Publicação municipal da Alameda Coronel Marques Júnior

A publicação municipal de toponímia referente à Alameda Coronel Marques Júnior, hoje distribuída no decorrer da inauguração oficial deste arruamento, na Freguesia das Avenidas Novas, já está online

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Inauguração da Alameda Coronel Marques Júnior no próximo dia 3 de julho

Na próxima quarta-feira, dia 3 de julho, data do 73 º aniversário de nascimento do Capitão de Abril Marques Júnior, a Câmara Municipal de Lisboa vai inaugurar às 12:00 horas, uma Alameda com o seu nome, na freguesia das Avenidas Novas.

António Marques Júnior (1946 – 2012), participante  desde a primeira hora na revolução de 25 de Abril de 1974, desde as primeiras reuniões de oficiais em setembro de 1973,  integrou a Comissão Coordenadora do Programa do MFA e foi o mais jovem membro do Conselho da Revolução. A partir de 1985 foi eleito deputado para a Assembleia da República, inicialmente pelo PRD, mas a partir de 1991, integrando listas socialistas até ao ano de 2011.

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A Alameda do primeiro rei português, Dom Afonso Henriques e o 1º dia das Festas de Lisboa’19

Freguesias da Penha de França, de Arroios e, do Areeiro

Nos 120 metros de largura e cerca de 640 metros de comprimento da Alameda Dom Afonso Henriques vai decorrer hoje, a partir das 19:30, o espetáculo de abertura das Festas de Lisboa deste ano, com uma travessia na corda bamba, a 30 metros de altura: o Linhas Voadoras – Abertura Festas de Lisboa’19.

Esta ampla Alameda que homenageia o 1º Rei de Portugal, Afonso Henriques (Guimarães/25.06.1109 ou Viseu/05.08.1111-06.12.1185/Coimbra), já constava de um plano de urbanização aprovado em sessão de câmara de 7 de abril de 1928 mas só passou a topónimo pelo Edital municipal de 31 de março de 1932.

Pelo mesmo Edital e na mesma zona foi atribuída a Avenida Dom João I (na Avenida nº 21), a homenagear outro monarca, o primeiro rei escolhido pelo povo de Lisboa, no decorrer da crise de 1383-1385. Contudo, o Edital municipal de 29 de julho de 1948 transformou-a na que hoje conhecemos como Avenida Marconi, para perpetuar o Nobel da Física de 1909 e criador da Telegrafia Sem Fios, a TSF. Ainda no Edital de 1932 foram dados diversos topónimos de atores que ainda hoje lá encontramos – a  Rua Actor Isidoro (Rua nº 6-A), a Rua Lucinda do Carmo (Rua nº 10) e a Rua Actriz Virgínia (Rua nº 11)- , bem como a Rua Actor Epifânio (Rua nº 1) que nunca saiu da planta de papel e nunca foi construída, tal como aconteceu com a Rua Rui Chianca (Rua nº 22), que perpetuava um popular escritor falecido no ano anterior, em 1931.

A Alameda Dom Afonso Henriques está desde 1936 encimada pelos edifícios do Instituto Superior Técnico, da autoria de Pardal Monteiro. Depois desce num vale e ao subir novamente fecha com a Fonte Luminosa, uma das obras monumentais do Estado Novo, do traço dos irmãos arquitetos Carlos e Guilherme Rebelo de Andrade, concebida em 1938 e inaugurada em maio de 1948, ao mesmo tempo fornece um miradouro sobre a obra realizada. Entre os anos de 1936 e 1946, foram sendo erguidos ao longo desta Alameda  um conjunto de blocos de habitação.

Afonso Henriques (Guimarães/25.06.1109 ou Viseu/05.08.1111-06.12.1185/Coimbra), filho do Conde Dom Henrique e de Dona Teresa de Leão, que ficou na história portuguesa com o cognome de «O Conquistador», foi o primeiro rei de Portugal. Em 1139, após a vitória na batalha de Ourique proclamou-se Rei de Portugal, apoiado pelas suas tropas. Em 1143, o Tratado de Zamora reconhece a independência do território e Afonso Henriques passa a usar o título de Rei e declara vassalagem à Santa Sé, o que vem a ser confirmado em 1179 por bula papal que reconhece o reino de Portugal.

