A Rua do escultor Leopoldo de Almeida, autor de D. João I da Praça da Figueira

Freguesia do Lumiar
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

O escultor alfacinha Leopoldo de Almeida, autor de diversa arte pública de Lisboa, como a estátua equestre de D. João I na Praça da Figueira, está desde a publicação do Edital municipal de 24 de abril de 1986 a ser o topónimo da Rua B projetada à Alameda das Linhas de Torres, a partir de uma  sugestão de Leonor Neves de Almeida, irmã do artista.

Leopoldo Neves de Almeida (Lisboa/18.10.1898 – 28.04.1975/Lisboa), concluiu o Curso Especial de Escultura na Escola de Belas-Artes de Lisboa,  entre 1916 e 1920, tendo aí sido colega de António da Costa, Jorge BarradasPardal MonteiroCarlos Ramos e outros, bem como aluno de, entre  outros, Columbano, Luciano Freire e Simões de Almeida.

Em 1970 no seu atelier
(Foto: Arquivo Municipal de Lisboa)

Foi um escultor clássico desde a sua obra inaugural: O vencido da vida (1922). Em 1926, deslocou-se a Paris e a Roma com uma bolsa do Estado mas manteve-se fiel à sua formação de matriz oitocentista como mostra com O fauno (1927), bem como na sua primeira e única exposição individual  em 1928, no Pensionato Artístico de Santo António dos Portugueses, em Roma. Regressou a Lisboa no ano seguinte e começou a trabalhar intensamente, em concursos para monumentos e em encomendas estatais.

No espaço público de Lisboa concretizou diversas intervenções icónicas como os baixos-relevos para a fachada do Cineteatro Éden (1934), no projeto de remodelação de Cassiano Branco;  o Monumento a António José de Almeida (1937), com Pardal Monteiro;  a Virgem e os Pastorinhos, a Ressureição de Lázaro e S. João Baptista na Igreja de Nossa Senhora do Rosário de Fátima (1938), obra também de Pardal Monteiro; a estátua Soberania e o conjunto escultórico do monumental Padrão dos Descobrimentos de Cottineli Telmo (1940), no âmbito da Exposição do Mundo Português; as estátuas de António Feliciano de Castilho e de Oliveira Martins (1948) na Avenida da Liberdade assim como as de D. Afonso Henriques e D. João I (1950); o grupo escultórico A Família no Jardim conhecido como das Francesinhas; o friso decorativo da entrada da Biblioteca Nacional e o busto do Prof. Francisco Gentil no IPO (1968); a estátua equestre de D. João I (1970), na Praça da Figueira e a de Calouste Gulbenkian (1974) nos Jardins da Fundação do mesmo nome.

A sua obra espalhou-se um pouco por todo o país, como a estátua de Nuno Álvares Pereira junto do Mosteiro da Batalha (1968), muito por via nas inúmeras encomendas públicas durante o Estado Novo, sobretudo na época da «política do espírito» de António Ferro, altura em que foi mesmo o escultor que mais encomendas executou e que neste contexto produziu as estátuas do Marechal Carmona (1939-1940), de Oliveira Salazar (1939) para Santa Comba Dão ou o baixo-relevo Prisão de Gungunhana para o Monumento a Mouzinho de Albuquerque (1940) na hoje cidade de Maputo ou até depois, o medalhão em bronze de Américo Tomás (1969) para o Liceu Pedro Nunes.

Para além da arte pública, Leopoldo de Almeida está representado no Museu de Lisboa, no Museu do Chiado, no Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, no Museu de José Malhoa e no Museu Leopoldo de Almeida, ambos nas Caldas da Rainha.

Leopoldo de Almeida também enveredou pela docência desde 1932, como professor de desenho na Sociedade Nacional de Belas Artes e a partir de 1934, tornou-se  também professor de Desenho e Escultura da escola que o formou, situação que durou até à sua aposentação.

Foi galardoado como Prémio Rocha Cabral (1929), a Medalha de Honra da SNBA e o Prémio Soares dos Reis do SNI (1940), a Medalha de Benemerência da Cruz Vermelha Portuguesa (1973), para além da  Ordem da Instrução Pública como Oficial (1956) e Comendador (1957), bem como da  Ordem Militar de Santiago da Espada nos graus de Comendador (1941) e de Grande-Oficial (1970).

Leopoldo de Almeida dá nome a ruas de Algueirão-Mem Martins, Cascais, Charneca da Caparica, Corroios, Quinta do Conde e Valongo.

Freguesia do Lumiar
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

 

 

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A Rua do pintor oitocentista José Rodrigues

Foto: José Leitão Bárcia, Arquivo Municipal de Lisboa

Desde 1979 que o pintor oitocentista José Rodrigues, autor dos retratos de Herculano e Manuel Fernandes Tomás dos Paços do Concelho de Lisboa, é topónimo de um arruamento da urbanização da Quinta do Ourives, na Freguesia do Beato, com a legenda «Pintor/1828 – 1887».

Foi por sugestão da Comissão Municipal de Toponímia, na sua reunião de 28 de maio de 1979, que os arruamentos da urbanização da Quinta do Ourives foram crismados com nomes de figuras da cultura portuguesa, a saber, o pintor José Rodrigues, o escultor Faustino José Rodrigues, o músico Luís Barbosa e o bibliotecário António Joaquim Anselmo, sendo fixados em 19 de Junho seguinte por Edital municipal.

Exaltação da Cidade de Lisboa pintada por José Rodrigues em 1886
(Foto: Francisco Leite Pinto, anos 80 do séc. XX, Arquivo Municipal de Lisboa)

Filho de Apolinário José e Maria Leonarda, nasceu lisboeta no Largo de São Rafael, como  José Rodrigues de Carvalho (Lisboa/16.07.1828 — 19.10.1887/Lisboa), que recebeu nome igual ao do seu padrinho e nos seus 59 anos de vida residiu nesta cidade, sendo a maior parte na sua casa e atelier na Rua dos Bacalhoeiros nº 125 – 3º.

Foi José Rodrigues o autor dos retratos de corpo inteiro de Alexandre Herculano e Manuel Fernandes Tomás que se encontram nos Paços do Concelho de Lisboa e pelos quais recebeu dois contos de reis, conforme contrato celebrado em 16 de Novembro de 1882. Ainda nos Paços do Concelho, no teto do Salão Nobre, está pintada desde 1886 a sua  alegoria Exaltação da Cidade de Lisboa, cujas figuras principais são Lisboa e o Tejo.

