José Régio e o Sanatório da Alameda das Linhas de Torres Vedras

Em 1961
(Foto: Artur João Goulart, Arquivo Municipal de Lisboa)

Em novembro de 1966 José Régio ficou internado em Lisboa no antigo Sanatório do Lumiar, na Alameda das Linhas de Torres, diagnosticado com uma afeção pulmonar. Aí permaneceu cerca de quatro meses tendo regressado a Vila do Conde em março de 1967.

Esse tempo de internamento, conforme relatou em carta a Adolfo Casais Monteiro, em 11 de Julho de 1968, virou-o mais para o desenho do que para a escrita: « Durante esses meses, quase não consegui escrever nada. […] Quando digo que nada, então me vinha para o papel não estou a ser exacto: vinham-me desenhos, a que chamava então os meus poemas. »

Sito na então Alameda do Lumiar, o Sanatório do Lumiar ou Hospital de Repouso de Lisboa foi inaugurado em fevereiro de 1910, no espaço de uma quinta, recebendo a denominação D. Carlos I. Em 1926, o Sanatório Popular D. Carlos I tinha 64 camas. Nele trabalhou muitos anos o médico e escritor Prista Monteiro. Em 1932, a  lotação aumentou para 182 camas, com o acrescento de dois pavilhões, um financiado pelo casal Lambert de Morais e outro graças a um grupo de senhoras que promoveu festas e peditórios para conseguir o montante necessário. Em 1975, o então denominado Centro Sanatorial do Lumiar passou pelo Decreto-Lei 260/75 a ser o Hospital  Central de Pulido Valente e e hoje está integrado no Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte.

Por deliberação camarária de 3 de agosto e consequente Edital municipal de 7 de agosto de 1911,  a Alameda do Lumiar passou a denominar-se Alameda das Linhas de Torres, no âmbito do centenário das  Linhas de Torres Vedras, construídas em 1810, para defender militarmente Lisboa das invasões francesas.

Esta artéria de saída de Lisboa para norte, fazia a  ligação com a Estrada para Torres Vedras pelo que foi a escolha para homenagear os combatentes das Linhas de Torres Vedras e, tanto mais que o mesmo Edital de 1911 também homenageou Neves Costa, engenheiro militar que participou no estudo dessas mesmas Linhas militares.

As Linhas de Torres Vedras ou simplesmente Linhas de Torres  integram o conjunto de fortificações da península de Lisboa que no contexto da Guerra Peninsular foram concebidas para impedir um exército invasor de atingir a capital ou, em caso de derrota, permitir a retirada, em segurança, do Exército Britânico.

A ordem para a sua construção foi dada em outubro de 1809,  por Arthur Wellesley, então comandante do exército anglo-luso e o oficial do exército de Wellington responsável pelos trabalhos de engenharia era o Coronel Richard Fletcher. Já em 1807, Junot encarregara o coronel de engenharia Vincent de estudar a defesa de Lisboa e, na execução dessa tarefa esteve o major de engenharia José Maria das Neves Costa e,  após a expulsão das tropas francesas foram feitas diligências pelas autoridades portuguesas no sentido de fazer o levantamento topográfico que servisse de base aos trabalhos da defesa de Lisboa, comissão em que esteve novamente Neves Costa, que já em 1801 publicara Observações sobre o plano de ataque e defesa do reino de Portugal em relação à sua Geografia e topografia.

Na Terceira Invasão Francesa foram as Linhas de Torres Vedras que impediram o exército de Massena de atingir Lisboa e acabaram por provocar a sua retirada de Portugal.

Desenho de José Régio realizado no decorrer do internamento
(Imagem: © CER)

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