Fernando Pessoa e Mário de Sá Carneiro na tese de licenciatura de Régio e na toponímia de Lisboa

A Avenida Fernando Pessoa na Freguesia do Parque das Nações

José Régio licenciou-se em Filologia Românica,  na Faculdade de Letras de Coimbra, em 1925, com a tese intitulada As correntes e as individualidades na Moderna Poesia Portuguesa, o primeiro trabalho que faz a apologia dos poetas da revista Orpheu, sobretudo dos seus fundadores, Fernando Pessoa e Mário de Sá Carneiro que também se encontram na memória das ruas lisboetas, sendo a tese  regiana inovadora a ponto de nela apresentar Fernando Pessoa como nome cimeiro da poesia contemporânea, quando este autor ainda não possuía nenhuma edição em livro mas apenas poemas publicados em publicações periódicas.

Tanto Fernando Pessoa como Mário de Sá Carneiro passaram a ser nome de rua em Alvalade pelo mesmo Edital municipal de 19 de julho de 1948, junto com mais escritores nas restantes artérias do Bairro. Pessoa passou a ser também topónimo de uma Avenida do Parque das Nações no ano de 2009.

As Ruas Fernando Pessoa e Mário de Sá Carneiro na Freguesia de Alvalade

Mário de Sá Carneiro planeou com Fernando Pessoa o lançamento da Orpheu, com financiamento «involuntário» do seu pai, como ele próprio dizia e, esta revista foi a base para o nascimento do primeiro grupo modernista português. Os poemas de Mário Sá Carneiro no nº 1 da Orpheu deram logo brado e viriam a constituir a obra Indícios de Ouro. Mário de Sá Carneiro (Lisboa/19.05.1890 – 26.04.1916/Paris), nascido no 1º andar do nº 93/95 da Rua da Conceição, foi um poeta e contista que apesar de matriculado em Direito – em Coimbra e em Paris, na Sorbonne-, sempre preferiu a literatura. Conheceu Fernando Pessoa em 1912 e nesse mesmo ano publicou pela 1ª vez , a peça Amizade (em colaboração com Tomás Cabreira Júnior, seu colega do Liceu Camões), bem como as novelas Princípio. Entre 1913 e 1914 vinha de Paris a Lisboa com uma certa regularidade e deu ainda a lume Memórias de Paris (1913),  A Confissão de Lúcio (1914), o volume de poesia Dispersão (1914) e  as novelas Céu em Fogo (1915).  Nas cartas que escreveu  de Paris a Pessoa manifestou uma crescente angústia e, em 1915, informou-o de que o seu pai já não dispunha do dinheiro de outrora e já não poderia «involuntariamente» financiar o nº 3 da Orpheu. Depois, a menos de um mês de completar 26 anos, suicidou-se com veneno, num hotel parisiense de Montmartre.

A Rua nº 11 do Sítio de Alvalade foi a primeira a receber o nome do poeta Fernando Pessoa mas como na realização da Expo 98 o nome de Fernando Pessoas também designou uma Avenida do evento, mais tarde, pelo Edital de 2 de setembro de 2009, a Câmara Municipal de Lisboa oficializou esta e mais outros 102 arruamentos do Parque das Nações cujos topónimos tinham a mesma génese.

Fernando António Nogueira Pessoa (Lisboa/13.06.1888 – 30.11.1935/Lisboa), nascido no 4º andar direito do nº 4 do Largo de São Carlos, pode ser biografado brevemente como o poeta português dos heterónimos – Álvaro de Campos, Alberto Caeiro, Ricardo Reis e o semi-heterónimo Bernardo Soares – , que em vida foi galardoado com o Prémio Antero de Quental pela Mensagem (1934), o seu único livro publicado em vida. De 1903 a 1909, Pessoa escrevera poemas em inglês e em dezembro de 1904, publicou um ensaio literário sobre Macauly na revista da Durban High School. Em 1912, começou a colaborar com as revistas  A Águia e a Renascença Portuguesa, sendo nesta última que em 1913 publicou o seu primeiro poema em língua portuguesa, «Pauis», o qual marca o início do modernismo nas letras portuguesas. E depois, para além da revista Orpheu, também colaborou nas revistas Portugal Futurista (1917), Contemporânea (1922-1926) e Atena (1924-1925). Fernando Pessoa deixou  inédita a maioria da sua obra literária, que tem vindo a ser editada paulatinamente desde 1942, uma vez que deixou de espólio mais de 25 mil folhas com texto, à guarda da Biblioteca Nacional de Portugal.

A Rua Fernando Pessoa em 1955
(Foto: Claudino Madeira, Arquivo Municipal de Lisboa)

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