A Rua Manuel de Azevedo Fortes, pai da moderna cartografia portuguesa

Freguesia de Campolide (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Campolide
(Foto: Sérgio Dias)

O  Engenheiro-Mor do Reino Manuel de Azevedo Fortes, considerado o pai da cartografia científica moderna portuguesa já que em 1722 publicou o seu Tratado do modo mais fácil e o mais exacto de fazer as cartas geográficas, está homenageado na toponímia de Lisboa, na freguesia de Campolide, desde a publicação do Edital municipal de 05/12/1990, com a legenda «Engenheiro-Mor do Reino/1660 – 1749».

Esta artéria nasceu como Rua 12 do Bairro do Alto da Serafina (edital municipal de 15/03/1950 ), seguindo a tradição daquela época em atribuir nos bairros sociais apenas topónimos numéricos. Quase quarenta depois, pelo edital de 28/12/1989, passou à denominação de Rua do Andador das Almas, numa remodelação de toda a toponímia do Bairro da Serafina para designações consideradas populares mas a que os moradores reagiram com protestos intensos e a que a nova vereação então eleita reagiu acolhendo os anseios da população e pelo edital de 14/12/1990 renomeando as artérias do Bairro da Serafina com nomes de personalidades ligadas ao Aqueduto das Águas Livres.

Rua Manuel de Azevedo Fortes 1950 ( estúdio mario novais Arquivo Municipal de Lisboa)

Rua Manuel de Azevedo Fortes 
( Foto: Estúdio Mário Novais, 1950, Arquivo Municipal de Lisboa)

E assim entra Manuel Azevedo Fortes (Lisboa/1660 – 28.03.1749/Lisboa) na toponímia de Lisboa. Foi ele o Engenheiro-Mor do Reino nomeado por D. João V em 23 de outubro de 1719 e esteve ligado ao projecto de construção do Aqueduto das Águas Livres, com Manuel da Maia e José da Silva Pais, tanto nos estudos preparatórios como nas medições da obra.

Esta figura maior do Iluminismo Português que estudara Filosofia em Alcalá de Henares, Paris e Sena – sendo o primeiro em Portugal a professar o cartesianismo -, bem como Teologia e Matemática em Paris, regeu durante 3 anos  a cátedra de Filosofia em Sena (Itália) e tornou-se professor de matemática na Academia Militar da Fortificação, em Lisboa, no período de 1695 a 1701. Em 1702 foi nomeado capitão de infantaria com exercício de engenheiro e, em 1735, foi nomeado sargento-mor de batalha. São obra sua, por exemplo, a reconstrução da povoação de Campo Maior destruída por um raio (em 1734) bem como a edificação dos paióis de Estremoz, Olivença, Elvas e Campo Maior e o plano parra a nova praça da Vila da Zibreira. Fez também parte do grupo de 50 académicos fundadores da Academia Real de História (1720), onde dirigiu os Estudos Geográficos, e publicou  Representação a Sua Majestade sobre a forma e direcção que devem ter os engenheiros para melhor servirem neste reino e suas conquistas (1720), os dois volumes de O Engenheiro Português (1728-1729), Evidência apologética e crítica sobre o primeiro e segundo tomo das ‘Memórias Militares’, pelos praticantes da Academia Militar desta côrte (1733) e Lógica Racional, Geométrica e Analítica (1734).

Freguesia de Campolide (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Campolide
(Planta: Sérgio Dias)

A Rua do autor da «Planta do Fava»

Freguesia de Belém (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Belém
(Foto: Sérgio Dias)

Duarte José Fava, engenheiro militar, responsável pelo levantamento da cidade de Lisboa de 1807, conhecido como «Planta do Fava», está fixado na cidade desde a publicação do  Edital de 2 de Outubro de 2009.

Este topónimo nasceu de uma proposta da Profª Maria Calado enquanto membro da Comissão Municipal de Toponímia de Lisboa, que juntava também o nome de Júlio da Silva Pinto. Ambos foram atribuídos pelo mesmo Edital na Freguesia de Belém, cabendo a Duarte José Fava o Impasse à Calçada do Galvão e a legenda «Engenheiro Militar/ 1772 – 1826» e a Júlio da Silva Pinto o Impasse A à Rua Vicente Dias, com a legenda «Engenheiro/Séculos XIX e XX».