Rua José Rodrigues – Freguesia do Beato
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

Este pintor do realismo sentimental estudou na Academia Real de Belas Artes desde 1841,  como aluno voluntário por mor dos seus doze anos, tendo como condiscípulos João Pedro Monteiro (Monteirinho), Francisco Metrass, Tomás da Anunciação, Joaquim Pedro de Sousa ou António José Patrício. Da sua vasta obra, destacam-se os quadros Aparição do Anjo S. Gabriel ao profeta Daniel (1849) que lhe valeu a medalha de ouro da Academia Real de Belas Artes ou O cego rabequista (1855) que no ano seguinte foi mostrada na Exposição Universal de Paris e em 1865, obteve a segunda medalha na Exposição Internacional do Porto.

Para  sobreviver, José Rodrigues pintou mais de 200 retratos por encomenda de meios oficiais ou de burgueses endinheirados e dos quais podemos recordar os do Duque de Saldanha e de José Daniel Colaço (1852), de D. Pedro V, da Condessa do Farrobo e do Conde de Porto-Covo da Bandeira (1860), de Alexandre Herculano para o Gabinete Português de Leitura no Rio de Janeiro que foi medalha de prata da Exposição da Associação Industrial Portuense (1861), de D. Maria II, alguns de D. Luís I (1864, 1866 e 1869) e de António Feliciano de Castilho, cujo  filho Júlio de Castilho escreveu José Rodrigues, pintor portuguez : estudos artisticos e biographicos (1909), a única monografia publicada sobre este pintor.

A sua obra está representada no Museu Nacional de Arte Contemporânea-Museu do Chiado, Palácio Nacional da Ajuda, Museu de Aveiro e Museu da Quinta das Cruzes no Funchal.

Manuel Maria Bordalo Pinheiro pensou a criação da Sociedade Promotora das Belas-Artes que nasceu em 1862 e José Rodrigues integrou o grupo de artistas e fundadores com os artistas plásticos Carlos Krus e Joaquim Pedro de Sousa, os escritores Júlio de Castilho e Zacarias de Aça, o escultor Francisco de Assis Rodrigues, o médico José Maria Alves Branco, os pintores Francisco Lourença da Fonseca, Ferreira Chaves, Joaquim Nunes Prieto, Tomasini e ainda, o 5º duque de Palmela Domingos Borges Coutinho. Três anos depois, em 1865, a Conferência Geral da Academia de Belas Artes também o nomeou Académico de Mérito.

José Rodrigues foi também docente, nomeadamente, no Colégio do Bom Sucesso e no Colégio de S. José de São Domingos de Benfica para além de dar aulas particulares.

Segundo Júlio de Castilho, o pintor casou com Joaquina Lúcia de Brito Veloso Peixoto e o fotógrafo José Leitão Artur Bárcia era seu sobrinho neto.

Freguesia do Beato
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Rua da ilustradora e pintora Raquel Roque Gameiro

Freguesia de São Domingos de Benfica
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

A ilustradora Raquel Roque Gameiro foi homenageada no 2º Impasse à Rua Padre Francisco Álvares, uma artéria paralela ao 1º Impasse à Rua Padre Francisco Álvares, onde ficou o seu cunhado Leitão de Barros, na freguesia de São Domingos de Benfica, ambos pela publicação do Edital municipal de 4 de novembro de 1970, por sugestão do próprio Presidente da edilidade de então, Engº Santos e Castro.

Ilustração Portuguesa, 27 de novembro de 1911

Raquel Roque Gameiro Ottolini (Lisboa/15.08.1889 – 01.10.1970/Lisboa) foi uma pintora e ilustradora, filha primogénita e discípula do mestre aguarelista Alfredo Roque Gameiro, com Maria da Assunção de Carvalho Forte. Viveu a infância e juventude na Amadora, na Venteira, na hoje Casa Roque Gameiro, como o seu irmão Manuel e as suas irmãs Helena e Maria Emília (conhecida por Màmia) e foi a autora de um cartaz sedutor, para a firma de vinho do Porto Ramos Pinto, em que Pã espreme uvas para uma ninfa.

Estreou-se na ilustração em 1903, na literatura infantil dos Contos para Crianças de Ana de Castro Osório, bem como nas aguarelas para as exposições da Sociedade Nacional de Belas Artes a partir de 1909 e até 1937. Em ambos os casos, Raquel usava cores vivas, figuras de pescadores e camponeses, tipos e costumes de saloios dos arredores de Lisboa ou interiores rústicos e pobres mas airosos com chitas de ramagens. Em 1917, desenhou O Livro do Bébé, com versos de Delfim Guimarães, onde os pais podiam registar os momentos mais marcantes da vida do filho, desde o nascimento até a primeira comunhão. Na década de vinte, ilustrou obras de Adolfo Portela, Agostinho de Campos, António Sérgio, Augusto de Santa-Rita, Emília de Sousa Costa, Rodrigues Lapa, Sara Beirão e Tomás Borba, bem como na década seguida, entre outros, ilustrou o Livro de Leitura para a 1.ª Classe (1932) e, com Martins Barata e Emérico Nunes,  A lição de Salazar (1938).

Participou em várias mostras no país e no estrangeiro, como a Exposição de Artistas Portugueses no Rio de Janeiro e o Salão Internacional de Aguarela Hispano-Português de Madrid (1945). Teve destaque na “Exposição da Obra Feminina, antiga e moderna de caráter literário, artístico e científico”, organizada pelo jornal O Século e por Maria Lamas, em 1930. Foi distinguida com uma 1ª Medalha de Honra da SNBA (1929) e o prémio Ex-Libris da Imprensa Nacional. Está representada no Museu do Chiado-Museu Nacional de Arte Contemporânea, no Museu José Malhoa nas Caldas da Rainha e no Museu de Arte Contemporânea de Madrid.

Refira-se que além da ilustração de livros e manuais escolares, Raquel Roque Gameiro também colaborou, sobretudo na década de trinta,  com diversas publicações periódicas como o ABCzinhoComércio do Porto, Diário de Notícias, O Domingo IlustradoEvaIlustração PortuguesaJoaninhaJornal dos Pequeninos,  LusitasModas e BordadosO MosquitoMickeyPortugal Feminino, O Século, Serões, Sphinx e Tic-Tac.

Raquel Roque Gameiro foi também professora particular de Desenho, Aguarela e Pastel. Manteve grupos de alunos, primeiro no atelier da família na Rua Dom Pedro V e depois, na sua casa de Benfica. Com o pai, Raquel caricaturou várias personalidades da Amadora, do que resultou uma coleção de desenhos com forte sentido humorístico.

