Alameda da Música e MynameisnotSEM unidos pelas paisagens sonoras no Muro’19

A Alameda da Música, nascida para ligar várias artérias de um bairro que a edilidade quis com toponímia ligada à música, o que desde logo ficou expresso no mobiliário urbano do seu Parque Infantil, e o artista MynameisnotSEM, cuja última exposição inspirada em música eletrónica se intitula Soundscapes e que no âmbito da 3ª edição do Festival de Arte Urbana de Lisboa vai realizar workshops de pintura para o moradores e visitantes do MURO’19, são o exemplo da simbiose da comunidade local, toponímia, arte urbana e sonoridades musicais que são o mote do diálogo criativo do MURO deste ano, no Lumiar.

Foto de perfil de mynameisnotsem

O residente em Matosinhos MynameisnotSEM, nascido Filipe Granja no Porto em 1989, é um designer e artista urbano cuja obra se  caracteriza por uma pintura abstrata de mistura de padrões e linhas, em cores contrastantes, num minimalismo contemporâneo inspirado por música eletrónica também contemporânea. Licenciado em Design de Comunicação e Multimédia pela Escola Superior Artística do Porto, onde também concluiu um Mestrado em Design de Imagem, tendo realizado o trabalho de investigação A Street Art como ferramenta da perpetuação da memória coletiva do espaço, realiza visitas guiadas a espaços de arte mural enquanto curador e produtor de eventos de Arte Urbana, produz pinturas murais e quadros originais em diversos suportes, dinamiza o Festival DESENLATA e o mural FLASH, para além de desde 2016 ser o produtor artístico do BECUH Porto – Badass Experiences by Creatives from Urban Habitat.

A Alameda da Música que começa na Avenida Carlos Paredes  e atravessa a Rua Tomás Del Negro e a Rua Luís Piçarra até terminar na Avenida David Mourão-Ferreira foi atribuída através do Edital municipal de 4 de agosto de 2004, no arruamento interior da Malha 15 do Alto do Lumiar, procurando assim a edilidade promover em seu redor um pólo toponímico ligado à música.

Aliás, esta Alameda da Música foi inaugurada no dia Dia Mundial da Música de 2004, com mais outros 7 topónimos de figuras ligadas à música, a saber: a Rua Adriana de Vecchi (Violoncelista/1896 – 1995) dedicada a uma instrumentista e professora de música; a Rua Arminda Correia (Cantora/1903 – 1988) e a Rua Luís Piçarra (Cantor/1917 – 1999) que ali fixaram cantores líricos; a que se juntaram mais 4 compositores, através da Rua Belo Marques (Músico/1898 – 1987), da Rua Nóbrega e Sousa (Músico/1913 – 2001), da Rua Shegundo Galarza (Músico/1924 – 2003) e da Rua Tomás Del Negro (Músico/1850 – 1933).

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O Quartel da EPAM, a RTP e a Alameda das Linhas de Torres

A Capital, 25 de abril de 1974, edição das 12 horas

Pelas 02H50, saiu da Escola Prática de Administração Militar uma força com o objetivo de ocupar os estúdios da  Rádio Televisão Portuguesa, na Alameda das Linhas de Torres, ao Lumiar. Estiveram envolvidos cerca de 100 militares, comandados pelo capitão Teófilo Bento.

Na madrugada do dia 25 de abril de 1974, após a audição de Grândola, Vila Morena de José Afonso, foi controlada a EPAM – no nº 179 da Alameda das Linhas de Torres -, de onde saiu uma força de 130 homens comandada pelo capitão Teófilo Bento, que ocupou Mónaco com êxito e sem incidentes, isto é, ocupou os estúdios da RTP, no nº 44  da mesma Alameda das Linhas de Torres, impedindo a sua utilização pelas forças do regime e colocando-os ao serviço do MFA, que passou a transmitir regularmente pelas 19:00, com a imagem e a voz de Fernando Balsinha e de Fialho Gouveia. Na madrugada do dia 26 de abril é através da RTP que se transmite a proclamação ao país da Junta de Salvação Nacional, presidida pelo General António de Spínola.