O Capitão Duarte José Fava, do Real Corpo de Engenheiros, preparou em 1807 aquela que é considerada por muitos como a primeira planta completa e rigorosa da cidade de Lisboa, na escala numérica de 1:2500, com o título Carta Topográfica de Lisboa e seus subúrbios, desde o Convento dos Religiosos Barbadinhos Italianos até à bateria do Bom Sucesso e na maior largura desde o Terreiro do Paço até ao Campo Pequeno. A coadjuvá-lo nestes trabalhos estiveram o capitão Luís António de Melo e os primeiros tenentes João Pedro Duarte Pereira e João Damasceno da Cunha Machado Pinto. Em 1812, os engenheiros militares ingleses, sob o comando de Arthur Wellesley (Duque de Wellington), elaboraram a Planta Ingleza que era apenas uma cópia melhorada da planta de Duarte José Fava.

Duarte José Fava (Olivença/1772-1826) foi  um engenheiro militar que se tornou Fidalgo Cavaleiro por Alvará de 5 de fevereiro de 1822 e tinha o posto de Marechal de Campo quando faleceu. Foi responsável pelo sistema defensivo de várias praças fronteiriças como Elvas e Valença. Integrado no Arsenal Real das Obras Militares e Inspecção Geral dos Quartéis foi Intendente da obras militares, inspector dos quartéis e da Aula de Gravura (a partir de 1823) bem como comandante dos presídios, tendo-lhe sucedido o capitão engenheiro José Bento de Sousa Fava (1797-1865).

 

Freguesia de Belém (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Belém
(Planta: Sérgio Dias)

 

A Rua do autor da cartografia de Lisboa conhecida como «Levantamento de Silva Pinto»

Freguesia de Belém (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Belém
(Foto: Sérgio Dias)

A Rua Júlio Silva Pinto perpetua na cidade o nome do responsável pelo levantamento da Planta da cidade de Lisboa entre 1904 e 1911, conhecido como Levantamento de Silva Pinto.

Este topónimo nasceu de uma proposta da Profª Maria Calado enquanto membro da Comissão Municipal de Toponímia de Lisboa, que juntava também o nome de Duarte José Fava. Ambos foram atribuídos pelo Edital municipal de 02/10/2009 na Freguesia de Belém, cabendo a Júlio Silva Pinto o Impasse A à Rua Vicente Dias, com a legenda «Engenheiro/Séculos XIX e XX», e a Duarte José Fava o Impasse à Calçada do Galvão e a legenda «Engenheiro Militar/  1772 – 1826».

Júlio António Vieira da Silva Pinto (Lisboa/01.12.1860-?/Lisboa) , foi o engenheiro que depois de Filipe Folque muito contribuiu para cartografia histórica da cidade de Lisboa, através do levantamento da Planta da Cidade de Lisboa, de 1904 a junho de 1911, com a colaboração de Alberto de Sá Correia, e que é vulgarmente conhecido como Levantamento de Silva Pinto, constituído por 249 plantas coloridas à escala de 1:1000, por encomenda da Câmara Municipal de Lisboa ganha em concurso com contrato de fornecimento assinado em 19 de novembro de 1904. Esta planta permitiu o registo pormenorizado a uma escala nunca antes usada da cidade construída e da organização do cadastro municipal, constituindo a base para posteriores planos de urbanização. Os limites da cidade de Lisboa na última década do século XIX já se tinham expandido mais para Este, Oeste e Norte pelo que havia necessidade de cartografar esta nova realidade. O levantamento iniciou-se em 1892, através do capitão-engenheiro Renato Baptista mas a Câmara Municipal de Lisboa decidiu depois em novembro de 1904 atribuir estes trabalhos ao engenheiro Júlio Silva Pinto.

Júlio Silva Pinto tinha concluído o curso de condutor de minas em 1880 e o curso de Engenheiro Industrial no Instituto Industrial e Comercial de Lisboa em 1901. Casou em 12 de agosto de 1886 com Amélia Augusta da Silva Lapa Dias e trabalhou na Repartição de Minas, tendo dirigido as Minas do Rio Salor em Espanha (entre 1902 e 1903), bem como os primeiros trabalhos da Mina de Talhadas e da Mina de Volfrâmio da Panasqueira. Passou a integrar a Repartição Técnica da Câmara Municipal de Lisboa em 1889 e depois de passar para o quadro da 3ª Repartição em 1915 participou nos trabalhos de nivelamento e levantamento da edilidade. Silva Pinto foi ainda professor no Instituto Industrial e Comercial de Lisboa e no Instituto Superior Técnico, onde terminou as suas funções de docente em finais de 1930, com 70 anos de idade.

