Há festa nas ruas da Mouraria

Pelas ruas antigas da Mouraria, Rua do Capelão, Rua João do Outeiro, Rua da Guia, Rua Marquês Ponte de Lima e Largos do Terreirinho e da Severa, se espraia o Arraial do Grupo Desportivo da Mouraria, no âmbito das Festas de Lisboa 2019.

Fundado em 1936 o Grupo Desportivo da Mouraria é também responsável também pela organização da Marcha da Mouraria.

As ruas da Mouraria onde decorre este arraial são das mais antigas de Lisboa. Cristóvão Rodrigues de Oliveira, no seu Sumário de 1551, já mostra a existência nesse ano de 1551 da Rua do Capelão, da Rua da Mouraria, da Rua dos Cavaleiros, da Rua João do Outeiro e da Rua da Amendoeira.

Sobre a Rua do Capelão, já em 1900 o historiador Pedro de Azevedo apontava que o topónimo talvez derivasse do sacerdote da mesquita intitulado capelão e nos anos 30 do séc. XX, o olisipógrafo Norberto de Araújo ,defendeu que o nome da rua advinha de «um oratório armado numa parede, com frente à rua, e que merecia a maior devoção aos habitantes do sítio; às tardes, a população reunia-se, e rezava em conjunto deante da imagem.» Neste arruamento nasceu a Severa e o fadista Fernando Maurício, para além deste topónimo ser o título pelo qual é conhecido o Velho Fado da Severa, composto por Frederico de Freitas para letra de Júlio Dantas para o 1º filme sonoro português – A Severa – , realizado por Leitão de Barros e estreado em 1931.

E foi de um troço da própria Rua do Capelão, compreendido entre o Beco do Forno e a Rua da Guia, que a edilidade lisboeta já no século XX – através do Edital municipal de 18 de dezembro de 1989 – consagrou na toponímia de Lisboa a primeira fadista, Maria Severa Onofriana, com o Largo da Severa.

A Rua João do Outeiro, segundo Norberto de Araújo, perpetua a memória de um abastado proprietário da Ilha de S. Miguel do séc. XVI, que resolveu vir para Lisboa acabar os seus dias naquela zona da Mouraria. Ainda segundo o mesmo jornalista e olisipógrafo, a Rua da Guia fixou-se dois séculos depois em parte do que havia sido Rua do Capelão, porque por volta de 1752 aqui ter existido um oratório armado numa parede que merecia muita devoção dos moradores do sítio.

A Rua Marquês Ponte de Lima foi dada por Edital municipal de 27 de maio de 1902 à Rua João Carlos d’Oliveira (nascida do Edital municipal de 8 de setembro de 1899), para homenagear D. José Maria Xavier de Lima Vasconcelos Brito Nogueira Teles da Silva (Almeida/12.11.1807 – 21.12.1877/Lisboa), o proprietário do Palácio da Rosa, o 3º marquês de Ponte Lima e 20º morgado de S. Lourenço de Lisboa entre outros títulos que possuía, que como militar no exército dos Liberais fez as campanhas de 1827 e 1828, emigrou para os Açores para juntar-se aos que sustentavam a Carta Constitucional e em 1834 tomou assento na Câmara dos Pares.

Finalmente, o Largo do Terreirinho já existia em 1548, de acordo com informação recolhida pelo olisipógrafo Luís Pastor de Macedo que recolheu. Após a remodelação paroquial de 1770 surge o arruamento mencionado como «Praça do Terreirinho» na freguesia do Socorro.

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