Na sua vida pessoal, casou com o 4º Conde de Ottolini, Jorge Gomes Ottolini e foi mãe da ilustradora Guida Ottolini e de mais duas filhas e um filho, vivendo primeiro na casa da família da Amadora e mudando-se depois para Benfica, em Lisboa.

O seu nome está também atribuído à Escola do 1.º Ciclo do Ensino Básico/Jardim de Infância Raquel Gameiro, na Freguesia da Venteira, na Amadora, bem como a uma Praceta de Odivelas.

Freguesia de São Domingos de Benfica
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

 

Diogo de Macedo das Tágides da Fonte Monumental da Alameda, numa Rua do Rego

Freguesia das Avenidas Novas
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

Diogo de Macedo, o autor do grupo escultórico do Tejo e das Tágides da Fonte Monumental da Alameda Dom Afonso Henriques, ficou consagrado numa Rua do Bairro do Rego desde 1965, zona em cuja toponímia já se encontravam diversos artistas plásticos.

Na reunião da Comissão de Arte e Arqueologia municipal de 31 de outubro de 1962 foi sugerido pelo Sr. Acúrsio Pereira a atribuição do nome do escultor Diogo de Macedo, falecido três anos antes, a uma artéria da capital, oportunidade que se concretizou quando um requerimento da Domus Nostra – Residência de Estudantes solicitou denominação para o arruamento projetado à Rua Jorge Afonso, que pelo Edital municipal de 11 de março de 1965 passou a ser a Rua Diogo de Macedo, definida entre e Avenida Álvaro Pais e a Praça Nuno Gonçalves.

Freguesia das Avenidas Novas – Placa Tipo IV
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

Diogo Cândido de Macedo (Vila Nova de Gaia- Mafamude/22.11.1889 – 19.02.1959/Lisboa), o autor do conjunto das Tágides da Fonte Monumental da Alameda Dom Afonso Henriques, nasceu no Largo de São Sebastião, em Mafamude, e faleceu na sua casa em Lisboa, no n º 110 da Avenida António Augusto de Aguiar.

Na sua juventude, frequentava a oficina do vizinho Fernandes Caldas, mestre santeiro e imaginário, com quem aprendeu os rudimentos do desenho e modelação. Em 1902 ingressou no curso de Escultura da Academia Portuense de Belas Artes que concluiu em 1911, sendo  aluno de Desenho de José Brito e Marques de Oliveira e de António Teixeira Lopes, em Escultura. Nesse mesmo ano de 1911 partiu para Paris, onde frequentou as Academias de Montparnasse, sendo influenciado pelos escultores Bourdelle e Rodin. Em 1913 participou no Salão dos Artistas Franceses, esculpiu o busto de bronze de Camilo Castelo Branco, fez a sua primeira exposição individual, no Porto, e conseguiu o 3º prémio com a maqueta para um monumento a Camões, apresentada em Paris.

Regressou a Portugal em 1914, sendo de destacar a sua participação na I Exposição de Humoristas e Modernistas  no Porto – com desenhos assinados sob o pseudónimo de Maria Clara-, a sua Menção Honrosa de Escultura na 12ª Exposição da SNBA (ambas em 1915) e na Exposição dos Fantasistas (1916), também no Porto. Casou-se em 1919 e no ano seguinte voltou a fixar-se em Paris, fase de que se salienta o grupo escultórico L’Adieu ou Le pardon (1920).

Em 1926, estabeleceu-se definitivamente em Lisboa e publicou a sua primeira obra, 14, Cité Falguière, as suas memórias parisienses. Produziu os bustos de Sarah Afonso (1927), António Botto (1928), Antero de Quental  (1929) e Mário Eloy (1932) e em 1929, conseguiu a 2ª Medalha em Escultura na Exposição anual da SNBA. Entre estas décadas de 20 e de 30 editou as suas primeiras obras, colaborou em jornais e revistas, como no Ocidente. E de 1939 a 1940 executou o conjunto Tejo e quatro Tágides para a Fonte Monumental da Alameda Dom Afonso Henriques, bem como as esculturas do pórtico do Museu Nacional de Arte Antiga.

A sua cuja obra está representada no Museu do Chiado- Museu Nacional de Arte Contemporânea, Soares dos Reis (Porto), Casa-Museu Camilo Castelo Branco (S. Miguel de Seide), Centro de Arte Moderna da Fundação Gulbenkian,  Museu do Abade de Baçal (Bragança), Museu Grão Vasco (Viseu), Museu João de Deus, Museu José Malhoa (Caldas da Rainha), Museu Nacional João de Castilho (Tomar), Museu Santos Rocha (Figueira da Foz).

Em 1941, após enviuvar renunciou à escultura e passou a dedicar-se à escrita de biografias de artistas, estudos e  prefácios de catálogos de exposições de que se salientam as monografias sobre Columbano (1952), Domingos Sequeira (1956), Mário Eloy e Machado de Castro (1958). Deixou inúmeros artigos em publicações como o Boletim da Academia Nacional de Belas-ArtesContemporâneaMocidade Portuguesa Feminina, Mundo Gráfico, Mundo Literário, OcidentePanorama ou The Connoisseur. Diogo de Macedo esteve também ligado à Academia Nacional de Belas Artes, primeiro como  vogal (1938) e depois como secretário (1948).

A  partir de 1945 e até ao final da vida, dirigiu o Museu Nacional de Arte Contemporânea (hoje Museu do Chiado), onde iniciou a prática de o abrir diariamente ao público, com entrada independente pela Rua Serpa Pinto, a que somou um programa de exposições temporárias e pequenas monografias editadas pelo museu sobre artistas representativos da sua coleção.

Em 1946 voltou a casar,  com Eva Botelho Arruda, e dois anos depois foi incumbido pelo Ministério das Colónias de dirigir e acompanhar uma exposição itinerante de Artes por Angola e Moçambique. Em 1949, promoveu também uma Semana Cultural Portuguesa em Santiago de Compostela. Nos anos cinquenta foi convidado a organizar os processos de classificação dos imóveis de interesse público e voltou a a apresentar obras suas na Bienal de Veneza (1950) ou no Pavilhão Português da Exposição Internacional de Bruxelas (1958).

Em sua homenagem,  a Escola Secundária de Olival, em Vila Nova de Gaia, passou a designar-se Escola Secundária Diogo de Macedo (em 1995) e ficou também perpetuado na toponímia do Porto, de Mafamude e de Santa Marinha (Vila Nova de Gaia), da Arrentela (Seixal) e de Sesimbra.

