A Praça António Baião que durante 40 anos dirigiu a Torre do Tombo

Freguesia de Benfica
(Foto: Ortofotomapa de Lisboa Interativa editado pelo NT do DPC)

O historiador António Baião, que durante 40 anos dirigiu a Torre do Tombo, está desde 2004 perpetuado na toponímia de Benfica, numa Praça, que antes era identificada como Praça B à Travessa Sargento Abílio. Aconteceu pelo Edital Municipal de 18 de novembro de 2004, que neste bairro também atribuiu o Largo Ernesto Soares (era o Largo A) e a Praça Laranjo Coelho (era a Praça C), tributo a outros dois historiadores.

De seu nome completo António Eduardo Simões Baião (Ferreira do Zêzere/10.10.1878 – 21.05.1961/Lisboa), dirigiu o Arquivo Nacional da Torre do Tombo, de 10 de março de 1908 até 1948, local onde trabalhava desde 18 de dezembro de 1902, como segundo conservador. É aqui que nasce enquanto investigador e erudito, servindo-se dos acervos da Torre do Tombo e da Academia das Ciências de Lisboa, tendo começado por publicar estudos sobre Herculano e sobre o Visconde de Santarém.

De forma complementar, evidenciou-se com os seus estudos sobre a inquisição como A Inquisição em Portugal e no Brasil (1906), os três volumes de Episódios Dramáticos da Inquisição Portuguesa (1919-1938) e os dois volumes de A Inquisição de Goa (1929-1930), bem como sobre os seus antecessores à frente da Torre do Tombo, especializando-se no que designou como A Infância da Academia (1788-1794) que publicou em 1934.

Refiram-se ainda as suas biografias O Matemático Pedro Nunes e a sua Família (1915) e a Biografia do Santo Condestável (1952) e com Pedro de AzevedoO Arquivo da Torre do Tombo (1905).

António Baião também acumulou durante alguns anos  as funções de diretor da Torre do Tombo com as de auditor administrativo do distrito de Lisboa e de professor do ensino técnico. Entre 1903 e 1905 foi director da Revista Pedagógica, dedicando-se a temas da área das ciências da educação, para além de ao longo da sua vida ter colaborado na revista Serões (1901-1911), nos Anais das bibliotecas, arquivo e museus municipais (1931-1936) e no Boletim cultural e estatístico (1937).

Foi sócio efetivo (1920) da Academia das Ciências de Lisboa, tendo chegado a vice-secretário geral e a diretor dos Portugaliae Monumenta Historica, para além de ter sido sócio fundador da Academia Portuguesa de História, na refundação de 1936, onde foi 2º vice-presidente, 1º vice-presidente e presidente interino.

Filho dos proprietários António Simões Baião e de Emília Cotrim de Carvalho Baião, formou-se Bacharel em Direito pela Universidade de Coimbra em 12 de junho de 1900, tendo sido contemporâneo de Emídio Navarro, de Afonso Lopes Vieira e de Laranjo Coelho e depois até 1902 foi professor do ensino secundário no Liceu de Santarém. Sobre a sua terra natal publicou ainda A Vila e Concelho de Ferreira do Zêzere (1918) e Dois altos funcionários da Casa do Infante D. Henrique no Concelho de Ferreira do Zêzere; um monteiro-mor e outro seu vedor (1960).

O seu nome foi dado à Biblioteca Municipal de Ferreira do Zêzere e está também na toponímia de Almada e de Ferreira do Zêzere.

Freguesia de Benfica
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

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Publicação municipal de toponímia sobre Nelson Mandela

A publicação municipal de toponímia referente à Rotunda Nelson Mandela, hoje distribuída no decorrer da inauguração oficial deste arruamento, na Freguesia do Lumiar, já está online.

É só carregar na capa abaixo e poderá ler.

Caso queira conhecer publicações anteriores poderá ir às Publicações Digitais do site da CML e escolher o separador Toponímia.

Ou no topo do nosso blogue carregar em 3 – As nossas Edições.

 

 

A Rua do filho de Luciano Cordeiro, Cordeiro de Sousa

Freguesia das Avenidas Novas
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Desde a publicação do Edital municipal de 4 de março de 1974 que o historiador Cordeiro de Sousa, filho de Luciano Cordeiro (também presente na toponímia lisboeta), é o topónimo do arruamento de ligação entre as Avenidas da República e Cinco de Outubro, a norte do viaduto do caminho de ferro, com a legenda «Historiador/1886 – 1968».