Esta Alameda das Linhas de Torres, que hoje vai do Campo Grande à Estrada da Torre, nasceu após a implantação da República, através do Edital municipal de 7 de agosto de 1911, na artéria que era a Alameda do Lumiar, para homenagear na memória do local os combatentes das Linhas de Torres Vedras, erguidas em 1810 para defender militarmente Lisboa das invasões francesas e tanto mais que este arruamento fazia a ligação com a Estrada para Torres Vedras. O mesmo Edital de 1911 também homenageou Neves Costa, engenheiro militar que participou no estudo das mesmas.

As Linhas de Torres Vedras ou simplesmente Linhas de Torres  integram o conjunto de fortificações da península de Lisboa que no contexto da Guerra Peninsular foram concebidas para impedir um exército invasor de atingir a capital ou, em caso de derrota, permitir a retirada, em segurança, do Exército Britânico. A ordem para a sua construção foi dada em outubro de 1809,  por Arthur Wellesley, então comandante do exército anglo-luso, sendo o Coronel Richard Fletcher o oficial do exército de Wellington responsável pelos trabalhos de engenharia. Já em 1807, Junot encarregara o coronel de engenharia Vincent de estudar a defesa de Lisboa e na execução dessa tarefa esteve o major de engenharia José Maria das Neves Costa. Após a expulsão das tropas francesas foram feitas diligências pelas autoridades portuguesas no sentido de fazer o levantamento topográfico que servisse de base aos trabalhos da defesa de Lisboa, comissão em que esteve novamente Neves Costa, que já em 1801 publicara Observações sobre o plano de ataque e defesa do reino de Portugal em relação à sua Geografia e topografia. Refira-se ainda que na Terceira Invasão Francesa as Linhas de Torres Vedras impediram o exército de Massena de atingir Lisboa e acabaram por provocar a sua retirada de Portugal.

A Capital, 26 de abril de 1974

 

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Alameda Padre Álvaro Proença

Alameda Padre Álvaro Proença, topónimo atribuído por Edital de 28 de Fevereiro de 1984 a um arruamento da freguesia de Benfica

Álvaro Proença (1912-1983). Padre, professor e escritor. Ordenou-se padre após o curso feito no Seminário de Santarém. Nos anos 40 do século XX, foi professor na Casa Pia de Lisboa e na Escola Industrial Afonso Domingues (Marvila). A sua carreira eclesiástica desenrolou-se na área de Lisboa tendo sido Capelão Naval, Capelão da Casa Pia de Lisboa, Reitor da Igreja da Madre de Deus e pároco de Santa Maria de Loures. Enquanto esteve à frente desta paróquia interessou-se pela história local, tendo publicado em 1940, Subsídios para a história do Concelho de Loures. No ano seguinte escreve Como o povo reza: etnografia, em 1940, Raínha Nossa: coro falado, e em 1949 A grande colheita: coro falado para a festa das colheitas. Por toda a década de 50 publicará várias pequenas obras dedicadas à catequese de jovens e à oração: A nossa oração, Compêndio de Religião e Moral, Nossa Mãe e nossa Vida, Nossa Fé e nossa Lei, A hora triunfal: coro falado e Missal da Juventude.

A partir de 1955 é nomeado pároco de Nossa Senhora do Amparo de Benfica, lugar que manterá até à sua morte em 1983. Dedica-se à sua paróquia promovendo uma renovação da vida paroquial. Logo nesse ano funda o Boletim da Família Paroquial de modo a aproximar a igreja dos seus fiéis. Em 1958, lança o primeiro peditório para a construção dum Centro Paroquial e Social, a ser edificado no lado poente da Igreja, o que se veio a realizar, depois de apresentados vários projectos, em 1959, e terminada a segunda fase em 1964. O Centro destinava-se às actividades próprias da vida paroquial (cartório, casa paroquial, etc.), mas também, previa, desde o início, uma Creche, Jardim Infantil, Biblioteca, Salas de Aulas e Salão Paroquial. É durante o seu ministério que se iniciam os Cursos de Preparação para o Matrimónio, que se institui a Obra da Sagrada Família (para a promoção da oração em família), que se cria o Grupo de Recepção e Acolhimento, se formaliza o grupo de Leitores para a Eucaristia, e se cria o Apoio Pastoral que ainda hoje funcionam. A partir das emissões de televisão, em 1957, cria também um dos primeiros Cineclubes de Lisboa, que funcionava na paróquia.