Freguesia de Belém (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Belém
(Planta: Sérgio Dias)

Abril: cartógrafos e olisipógrafos na toponímia de Lisboa

0 placa abril

Neste mês em que o Grupo Amigos de Lisboa comemora o seu 80º aniversário escolhemos como tema os olisipógrafos e os cartógrafos que encontramos homenageados nas placas toponímias da cidade.

Dos já publicados nesta página temos desde logo a Rua Amigos de Lisboa, os olisipógrafos Alfredo MesquitaGomes de Brito, Julieta FerrãoManuel Ferreira de AndradeNorberto de Araújo e o Engº Vieira da Silva, todos em ruas, tal como acontece com aqueles que fizeram cartografia:  Capelo, Carlos Mardel,  Carlos RibeiroErnesto de VasconcelosFilipe Folque, Neves Costa e o Prof. Georges Zbyszewski.

A Rua Capelo nascida com a Rua Ivens

Freguesia de Santa Maria Maior (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Santa Maria Maior
(Foto: Sérgio Dias)

A quinhentista Rua da Parreirinha, que também foi  Travessa da Parreirinha, passou a Rua Capelo pelo Edital municipal de 7 de setembro de 1885, em conformidade com as resoluções da Câmara de 3 do mesmo mês que incluíam também um programa para festejar a chegada a Lisboa dos exploradores Hermenegildo Capelo e Roberto Ivens que ocorreria daí a dias, a 16 de setembro, em que após o desembarque no Arsenal da Marinha, seriam iluminados os edifícios municipais e teriam Capelo e Ivens uma recepção no Salão Nobre dos Paços do Concelho de Lisboa.

Refira-se que o mesmo edital municipal atribuiu também a Rua Ivens, a Rua Anchieta e a Rua Serpa Pinto, somando assim 4 topónimos referentes a exploradores dos territórios africanos.

Hermenegildo Carlos de Brito Capelo (Palmela/04.02.1841 – 04.05.1917/Lisboa), oficial da Marinha Portuguesa, notabilizou-se pelas suas explorações em África no último quartel do séc. XIX, tendo logo em 1871 sido enviado numa expedição à Guiné, e com Serpa Pinto e Roberto Ivens explorou em 1877 os territórios entre Angola e Moçambique e as bacias hidrográficas do Zaire e do Zambeze, tendo o êxito desta expedição dado o encargo de uma segunda viagem para encontrar uma via de comunicação entre Angola e Moçambique. Destas iniciativas ficaram dois relatos, da autoria de Capelo e Ivens, publicados como De Angola à Contracosta (da travessia entre Angola a costa do Índico) e De Benguela às Terras de Iaca. Após 1885 Capelo foi também vice-presidente do Instituto Ultramarino, ministro plenipotenciário junto do Sultão de Zanzibar e delegado do governo num congresso de Bruxelas, presidente da Comissão Cartográfica e organizador de uma Carta Geográfica de Angola.

A Rua Capelo foi durante muitos anos a morada do Governo Civil de Lisboa, no que em tempos fora um edifício do Convento de São Francisco.

PLaca Tipo II - Freguesia de Santa Maria Maior (Foto: Sérgio Dias)

Placa Tipo II – Freguesia de Santa Maria Maior
(Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Santa Maria Maior

Freguesia de Santa Maria Maior

A Rua do militar e matemático Filipe Folque

 

Freguesia das Avenidas Novas (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia das Avenidas Novas
(Foto: Sérgio Dias)

Vinte anos após o seu falecimento, o militar e matemático Filipe Folque que foi o responsável por um levantamento cartográfico da cidade de Lisboa na 2ª metade do séc. XIX, deu o seu nome a uma artéria das Avenidas Novas, entre a Rua de São Sebastião de Pedreira e a Avenida Duque d’Ávila, por via do Edital municipal de 29/11/1902.

O mesmo Edital colocou nesta zona, em Avenidas, os nomes dos políticos António de Serpa, Casal Ribeiro, Duque D’Ávila, Hintze Ribeiro (hoje Avenida Miguel Bombarda), José Luciano (hoje Avenida Elias Garcia),  e em Ruas, os nomes de Andrade Corvo, António Enes, Barros Gomes (hoje Rua Viriato), Latino Coelho , Luís Bivar (hoje Avenida), Martens Ferrão, Pinheiro Chagas e o médico Pedro Nunes.