Freguesia das Avenidas Novas – Placa Tipo IV
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

José Maria Cordeiro de Sousa (Lisboa/15.02.1886 – 01.0.1968/Lisboa), filho do fundador da Sociedade de Geografia e do embrião da Carris Luciano Cordeiro (também homenageado na toponímia lisboeta desde 1902), de quem aliás escreveu uma biografia em 1936, destacou-se como  historiador, arqueólogo e epigrafista, pelo seu prazer e conhecimento em ler inscrições antigas.

A epigrafia era uma sua paixão particular pelo que publicou Algumas siglas e abreviaturas usadas nas inscrições portuguesas desde o fim do século XII até o principio do século XIX (1926), Inscrições sepulcrais da Sé de Lisboa (1927), Apontamentos de epigrafia portuguesa (1928), Inscrições portuguesas de Lisboa (séculos XII a XIX) em 1941 e a Colectânea olisiponense (1953) que a CML republicou em 1982. Ainda na olisipografia destaque-se A igreja paroquial de São João Baptista do Lumiar : breves apontamentos para a sua história (1920), Registo da freguesia de Nossa Senhora da Encarnação do Lugar da Ameixoeira de 1540 a 1604 (1930), Inscrições portuguesas do Museu do Carmo (1936), A inscrição da Bica do Andaluz (1944), A sigla do mestre Gomes Martins nas ruínas do Carmo (1949), Santa Justa (1949), O oratório de Telheiras : breves notas para a sua história (1955).

Para além da sua paixão pela História e o conhecimento do passado era funcionário do Ministério da Agricultura e exerceu vários cargos públicos. Cordeiro de Sousa dirigiu também a Revista de Arqueologia e publicou artigos de especialidade e estudos históricos em revistas de arte e arqueologia, ou até em jornais, como o Diário de Notícias. Foi autor de variadíssimas publicações e ensaios relacionados com as suas áreas de estudo e investigação, como por exemplo, Nota descritiva e histórica da cidade Tomar (1903),  Epigrafia Torreana (1937) ou Fontes medievais da história torreana : alguns documentos do Arquivo Nacional da Torre do Tombo (1957).

Foi ainda sócio correspondente da Academia de História de Madrid e da Academia Portuguesa de História, agraciado com a Cruz Vermelha de Mérito, a Comenda do Mérito Industrial e o grau de Cavaleiro da Legião de Honra de França.

Freguesia das Avenidas Novas
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

Virgílio Correia, o arqueólogo de Conímbriga, numa Rua de São Domingos de Benfica

Freguesia de São Domingos de Benfica
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

Virgílio Correia, o coordenador dos trabalhos arqueológicos da cidade romana de Conímbriga entre 1930 e 1944, está inscrito como topónimo de uma artéria da freguesia de São Domingos de Benfica desde 1979, ou seja, 35 anos após o seu falecimento.

Foi pelo Edital municipal de 14 de maio de 1979 que a Rua 9 da zona a nascente da Estrada da Luz, junto ao Bairro São João, passou a ser a Rua Virgílio Correia,  que hoje liga a Rua Abranches Ferrão à Rua Tomás da Fonseca. Pelo mesmo Edital também a Rua 5 da mesma zona tornou-se a Rua Lúcio de Azevedo, fixando outro historiador.

Virgílio Correia Pinto da Fonseca (Peso da Régua/19.10.1888-03.06.1944/Coimbra) – cujo nome é por vezes também grafado como Vergílio- foi um dos arqueólogos que descobriu a cidade romana de Conímbriga, no concelho de Condeixa-a-Nova, e que aí procedeu a escavação sistemática de toda a área durante 14 anos, entre 1930 e 1944.