Freguesia das Avenidas Novas
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

Luciano Freire, o pintor-restaurador que dirigiu o Museu dos Coches, numa Rua do Rego

Freguesia das Avenidas Novas
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

Esta artéria que em Lisboa guarda a memória de Luciano Freire, notável pintor-restaurador da geração de 1890 que dirigiu o Museu dos Coches, nasceu no Plano de arruamentos da Quinta do Lagar Novo ao Rego, através do Edital municipal de 17 de Abril de 1934, que ali colocou mais sete topónimos de pintores para além do próprio Luciano Freire, a saber, Praça Nuno Gonçalves, Rua Cristóvão de Figueiredo, Rua Frei Carlos, Rua Gregório Lopes, Rua Jorge Afonso, Rua José Malhoa (que nunca saiu do papel da planta) e Rua Sanches Coelho.

Freguesia das Avenidas Novas (Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Rua Luciano Freire era a Rua G do Plano de arruamentos da Quinta do Lagar Novo ao Rego e hoje liga a Praça Nuno Gonçalves à  Rua Alfredo Roque Gameiro, e homenageia Luciano Martins Freire (Lisboa/11.06.1864 – 28.01.1934/Lisboa), nascido na então freguesia da Encarnação (hoje, da Misericórdia), filho de Domingos Martins e de Virgínia Gomes Freire.

Luciano concluiu o curso de Pintura Histórica na Academia Real de Belas Artes em 1886,  onde foi discípulo de Miguel Lupi, Ferreira Chaves, Silva Porto e Tomás da Anunciação.  Logo no ano seguinte expôs pela primeira vez, na Sociedade Promotora de Belas Artes, um D. Sebastião, que pertence à Câmara Municipal de Lisboa, fase em que também pintou temas históricos nos estuques do Museu Militar. No final dessa década dedicou-se antes ao retrato e  à pintura de género, de que são exemplos as suas telas Catraeiros (1894) – que lhe valeu o titulo de académico de mérito da Academia Real de Belas Artes de Lisboa e ficou perdido num naufrágio em 1901, no regresso da Exposição Universal de Paris de 1900 -, Bucólica (1896) ou Desolação (1900), de evocação simbolista como já surgia em Perfume dos Campos (1899) – um dos raros exemplos da estética arte nova na pintura portuguesa – e  Eterno Escravo. Luciano Freire esteve em Paris e Londres e conheceu os progressos técnicos e culturais, tanto nas fábricas como no cinema, ficando a saber como eram as últimas correntes estéticas simbolistas, pelo que também não será de estranhar que  tenha sido o autor de temas expressamente relacionados com o mundo fabril (Gasómetro e Fábrica de Gás Lisboa, em Belém) e ferroviário (Construção da Linha de Cascais).

A sua obra encontra-se no  Museu Nacional de Arte Contemporânea-Museu do Chiado e está também representado no Museu José Malhoa, nas Caldas da Rainha.

Luciano Freire foi também professor de Modelo Vivo na Escola de Belas Artes, até aos seus 69 anos, entre 1896 e 1933, para além de a partir de 1889, trabalhar também como ilustrador de O Occidente.

Luciano Freire fotografado em 28 de maio de 1924 por Eduardo Portugal
(Foto: Arquivo Municipal de Lisboa)

Era ainda um reconhecido restaurador de pinturas antigas, até a  nível internacional, sobretudo da pintura quatrocentista e quinhentista, somando mais de 500 obras restauradas, de onde sobressaem os famosos Painéis de São Vicente (entre 1909 e 1910). Luciano Freire fez  um aturado estudo e investigação sobre técnicas de conservação e restauro de pintura. Com os historiadores e críticos de arte Ramalho Ortigão, José Pessanha e José de Figueiredo, organizou também a Comissão de Inventariação e Beneficiação da Pintura Antiga de Portugal, organismo instituído em abril de 1910 e no qual se salientou como restaurador. Entretanto, Luciano Freire aderiu ao movimento republicano e participou no inventário dos bens dos paços reais e das congregações religiosas, tendo sido em 1911 nomeado diretor do Museu Nacional dos Coches, aberto em 1905, mantendo uma colaboração empenhada nos processos de organização e funcionamento do Museu Nacional de Arte Antiga, tanto no programa de restauro da colecção de pintura como no papel de diretor substituto de José de Figueiredo. A política de aquisição e de ofertas pessoais , seguida por Luciano Freirena para o Museu dos Coches, este passou a dispor também de desenhos, gravuras e material gráfico com os estudos e projetos para viaturas.

Luciano Freire exerceu ainda as funções de  secretário da Academia de Belas Artes (1900-1910) e de vogal, vice-presidente e presidente do Conselho de Arte e Arqueologia da 1.ª Circunscrição Artística (1911 e 1932), um  organismo do Ministério da Instrução Pública com a responsabilidade da salvaguarda, classificação, conservação e restauro do património artístico, histórico e arquitetónico português, pelo que conviveu com Columbano Bordalo Pinheiro, Veloso Salgado, João Vaz, Ernesto Condeixa, José Malhoa e Carlos Reis.

Refira-se que existiu uma proposta do Ministro da Instrução Pública de 27 de março de 1933, para que Luciano Freire recebesse a condecoração de Grande Oficial da Ordem da Instrução Pública mas esta nunca chegou a ser atribuída.

Na toponímia, o artista está presente como Rua Luciano Freire em Paio Pires, como Travessa Luciano Freire na Aroeira (Almada) e como Rua Luciano Martins Freire em Barcarena.

Freguesia das Avenidas Novas – Placa Tipo II
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

O azulejador e caricaturista Jorge Colaço numa Rua de Alvalade

Freguesia de Alvalade
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

Jorge Colaço, da azulejaria azul e branca e das caricaturas do Thalassa, cujo 150º aniversário este ano se completa, desde 1957 dá nome à Rua de Alvalade que era o troço da Estrada das Amoreiras a norte da Avenida do Brasil até à projetada Segunda Circular.

Jorge Colaço foi inscrito na toponímia de Lisboa pelo Edital  municipal de 17 de maio de 1957, cerca de nove anos depois da sua mulher, Branca de Gonta Colaço, que era também  um topónimo do Bairro de Alvalade desde a publicação do Edital municipal de 22 de julho de 1948 .  A sugestão para homenagear Jorge Colaço surgiu do seu filho, Tomás Ribeiro Colaço, em carta datada de 29/11/1956 dirigida ao Presidente da edilidade lisboeta.

«Ilustração Portuguesa» de 20 de dezembro de 1905

Jorge Daniel Rey Colaço (Tânger/26.02.1868 – 23.08.1942/Caxias),  notabilizou-se sobretudo como azulejador e caricaturista, bem como enquanto Presidente da Sociedade Nacional de Belas-Artes, no período de 1906 a 1910, por ter sido, em grande parte,  o obreiro da construção da sede.