Freguesias da Penha de França, de Arroios e, do Areeiro

 

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Alameda da Música e MynameisnotSEM unidos pelas paisagens sonoras no Muro’19

A Alameda da Música, nascida para ligar várias artérias de um bairro que a edilidade quis com toponímia ligada à música, o que desde logo ficou expresso no mobiliário urbano do seu Parque Infantil, e o artista MynameisnotSEM, cuja última exposição inspirada em música eletrónica se intitula Soundscapes e que no âmbito da 3ª edição do Festival de Arte Urbana de Lisboa vai realizar workshops de pintura para o moradores e visitantes do MURO’19, são o exemplo da simbiose da comunidade local, toponímia, arte urbana e sonoridades musicais que são o mote do diálogo criativo do MURO deste ano, no Lumiar.

Foto de perfil de mynameisnotsem

O residente em Matosinhos MynameisnotSEM, nascido Filipe Granja no Porto em 1989, é um designer e artista urbano cuja obra se  caracteriza por uma pintura abstrata de mistura de padrões e linhas, em cores contrastantes, num minimalismo contemporâneo inspirado por música eletrónica também contemporânea. Licenciado em Design de Comunicação e Multimédia pela Escola Superior Artística do Porto, onde também concluiu um Mestrado em Design de Imagem, tendo realizado o trabalho de investigação A Street Art como ferramenta da perpetuação da memória coletiva do espaço, realiza visitas guiadas a espaços de arte mural enquanto curador e produtor de eventos de Arte Urbana, produz pinturas murais e quadros originais em diversos suportes, dinamiza o Festival DESENLATA e o mural FLASH, para além de desde 2016 ser o produtor artístico do BECUH Porto – Badass Experiences by Creatives from Urban Habitat.

A Alameda da Música que começa na Avenida Carlos Paredes  e atravessa a Rua Tomás Del Negro e a Rua Luís Piçarra até terminar na Avenida David Mourão-Ferreira foi atribuída através do Edital municipal de 4 de agosto de 2004, no arruamento interior da Malha 15 do Alto do Lumiar, procurando assim a edilidade promover em seu redor um pólo toponímico ligado à música.

Aliás, esta Alameda da Música foi inaugurada no dia Dia Mundial da Música de 2004, com mais outros 7 topónimos de figuras ligadas à música, a saber: a Rua Adriana de Vecchi (Violoncelista/1896 – 1995) dedicada a uma instrumentista e professora de música; a Rua Arminda Correia (Cantora/1903 – 1988) e a Rua Luís Piçarra (Cantor/1917 – 1999) que ali fixaram cantores líricos; a que se juntaram mais 4 compositores, através da Rua Belo Marques (Músico/1898 – 1987), da Rua Nóbrega e Sousa (Músico/1913 – 2001), da Rua Shegundo Galarza (Músico/1924 – 2003) e da Rua Tomás Del Negro (Músico/1850 – 1933).

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O Quartel da EPAM, a RTP e a Alameda das Linhas de Torres

A Capital, 25 de abril de 1974, edição das 12 horas

Pelas 02H50, saiu da Escola Prática de Administração Militar uma força com o objetivo de ocupar os estúdios da  Rádio Televisão Portuguesa, na Alameda das Linhas de Torres, ao Lumiar. Estiveram envolvidos cerca de 100 militares, comandados pelo capitão Teófilo Bento.

Na madrugada do dia 25 de abril de 1974, após a audição de Grândola, Vila Morena de José Afonso, foi controlada a EPAM – no nº 179 da Alameda das Linhas de Torres -, de onde saiu uma força de 130 homens comandada pelo capitão Teófilo Bento, que ocupou Mónaco com êxito e sem incidentes, isto é, ocupou os estúdios da RTP, no nº 44  da mesma Alameda das Linhas de Torres, impedindo a sua utilização pelas forças do regime e colocando-os ao serviço do MFA, que passou a transmitir regularmente pelas 19:00, com a imagem e a voz de Fernando Balsinha e de Fialho Gouveia. Na madrugada do dia 26 de abril é através da RTP que se transmite a proclamação ao país da Junta de Salvação Nacional, presidida pelo General António de Spínola.