Virgílio Correia foi ainda um eminente historiador de arte, etnólogo e professor universitário. Nas primeiras décadas do séc. XX foi conservador de dois museus lisboetas: o Museu Etnológico Português, a partir de 1912, e o de Arte Antiga, desde 1915. Sobre Lisboa também publicou «Lisboa pré-histórica» na revista A Águia, de janeiro a março de 1913; «Oleiros e pintores de louça e azulejo, de Lisboa» na revista Atlântida de março e abril de 1918; «Azulejadores e pintores de azulejos, de Lisboa» na revistaA Águia, de maio a junho de 1918;  «Oleiros quinhentistas de Lisboa» na revista A Águia, de abril a junho de 1919, assim como revista Atlântida de junho de 1919 apresentou «Lisboa dos Azulejos». Fundou ainda em Lisboa,  em 1916, a revista Terra Portuguesa, definida pelo subtítulo de «revista ilustrada de arqueologia artística e etnografia».

Ainda em Lisboa, conseguiu uma memória triste: chegou a estar preso  oito dias no Aljube, no começo da década de 1930, acusado de apoiar o comandante Aragão e Melo, opositor à ditadura, e de dar abrigo a um refugiado político.

Virgílio Correia  licenciou-se em Direito por pressão familiar, em 1911, na Universidade de Coimbra,  mas em 1935 tornou-se por vontade própria Doutor em Letras, pela Faculdade de Letras de Coimbra, onde era professor. Primeiro, em 1921, foi docente de Estética e História da Arte,  e a partir de 1923, também de Arqueologia. Em Coimbra dirigiu ainda o Museu Machado de Castro, desde 1921 e até falecer. Fundou também a revista  Arte e Arqueologia, em 1930 e mais tarde, entre 1938 e 1944, dirigiu o Diário de Coimbra.

Destaque-se na etnografia e na história de arte, o seu vasto interesse desde o carro de bois à talha barroca, expresso nos seus dois volumes do Inventário Artístico de Portugal, em que a fotografia desempenhou um papel primordial. Nas Acta Universitatis Conimbrigensis foram editadas as suas obras, em cinco volumes : o 1.º volume (1946), Estudos de história da arte: arquitectura (1949), Estudos de história da arte: escultura e pintura (1953),  Estudos arqueológicos (1972) e Estudos monográficos (1978).

Virgílio Correia pertenceu à Academia Nacional de Belas-Artes, à Academia Portuguesa da História, ao Instituto Arqueológico Alemão e à Academia de História de Madrid.

Vergílio dos Cacos como lhe chama o escritor Miguel Torga no seu Diário, foi um acérrimo defensor dos valores republicanos da liberdade e do acesso à educação e à cultura, maçon e agnóstico, que foi galardoado em 3 de abril de 1920 com o Oficialato da Ordem Militar de Santiago da Espada. Morreu aos 55 anos em Coimbra, na sequência de uma queda do elétrico e o Município de Condeixa-a-Nova criou o Centro de Estudos Vergílio Correia. O seu nome está também na toponímia de Coimbra e Lamego, assim como na sua terra natal,  em Peso da Régua, como como Rua Professor Vergílio Correia.

Freguesia de São Domingos de Benfica
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

Fonseca Benevides, o homem do Ensino Industrial que fez a história do Teatro São Carlos

Freguesia da Ajuda
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

Francisco da Fonseca Benevides, o homem do Ensino Industrial também tomou por paixão o papel de historiador  ao fazer a história do Teatro São Carlos e das Rainhas de Portugal, estando desde 1978 na memória toponímia da freguesia da Ajuda com a legenda «Físico e Historiador/1835 – 1911».

A Rua Fonseca Benevides vai da Rua do Casalinho da Ajuda à Rua do Sítio do Casalinho à Ajuda e ficou com o espaço da Rua C ao Casalinho da Ajuda desde a publicação do Edital municipal de 10 de agosto de 1978. Em 22 de maio de 1978, atendendo aos pedidos dos moradores locais, a Comissão Municipal de Toponímia foi de parecer que o nome de Fonseca de Benevides fosse atribuído em substituição da Rua Roy Campbell, por este último topónimo não ser funcional num bairro de características populares. Contudo, tal parecer nunca chegou a ser homologado e no mês de agosto desse ano foi atribuído um novo arruamento para o topónimo Rua Fonseca Benevides que é este onde ainda hoje permanece.