Mas o seu interesse por Benfica levou-o igualmente, à semelhança do que já havia feito para Loures, a investigar a história desta freguesia. Em 1964 saiu a sua grande obra: Benfica através dos tempos. O Padre Álvaro Proença, ao longo de quase 600 páginas, procurou fazer a história da paróquia, da sua igreja, mas também do seu povo, usos e costumes, de aspectos da vida social, do património edificado da freguesia, das feiras e festas, entre outros temas. Benfica através dos tempos tornou-se, assim, uma obra fundamental para quem quer estudar esta zona e um excelente exemplo de como a olisipografia se pode dedicar a uma pormenorizada história de uma parte da cidade.

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A Alameda da Quinta de Santo António de Telheiras

Pormenor da Quinta de Santo António na planta de Silva Pinto de 1907

Este topónimo preserva no sítio a memória da Quinta de Santo António e da sua Ermida de Santo António, em Telheiras, na Urbanização da Quinta de Santo António dos anos 80 do século XX.

A Alameda da Quinta de Santo António, que vai da Rua Fernando Namora à Rua Prof. Simões Raposo – no espaço que comercialmente foi denominado Parque dos Príncipes-, foi atribuída pelo Edital municipal de 25 de outubro de 1989 a um troço da Rua B da Urbanização da Quinta de Santo António a Telheiras, perpendicular à Rua A.

Como topónimo, esta Alameda da Quinta de Santo António, surgiu na sequência de um pedido da Junta de Freguesia do Lumiar para que fosse atribuído o nome do médico e investigador Prof. Luís Simões Raposo. A Comissão Municipal de Toponímia na sua reunião de 17 de outubro de 1989 colocou esse topónimo no troço da Rua B situado entre a Alameda da Quinta de Santo António e o Impasse 2 (da Urbanização da Quinta de Santo António), na mesma altura fazendo uso do troço  da mesma Rua B, com início na Rua A e perpendicular a esta, para fixar esta Alameda da Quinta de Santo António, memória de uma das quintas de Telheiras e da sua ermida.

A partir do séc. XVIII povoavam Telheiras proprietários lavradores e assalariados agrícolas, sendo estes últimos que trabalhavam nas quintas dos nobres  então conhecidos como  «os saloios de Tilheiras». Eram famosas as Quintas de São Vicente e de Santo António mas todas estas quintas de lazer possuíam um conjunto de terrenos de cultura e a casa com jardim do proprietário. Em 1758, a Quinta de Santo António pertencia a António Francisco Gorge e tinha uma Ermida dedicada a Santo António,  conforme relato do pároco Feliciano Luz Gonzaga.

Ainda segundo a mesma narrativa deste padre do Lumiar, de 4 de maio de 1758, tinha a paróquia do Lumiar 450 fogos e 2226 pessoas, ficando a um quarto de légua de distância do lugar do Campo Grande; precisa ainda que «os lugares que compreende são o do Lumiar que tem 188 fogos e 93 pessoas, o de Tilheyras em que se acham 92 fogos e 440 pessoas, o do Paço com 122 fogos e 603 pessoas, tem mais 2 lugares pequenos que são a Urmeyra que tem 5 fogos e 34 pessoas, e a Torre do Lumiar que tem 19 fogos e 104 pessoas, e os mais fogos que tem que são 24 em que habitam 142 pessoas são em várias quintas que se acham pelos limites desta freguesia».

Mais tarde, na planta de Silva Pinto de 1907 ainda está assinalada a Quinta de Santo António, bem como a Quinta dos Ingleses e a Quinta da Torre do Fato e ainda depois, nas plantas municipais  de 1967 do plano de urbanização da malha de Telheiras ainda aparece a Quinta de Santo António.