Filipe FolqueFilipe de Sousa Folque (Portalegre/28.11.1800 – 27.12.1874/Lisboa), filho do General Pedro Folque, foi um militar de carreira doutorado em Matemática desde 1826 pela Universidade de Coimbra, que como docente começou na Universidade de Coimbra (1834) e depois, seguiu como lente na Academia de Marinha (1836) onde criou o curso de engenheiro hidrógrafo, como lente de Astronomia e Geodesia na Escola Politécnica de Lisboa (desde 1840) e como professor de matemática dos filhos da rainha D. Maria II.

Notabilizou-se sobretudo por entre 1844 e 1870 ter sido o Diretor-geral dos Trabalhos Geodésicos do Reino, apoiado pelo Ministro da Obras Públicas Fontes Pereira de Melo, e nessa qualidade ter dirigido, entre 1856 e 1859, um levantamento topográfico de Lisboa (a Carta topographica da cidade de Lisboa, publicada em 1878) determinado pela Portaria de 02/11/1853, no âmbito da qual colocou chapas de ferro fundido, a um altura de 3 metros, com a cota de nível dos arruamentos. Filipe Folque já havia elaborado a Carta Geral do Reino ou Carta Corográfica de Portugal (1843) e a Carta do Plano Hidrográfico da barra do Porto de Lisboa,  para além de ter dado a lume diversos estudos como, por exemplo, Memória dos Trabalhos Geodésicos executados em Portugal (1841), Tábuas para o Cálculo das Distâncias à Meridiana (1855), Dicionário do Serviço dos trabalhos geodésicos e topográficos do Reino; ou Rapport sur les travaux géodésiques du Portugal et sur l’état actuel de ces mêmes travaux pour être présenté à la Comission Permanente de la Confèrence Internationale (1868).

Refira-se ainda que Filipe Folque desempenhou as funções de diretor das obras do Mondego (1826) e de ajudante do Observatório da Universidade de Coimbra (1827).  Colaborador assíduo da Revista Militar e da Revista universal lisbonense também  foi feito sócio efetivo da Academia Real das Ciências de Lisboa desde 1834 e aí veio mesmo a ser Diretor de classe (1850), para além de ter colaborado com Almeida Garrett na fundação do Conservatório Nacional, dados os seus grandes conhecimentos musicais, chegando mesmo a Diretor da Secção de Música, e publicando na Revista do Conservatório Real de Lisboa.

Freguesia das Avenidas Novas (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia das Avenidas Novas
(Planta: Sérgio Dias)

A Rua do autor da Mãe d’Água das Amoreiras

Freguesias de Arroios e do Areeiro

Freguesias de Arroios e do Areeiro                                                         (Foto: Sérgio Dias)

A Rua Carlos Mardel foi uma das novas ruas da urbanização do Estado Novo na zona que vai do Mercado do Bairro dos Actores ao Areeiro, atribuída por Edital de 25 de novembro de 1929 ao prolongamento da Rua Francisco Sanches, para homenagear o engenheiro militar e arquiteto húngaro que se destacou pelo seu trabalho no Aqueduto das Águas Livres e na reconstrução de Lisboa após o terramoto.

Carlos Mardel (Martell Károly) que morreu em Lisboa em 8 de setembro de 1763, veio para Portugal cerca de 30 anos antes, em 1732 ou 1733, com o posto de capitão-engenheiro e chegou a coronel em 1762. Foi o mais diligente colaborador do engenheiro-mor Manuel da Maia, na construção do Aqueduto das Águas Livres e, também com Eugénio dos Santos, na Casa do Risco das Obras Públicas, na reconstrução da cidade de Lisboa, após o terramoto de 1755. A gaiola pombalina é uma técnica de construção anti-sísmica inovadora para a época que também é atribuída a Carlos Mardel, tal como o desenho da Praça do Comércio, de gosto barroco.