Francisco da Fonseca Benevides (Lisboa/28.01.1835 -19.05.1911), filho do Dr. Inácio António da Fonseca Benevides, concluiu o curso da Escola Politécnica de Lisboa e nesse mesmo ano de 1851 ingressou na Marinha como aspirante, onde ficou até 1856, tendo nessa altura completado também o curso da Escola Naval em 1853 e feito algumas viagens a bordo de navios de guerra.

Depois, foi o ensino industrial que prendeu a sua atenção.  Em 1854 passou a ser professor de Física do Instituto Industrial de Lisboa, bem como de Hidrografia, de que foi também diretor na década de 90 oitocentista. Na Escola Naval de Lisboa foi docente de Mecânica e Artilharia (1865). Também desempenhou funções de Inspetor das Escolas Industriais de Portugal em 1884. Colaborou até em vários projetos de reforma este ensino, sobretudo no de Emídio Navarro apresentado em 1891. E ainda fundou o Museu Tecnológico do Instituto Industrial de Lisboa. Neste contexto publicou Curso de artilharia da Escola Naval: descrição do material de guerra (1858), Curso elementar de Física, contendo algumas noções de mecânica, e aplicações cientificas e industriais (1863), Tratado elementar de electricidade e magnetismo, contendo numerosas aplicações às ciências, artes e industria Princípios de óptica, e suas aplicações aos instrumentos, aos faróis, à fotografia, aos efeitos teatrais, etc. (ambos em 1868).

Deste modo fez também parte das Comissões encarregadas de estudar as exposições Internacional do Porto (1856) e Universal de Paris (1867). Refira-se ainda que em agosto de 1869 sob os auspícios da Academia Real das Ciências, onde tinha sido admitido três anos antes, publicou Descrição dum novo aparelho para a demonstração das propriedades físicas dos vapores que foi denominado de Benevides e que também foi referido em revistas de Paris e de Madrid.

Mas a sua ligação à história de Lisboa, à olisipografia, opera-se em 1883 com a edição de O Real Teatro de S. Carlos de Lisboa, estudo histórico, a historia deste teatro desde a sua fundação, com muitos retratos, cromos e outras ilustrações, sendo que em 1902 saiu uma segunda parte com o movimento do teatro até este ano. Já em 1878 e 1879 dera a lume os dois volumes de Rainhas de Portugal. Recorde-se que em 1894 também publicou um romance histórico com o título No tempo dos franceses.

Fonseca Benevides foi agraciado com os graus de Cavaleiro da Ordem de Cristo (1862), Cavaleiro da Ordem de Santiago (1866) e Comendador da Ordem de Cristo (1867), bem como Cavaleiro de S. Maurício e de S. Lázaro de Itália.

Por documentação do Arquivo Municipal de Lisboa sabe-se que em 30 de setembro de 1908 comprou a Maria José Pombal e Silva e seu marido Henrique Ferreira, um jazigo no Cemitério dos Prazeres.

Francisco da Fonseca Benevides também se encontra na toponímia de Porto Salvo (Oeiras) e da Amadora.

Freguesia da Ajuda
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

O arqueólogo vimaranense da Citânia de Briteiros, Martins Sarmento, numa Rua da Penha de França

Freguesia da Penha de França
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

O  arqueólogo Martins Sarmento, o investigador da Citânia de Briteiros no último quartel do séc. XIX – a principal referência da cultura castreja em Portugal que foi referência internacional – e pioneiro da fotografia científica, dá nome a uma artéria da Penha de França, entre a Rua Mestre António Martins e a Travessa do Calado, desde 1933.

Foi pelo  Edital municipal de 18 de julho de 1933 que foi atribuída a Rua Martins Sarmento, na Rua nº 5 do Olival do Monte Alperche à Penha de França, tendo na Rua nº 4 ficado outro arqueólogo na Rua Estácio da Veiga e nas Ruas nº 3 e nº 6 as dos geólogos:  Rua Carlos Ribeiro e Rua Néry Delgado. Neste bairro foram então também estabelecidos os seguintes topónimos: Rua Conde de Monsaraz (Rua nº 1), Rua Cesário Verde (Rua nº 2), Rua Visconde de Juromenha (Rua nº 7) e Rua Padre Sena de Freitas (Rua nº 8).