Freguesia do Lumiar
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

A Alameda do Beato António

Freguesia do Beato
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

A Alameda do Beato deve o seu nome ao Convento do séc. XVI que ali foi mandado erguer por Filipe I, sob a coordenação do  cónego Frei António da Conceição, que depois foi beatificado.

Inicialmente,  dada a sua configuração, esta artéria era vulgarmente conhecida por Largo do Beato e é com essa denominação que aparece na planta de Filipe Folque de 1858, tal como sucede na planta municipal de calçadas e canalizações de 1871. Já na planta de 1908 que Silva Pinto executou para a CML é referida como Alameda do Beato e era o local onde no início do século XX se realizavam arraiais, conforme se encontra na documentação municipal.

O Convento do Beato António, como ficou conhecido, passou para a toponímia em redor e assim está ainda hoje na Rua do Beato ( freguesias de Marvila e do Beato ), na Travessa da Alameda do Beato ( freguesia do Beato ), na Travessa do Olival ao Beato ( Beato ) e até a própria denominação da Freguesia onde se insere esta Alameda.

Freguesia do Beato
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

O homenageado neste topónimo é o Frei António da Conceição (Évora/1520 – 1602/Lisboa), que após a beatificação ficou conhecido como Beato António e foi neste sítio o responsável pela construção do novo Convento de S. Bento de Xabregas, a mando de Filipe I. Terá sido tão importante o seu papel que o próprio mosteiro ficou conhecido pelo nome de quem dirigiu a obra.

Desde o séc. XV que existia neste local uma Ermida de S. Bento, propriedade dos frades de Alcobaça no no reinado de D. João I. Em 1461, para dar execução ao testamento da sua falecida esposa D. Afonso V mandou construir no local um hospício-convento que entregou aos religiosos de Vilar de Frades, da Congregação dos Lóios, conhecido até aos finais do século XVI como Convento de São Bento de Enxobregas. Mais tarde, oriundo do Convento dos Lóios de Évora veio Frei António da Conceição dirigir a construção de um sumptuoso convento sobre o primitivo edificado. Segundo a tradição, o frade ganhou fama de milagreiro por ter conseguido erguer a  obra com poucos recursos monetários. Como após falecer, o frade ganhou estatuto de homem santo vindo a ser beatificado no século XVIII, tanto o convento como o sítio passaram a denominar-se Beato António.

Em 1622 ficou pronto o panteão da família dos Condes de Linhares numa nova capela-mor deste templo. O convento quase não foi atingido pelo terramoto de 1755 e acolheu os religiosos do vizinho Convento dos Lóios, passando também a sede da paróquia de São Bartolomeu ao Castelo. Com a extinção das ordens religiosas, em 1834, o templo foi convertido em hospital militar, embora tenha ardido pouco depois, em 1840. O que ficou de pé foi adquirido pelo industrial João de Brito que aí montou um armazém de vinhos, uma oficina de carpintaria e tanoaria e ainda, uma fábrica de moagem a vapor, que a partir de 1849 a Rainha D. Maria II autorizou que usasse como nome de marca «A Nacional».

Nos últimos anos do século XX, o espaço do convento começou a ser usado em eventos de índole cultural e social.

(Foto: Henrique Cayolla, sem data, Arquivo Municipal de Lisboa)

 

Alameda Padre Álvaro Proença, na freguesia que estudou e onde foi pároco

Freguesia de Benfica
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

O Padre Álvaro Proença permanece ainda nos nossos dias ligado a Benfica, por aí ter sido pároco durante 28 anos, por se ter debruçado sobre a história da Freguesia, e por lá continuar na Alameda com o seu nome, entre a Rua das Garridas e a Avenida Grão Vasco, estabelecida em 1984 pelo Edital municipal de 28 de fevereiro.

O Padre Álvaro Proença (Lisboa/12.08.1912 – 10.05.1983/Lisboa) dedicou-se à olisipografia da Freguesia de Benfica, nomeadamente através do estudo que deu a lume com o título Benfica através dos tempos (1964). Já antes, tendo sido pároco de Loures a partir de 1936, também publicou Subsídios para a História do Concelho de Loures (1940) e ainda, Como o Povo reza (1941).

