José Régio e a candidatura de Norton de Matos à presidência da República

A Comissão Distrital de Portalegre da candidatura de Norton de Matos, vendo-se Régio no centro
(Foto: © CER)

Professor efetivo no Liceu Mouzinho da Silveira de Portalegre desde 1930 e como tal arriscando a expulsão da profissão docente, José Régio participou na Comissão Concelhia do MUD-Movimento de Unidade Democrática de Portalegre desde 1945 e em 1949 foi também membro da Comissão Distrital de Portalegre da campanha de Norton de Matos à Presidência da República, general que apenas foi topónimo de uma Avenida de Lisboa após o 25 de Abril, com a publicação edital de toponímia de Lisboa de 30 de dezembro de 1974, o primeiro de toponímia após a revolução.

A extensa Avenida Norton de Matos passa por cinco freguesias – São Domingos de Benfica, Alvalade, Benfica, Carnide e Lumiar- e veio tomar o lugar de um topónimo então considerado ofensivo: a  Avenida Marechal Carmona. Esse mesmo Edital  nº 161/1974, de 30 de dezembro de 1974, operou mais quatro alterações toponímicas na cidade: a Avenida Vinte e Oito de Maio passou a ser a Avenida das Forças Armadas,  a Calçada de Santos tornou-se a Calçada Ribeiro dos Santos, a Rua General Sinel de Cordes ficou Rua Alves Redol, e a Estrada de Malpique converteu-se na Rua Dr. João Soares.  Após o 25 de Abril de 1974, a Câmara Municipal de Lisboa então gerida por uma Comissão Administrativa presidida pelo Eng.º Caldeira Rodrigues, mudou na toponímia da capital 5 topónimos, de acordo com o parecer da Comissão Municipal de Toponímia emitido na sua primeira reunião (em 15 de novembro de 1974), em que defendeu a «Necessidade de eliminação dos nomes afrontosos para a população, pela sua última ligação ao antigo regime».

José Maria Mendes Ribeiro Norton de Matos (Ponte de Lima/23.03.1867 – 03.01.1955/Ponte de Lima) foi um militar e político que  se candidatou às eleições presidenciais de 1949 reivindicando a liberdade de propaganda e uma melhor fiscalização dos votos, exigências que o regime de Salazar se recusou a satisfazer mas que lhe granjearam vastos apoios populares e da oposição ao Estado Novo.

Norton de Matos havia começado a sua carreira na administração colonial na Índia (1898) e, em missão diplomática, viajou por Macau e pela China, coincidindo o seu regresso a Portugal com a proclamação da República em 1910, novo regime que se dispôs a servir tendo então sido Chefe do Estado-Maior da 5ª divisão militar (1911) e Governador-Geral de Angola (1912-1915). Foi chamado ao Governo como Ministro das Colónias e da Guerra (1915) e nesta função criou o Corpo Expedicionário Português. Exilou-se em Londres no sidonismo.  Em 1919, foi Delegado de Portugal na Conferência da Paz, promovido a General por distinção e ainda, nomeado Alto Comissário da República em Angola, época em que fundou a cidade de Huambo e em 1920 recebeu no território os naturais da Póvoa do Varzim que não se quiseram naturalizar brasileiros para continuar na indústria piscatória.

Norton de Matos exerceu ainda funções de Embaixador de Portugal em Londres (1924-1926), cargo de que foi afastado aquando da instauração da Ditadura Militar. Em 1929 foi eleito Grão-Mestre da Maçonaria Portuguesa (até 1935) e deixou como obra publicada diversos títulos como A Província de Angola (1926), Memórias e Trabalhos da Minha Vida (1943-1946), Ensaio sobre Paiva Couceiro (1948) e A Nação Una (1953).

Norton de Matos com Bernardim Machado em 1917
(Foto: © Arquivo Municipal de Lisboa)

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