A Rua de António do Couto, o continuador de Ventura Terra no Maria Amália e o sócio nº 1 do Sporting desde 1928

Freguesia do Lumiar (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia do Lumiar
(Foto: Sérgio Dias)

António do Couto foi o arquiteto que terminou a obra traçada por Ventura Terra em 1913 para o Liceu Maria Amália Vaz de Carvalho, apenas aberto no ano escolar de 1933/34, e que desde a publicação do Edital municipal de 20 de março de 2009, dá o seu nome a arruamento do Lumiar, no que era  o Impasse com início entre a confluência da Rua António Stromp com a Rua Francisco Stromp, bem próximo do seu Sporting Clube de Portugal.

O Palacete Empis cerca de 1907 (Foto: Paulo Guedes, Arquivo Municipal de Lisboa)

O Palacete Empis, da autoria de António do Couto, cerca de 1907
(Foto: Paulo Guedes, Arquivo Municipal de Lisboa)

António do Couto Abreu (Barcarena/04.08.1874 – 03.06.1946/Lisboa) foi o arquiteto escolhido para continuar a obra de Ventura Terra no Liceu Maria Amália Vaz de Carvalho, já que a falta de verba foi arrastando a obra durante cerca de 20 anos, e com quem aliás havia já trabalhado como desenhador e depois ajudante de arquiteto na reconstrução do hemiciclo de São Bento. Todavia,  ainda em Lisboa António do Couto foi o autor em 1906 do eclético e revivalista Palacete Ernest Laurent Empis (já demolido), na Avenida Duque de Loulé nº 77, com que venceu Prémio Valmor de 1907; delineou o prédio de João António Marques Sena na Rua Tomás Ribeiro nº 4-6, que recebeu a  4ª Menção Honrosa do Prémio Valmor de 1909 (também demolido em 1954), para além de ter sucedido a Augusto Fuschini a partir de 1911 como responsável pelos trabalhos de restauro da Sé Catedral de Lisboa e projetado as instalações do Sporting Clube de Portugal (no Campo Grande) inauguradas em 1917 e conhecidas como a Estância de Madeira assim como do primeiro parque de jogos do Casa Pia Atlético Clube – o Campo do Restelo – inaugurado em 1924 e ainda, com Francisco Santos e Adães Bermudes, ter sido autor do Monumento ao Marquês de Pombal, erigido em 1934. Recebeu também o 1º prémio do Pavilhão Português da Exposição Universal de S. Francisco de 1914.

Órfão desde os 9 anos de idade, António do Couto entrou com essa idade para a Casa Pia de Lisboa, onde foi o aluno nº 1455, de 5 de dezembro de 1883 a 1 de Maio de 1897,  tendo sido escolhido pela Provedoria de Simões Margiochi  para ser formado pela Escola de Belas-Artes de Lisboa em Desenho e Arquitectura Civil, que terminou em 1899 com 20 valores, não se estranhando assim que tenha começado a jogar futebol na Real Casa Pia de Lisboa em 1893, e mais tarde, em  1905/06 e 1906/07, pelo Sport Lisboa (depois, Benfica) onde foi o primeiro capitão da equipa e, finalmente, no Sporting Clube de Portugal, desde a época de 1907/08 até 1913/14, clube onde foi sócio desde maio de 1907, instrutor de futebol e membro do Conselho Técnico, para além de ter integrado o primeiro Conselho Fiscal (04/01/1910), ter sido Vice-presidente da Mesa da Assembleia Geral (1918-1920) e, de 1 de janeiro de 1928 até ao dia do seu falecimento foi o sócio nº 1 desse clube.

Foi ainda Diretor da Sociedade dos Arquitetos Portugueses, assim como integrou a direção da Sociedade Nacional de Belas-Artes e do seu Conselho Superior.

Freguesia do Lumiar (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia do Lumiar
(Planta: Sérgio Dias)

 

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Vítor Damas na Toponímia de Lisboa e em livro de José do Carmo Francisco

 

 

@ Rua Vitor Damas 2

Vítor Damas  teve em 2015 a inauguração oficial da Rua lisboeta com o seu nome, no Lumiar,  e neste ano de 2016 tem agora também um livro que lhe é dedicado, Vítor Damas – A Baliza de Prata, da autoria de José do Carmo Francisco, numa edição da Gato do Bosque.

A Rua Vítor Damas nasceu do Edital municipal de 10/04/2007, numa artéria da Freguesia do Lumiar, mesmo junto à Rua José Travassos e ficando muito próxima da Rua Alfredo Trindade, da Rua Francisco Stromp e do Estádio de Alvalade. Foi inaugurada a a 27 de março  de 2015, com a presença de Fernando Medina, o Presidente da Junta de Freguesia do Lumiar, Pedro Delgado Alves e também representantes do Sporting Clube de Portugal já que a cerimónia se inseriu no lançamento da 1ª pedra do Pavilhão João Rocha.