O Occidente, 30 de agosto de 1899

Francisco Martins de Gouveia de Morais Sarmento (Guimarães/09.03.1833 – 09.08.1899/Guimarães), bacharel em  Direito por  Coimbra, foi sobretudo um homem de sólida cultura que se notabilizou como  arqueólogo pela descoberta  e metódica investigação de 1874 a 1879 da Citânia de Briteiros, sítio arqueológico da Idade do Ferro próximo de Guimarães e junto ao solar paterno, a Casa da Ponte. Martins Sarmento trabalhou também no Castro do  Sabroso a partir de 1877, assim como em inúmeros sítios arqueológicos do Noroeste de Portugal. Destaquem-se as sua obras Ora marítima [de] R. Festus Avienus : estudo deste poema na parte respectiva à Galiza e Portugal (1880), Os Lusitanos (1880), Os argonautas : subsídios para a antiga historia do ocidente (1887), Lusitanos, Lígures e Celtas (1893).

Nascido numa família abastada, filho de Francisco Joaquim de Gouveia de Morais Sarmento e de Joaquina Cândida de Araújo Martins da Costa, conseguiu promover reuniões em Guimarães, como a célebre Conferência da Citânia, em 1877, assim como acolher o grupo de congressistas europeus que em 1880 se deslocou ao então remoto Vale do Ave para visitar a Citânia de Briteiros.

Foi igualmente importante ter-se dedicado à fotografia a partir de 1868, o que junto com a arqueologia o revelou como pioneiro da fotografia de carácter científico, tendo deixado centenas de negativos em vidro, na sua maior parte de temática arqueológica. Escreveu também sobre esta área entre 1868 e 1876, escritos que foram publicados em 2012 sob o título de Cadernos de Fotografia de Martins Sarmento.

Em 1882, um grupo de vimaranenses fundou em Guimarães,  a Sociedade Martins Sarmento, em cujo museu – criado em 1885  – se conservam uma grande parte dos objectos arqueológicos por si encontrados e à qual o arqueólogo legou inúmeros bens em testamento.

Martins Sarmento também se dedicou à poesia ultra-romântica, com títulos como Poesias (1855), para além de colaborar em revistas e jornais científicos como as revistas Renascença e O Pantheon ou o semanário Branco e Negro.

Martins Sarmento foi casado com Maria de Freitas Aguiar e condecorado pelo Governo francês com a Legião de Honra, assim como está homenageado com o seu nome numa Escola Secundária de Guimarães, bem como surge como Martins Sarmento  na toponímia de Oliveira do Castelo (Guimarães), Ronfe (Guimarães), Serzedelo (Guimarães), Braga, Porto, São Martinho (Trofa), Valongo, Amadora e Fernão Ferro,  tal como enquanto  Francisco Martins Sarmento está nos topónimos das  Caldas das Taipas (Guimarães), Salvador de Briteiros (Guimarães), Póvoa de Varzim e Agualva-Cacém.

Freguesia da Penha de França
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

 

O Largo Luís Chaves, etnógrafo de «Lisboa nas Auras do Povo e da História»

Freguesia do Lumiar
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

Com a legenda «Etnógrafo/1889 – 1975» foi atribuído o topónimo Largo Luís Chaves na Rua DC à Avenida Rainha Dona Leonor e Impasse CD, na Quinta das Mouras, através do Edital municipal de 20 de novembro de 1978, ficando assim a ligar a Avenida Rainha Dona Amélia à Avenida Rainha Dona Leonor.

O mesmo Edital colocou na Rua B da Quinta das Mouras a Rua Mário Sampaio Ribeiro, para homenagear um historiador e musicólogo.

Freguesia do Lumiar
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

Luís Rufino Chaves Lopes (Chaves/09.05.1888 – 09.01.1975 ou abril/Lisboa), formado em Estudos Matemáticos pela Escola Politécnica de Lisboa e pela Universidade de Coimbra, notabilizou-se como  etnógrafo e arqueólogo, autor dos  quatro tomos de Lisboa nas Auras do Povo e da História – Ensaios de Etnografia.