Esta Alameda das Linhas de Torres, que hoje vai do Campo Grande à Estrada da Torre, nasceu após a implantação da República, através do Edital municipal de 7 de agosto de 1911, na artéria que era a Alameda do Lumiar, para homenagear na memória do local os combatentes das Linhas de Torres Vedras, erguidas em 1810 para defender militarmente Lisboa das invasões francesas e tanto mais que este arruamento fazia a ligação com a Estrada para Torres Vedras. O mesmo Edital de 1911 também homenageou Neves Costa, engenheiro militar que participou no estudo das mesmas.

As Linhas de Torres Vedras ou simplesmente Linhas de Torres  integram o conjunto de fortificações da península de Lisboa que no contexto da Guerra Peninsular foram concebidas para impedir um exército invasor de atingir a capital ou, em caso de derrota, permitir a retirada, em segurança, do Exército Britânico. A ordem para a sua construção foi dada em outubro de 1809,  por Arthur Wellesley, então comandante do exército anglo-luso, sendo o Coronel Richard Fletcher o oficial do exército de Wellington responsável pelos trabalhos de engenharia. Já em 1807, Junot encarregara o coronel de engenharia Vincent de estudar a defesa de Lisboa e na execução dessa tarefa esteve o major de engenharia José Maria das Neves Costa. Após a expulsão das tropas francesas foram feitas diligências pelas autoridades portuguesas no sentido de fazer o levantamento topográfico que servisse de base aos trabalhos da defesa de Lisboa, comissão em que esteve novamente Neves Costa, que já em 1801 publicara Observações sobre o plano de ataque e defesa do reino de Portugal em relação à sua Geografia e topografia. Refira-se ainda que na Terceira Invasão Francesa as Linhas de Torres Vedras impediram o exército de Massena de atingir Lisboa e acabaram por provocar a sua retirada de Portugal.

A Capital, 26 de abril de 1974

 

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Alameda Padre Álvaro Proença

Alameda Padre Álvaro Proença, topónimo atribuído por Edital de 28 de Fevereiro de 1984 a um arruamento da freguesia de Benfica

Álvaro Proença (1912-1983). Padre, professor e escritor. Ordenou-se padre após o curso feito no Seminário de Santarém. Nos anos 40 do século XX, foi professor na Casa Pia de Lisboa e na Escola Industrial Afonso Domingues (Marvila). A sua carreira eclesiástica desenrolou-se na área de Lisboa tendo sido Capelão Naval, Capelão da Casa Pia de Lisboa, Reitor da Igreja da Madre de Deus e pároco de Santa Maria de Loures. Enquanto esteve à frente desta paróquia interessou-se pela história local, tendo publicado em 1940, Subsídios para a história do Concelho de Loures. No ano seguinte escreve Como o povo reza: etnografia, em 1940, Raínha Nossa: coro falado, e em 1949 A grande colheita: coro falado para a festa das colheitas. Por toda a década de 50 publicará várias pequenas obras dedicadas à catequese de jovens e à oração: A nossa oração, Compêndio de Religião e Moral, Nossa Mãe e nossa Vida, Nossa Fé e nossa Lei, A hora triunfal: coro falado e Missal da Juventude.