O Reverendo Padre entrou para o Seminário de Santarém em outubro de 1923 e na maior parte da sua vida de sacerdote exerceu no concelho de Lisboa, quer como professor e capelão da Casa Pia de Lisboa ( a partir de 1942), quer como Reitor da Igreja da Madre de Deus ( desde 1942) e professor da Escola Industrial Afonso Domingues, quer como capelão da Marinha quer como pároco na igreja de Nossa Senhora do Amparo de Benfica, durante quase 28 anos,  entre janeiro de 1955 e a data da sua morte em 1983, paróquia onde desenvolveu uma extraordinária obra religiosa, social e cultural, por nela ter criado o Salão de Festas, o Centro Paroquial, o Centro Social, o Jardim Infantil e o Refeitório, sem esquecer o Boletim da Família Paroquial. O Padre Álvaro Proença foi ainda o prior da então nova freguesia de São Domingos de Benfica, de 1959 a 1963, a funcionar na Igreja de Nossa senhora do Rosário no antigo Convento de São Domingos de Benfica, legado que passou ao padre Carlos dos Santos.

No Adro da Igreja de Benfica foi em 1984 erigido um busto de bronze do Padre Álvaro Proença, da autoria do escultor António Duarte e a Escola Básica do 1.º ciclo sediada no nº 535 da Estrada de Benfica também tem o nome do Padre Álvaro Proença, que em termos de toponímia também se encontra presente numa praceta do Casal de São Brás (Amadora) e numa rua em Loures.

Freguesia de Benfica
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Alameda central da borboleta do Bairro da Encarnação

Freguesia dos Olivais

A Alameda da Encarnação é o eixo principal do Bairro-Jardim da Encarnação, traçado em forma de borboleta pelo Arqtº Paulino Montez, com duas áreas simétricas que terminam no largo principal.

O Bairro Económico da Encarnação, foi construído de 1940 a 1943 numa área de cerca de 47 ha, em terrenos do então Ministério das Obras Públicas e Comunicações e inaugurado oficialmente três anos depois, em 1946. Apesar de seguir as características dos restantes Bairros Sociais ou de Casas Económicas, como situar-se fora da malha urbana da época e copiar o modelo de aldeia portuguesa com casas em vez de prédios, o Bairro da Encarnação já associava alguns princípios das cidades-jardim que então se iam construindo noutros países europeus, sobretudo em Inglaterra, como cerca de 25% da área do bairro ocupada com espaços verdes.

A Alameda da Encarnação, que une a Avenida de Berlim à Rua dos Lojistas, foi atribuída como os restantes topónimos do Bairro da Encarnação pelo Edital municipal de 15 de março de 1950, o Edital que também deu toponímia, sobretudo numérica, aos  Bairros de Casas Económicas do Alto da Ajuda, do Alto da Serafina, da Calçada dos Mestres, de Caselas e das Terras do Forno.

A Alameda da Encarnação é a via principal do Bairro da Encarnação e tem no seu topo a Igreja de Santo Eugénio (nome do Papa Pio XII: Eugénio Pacelli), consagrada em 2 de junho de 1951.

As terraplanagens para a abertura de ruas do Bairro foram adjudicadas à Societé Coloniale de Constructiore em 1941; a pavimentação e esgotos ao Engº António de Almeida Belo em 1942; a construção do quartel dos bombeiros a Ruy Miller de Magalhães em 1947; a construção de ruas de acesso ao Bairro da Encarnação a José dos Reis Sanches em 1948 e a construção do Mercado do Bairro da Encarnação foi adjudicada a Amaro & Mota, Lda. em 1961.

Freguesia dos Olivais
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

As Avenidas e as Alamedas

A Alameda da Universidade
(Foto: Manuel Rodrigues Levita)

As Avenidas e as Alamedas são artérias quase sempre em linha reta, como as ruas, mas mais largas e mais extensas, distinguindo-se as Alamedas das Avenidas por as primeiras terem de ser ladeadas de árvores e isso não ser uma característica determinante nas Avenidas. No decorrer do séc. XX, as Alamedas também passaram a distinguir-se como zona de estadia de pessoas enquanto as Avenidas ganharam mais tráfego automóvel.