Como etnólogo, desde 1912 desempenhou funções no Museu Etnológico Dr. Leite de Vasconcelos (hoje, Museu Nacional de Arqueologia), primeiro como preparador do Museu. Logo no ano seguinte foi encarregue do prosseguimento dos trabalhos arqueológicos que decorriam em Outeiro da Assenta (Óbidos) e em Santa Vitória do Ameixoal (Estremoz), entre 1915 e 1916. Também realizou pesquisa etnográfica de que resultou a publicação em 1916 de  Os Barristas de Estremoz (séc. XVIII-XX) (1916), Etnografia alentejana – o rancho da azeitona (Estremoz e Elvas), Folclore de Santa Vitória do Ameixoal (Estremoz) e no ano seguinte de Arte popular no Alentejo: os ganchos de meia de barro de Estremoz (séc.XX), tendo-se centrado no estudo da arte popular. Em 1916, Luís Chaves passou a Conservador interino embora as suas ligações aos ideais monárquicos tenham contribuído para o seu afastamento do Museu em 1919, ao qual regressou em 1931, após concurso público para Conservador, ocupando o lugar de Manuel Heleno quando este passou a ser o diretor do Museu. Assim permaneceu até 1957, data da sua aposentação.

No entretanto, revelou-se uma figura central na Etnografia como colaborador oficial da atividade folclorista do Secretariado de Propaganda Nacional (SPN/SNI), no âmbito da política do Estado Novo: integrou a Comissão de Etnografia Nacional; participou nas iniciativas desenvolvidas pelo SPN/SPI, como o Concurso da Aldeia mais Portuguesa de Portugal (1938) e o Centro Regional da Exposição do Mundo Português (1940), sendo também autor de uma parte significativa das obras editadas neste contexto; organizou a Exposição de Arte Popular Portuguesa  em 1936 e o seu catálogo, em colaboração com o etnógrafo Cardoso Marta com quem, dois anos mais tarde participou nos trabalhos de instalação do Museu de Arte Popular, sobre o qual escreveu  O Novo Museu de Arte Popular (1948).

Deixou ainda obra publicada  na revista O Arqueólogo Português, assim como dirigiu em 1940,  com Francisco Lage e Paulo Ferreira, Vida e Arte do Povo Português, para além de manter durante vários anos na Revista Ocidente, uma crónica intitulada Nos Domínios da Etnografia Portuguesa, e participado regularmente no Mensário das Casas do Povo. Publicou ainda Páginas Folclóricas (1942)Folclore Religioso (1945), O Povo Português através da Etnografia e das Tradições Artísticas (1946).

Paralelamente, foi  Vice-Presidente do Instituto Português de Arqueologia, História e Etnografia até 1964, instituição que representou na Junta Nacional de Educação, assim como trabalhou como bibliotecário da Casa Cadaval. Foi também professor  de Matemática do Colégio Académico, cuja direção chegou a integrar, tal como da cadeira de História de Arte e Iluminura do Curso Superior de Bibliotecário Arquivista, bem como do Estágio para Conservadores dos Museus, Palácios e Monumentos Nacionais.

Na política foi monárquico, membro do chamado «Grupo dos Cinco», com Alfredo Pimenta, Caetano Beirão, Alberto Ramires dos Reis e Mateus de Oliveira Monteiro, que fundaram a Ação Realista Portuguesa em julho de 1921, que além do mensário com o nome da organização publicava também o semanário A Voz Nacional que Luís Chaves dirigiu.

Inauguração da Rotunda Nelson Mandela na véspera dos seus 100 anos

De hoje a uma semana, ao meio-dia de 17 de julho próximo, véspera do centenário de nascimento de Nelson Mandela – o Mandela Day designado pela ONU – , será inaugurada na Freguesia do Lumiar, a Rotunda Nelson Mandela, com a presença do Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina e da Vereadora da Cultura e Relações Internacionais, Catarina Vaz Pinto.

Nelson Mandela (18.07.1918 – 05.12.2013), antigo presidente da África do Sul e o primeiro Presidente Negro desse país, foi um conhecido ativista anti-apartheid que foi galardoado com o prémio Nobel da Paz em 1993, tento dedicado a sua vida à luta contra a discriminação racial e as injustiças sobre a população negra.

Advogado e ativista do Congresso Nacional Africano, Nelson Mandela foi preso em 1962, numa altura em que o regime de apartheid na África do Sul intensificava a sua campanha brutal contra os opositores políticos e tendo então com 44 anos, passou os 28 anos seguintes na prisão, sendo libertado apenas a 11 de fevereiro de 1990.

