A Avenida Ribeira das Naus acolhe a Festa da Diversidade nas Festas de Lisboa’19

A construção da Avenida da Ribeira das Naus, cerca de 1953
(Foto: Judah Benoliel, Arquivo Municipal de Lisboa)

No próximo sábado, dia 29 de junho, a partir das 16 horas, no âmbito das Festas de Lisboa’19, a Avenida da Ribeira das Naus vai acolher a Festa da Diversidade que neste 2019 celebra os seus 20 anos, e se estende para o domingo.

Organizada  pela associação SOS Racismo a Festa da Diversidade procura trazer para o espaço público o trabalho de muitas associações e artistas da periferia ou sem a visibilidade que merecem, procurando ultrapassar qualquer tipo de discriminação, de preconceito, de racismo, xenofobia, homofobia e machismo, pelo que vai receber o final da Marcha LGBT, ao mesmo tempo que neste espaço público lisboeta acolhe vários saberes, sabores e sons do mundo, com dignidade, respeito e igualdade, contribuindo para o diálogo intercultural.

A Avenida da Ribeira das Naus, tal como a paralela Rua do Arsenal, partilham a mesma origem: o Arsenal da Marinha, descendente das tercenas de D. Manuel I. Foi sobre a doca seca do Arsenal da Marinha, atulhada em 1939, que se construiu a Avenida da Ribeira das Naus, topónimo que foi atribuído pelo Edital municipal de 22 de junho de 1948 e no final desse mesmo ano, em 29 de dezembro, a edilidade lisboeta colocou nesta Avenida uma lápide onde se podia ler «Neste local construíram-se as naus que descobriram novas terras e novos mares e levaram a todo o mundo o nome de Portugal».

A Ribeira de Lisboa era a zona marginal do Tejo, entre a Praça do Município e a Igreja da Conceição Velha, até com D. Manuel I ser o local das tercenas onde se construíam os navios necessários, a ponto de o rei  ter mandado construir o seu Paço mesmo ao lado para melhor verificar esses trabalhos. O terramoto de 1755 destruiu esse importante complexo naval mas a sua reconstrução iniciou-se logo em 1759, sob o traçado de Eugénio dos Santos.  Por isso o local foi conhecido como Ribeira das Naus, nome extensivo ao Arsenal da Ribeira das Naus (depois  Arsenal Real da Marinha e a partir de 1910, apenas Arsenal da Marinha). Em 1936, o Arsenal começou a ser transferido para as instalações navais do Alfeite e terminou a sua laboração em 1939, altura em que se começou a construir a Avenida da Ribeira das Naus.

Refira-se que no mesmo ano de 1948, pelo Edital municipal de 29 de Abril, cerca de dois meses antes do que consagrou a Avenida da Ribeira da Naus, foram atribuídos em Belém, onde em 1940 havia decorrido a Exposição do Mundo Português, mais topónimos evocativos do antigo Império Português, a saber, a Praça do Império, a Avenida da Índia, as Praças de Goa, de Damão e de Dio, a Rua Soldados da Índia, assim como topónimos que recordavam  figuras ligadas à Expansão Portuguesa, como navegadores – Avenida Dom Vasco da Gama, Rua Dom Cristóvão da Gama, Rua Dom Jerónimo Osório, Rua Fernão Mendes Pinto -, representantes das autoridades de Portugal – Rua Dom Lourenço de Almeida, Rua Tristão da Cunha – , historiadores da época – Rua Damião de Góis, Rua Fernão Lopes de Castanheda -, bem como cientistas – Rua Duarte Pacheco Pereira – e missionários – Rua São Francisco Xavier – e o próprio rei dessa época do Império Português com a Praça Dom Manuel I.

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