal do Porto, assim como Banho de Diana que se encontra na Galeria Nacional de Parma.

Freguesia de Belém

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