O historiador da cartografia portuguesa, Avelino Teixeira da Mota, numa Avenida de Lisboa

Freguesia de Marvila
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

Avelino Teixeira da Mota, historiador da cartografia portuguesa a quem o jornalista Norberto Lopes apelidou de «Um Sábio Ignorado», está inscrito na toponímia de Lisboa, numa Avenida de Marvila, passados que eram dois anos  sobre o seu falecimento, através do Edital municipal de 28 de fevereiro de 1984.

Resultado de imagem para avelino teixeira da mota Reflexos do Tratado de Tordesilhas na Cartografia Náutica do Século XVI Avelino Teixeira da Mota (Lisboa/22.09.1920 – 10.04.1982/Lisboa), filho de Avelino da Mota e de Isaura Teixeira, estudou na Escola Primária Oficial N.º 44 e seguiu para o Liceu Passos Manuel até 1938 e nesse mesmo ano, entrou para a Faculdade de Ciências para frequentar as disciplinas necessárias à admissão na Escola Naval (Álgebra, Física, Química e Desenho), onde foi aceite em 15 de setembro de 1939 e assim assentou praça na Armada. Terminado o curso em 1943 ficou com o posto de Segundo Tenente.

Como oficial da Marinha, esteve na Guiné (de 1945 e 1957), primeiro como Ajudante-de-campo do Governador da Guiné, Sarmento Rodrigues, para de 1948 a 1957 integrar a Missão Geo-Hidrográfica da Guiné . Foi também deputado pela Guiné, entre 1957 e 1961. A partir de 1953 foi também incumbido de realizar o inventário e reprodução fotográfica da cartografia antiga portuguesa dos territórios ultramarinos e a partir de 1958, passou a dirigir o Centro de Estudos de Cartografia Antiga da Junta de Investigações do Ultramar, até 1982. Em 1964, era Vogal do Conselho Ultramarino e em 1970 e 1971, foi o chefe do estado-maior do Comando Naval de Angola. Passou à reserva no ano de 1976, quando era presidente do Tribunal da Marinha, no posto de contra-almirante.

Avelino Teixeira da Mota exerceu também como docente, na Escola Naval de 1959 a 1964 e, na Faculdade de Letras de Lisboa,  de 1965 a 1969, como professor de História da Expansão Portuguesa. Com Armando Cortesão, publicou em 1960 duas obras: Portugaliae Monumenta Cartographica Tabularum Grographicarum Lusitanorum Specimen. Da sua obra publicada sobressaem Dom João de Castro, navegador e hidrógrafo (1949), Fernão Vaz: explorador ignorado do Golfo da Guiné e Topónimos de Origem Portuguesa na Costa Ocidental de África desde o Cabo Bojador ao Cabo de Santa Catarina (ambos em 1950), Cinco séculos de cartografia das Ilhas de Cabo Verde (1961), A Cartografia Antiga da África Central e a Travessia entre Angola e Moçambique 1500-1860 (1964), O cosmógrafo Bartolomeu Velho em Espanha (1966), Evolução dos roteiros portugueses durante o século XVI (1969), D. João Bemoim e a expedição portuguesa ao Senegal em 1489 (1971), A África ocidental em Os Lusíadas (1972), Duarte Coelho, capitão-mor de Armadas no Atlântico (1531-1535) (1972), Reflexos do Tratado de Tordesilhas na Cartografia Náutica do Século XVI (1973), A África no planisfério português anónimo “Cantino”: 1502 (1977), Acerca de algumas recentes reuniões internacionais de interesse para a História Marítima (1977) e postumamente, Bartolomeu Dias: Descobridor do Cabo de Boa-Esperança (1988).

Pertenceu a várias instituições nacionais e estrangeiras, entre as quais foi membro da Academia Portuguesa de História, a partir de 1954, sócio da Academia das Ciências de Lisboa desde 1959, académico da Academia  Portuguesa de História (1962), bem como Presidente da Comissão do Infante D. Henrique da Sociedade de Geografia e da Academia de Estudos da Marinha (1979 a 1982).

Para além de Lisboa, Teixeira da Mota está homenageado na toponímia de Oeiras e de Lagos.

Freguesia de Marvila
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)