A partir de 1955 é nomeado pároco de Nossa Senhora do Amparo de Benfica, lugar que manterá até à sua morte em 1983. Dedica-se à sua paróquia promovendo uma renovação da vida paroquial. Logo nesse ano funda o Boletim da Família Paroquial de modo a aproximar a igreja dos seus fiéis. Em 1958, lança o primeiro peditório para a construção dum Centro Paroquial e Social, a ser edificado no lado poente da Igreja, o que se veio a realizar, depois de apresentados vários projectos, em 1959, e terminada a segunda fase em 1964. O Centro destinava-se às actividades próprias da vida paroquial (cartório, casa paroquial, etc.), mas também, previa, desde o início, uma Creche, Jardim Infantil, Biblioteca, Salas de Aulas e Salão Paroquial. É durante o seu ministério que se iniciam os Cursos de Preparação para o Matrimónio, que se institui a Obra da Sagrada Família (para a promoção da oração em família), que se cria o Grupo de Recepção e Acolhimento, se formaliza o grupo de Leitores para a Eucaristia, e se cria o Apoio Pastoral que ainda hoje funcionam. A partir das emissões de televisão, em 1957, cria também um dos primeiros Cineclubes de Lisboa, que funcionava na paróquia.

Mas o seu interesse por Benfica levou-o igualmente, à semelhança do que já havia feito para Loures, a investigar a história desta freguesia. Em 1964 saiu a sua grande obra: Benfica através dos tempos. O Padre Álvaro Proença, ao longo de quase 600 páginas, procurou fazer a história da paróquia, da sua igreja, mas também do seu povo, usos e costumes, de aspectos da vida social, do património edificado da freguesia, das feiras e festas, entre outros temas. Benfica através dos tempos tornou-se, assim, uma obra fundamental para quem quer estudar esta zona e um excelente exemplo de como a olisipografia se pode dedicar a uma pormenorizada história de uma parte da cidade.

© CML | DPC | Gabinete de Estudos Olisiponenses | 2019

A Alameda da Quinta de Santo António de Telheiras

Pormenor da Quinta de Santo António na planta de Silva Pinto de 1907

Este topónimo preserva no sítio a memória da Quinta de Santo António e da sua Ermida de Santo António, em Telheiras, na Urbanização da Quinta de Santo António dos anos 80 do século XX.

A Alameda da Quinta de Santo António, que vai da Rua Fernando Namora à Rua Prof. Simões Raposo – no espaço que comercialmente foi denominado Parque dos Príncipes-, foi atribuída pelo Edital municipal de 25 de outubro de 1989 a um troço da Rua B da Urbanização da Quinta de Santo António a Telheiras, perpendicular à Rua A.

Como topónimo, esta Alameda da Quinta de Santo António, surgiu na sequência de um pedido da Junta de Freguesia do Lumiar para que fosse atribuído o nome do médico e investigador Prof. Luís Simões Raposo. A Comissão Municipal de Toponímia na sua reunião de 17 de outubro de 1989 colocou esse topónimo no troço da Rua B situado entre a Alameda da Quinta de Santo António e o Impasse 2 (da Urbanização da Quinta de Santo António), na mesma altura fazendo uso do troço  da mesma Rua B, com início na Rua A e perpendicular a esta, para fixar esta Alameda da Quinta de Santo António, memória de uma das quintas de Telheiras e da sua ermida.

A partir do séc. XVIII povoavam Telheiras proprietários lavradores e assalariados agrícolas, sendo estes últimos que trabalhavam nas quintas dos nobres  então conhecidos como  «os saloios de Tilheiras». Eram famosas as Quintas de São Vicente e de Santo António mas todas estas quintas de lazer possuíam um conjunto de terrenos de cultura e a casa com jardim do proprietário. Em 1758, a Quinta de Santo António pertencia a António Francisco Gorge e tinha uma Ermida dedicada a Santo António,  conforme relato do pároco Feliciano Luz Gonzaga.

Ainda segundo a mesma narrativa deste padre do Lumiar, de 4 de maio de 1758, tinha a paróquia do Lumiar 450 fogos e 2226 pessoas, ficando a um quarto de légua de distância do lugar do Campo Grande; precisa ainda que «os lugares que compreende são o do Lumiar que tem 188 fogos e 93 pessoas, o de Tilheyras em que se acham 92 fogos e 440 pessoas, o do Paço com 122 fogos e 603 pessoas, tem mais 2 lugares pequenos que são a Urmeyra que tem 5 fogos e 34 pessoas, e a Torre do Lumiar que tem 19 fogos e 104 pessoas, e os mais fogos que tem que são 24 em que habitam 142 pessoas são em várias quintas que se acham pelos limites desta freguesia».