Nascido em Tânger, no Consulado de Portugal , por ser filho do escritor e diplomata José Daniel Colaço ( 1.º barão de Colaço e Macnamara) e de Virgínia Maria Clara Vitória Raimunda Rey Colaço, sendo assim também primo de Amélia Rey Colaço ( mais nova 30 anos). Estudou arte em Lisboa, Madrid e Paris, onde foi discípulo de Ferdinand Cormon, após o que trabalhou para a Fábrica de Louça de Sacavém até 1923, fazendo ressurgir o azulejo artístico em Portugal. A partir de 1924 e até à data da sua morte passou a colaborar com a Fábrica de Cerâmica Lusitânia,  de Coimbra. Inovador nos processos foi dos primeiros a usar a  técnica da serigrafia nos azulejos mas, distinguiu-se ainda mais pela transposição para o azulejo de efeitos aguarelados ou semelhantes aos da pintura a óleo graças a uma segunda cozedura. A azulejaria de Jorge Colaço foi preferencialmente em azul e branco e tradicionalista, com painéis historiados de azulejaria e exaltação da  vida rural.

Das muitas centenas de painéis de azulejos seus espalhados pelo país e até pelo mundo, cuja inventariação ainda está a ser completada, destacamos em Lisboa, os da Casa do Alentejo no Palácio Alverca (1918), do Pavilhão dos Desportos- Pavilhão Carlos Lopes (1922), da Academia Militar no palácio da Bemposta, da  pastelaria A Merendinha na Rua dos Condes de Monsanto, na sede da Cruz Vermelha Portuguesa no Palácio dos Condes de Óbidos e do desaparecido Mercado da Fruta do Cais do Sodré. No resto do país salientamos os painéis das muitas estações e apeadeiros de caminho de ferro que são da sua autoria, como os da Estação de São Bento (1903) no Porto  ou os da Estação de Beja (1940), os do Aquário Vasco da Gama (1898) no Dafundo, da decoração do Palace-Hotel do Buçaco (1907), do revestimento exterior da Igreja dos Congregados (1929) no Porto, da Casa Baeta em Olhão (1930), bem como a nível internacional o seu tríptico no Palácio de Windsor (Inglaterra), o painel na Sociedade das Nações em Genebra (Suíça), na Maternidade de Buenos Aires (Argentina) e em diversas residências no Brasil, Cuba e Uruguai.

Jorge Colaço usou também o seu exímio traço de  desenhador na caricatura e foi galardoado com a 1ª medalha em caricatura da Sociedade Nacional de Belas Artes e a medalha de honra na Exposição Portuguesa no Rio de Janeiro (1908). Em 1913, com Alfredo Lamas, Chrispim ( E. Severim de Azevedo) e João Martins,  fundou o semanário humorístico O Thalassa, com sede na Rua da Alegria nº 26 e dirigiu-o na totalidade a partir de 13 de fevereiro de 1914 e até ao seu 100º e último número de 14 de maio de 1915. Também aqui privilegiava a caricatura política, nitidamente influenciado por Bordalo Pinheiro. Colaborou ainda com os jornais Branco e Negro (1896 – 1898) , O Branco e Negro (1899) e a revista Ilustração Portuguesa, a partir de 1903.

Freguesia de Alvalade
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

O pintor Celestino Alves numa rua do Beato

Freguesia do Beato
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

O pintor Celestino Alves, da Segunda Geração de Modernistas, dá nome a Rua da antiga Quinta do Ourives, hoje na freguesia do Beato, desde a publicação do Edital municipal de 23 de abril de 1980.

Este arruamento identificado no início da urbanização como Impasse 2 da Quinta do Ourives passou por Edital municipal de 19 de junho de 1979 a ser a Rua Francisco de Andrade o que geraria equívocos com outra artéria dedicada em Alvalade ao barítono Francisco de Andrade, irmão mais novo do tenor António de Andrade, desde o Edital de 20 de outubro de 1955. E como todos os arruamentos da urbanização da Quinta do Ourives foram em 1979 crismados com figuras de artistas da cultura portuguesa, a saber, o pintor José Rodrigues, o escultor Faustino José Rodrigues, o músico Luís Barbosa e o bibliotecário António Joaquim Anselmo, o pintor Celestino Alves substituiu  no local o cantor lírico.

Celestino de Sousa Alves (Setúbal/20.10.1913 –  17.01.1974/Lisboa), filho de João Alves e Etelvina da Cruz Sousa, foi um pintor, discípulo de Veloso Salgado, Simões de Almeida (Sobrinho), Luciano Freire, Varela Aldemira e Henrique Franco, da segunda geração de pintores modernistas. Em paralelo, exerceu como professor do Ensino Técnico Profissional em Setúbal, Faro, Caldas da Rainha e Lisboa.

Nos anos trinta dedicou-se ao  curso de Pintura na Escola de Belas Artes de Lisboa até o concluir e depois praticou uma pintura conscientemente figurativa e de paisagens, usando amiúde paisagens de Setúbal, Azeitão, Praia de Tróia, Bragança, Beiras ou os barcos da Doca de Alcântara e, da qual só se distanciou na década de 1960, época em que optou pela abstração.

Expôs pela primeira vez em 1936 na Galeria UP, em Lisboa e integrou doze vezes as Exposições de Arte Moderna do SNI – Secretariado Nacional de Informação, bem como participou nas I e II Exposições de Artes Plásticas da Fundação Calouste Gulbenkian (1957 e 1961), assim como na da SNBA – Sociedade Nacional de Belas Artes de 1961. Individualmente fez mostras da sua pintura na sua terra natal (1950 e 1963), em Faro (1954), no Estoril (1961) e na Galeria Diário de Notícias em Lisboa (1963). Internacionalmente, participou na  I Bienal de S. Paulo (1951) e na Exposição Hispano-Portuguesa de Sevilha (1952) . Foi agraciado com o Prémio Silva Porto  da SNBA (1944), o Prémio Amadeo de Souza-Cardoso do SNI (1947) e o de Vila Franca de Xira (1960).

A sua obra está representada em coleções públicas e privadas, entre outras,  no Museu de Setúbal, no Museu Nacional de Arte Contemporânea-Museu do Chiado, no Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, no Museu José Malhoa das Caldas da Rainha, Museus Municipais de Amarante e Vila Franca de Xira, Museus Regionais de Faro e de Viana do Castelo, no Museu do Abade de Baçal em Bragança, na Câmara Municipal de Setúbal e na do Fundão.

O nome de Celestino Alves faz também parte da toponímia da Charneca de Caparica e de Setúbal.