E no estilo claro e rigoroso de José do Carmo Francisco temos neste livro um retrato de corpo inteiro de  Vítor Damas «(…)um cromo difícil que todos os putos ansiavam. Elogiado pelos adversários e idolatrado pelos sportinguistas, (…)foi um dos melhores guarda-redes portugueses de sempre.», somando 40 internacionalizações e com ele «se encerra a fantástica linha “genealógica” de grandes guarda-redes leoninos, caracterizados pela elegância e elasticidade.»

@ jose carmo francisco contacapa

A Rua Comandante Fontoura da Costa, das tábuas náuticas e descobrimentos

Freguesia do Lumiar (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia do Lumiar
(Foto: Sérgio Dias)

Com a legenda «Investigador histórico e cartógrafo/1869 – 1940» foi o Comandante Fontoura da Costa colocado na toponímia de Lisboa, através do Edital de 13/11/1967, na via que era referenciada como Rua Terceira T.E. ou arruamento projetado entre a Estrada Militar e a Estrada do Desvio, ou ainda, arruamento B da Zona adjacente à Calçada de Carriche e Estrada do Desvio.

A Comissão Municipal de Toponímia de Lisboa analisara em 16/05/1958 um ofício da Comissão Executiva do 5º Centenário da Morte do Infante Dom Henrique, solicitando que fossem atribuídos a arruamentos de Lisboa os nomes dos historiadores dos Descobrimentos Luciano Pereira da Silva, Professor António Barbosa, Comandante Fontoura da Costa, Comandante Quirino da Fonseca e Henrique Lopes de Mendonça. Mais tarde, em 22/05/1967, a Comissão tomou conhecimento de um pedido de Henriqueta Vasconcelos Sousa Coutinho para que o nome do Comandante Abel Fontoura da Costa fosse dado a um arruamento. E finalmente, na reunião da Comissão de 03/11/1967, ao analisar uma notícia do Diário de Lisboa, de 27 de Setembro, criticando a falta de denominação dos arruamentos construídos entre a Estrada do Desvio e a Estrada Militar, a Comissão considerou prematura a atribuição de nome aos arruamentos por se tratar de uma zona ainda em  fase de urbanização e sujeita a alterações e considerou apenas aconselhável denominar a Rua Terceira T.E., artéria na qual nasceu a Rua Comandante Fontoura da Costa.

Na Ilustração Portuguesa

Na Ilustração Portuguesa

Abel Fontoura da Costa (Alpiarça/09.12.1869 – 07.12.1940/Lisboa), foi um Oficial da Marinha que  logo em 1901 foi membro da Comissão de Delimitação de Fronteiras entre Angola e o Estado independente do Congo e durante largos anos ensinou na Escola Auxiliar da Marinha (1901 a 1913), como Professor da cadeira de Agulhas, Cronómetros e Navegação, sendo ainda Comandante Superior das Escolas de Marinha (1923). Foi também docente na Escola Náutica  (1924 a 1939), da qual foi  director de 1936 a 1939 tal como já havia sido diretor das Escolas Naval e  de Educação Física da Armada (1932). Publicou, entre outras obras, Aplicação das tábuas de estrada e logaritmos de subtracção do método de Ste Hilaire (1889), Tábuas Náuticas (1907), Marinharia dos Descobrimentos (1933), A Carta de Pêro Vaz de Caminha (1940) Roteiros portugueses inéditos da carreira da Índia do século XVI (1940) e La Science Nautique dês Portuguais à l’époque dês Découvertes (1941), para além de muitos artigos para os Anais do Clube Militar Naval de que se destaca «A Marinharia dos Descobrimentos». Fontoura da Costa também procedeu à compilação das obras completas de Pedro Nunes, à publicação do Roteiro da primeira viagem de Vasco da Gama de Álvaro Velho e ainda organizou uma importante exposição de roteiros portugueses dos séculos XVI e XVII.

Fontoura da Costa desempenhou igualmente funções políticas enquanto governador de Cabo Verde (1915-1917) e Ministro da Agricultura e da Marinha, de 9 de janeiro a 18 de agosto de 1923. Representou Portugal no Congresso de Ciências Históricas de Zurique e foi ainda membro da Academia Portuguesa de Ciências e História e da Comissão organizadora do Museu Naval (1936), bem como presidente da Associação de Futebol de Lisboa, em 1910. Foi agraciado com a Comenda (1919) e o  Grande-Oficialato (1920) da Ordem Militar de Avis.

Freguesia do Lumiar (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia do Lumiar
(Planta: Sérgio Dias)

Património Comum do Desporto na Toponímia de Lisboa: os jornalistas desportivos

Edital nº 46/95 de 12/04/1995

Edital nº 46/95 de 12/04/1995

Os jornalistas desportivos, que trazem a lume o desporto e as suas figuras como património comum de todos nós, estão também presentes na toponímia de Lisboa. E assim vamos enumerá-los por ordem alfabética:

A Rua Cândido de Oliveira, fixada através do edital 29/01/1979, homenageia  Cândido Fernandes Plácido de Oliveira (Fronteira/24.09. 1896 – 23.06.1958/Estocolmo) desportista, Presidente do Casa Pia Atlético Clube,  membro do Conselho Técnico da Federação Portuguesa de Futebol e  jornalista desportivo no Vitória, n’ O Século, bem como diretor de Os Sports, da revista Futebol e dos jornais Gazeta Desportiva e A Bola, de que foi fundador em 1945 com Ribeiro dos Reis e Vicente de Melo. Escreveu ainda várias obras sobre futebol, como O Futebol: Técnica e Táctica (1935), A Formação dos Jogadores de Futebol (1938), Futebol, Desporto para a Juventude (1940) e Os Segredos do Futebol (1947).