Mais tarde, na planta de Silva Pinto de 1907 ainda está assinalada a Quinta de Santo António, bem como a Quinta dos Ingleses e a Quinta da Torre do Fato e ainda depois, nas plantas municipais  de 1967 do plano de urbanização da malha de Telheiras ainda aparece a Quinta de Santo António.

Freguesia do Lumiar
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

A Alameda do Beato António

Freguesia do Beato
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

A Alameda do Beato deve o seu nome ao Convento do séc. XVI que ali foi mandado erguer por Filipe I, sob a coordenação do  cónego Frei António da Conceição, que depois foi beatificado.

Inicialmente,  dada a sua configuração, esta artéria era vulgarmente conhecida por Largo do Beato e é com essa denominação que aparece na planta de Filipe Folque de 1858, tal como sucede na planta municipal de calçadas e canalizações de 1871. Já na planta de 1908 que Silva Pinto executou para a CML é referida como Alameda do Beato e era o local onde no início do século XX se realizavam arraiais, conforme se encontra na documentação municipal.

O Convento do Beato António, como ficou conhecido, passou para a toponímia em redor e assim está ainda hoje na Rua do Beato ( freguesias de Marvila e do Beato ), na Travessa da Alameda do Beato ( freguesia do Beato ), na Travessa do Olival ao Beato ( Beato ) e até a própria denominação da Freguesia onde se insere esta Alameda.

Freguesia do Beato
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

O homenageado neste topónimo é o Frei António da Conceição (Évora/1520 – 1602/Lisboa), que após a beatificação ficou conhecido como Beato António e foi neste sítio o responsável pela construção do novo Convento de S. Bento de Xabregas, a mando de Filipe I. Terá sido tão importante o seu papel que o próprio mosteiro ficou conhecido pelo nome de quem dirigiu a obra.

Desde o séc. XV que existia neste local uma Ermida de S. Bento, propriedade dos frades de Alcobaça no no reinado de D. João I. Em 1461, para dar execução ao testamento da sua falecida esposa D. Afonso V mandou construir no local um hospício-convento que entregou aos religiosos de Vilar de Frades, da Congregação dos Lóios, conhecido até aos finais do século XVI como Convento de São Bento de Enxobregas. Mais tarde, oriundo do Convento dos Lóios de Évora veio Frei António da Conceição dirigir a construção de um sumptuoso convento sobre o primitivo edificado. Segundo a tradição, o frade ganhou fama de milagreiro por ter conseguido erguer a  obra com poucos recursos monetários. Como após falecer, o frade ganhou estatuto de homem santo vindo a ser beatificado no século XVIII, tanto o convento como o sítio passaram a denominar-se Beato António.

Em 1622 ficou pronto o panteão da família dos Condes de Linhares numa nova capela-mor deste templo. O convento quase não foi atingido pelo terramoto de 1755 e acolheu os religiosos do vizinho Convento dos Lóios, passando também a sede da paróquia de São Bartolomeu ao Castelo. Com a extinção das ordens religiosas, em 1834, o templo foi convertido em hospital militar, embora tenha ardido pouco depois, em 1840. O que ficou de pé foi adquirido pelo industrial João de Brito que aí montou um armazém de vinhos, uma oficina de carpintaria e tanoaria e ainda, uma fábrica de moagem a vapor, que a partir de 1849 a Rainha D. Maria II autorizou que usasse como nome de marca «A Nacional».

Nos últimos anos do século XX, o espaço do convento começou a ser usado em eventos de índole cultural e social.

(Foto: Henrique Cayolla, sem data, Arquivo Municipal de Lisboa)

 

Alameda Padre Álvaro Proença, na freguesia que estudou e onde foi pároco

Freguesia de Benfica
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

O Padre Álvaro Proença permanece ainda nos nossos dias ligado a Benfica, por aí ter sido pároco durante 28 anos, por se ter debruçado sobre a história da Freguesia, e por lá continuar na Alameda com o seu nome, entre a Rua das Garridas e a Avenida Grão Vasco, estabelecida em 1984 pelo Edital municipal de 28 de fevereiro.