Freguesia do Beato – Placa Tipo II
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Rua Mestre Martins Correia junto à sua homenagem às mulheres de Lisboa no Metro das Picoas

Freguesia de Arroios
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

Mestre Martins Correia, o escultor de intensa policromia e paixão pelo bronze, que concebeu a decoração da Estação de Metropolitano das Picoas como uma homenagem às mulheres de Lisboa, está desde o ano seguinte ao seu falecimento perpetuado numa rua muito próxima dessa estação, com a legenda «Escultor/1910 – 1999».

A  Rua Mestre Martins Correia era a Passagem Pública entre a Avenida Fontes Pereira de Melo e a Rua Engenheiro Vieira da Silva até a deliberação camarária de 16 de fevereiro de 2000 e consequente Edital municipal de 23 de fevereiro fazerem nascer a Rua, que teve honras de inauguração pública em 20 de outubro desse ano, com evocação do homenageado pelo Mestre Lagoa Henriques e pelo amigo cantor Pedro Barroso.

O ribatejano Joaquim Martins Correia (Golegã/07.02.1910 – 30.07.1999/Lisboa) destacou-se como uma das figuras marcantes da escultura portuguesa, num extenso percurso, multifacetado, com uma estética muito própria. Foi autor de composição abstrata, de retratos, de estatuária oficial, com uma marcante estilização italianizante e aligeirada pelo recurso decorativo à policromia, com a utilização de intensos vermelhos, ocres, pretos, verdes, brancos, azuis e amarelos e uma preferência pelo bronze.

Os seus pais faleceram numa epidemia de pneumónica e foi o aluno casapiano n.º 393, a partir de novembro de 1922, tendo aí concluído o curso industrial e recebido uma bolsa de estudo para frequentar a Escola de Belas Artes de Lisboa, na qual se matriculou no curso de desenho, em 1928, embora tenha terminado diplomado em escultura, a conselho do seu professor da cadeira de modelo, Luciano Freire.

Começou a expor individualmente em 1938, destacando-se logo em 1940 o seu trabalho na exposição da Missão Estética de Viana do Castelo, tendo o seu Cruzeiro do Minho merecido então referências de primeira página no jornal O Século. Nessa década de quarenta executou trabalhos de escultura para a Exposição do Mundo Português, foi um participante constante dos salões do SNI-Secretariado Nacional de Informação bem como continuou presença certa dos salões da Sociedade Nacional de Belas Artes (nos anos de 1936 a 1942) e conseguiu todos os prémios de escultura do país na época : o da Missão Estética de Viana do Castelo (1940), o Mestre Soares dos Reis (1942), o Mestre  Manuel Pereira (1943 e 1947), o de Escultura do SNI, o  do Salão Lisboa, a 1ª medalha do Salão Provincial da Beira Alta. Martins Correia recebeu ainda do Estado uma bolsa de estudos em Espanha e Itália  (1944 e 1945).

Nos anos cinquenta a sua  exposição de 1957 na Galeria do Diário de Notícias valeu-lhe o prémio Mestre Luciano Freire da Academia Nacional de Belas Artes, assim como foi medalha de prata da Junta de Turismo de Cascais, sendo nesse ano também condecorado com a Ordem da Instrução Pública pelo Ministério da Educação Nacional. No ano seguinte, executou as estátuas em bronze de Luís de Camões para a cidade de Velha Goa que lhe valeram o prémio Diário de Notícias. Destaquem-se ainda os seus bustos em bronze de Jaime Cortesão, Augusto de Castro, Nuno Simões, Olegário Mariano, Miguel Torga, Fernando Namora, Natércia Freire, Sophia de Mello Breyner Andresen e a estátua em pedra de Bartolomeu de Gusmão, executada nos anos setenta mas inaugurada em 25 de outubro de 1989 na Alameda das Comunidades Portuguesas. Destaque-se ainda que Mestre Martins Correia também foi galardoado com o Prémio Internacional de Gravura na Noruega e  o Prémio Internacional de Artes Plásticas em Bruxelas.

Em Lisboa, a sua obra, para além da decoração artística da Estação do Metropolitano das Picoas, na ampliação de 1994, soma a composição escultórica da parede do fundo do Café Império até à estátua em pedra de Dom Pedro V na  Faculdade de Letras, passando pela decoração da escadaria da sala de receções do Hotel Ritz, pelo relevo A Justiça e o Povo para o Palácio da Justiça, pela Rainha Santa Isabel de bronze da Casa Pia de Lisboa, pelo Fernão Lopes de granito rosa na Biblioteca Nacional de Lisboa até ao átrio da Torre Vasco da Gama no Parque das Nações. Ainda em Lisboa, refira-se que Martins Correia trabalhou muitos anos num atelier municipal e realizou para a Câmara da capital alguns trabalhos para jardins e edifícios municipais, para além de ter sido membro do Conselho de Arte e Arqueologia da Câmara Municipal de Lisboa.

Um pouco por todo o país estão erigidos vestígios da sua obra no espaço público, para além de estar representado no Museu de Arte Contemporânea de Lisboa-Museu do Chiado, no Museu Soares dos Reis do Porto, no Museu Regional de José Malhoa, no Museu de Arte Moderna de Madrid e claro, na Museu Municipal Martins Correia, na Golegã.

Paralelamente  à sua carreira de escultor Martins Correia também exerceu a docência. Ainda aluno, foi auxiliar dos professores de desenho da Casa Pia de Lisboa. A seguir, foi professor do Ensino Técnico Profissional, na Escola Rafael Bordalo Pinheiro (de 1936 a 1938) das Caldas da Rainha, e em Lisboa, nas Escolas Marquês de Pombal (ano lectivo de 1938-39), Machado de Castro (1939-40), Afonso Domingues (1940-41) e António Arroio (1941-42). Em 1946, foi convidado para professor da Casa Pia de Lisboa, onde ficou até 1958 e de onde partiu para a ESBAL, até à sua última lição em 1971.

Como cidadão, Joaquim Martins Correia foi Presidente da Secção de Cultura Artística da Sociedade de Geografia de Lisboa (1951), autor do programa Assuntos de Arte na antiga Emissora Nacional (1965), membro do Conselho Técnico à Exposição Portuguesa do Rio de Janeiro assim como tomou parte nas exposições internacionais do Rio de Janeiro, de Bruxelas, na Ibero-Americana de Barcelona e na de desenhos de Lausanne. Foi ainda administrador da Fundação Abel de Lacerda-Museu do Caramulo e vogal efetivo da Academia Nacional de Belas Artes.