Para além de arquitecto do Aqueduto, no âmbito do qual desenhou a Mãe d’Água e o Arco das Amoreiras, Carlos Mardel foi também em Lisboa o autor dos Chafarizes da Esperança (de 1752, mas concluído por Miguel Ângelo Blasco em 1768), do Rato (1753-54 ) e o da Rua Formosa (1762) , hoje Rua de O Século ou, o chafariz monumental de São Pedro de Alcântara, com 5 bicas, desaparecido com o terramoto. Ainda em Lisboa saliente-se que projetou o Colégio dos Nobres, a casa de Lázaro Leitão na Junqueira e o Palácio da Inquisição no Rossio, bem como em Oeiras o Palácio Pombal.

Nos anos de 1747 e de 1748 D. João V nomeou-o arquiteto das obras dos Paços Reais da Ribeira de Lisboa, da vila de Sintra, Almeirim e Salvaterra de Magos, bem como do Mosteiro da Batalha, da província do Alentejo e das Ordens Militares de S. Tiago e S. Bento de Avis e, a partir do ano seguinte, também medidor das obras das fortalezas da barra e do Castelo de S. Jorge, com um ordenado anual de 153.200 réis.

Retrato a óleo de Carlos Mardel (Foto: António Passaporte, Arquivo Municipal de Lisboa)

Retrato a óleo de Carlos Mardel
(Foto: António Passaporte, Arquivo Municipal de Lisboa)

O geólogo Georges Zbyszewski numa rua do Lumiar

Freguesia do Lumiar - Placa Tipo IV (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia do Lumiar – Placa Tipo IV
(Foto: Sérgio Dias)

O geólogo Georges Zbyszewski, que se radicou em Portugal na década de trinta do século passado e que no nosso país muito contribuiu para os estudos geológicos, desde há 9 anos dá nome  a uma rua do Lumiar (Edital de 04/02/2005), entre a Rua António Quadros e a Rua Prof. Jorge Campinos.

Refira-se que na atribuição deste topónimo teve a Comissão Municipal de Toponímia o cuidado de escolher um arruamento sem numeração de polícia, para evitar aos munícipes erros de pronúncia ou de escrita de endereço.

Georges Zbyszewski (Rússia/22.10.1909 – 01.03.1999/Lisboa), geológo de ascendência russa, naturalizado francês e com carreira académica feita em Paris, radicou-se em Portugal na sequência de várias missões científicas ao nosso país, na década de 30 do século XX.

O Professor Zbyszewski escolheu Lisboa para morar e,  desde 1940 até à sua aposentação em 1979, trabalhou nos antigos Serviços Geológicos de Portugal, tendo depois continuado como investigador convidado até 1988. Georges Zbyszewski desempenhou também funções de vogal da Junta Nacional de Educação (1969) e, em regime de acumulação, de professor auxiliar da Faculdade de Ciências de Lisboa onde leccionou Geologia do Quaternário, Hidrogeologia, Estratigrafia e Geohistória, Cartografia Geológica e Fotogeologia, acumulando a autoria de 290 trabalhos que abarcam a carta geológica de Portugal, a Pré-História, a Paleontologia, a Geologia e a Vulcanologia.

O Professor Zbyszewski foi ainda premiado pela Academia das Ciências de Paris em 1961 e agraciado com o grau de Cavaleiro na Ordem das Palmas Académicas (1959) e da Ordem Nacional de Mérito francesa.

Freguesia do Lumiar (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia do Lumiar
(Foto: Sérgio Dias)

Freguesia do Lumiar

Freguesia do Lumiar

Da Armada ao Campo Grande: a Rua Ernesto de Vasconcelos

Busto de Ernesto Vasconcelos por Moreira Rato (Foto, Arquivo Municipal de Lisboa, 1969)

Busto de Ernesto Vasconcelos por Moreira Rato
(Foto: Arquivo Municipal de Lisboa, 1969)

O oficial de Marinha e geógrafo Ernesto de Vasconcelos desde 1932 que dá o seu nome à que foi referenciada como Rua C do projeto aprovado em sessão de 13/10/1927, «entre a Rua Ocidental e o Hipódromo do Campo Grande» conforme o Edital.

O edital municipal de 12/03/1932 também atribuiu nesta zona próxima do Campo Grande topónimos às ruas A, B e D: Rua Lopes de Mendonça, Rua Francisco Mantero e Rua Aires de Ornelas.

Ernesto Júlio de Carvalho de Vasconcelos (Almeirim/16.09.1852 – 15.11.1930/Lisboa) resolveu seguir a carreira do avô materno e assim assentou praça na Armada com 12 anos, vindo a ser vice-almirante e geógrafo, com os cursos de oficial da Marinha e de engenheiro-hidrógrafo.