O Padre Álvaro Proença (Lisboa/12.08.1912 – 10.05.1983/Lisboa) dedicou-se à olisipografia da Freguesia de Benfica, nomeadamente através do estudo que deu a lume com o título Benfica através dos tempos (1964). Já antes, tendo sido pároco de Loures a partir de 1936, também publicou Subsídios para a História do Concelho de Loures (1940) e ainda, Como o Povo reza (1941).

O Reverendo Padre entrou para o Seminário de Santarém em outubro de 1923 e na maior parte da sua vida de sacerdote exerceu no concelho de Lisboa, quer como professor e capelão da Casa Pia de Lisboa ( a partir de 1942), quer como Reitor da Igreja da Madre de Deus ( desde 1942) e professor da Escola Industrial Afonso Domingues, quer como capelão da Marinha quer como pároco na igreja de Nossa Senhora do Amparo de Benfica, durante quase 28 anos,  entre janeiro de 1955 e a data da sua morte em 1983, paróquia onde desenvolveu uma extraordinária obra religiosa, social e cultural, por nela ter criado o Salão de Festas, o Centro Paroquial, o Centro Social, o Jardim Infantil e o Refeitório, sem esquecer o Boletim da Família Paroquial. O Padre Álvaro Proença foi ainda o prior da então nova freguesia de São Domingos de Benfica, de 1959 a 1963, a funcionar na Igreja de Nossa senhora do Rosário no antigo Convento de São Domingos de Benfica, legado que passou ao padre Carlos dos Santos.

No Adro da Igreja de Benfica foi em 1984 erigido um busto de bronze do Padre Álvaro Proença, da autoria do escultor António Duarte e a Escola Básica do 1.º ciclo sediada no nº 535 da Estrada de Benfica também tem o nome do Padre Álvaro Proença, que em termos de toponímia também se encontra presente numa praceta do Casal de São Brás (Amadora) e numa rua em Loures.

Freguesia de Benfica
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Alameda central da borboleta do Bairro da Encarnação

Freguesia dos Olivais

A Alameda da Encarnação é o eixo principal do Bairro-Jardim da Encarnação, traçado em forma de borboleta pelo Arqtº Paulino Montez, com duas áreas simétricas que terminam no largo principal.

O Bairro Económico da Encarnação, foi construído de 1940 a 1943 numa área de cerca de 47 ha, em terrenos do então Ministério das Obras Públicas e Comunicações e inaugurado oficialmente três anos depois, em 1946. Apesar de seguir as características dos restantes Bairros Sociais ou de Casas Económicas, como situar-se fora da malha urbana da época e copiar o modelo de aldeia portuguesa com casas em vez de prédios, o Bairro da Encarnação já associava alguns princípios das cidades-jardim que então se iam construindo noutros países europeus, sobretudo em Inglaterra, como cerca de 25% da área do bairro ocupada com espaços verdes.

A Alameda da Encarnação, que une a Avenida de Berlim à Rua dos Lojistas, foi atribuída como os restantes topónimos do Bairro da Encarnação pelo Edital municipal de 15 de março de 1950, o Edital que também deu toponímia, sobretudo numérica, aos  Bairros de Casas Económicas do Alto da Ajuda, do Alto da Serafina, da Calçada dos Mestres, de Caselas e das Terras do Forno.

A Alameda da Encarnação é a via principal do Bairro da Encarnação e tem no seu topo a Igreja de Santo Eugénio (nome do Papa Pio XII: Eugénio Pacelli), consagrada em 2 de junho de 1951.

As terraplanagens para a abertura de ruas do Bairro foram adjudicadas à Societé Coloniale de Constructiore em 1941; a pavimentação e esgotos ao Engº António de Almeida Belo em 1942; a construção do quartel dos bombeiros a Ruy Miller de Magalhães em 1947; a construção de ruas de acesso ao Bairro da Encarnação a José dos Reis Sanches em 1948 e a construção do Mercado do Bairro da Encarnação foi adjudicada a Amaro & Mota, Lda. em 1961.

Freguesia dos Olivais
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)