Das várias homenagens que recebeu evocamos a exposição retrospectiva de 300 obras de escultura, desenho e medalhística de 1939 a 1973 na SNBA (1973), filmada pelos cineastas Manuel Guimarães e Escouto; a sua última lição na seção casapiana de Pina Manique e a condecoração com a Ordem de Santiago da Espada (24 de março de 1973); a inauguração da sua estátua A Camponesa  e a abertura do Museu Municipal Martins Correia, em cerimónia na Golegã presidida pelo então Presidente da República, general Ramalho Eanes (1982); e a Ordem de Santiago de Espada pela segunda vez (1990).

A homenagem às mulheres de Lisboa de Mestre Martins Correia no Metro das Picoas
(Foto: Andrés Lejona, 2002, Arquivo Municipal de Lisboa)

O escultor de Gaia numa Rua de Campolide

Soares dos Reis na capa de A Comédia Portuguesa de 23 de fevereiro de 1889

Soares dos Reis, o  gaiense escultor de O Desterrado de 1872, desde 1903 dá nome a uma Rua de Campolide, junto de outro topónimo de escultor – a Rua Vítor Bastos – a que 8 anos depois se juntou ainda outro, através da Rua Leandro Braga.

A Rua Soares dos Reis, que liga a Rua General Taborda à Rua Vítor Bastos, foi atribuída por deliberação camarária de 23/09/1903 e Edital municipal de 25/09/1903, na Rua nº 5 do Bairro Novo de Campolide, urbanização construída nos finais do século XIX. As outras ruas deste bairro passaram a fixar também o escultor Vítor Bastos (Rua nº 3), e os militares Dom Carlos de Mascarenhas (Rua nº 4), General Taborda (Rua nº 2) e Conde das Antas (Rua nº 1).  O escultor Leandro Braga só se juntou a este núcleo mais tarde, pelo Edital municipal de 7 de agosto de 1911.

Freguesia de Campolide
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

António Manuel Soares do Reis (Vila Nova de Gaia- Mafamude/14.10.1847 – 16.02.1889/Vila Nova de Gaia) concluiu em 1866 o Curso de Escultura na Academia Portuense de Belas Artes, sendo o  primeiro pensionista do Estado em escultura pela Academia Portuense de Belas Artes, a que concorreu com o busto de Firmino e o baixo-relevo Mercúrio adormecendo Argos ao som da flauta e assim,  conseguiu ir estagiar em Paris (em 1869 e 1870) – na École Impériale des Beaux-Arts- e também em Roma (1871- 1972),  onde realizou a  sua peça mais famosa, o Desterrado (1872), como prova final do seu pensionato no estrangeiro e pela qual foi nomeado Académico de Mérito da Academia Portuense de Belas Artes e três anos depois o mesmo sucedeu com a Academia de Belas Artes de Lisboa.

Das suas múltiplas obras salientem-se o Cristo Morto (1873) para a Igreja paroquial de Mafamude, O Artista na Infância (1874) que executou para a duquesa de Palmela, o bronze Cabeça de Negro (1874), a estátua monumental do Conde de Ferreira (1876), o busto Flor Agreste e o baixo-relevo Camões (1878), busto de Marques de Oliveira (1881), Filha dos Condes de Vinhó e Almedina (1881-1882), medalhões decorativos (Comércio e Indústria) para o Palácio da Bolsa (1882) e o Brotero (1886) pensado para o Jardim Botânico de Coimbra, o busto da atriz Emília das Neves e os medalhões  de Leandro Braga Simões de Almeida (1888) ou ainda o busto de Fontes Pereira de Melo para a sede da Associação Comercial do Porto (1889).

Lisboa conta também no espaço público,  no Castelo de São Jorge, com uma réplica do seu D. Afonso Henriques (1887) executado para Guimarães, oferta da cidade do Porto a Lisboa e inaugurada em 25 de outubro de 1947, na comemoração do 8º centenário da tomada de Lisboa aos Mouros.

Soares dos Reis foi galardoado com o 1º Prémio de Escultura no final do curso na Academia Portuense de Belas Artes (1866), 1º Prémio do curso da École Imperiale et Speciale des Beaux Arts de Paris (1870), uma medalha de prata na exposição da Sociedade Promotora de Belas Artes de Lisboa (1876), uma menção honrosa na Exposição Universal de Paris de 1878, uma medalha de ouro na Exposição de Belas Artes de Madrid (1881) e a Ordem de Carlos III, com o grau de Cavaleiro. Também a Escola de Desenho Industrial de Faria de Guimarães do Bonfim passou em 1948 a ser a Escola de Artes Decorativas de Soares dos Reis.

Em 1880, Soares dos Reis e o pintor Marques de Oliveira dirigiram o Centro Artístico Portuense, onde incentivaram o estudo do modelo vivo. A partir do ano seguinte, Soares dos Reis tornou-se também professor de Escultura da escola onde se formara, a Academia Portuense de Belas Artes.

Na sua vida particular, o escultor  teve atelier no Porto, na Rua das Malmerendas (1873 a 1875), de onde passou para uma casa-atelier em Vila Nova de Gaia. Em 1885 casou com Amélia de Macedo, de quem teve dois filhos: Fernando e Raquel. Aos 42 anos, terminou a sua vida com dois tiros de revólver e passados doze anos, em 1911, o Museu Portuense de Pinturas e Estampas, então instalado no edifício do Convento de Santo António da Cidade, passou a chamar-se Museu Soares dos Reis em sua homenagem.  A sua obra também está representada em Lisboa no Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado.

Soares dos Reis é também um topónimo muito comum em Portugal. Para além de Lisboa, tem Rua em Vila Nova de Gaia, Abrantes, Braga, Brandoa, Caldas da Rainha,  Camarate, Charneca da Caparica,  Corroios, Custóias, Famões, Feijó, Fernão Ferro, Gafanha da Nazaré,  Odivelas, Quinta do Conde, Rio de Mouro, São Domingos de Rana, São João da Madeira, Trofa, Unhos. Dá nome ao Jardim de Mafamude, em Vila Nova de Gaia, bem como a Largos no Porto e no Entroncamento, a uma Praceta em Queluz e a uma Vereda em Vila Nova de Gaia.

Freguesia de Campolide
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

 

Fernando Bento, pioneiro da banda desenhada portuguesa, numa Rua do Bairro do Oriente

Freguesia do Parque das Nações
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

Desde 1998 que Fernando Bento, pioneiro da banda desenhada portuguesa, de traço original e inconfundível, que serviu de modelo a Eduardo Teixeira Coelho e outros das gerações seguintes, está homenageado numa Rua do Bairro do Oriente, na freguesia do Parque das Nações.

