A Rua do Carmo e «Benilde ou A Virgem-Mãe» de Régio

Capa da 1ª edição
(Imagem: © CER)

Há 72 anos, em 1947, foi publicada a 1ª edição da peça Benilde ou A Virgem-Mãe, de José Régio, pela sucursal do Porto da Portugália, aberta dois anos antes, em 1945.  A sede da editora Portugália era no nº 75  da Rua do Carmo, hoje na Freguesia de  Santa Maria Maior, e nesse mesmo ano, a peça foi levada à cena pela Companhia Amélia Rey Colaço – Robles Monteiro, no palco do Teatro D. Maria II, na Praça D. Pedro IV que tão próxima está da Rua do Carmo.

A Portugália Editora foi fundada em 1942 por Agostinho Fernandes e em  21 de março de 1945 abriu uma sucursal no Porto, na Rua de Santo António nº 212. A Livraria Portugália, que lhe estava associada, fora fundada em 1918 na Rua do Carmo nº 75,  e foi liquidada em 1954, enquanto a Portugália Editora passou a ser gerida por Pedro de Andrade e Henrique Pinto, que nos anos quarenta passou a deter também escritórios no 3º andar do nº 13 da Avenida da Liberdade.

Benilde ou A Virgem Mãe é uma peça de José Régio que mostra uma jovem Benilde a viver num solar no Alentejo, com o pai e uma velha criada da família, a quem o médico da casa confirma que está grávida e no contexto daquela época a explicação da rapariga para o seu estado é uma  intervenção divina. Em 1947, ano da sua publicação, estreou ao público a  25 de novembro de 1947, no Teatro Nacional D. Maria II, com Maria Barroso no papel de Benilde. Mais tarde, em setembro e outubro de 1974, também Manoel de Oliveira a adaptou para o seu filme homónimo, estreado em 21 de novembro de 1975 no Apolo 70.

A Rua do Carmo, hoje da Freguesia de Santa Maria Maior, nasceu do Edital municipal de 8 de junho de 1889, como novo topónimo da Rua Nova do Carmo, então pertença das freguesias da Conceição e do Sacramento.

Norberto de Araújo, nas suas Peregrinações em Lisboa, refere que a Rua do Carmo deve o seu nome à proximidade ao Convento de Nossa Senhora do Vencimento do Monte do Carmo, precisando que « (…) principiou por se chamar Rua Nova do Carmo, artéria rasgada depois do Terramoto de 1755 na encosta conventual, e que não corresponde a qualquer serventia antes existente.» Por seu turno,  Luís Pastor de Macedo na sua Lisboa de Lés a Lés, defende que esta artéria também teria sido a Calçada do Rubim, que viu mencionada no Almanaque de Lisboa de 1800 e acrescenta «Podemos dizer onde era: nos limites das freguesias do Sacramento e da Conceição Nova; e podemos dizer que nome tem hoje: Rua do Carmo.»

Freguesia de Santa Maria Maior

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