À letra, Alameda  é uma artéria ornada de álamos que consensualmente passou a ter o significado de arruamento mais arborizado do que uma avenida. Este tipo de artéria possui uma grande quantidade de árvores e não sendo isentas de trânsito, privilegiam contudo o espaço de convivências das pessoas, como podemos observar em Lisboa na Alameda Dom Afonso Henriques.

Alameda das Linhas de Torres – Placa Tipo II
(Foto: Mário Marzagão)

Lisboa apresenta 18 Alamedas cujos topónimos se referem a personalidades em 8 casos; em 7 outras, o topónimo relaciona-se com o local onde estão (como por exemplo, a Alameda das Linhas de Torres [Edital de 07/08/1911],  a Alameda da Encarnação [Edital de 15/03/1950] ou a Alameda da Universidade [Edital de 31/03/1970])  e por último,  3 delas são simbólicas homenagens: a Alameda da Música [Edital de 04/08/2004], como centro de um toponímico Bairro da Música; a Alameda das Comunidades Portuguesas [Edital de 09/12/1988], próxima do aeroporto de Lisboa, numa manifestação de solidariedade para com os portugueses radicados no estrangeiro; e a Alameda dos Oceanos [oficializada pelo Edital de 16/09/2009], nascida na EXPO 98, a perpetuar o tema dessa Exposição: «Os oceanos: um património para o futuro».

A Avenida é mais extensa que qualquer outra tipologia de artéria urbana, não sendo por isso de estranhar que o maior arruamento de Lisboa seja uma Avenida: a Infante Dom Henrique. A tipologia Avenida começou a ser usada na cidade de Lisboa no último quartel do séc. XIX, acontecimento a que não será estranho a passagem das responsabilidades da toponímia do Governo Civil para o Município, como se a criação de uma visão conjunta de fazer cidade impusesse a necessidade da Avenida como nova artéria citadina moderna, e repare-se aqui nas Avenidas Novas em que se algumas nasceram como ruas viram alterada a sua categoria para avenidas no séc. XX, como sucedeu, por exemplo, com a Avenida Fontes Pereira de Melo (antes Rua Fontes) , bem como, por exemplo, o Edital municipal de 29 de novembro de 1902  atribuiu 5 avenidas referentes a políticos regeneradores da Monarquia Constitucional ( Avenidas António de Serpa, Casal RibeiroDuque d’Ávila, Hintze Ribeiro (hoje, Avenida Miguel Bombarda) e José Luciano (hoje, Avenida Elias Garcia).

Avenida Francisco Salgado Zenha – Placa Tipo IV
(Foto: Sérgio Dias)

Nos dias de hoje Lisboa tem 150 Avenidas, sendo que 131 têm como topónimo o nome de diversas personalidades, cidades, países  e oceanos a que acresce também o nome de uma organização através da Avenida das Nações Unidas. Surgem ainda 13 avenidas às quais foi atribuído um topónimo simbólico ou de homenagem específico – a Avenida Vinte e Quatro de Julho [Avenida desde 22/10/1928 e antes Rua em 13/09/1878] para perpetuar a vitória liberal de 24 de Julho de 1833 sobre os absolutistas de D. Miguel bem como a Avenida Praia da Vitória [Edital de 28/06/1906] pela vitória das tropas liberais contra a esquadra absolutista em 11 de agosto de 1829 ; a Avenida da Liberdade [deliberação camarária de 18/08/1879], como espaço aberto ao invés do Passeio Público com portões que a antecedeu; a Avenida da República, a Avenida Cinco de Outubro [ambas pelo Edital de 05/11/1910] e a Avenida dos Defensores de Chaves [Edital de 19/09/1912], todas a registarem datas e acontecimentos caros aos Republicanos; a Avenida das Descobertas [Edital de 28/07/1958], a Avenida da Boa Esperança [ oficializada pelo Edital de 16/09/2009] e a Avenida da Peregrinação [oficializada pelo Edital de 06/05/2015] para exaltar a época da Expansão Portuguesa; a Avenida das Forças Armadas [Edital de 30/12/1974 ] para perpetuar o 25 de Abril de 1974; a Avenida dos Bombeiros [ Edital de 24/03/1975] para homenagear todos os bombeiros portugueses tal como a Avenida dos Combatentes [Edital 15/03/1971] procedera de igual forma com os militares portugueses; a Avenida Lusíada [Edital de 29/12/1989], para homenagear todos os portugueses usando o termo divulgado por Camões no seu poema épico. Finalmente, 6 delas registam o local onde foram abertas: Avenida da Torre de Belém [Edital de 07/08/1945], a Avenida do Restelo [Edital de 29/04/1948], Avenida da Ribeira das Naus [Edital de 22/06/1948], Avenida da Igreja [Edital de 19/07/1948], Avenida do Colégio Militar [Edital de 23/02/1978] e a Avenida da Universidade Técnica [Edital de 19/04/2004].

