Junto ao coreto de Carnide o arraial da Rua Neves Costa

Rua Neves Costa – Freguesia de Carnide

Junto ao coreto construído em 1927 no núcleo antigo de Carnide, na Rua Neves Costa – que por isso é conhecida popularmente como Largo do Coreto -, decorre até 29 de junho o Arraial do Carnide Clube, no âmbito das Festas de Lisboa 2019.

O Carnide Clube, sediado na Rua Neves Costa nºs 69-71, foi fundado em 11 de novembro de 1920, dia escolhido por ser justamente o Dia do Armistício. A fundação da associação ocorreu antes da participação de Portugal na I Guerra, com o seu primeiro auto de posse a ser assinado em 25 de abril de 1916, quando ainda se denominava Carnide Club Ciclista. Contudo, o envio de sócios como tropas portuguesas para a Primeira Guerra Mundial forçou o encerramento do clube no dia 1 de outubro de 1917. O fim da Guerra permitiu aos antigos sócios retomarem a dinamização do desporto em Carnide e assim retomaram o Carnide Clube, escolhendo por isso como data de fundação o dia do fim da Primeira Guerra, em 1918, que a partir daí passou a ser o Dia do Armistício.

Já a Rua Neves Costa era a antiga Rua Direita de Carnide que no ano seguinte à implantação da República, por Edital municipal de 7 de agosto de 1911, passou a homenagear o engenheiro militar natural de Carnide, com a legenda «Engenheiro Militar/1774 – 1841», mas que também comandara exércitos portugueses contra tropas espanholas e francesas em 1797 e que foi um pioneiro na cartografia militar portuguesa, a partir da qual concebeu a ideia da criação das Linhas de Torres Vedras.

José Maria das Neves Costa (Lisboa/14.08.1774 – 19.11.1841/Lisboa), filho de Josefa Maria Vieira e de Manuel Cláudio da Costa,  formou-se na Academia de Fortificação, Artilharia e Desenho e destacou-se como oficial do Real Corpo de Engenheiros pela execução da carta topográfica da área a norte de Lisboa, para garantir melhor defesa da capital portuguesa, por encomenda do Ministério da Guerra. Aliás, este levamento surgiu na sequência de uma exposição que havia feito em 26 de novembro de 1808,  aquando das invasões francesas, lembrando a importância do relevo do terreno a norte de Lisboa para a defesa da capital. Em 1810, trabalhou nas Linhas de Torres, às ordens do engenheiro inglês Fletcher e no ano seguinte, como Major do Real Corpo de Engenharia ofereceu a Carta Militar das Linhas de Torres Vedras ao Marechal Beresford.

Neves Costa havia sido comandante do Exército que lutou no Alentejo contra os espanhóis e franceses em 1797 e em 1802, foi nomeado para o Estado-Maior da fiscalização  das praças e fortes de fronteira e costas marítimas. Coube-lhe também o reconhecimento da fronteira do Alentejo, bem como a execução da carta da península de Setúbal (1813). Em 1806, foi escolhido pelo Visconde Sá da Bandeira para organizar o Arquivo Militar e, cinco anos depois, para dirigir os trabalhos de fortificação da praça de Almeida (1811).

Em 1822, foi eleito deputado liberal constitucional por Setúbal e no ano seguinte, foi nomeado ministro da guerra, por decreto de 28 de maio de 1823, mas não chegou a exercer por D. Miguel ter voltado ao poder. Tratou dos direitos e dos deveres do soldado perante a sociedade civil, em 1827, na sua Memoria sobre a organização e disciplina do exercito portuguez, em relação ao systema constitucional. Em 1835, a Câmara dos Pares incumbiu-o de propor um plano de reforma do sistema de pesos e medidas e introdução do sistema decimal, com o Visconde de Vilarinho de São Romão e Manuel Gonçalves de Miranda.

O Brigadeiro José Maria das Neves Costa,  foi consagrado como patrono do Centro de Informação Geoespacial do Exército pela sua importância para a cartografia militar e também o seu nome foi dado a uma Rua de Torres Vedras e a uma Travessa da Cova Piedade (Almada), para além de estar referido numa placa evocativa das Linhas de Torres.

Rua Neves Costa – Freguesia de Carnide

© CML | DPC | NT | 2019