A Rua Fernando Bento, que liga a Rua Padre Abel Varzim à Rua Carlos Daniel, foi o topónimo atribuído à  Rua F do Bairro dos Retornados pelo Edital municipal de 24 de junho de 1998. O antigo Bairro dos Retornados, como era popularmente conhecido, foi renomeado como Bairro do Oriente no dia 7 de maio de 1999 e as suas artérias, até aí denominadas por letras, passaram a ostentar nas suas placas toponímicas os nomes de vários artistas, como Fernando Bento, os cantores António Variações e Carlos Paião, os atores Mário Viegas e Carlos Daniel, o compositor Jaime Mendes e o Palhaço Luciano.

Fernando Trindade Carvalho Bento (Lisboa/26.10.1910 – 19.09.1996*/Lisboa) nasceu  na Praça das Flores 21 dias após a implantação da República em Portugal, filho de um pintor de cenários e de cartazes do Coliseu dos Recreios e tornou-se  a partir de 1938 um autor de banda desenhada portuguesa, modelo para os desenhadores das gerações seguintes, como Eduardo Teixeira Coelho. Refira-se ainda neste mês de junho que Fernando Bento foi também o primeiro a fazer uma biografia de Santo António em banda desenhada, em 1943, para o Diabrete nº 128.

Antes de se dedicar em força à  9ª Arte, Fernando Bento fizera apenas o curso de desenho por correspondência da escola de desenho ABC de Paris. A partir de 1935, trabalhou como figurinista e cenógrafo no Coliseu de Lisboa e, dois anos depois, com 27 anos de idade, fez a sua primeira exposição individual. Ainda na década de trinta do séc. XX, Fernando Bento teve uma fase em que publicava caricaturas na imprensa escrita, primeiro no Coliseu Os Sports, como depois no Diário de Lisboa. E como em Portugal nunca a profissão de artista de banda desenhada foi remunerada de forma a permitir ser a única ocupação, desde muito cedo que Fernando Bento era funcionário da British Petroleum, pelo que com o lançamento da revista BP foi convidado a participar nela e tornou-se até  seu diretor mais tarde. Quando se reformou da BP, abriu um gabinete de publicidade.

Filipim de Fernando Bento

Publicou as suas primeiras histórias aos quadradinhos em 1938, no suplemento infantil do jornal República, o Pim-Pam Pum versando geralmente temas desportivos como O Mais Importante Desafio de Futebol da Época ou A Volta A Portugal em Bicicleta. A partir de 1941 e de parceria com Mário Costa,  assegurou o grafismo do Pim-Pam Pum durante quase 20 anos,  até 1959, tendo aí também publicado 14 séries, onde  se destaca A Volta ao Mundo Por Pim Pam Pum (1941-1942) e As Férias de Pim Pam e Pum (1942) e mais 836 tiras e 49 pranchas de uma página de sua autoria. Em paralelo, trabalhou também na revista infantil Diabrete (1941 a 1951), onde foi maquetista, ilustrador de capas e autor das bandas desenhadas de adaptações de obras de Júlio Verne, Conan Doyle, Kipling ou  Mark Twain,  bem como de outras com argumento didático-histórico de Adolfo Simões Muller, para além das suas personagens cómicas  AnitaZé Quitolas ou Zuca. Da sua ligação a  Adolfo Simões Muller resultaram  também ilustrações para a literatura infantil deste. Em 1946, fez uma adaptação para banda desenhada do filme de Robert Vernay de 1942, Le Comte de Monte-Cristo, com um estilo aproximado da fotografia, para suporte de uma folha volante de publicidade e o seu enorme sucesso garantiu-lhe de seguida a passagem  das suas histórias para os manuais escolares de inglês e francês dessa época. A partir de 1952, Fernando Bento instalou-se na revista juvenil Cavaleiro Andante, para dar vida a inúmeras séries como Beau Geste – que foi editada na BélgicaO Anel da Rainha do Sabá ou Quintino Durward, que era a sua favorita. Até 1962 foi para esta revista que também produziu anúncios, capas,  37 séries e 175 histórias curtas. De igual modo, para o Pagem, o  suplemento infantil do Cavaleiro Andante, não faltaram as suas histórias cómicas do Zé Quitolas, da Anita e do Filipim.

Depois, só voltou a publicar em  1973, com um grafismo mais modernista, 16 pranchas inéditas intituladas Um Homem Chamado Joaquim Agostinho, impressas diariamente nas páginas de A Capital , entre 5 e 20 de agosto desse ano. Essa década foi também a das  reedições das suas obras para o suplemento Nau Catrineta do Diário de Notícias (1975), A Ilha do Tesouro (1977) e Serpa Pinto (1979) para o Templário Juvenil, bem como Luís de Camões e Alguns Passos de ‘Os Lusíadas’ para o Boletim do Serviço de Biblioteca Itinerantes da Fundação Gulbenkian, tendo assim continuado a acontecer nos anos 80 para as revistas Mundo de Aventuras Quadradinhos. Foram também reeditados os álbuns Beau Geste (1982), Com a Pena e com a Espada (1983), O Anel da Rainha do Sabá  e As mil e Uma Noites (ambos em 1988). No início da década de 90, Fernando Bento nos seus 80 anos de idade,  retomou a sua A Ilha do Tesoiro de 1947, desta feita com argumento de Jorge Magalhães e o titulo de Regresso à Ilha do Tesouro (1993), para além de ter sido reeditado no  Almada BD Fanzine (1990), nos Cadernos Sobreda-BD (1991 e 2002) e no fanzine Zero  da Póvoa do Varzim ( de 1990 a 1998).

Fernando Bento foi agraciado com o troféu O Mosquito (1983) pelo Clube Português de Banda Desenhada, assim como postumamente foi homenageado em 2010, no 1º centenário do seu nascimento, através de uma exposição  que esteve patente em Moura, Sobreda, Viseu e Beja, assim como por outra, exibida na Amadora, concelho que em 2016, também acolheu uma nova mostra, no Clube Português de Banda Desenhada.

A Câmara Municipal de Lisboa, através da Bedeteca, já o havia homenageado através da publicação de Fernando Bento – Uma Ilha de Tesouros ou  Diabruras da prima Zuca (ambos em 1998), mas no ano seguinte consagrou-o também na toponímia lisboeta. O seu nome consta também da toponímia da Sobreda, no concelho de Almada.

Freguesia do Parque das Nações
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

a data de falecimento foi a indicada pelo filho de Fernando Bento, em 1999, para a elaboração da brochura publicada para a inauguração da Rua Fernando Bento