A Avenida Rovisco Pais

A Alameda da Música

Freguesia do Lumiar (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia do Lumiar
(Foto: Sérgio Dias)

Esta Alameda da Música começa na Avenida Carlos Paredes  e atravessa a Rua Tomás Del Negro e a Rua Luís Piçarra até terminar na Avenida David Mourão-Ferreira. Foi atribuída através do Edital municipal de 4 de agosto de de 2004, no arruamento interior da Malha 15 do Alto do Lumiar, procurando assim a edilidade promover em seu redor um pólo toponímico ligado à música.

Aliás, esta artéria foi inaugurada no dia Dia Mundial da Música desse mesmo ano 2004 (dia 1 de outubro) , com mais outros 7 topónimos de figuras ligadas à música, a saber: a Rua Adriana de Vecchi (Violoncelista/1896 – 1995) dedicada a uma instrumentista e professora de música; a Rua Arminda Correia (Cantora/1903 – 1988) e a Rua Luís Piçarra (Cantor/1917 – 1999) fixando cantores líricos; e mais 4 compositores com a Rua Belo Marques (Músico/1898 – 1987), ,  a Rua Nóbrega e Sousa (Músico/1913 – 2001), a Rua Shegundo Galarza (Músico/1924 – 2003) e a Rua Tomás Del Negro (Músico/1850 – 1933).

Freguesia do Lumiar (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia do Lumiar
(Planta: Sérgio Dias)

A Alameda do revelador dos Raios X

0 roetgen

No âmbito das comemorações do centenário da descoberta dos Raios X a Câmara Municipal de Lisboa associou-se à homenagem a Roentgen e, deu o nome deste cientista à Alameda Central à Quinta dos Inglesinhos,  através do Edital Municipal de 6 de abril de 1995.

O alemão Wilhelm Conrad Röntgen (Lennep/27.03.1845 – 10.02.1923/Munique) foi um físico que em 1895, no decorrer das suas experiências com raios catódicos, descobriu os Raios X, também designados como Raios Roentgen, o que lhe granjeou fama mundial e o Prémio Nobel da Física no ano de 1901, bem como um Museu com o seu nome na sua terra natal.

A descoberta ocorreu em novembro de 1895 e Roentgen usou a designação matemática para algo desconhecido denominando-os raios-X. Cinquenta dias depois publicou o artigo original da descoberta «Ueber Eine Neue Art von Strahlen» (Sobre uma Nova Espécie de Raios), em 28 de dezembro. Seis dias antes conseguira a 1ª chapa radiográfica, a mão da sua mulher e, hoje é considerado o pai da Radiologia de Diagnóstico médico.

Roentgen doou o dinheiro do Prémio Nobel à sua universidade, certo de que a ciência devia estar ao serviço da humanidade e não do lucro e, à semelhança da escola científica alemã da época, rejeitou registrar qualquer patente relacionada com a sua descoberta.

Formado pela Escola Politécnica de Zurique, em 1866, também leccionou física e matemática em Hohenheim (1875), Estrasburgo (1876), Geissen (1879) e Würzburg (1880), universidade de que foi também reitor a partir de 1886 e, a partir de 1900 ainda foi o físico chefe da Universidade de Munique.

Edital nº 00/00 de

Edital nº 43/95 de 6 de abril de 1995

Freguesia de Carnide

Freguesia de Carnide