Dom João V

Busto de Dom João V no Palácio Fronteira
(Foto: Joshua Benoliel © CML | DPC | Arquivo Municipal de Lisboa)

O Edital de 22 de junho de 1948 veio confirmar a proposta da Comissão de Toponímia datada de 8 de junho do mesmo ano, que atribuía os topónimos aos novos arruamentos à Rua das Amoreiras, homenagem que incidiu nas seguintes personalidades: Dom João V (Rua A), Custódio Vieira (Rua B), Dom Tomás de Melo Breyner (Rua C) e Cláudio Gorgel do Amaral (Rua D).

Dom João V (Lisboa, 22 de outubro de 1689-Lisboa, 31 de julho de 1750), que recebeu o cognome de «O Magnânimo», foi o vigésimo quarto rei de Portugal e o seu reinado, de 1707 a 1750, foi um dos mais longos da História portuguesa.

Monarca absolutista e diplomata hábil, D. João V conseguiu impor no plano internacional a soberania de Portugal sobre o Brasil, garantindo deste modo o fluxo contínuo do ouro brasileiro para a metrópole que utilizou para financiar as grandes obras do seu reinado. É de destacar a construção do majestoso Palácio-Convento de Mafra, edificado para agradecer o nascimento do seu primeiro filho varão. Iniciado em 1717, deu origem à denominada escola de Mafra, ao ser referência e inspiração para outros edifícios.

O monarca marcou Lisboa com a construção do imponente Aqueduto das Águas Livres, obra que decorreu entre 1731 e 1799 e assegurou o abastecimento de água à cidade. A ele se deveu também a construção do Convento das Necessidades que integrava uma sumptuosa igreja, o edifício conventual, depois ocupado pela Ordem do Oratório, e um palácio real, obras realizadas entre 1743 e 1752. De traçado barroco, denota a influência de modelos italianos que então circulavam na Europa e que caracterizam a produção arquitetónica de iniciativa régia deste período.

Outra obra relevante, transversal a todo o seu reinado, foi a Basílica Patriarcal destruída pelo Terramoto de 1755 e instalada em 1716 na já existente Capela Real do Paço Real da Ribeira, cuja transformação e ampliação o monarca acompanhou de perto até à sua morte dado o seu valor simbólico enquanto afirmação do poder régia quer interna quer externamente.

João V também marcou culturalmente a capital. Por influência dos ideais iluministas, à semelhança do que ocorria na Europa também em Lisboa foram criadas por iniciativa régia algumas Academias estimulando a curiosidade científica emergente entre académicos e eruditos. Exemplo disso é a Academia Real da História Portuguesa que fundou por decreto de 8 de dezembro de 1720 e que se extinguiu em 1776. A Academia, para além da sua atividade cultural relevante e das suas publicações e tertúlias, tinha também por objetivo o reescrever a história de Portugal e das suas possessões ultramarinas agora refletida através do rigor da razão das Luzes. O monarca introduziu ainda, em 1731, a ópera italiana. Patrocinou trabalhos em talha, azulejo e ourivesaria, e trouxe vários pintores e escultores de Itália para trabalhar em Lisboa e Mafra.

Todas estas iniciativas beneficiaram do florescimento económico que ocorreu em Portugal no século XVIII que levaram a que muitos estrangeiros se fixassem ou passassem pelo país, nomeadamente ingleses, franceses, italianos, espanhóis e alemães. A magnanimidade de D. João V e o seu manifesto interesse pelas belas artes (pintura, escultura, arquitetura, música) e pela história da cultura permitiram a introdução dos ideais iluministas no país que influenciaram e incrementaram o desenvolvimento de estudos com base científica, como a cartografia ou com base técnica, como a engenharia ou, ainda, com base humanista, como o direito.

© CML | DPC | NT | 2019

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