Ernesto de Vasconcelos trabalhou em vários levantamentos hidrográficos importantes como a elaboração da carta da barra de Lisboa, do rio Guadiana, da foz do rio Zaire e das fronteiras de Timor, para além de ter elaborado um plano de uniformização internacional dos serviços de farolagem (1887), tendo ainda sido nomeado por Bernardino Machado para integrar a comissão criada para estudar os interesses de Macau.

Exerceu como professor da Escola Naval e da Escola Colonial, dirigindo também a Revista Portuguesa Colonial e Marítima e, produzindo ainda diversos livros educativos como Astronomia Fotográfica (1884 e 1886), Uniformidade Internacional de Bóias e Balizas Marítimas (1887), Relação dos Mapas, Cartas, Plantas e Vistas Pertencentes ao Ministério da Marinha e Ultramar, com Algumas Notas e Notícias (1892) e Subsídios para a História da Cartografia Portuguesa nos sécs. XVI, XVII e XVIII (1916). Alcançou ainda os cargos de presidente da Comissão de Cartografia e de diretor e secretário perpétuo da Sociedade de Geografia de Lisboa.

Ernesto de Vasconcelos também se dedicou à política e nessa qualidade foi membro da Maçonaria, deputado às Cortes, vice-presidente da Câmara de Deputados,  chefe de gabinete de vários ministros e ainda  desempenhou as funções de Director-Geral no Ministério das Colónias. D. Carlos I agraciou-o com a carta de conselho.

(Foto: Arnaldo Madureira, 1959, Arquivo Municipal de Lisboa)

(Foto: Arnaldo Madureira, 1959, Arquivo Municipal de Lisboa)

Freguesia de Alvalade

Freguesia de Alvalade

A Rua Direita de Neves Costa no seu 240º aniversário

Em 1967 (Foto: Armando Serôdio, Arquivo Municipal de Lisboa)

Em 1967 (Foto: Armando Serôdio, Arquivo Municipal de Lisboa)

No ano seguinte à implantação da República a antiga Rua Direita de  Carnide passou a homenagear o engenheiro militar Neves Costa, que comandou exércitos portugueses contra tropas espanholas e francesas em 1797 e, a quem alguns autores atribuem a ideia das Linhas de Torres Vedras.

A edilidade lisboeta  formalizou o procedimento através do seu edital de 07/08/1911, na freguesia onde Neves Costa havia nascido e, colocando no topónimo Rua Neves Costa a legenda «Engenheiro Militar/1774 – 1841».

José Maria das Neves Costa (Lisboa/14.08.1774 – 19.11.1841/Lisboa) destacou-se em 1809, quando era major,  pela execução da carta topográfica da área a norte de Lisboa, para melhor defesa da capital portuguesa, por encomenda do Ministério da Guerra. Aliás, este levamento surgiu na sequência de uma exposição que havia feito em 26 de novembro de 1808,  aquando das invasões francesas, lembrando a importância do relevo do terreno a norte de Lisboa para a defesa da capital.

Neves Costa havia sido comandante do Corpo do Exércitos que lutou no Alentejo contra os espanhóis e franceses em 1797 e, em 1802 foi nomeado para o Estado-Maior da inspeção  das praças e fortes de fronteira e costas marítimas. Na primeira divisão de engenheiros coube-lhe o reconhecimento da fronteira do Alentejo bem como a carta da península de Setúbal. Em 1806 foi escolhido pelo Marquês de Marialva para organizar o Arquivo Militar e, cindo anos depois, para dirigir os trabalhos de fortificação da praça de Almeida. No período de guerra civil foi nomeado governador do forte da Graça e, em 1835, a Câmara dos Pares incumbiu-o de propor um plano de reforma do sistemas de pesos e medidas.

Da sua obra publicada salientam-se Observações sobre o plano de ataque e defesa do reino de Portugal em relação à sua Geografia e topografia (1801), Discurso em que se trata  do Elogio da Nação Portuguesa, Provas da Superioridade do seu Espírito  e Carácter Militar (1811) e Considerações militares tendentes a investigar as localidades parciais cuja topografia se precisa conhecer.

Em 1968 (Foto: Arnaldo Madureira, Arquivo Municipal de Lisboa)

Em 1968 (Foto: Arnaldo Madureira, Arquivo Municipal de Lisboa)

Freguesia de Carnide