A Avenida Carlos Pinhão, resultou de um proposta da Junta de Freguesia de Marvila que propôs o nome do jornalista Carlos Alberto da Silva Pinhão (Lisboa/04.05.1924 – 15.01.1993) para uma das novas artérias em construção naquela Freguesia – a Via Central de Chelas – Olaias, por ligar as duas áreas da capital ligadas a Carlos Pinhão: o Beato onde nasceu e Marvila onde deixou grandes marcas. A consagração deste jornalista  do Sports, Mundo Desportivo, Diário Popular, Século Ilustrado e A Bola (a partir de 1955),  bem como cronista de  Lisboa do Público  e escritor  de, entre outros, Bichos de Abril (1975), O Coelho Atleta e a sua Escola de Desporto (1983) e Abril Futebol Clube (1991), foi concretizada pelo Edital municipal de 12/04/1995.

A Rua José Pontes, nascida do Edital municipal de 22/04/1998, perpetua o médico (1879-1961) que se licenciou no ano da morte de Francisco Lázaro com a tese «Corridas de Maratona – Estudo de Fisioterapia». Como jornalista desportivo criou uma secção diária de desporto no Jornal da Noite, foi redator do Jornal do Sport, chefiou a redação da Revista de Sport , foi diretor do bissemanário Os Sports e ainda colaborou com O Século, A Capital e o Diário de Notícias. José Pontes no Movimento foi ainda secretário-geral e presidente do Comité Olímpico Português e após 1941, acumulou estas funções com as de representante de Portugal no Comité Olímpico Internacional.

A Rua Nuno Ferrari, perpetua o nome de Nuno José da Fonseca Ferreira (06.03.1935 – 18.09.1996/Estádio da Luz-Lisboa), desde a publicação do Edital de 29/04/1997 que lhe conferiu a legenda «Fotojornalista Desportivo/1935 – 1996», fotógrafo de jornais desportivos como A Bola e da Federação Portuguesa de Futebol no Mundial de 1966, para além de ser adepto fervoroso do Sport Lisboa e Benfica tendo falecido enquanto em trabalho fotografava uma partida disputada pelo seu clube no antigo Estádio da Luz. Nuno Ferrari foi sócio fundador do CNID (Associação dos Jornalistas de Desporto), onde dá nome a um Prémio para fotografia da área do desporto.

A Rua Ricardo Ornelas, fixa Ricardo Amaral Ornelas (Lisboa/31.12.1899 – 04.09.1967/Lisboa), jornalista desde 1920 que se destacou na memória portuguesa como o criador do slogan «A Equipa de Todos Nós» para designar a Selecção Nacional de Futebol da qual até foi seleccionador em 1928, bem como pelo facto de com Cândido de Oliveira e Ribeiro dos Reis, formar a trindade dos jornalistas casapianos que alicerçaram a paridade entre jornalistas ao estilhaçar os preconceitos que diferenciavam aqueles que trabalhavam nos diários daqueles que o faziam nos periódicos desportivos, já que estes últimos não tinham direito a carteira profissional.

A Rua Tenente-Coronel Ribeiro dos Reis, homenageia o militar António Ribeiro dos Reis (Lisboa/10.07.1896 – 03.12.1961/Lisboa) que também foi jogador, treinador de futebol e dirigente do Sport Lisboa e Benfica, como vice-presidente e presidente da Assembleia Geral, director da Federação Portuguesa de Futebol e o 1º português a ser nomeado para o Comité de Arbitragem da FIFA. Orientou também a Seleção Nacional nos anos 20 e 30 do século XX e a Seleção militar portuguesa.Foi também  jornalista desportivo, a partir de 1914, n’ O Sport de Lisboa e n’Os Sports até fundar em 1945, com Cândido de Oliveira e Vicente de Melo, o então bissemanário A Bola, que dirigiu entre 1951 e 1961.

E finalmente, a Rua Vítor Santos, homenageia através do Edital de 15/02/1991 o histórico chefe de redação de A Bola, Vítor Gonçalves dos Santos (Alenquer/31.05.1923-21.12.1990/Lisboa) que em 1966 foi um dos fundadores do CNID (Associação dos Jornalistas de Desporto), que aliás institui um prémio com o seu nome para distinguir uma jovem promessa da imprensa escrita desportiva.

NOTA: Quase todos os topónimos relacionados com desporto em Lisboa estão já publicados neste blogue e pode consultá-los descendo até ao fundo do mesmo, e na zona azul, encontrar as «Categorias» e aí clicar em Desporto e Desportistas na Toponímia de Lisboa, para aceder a todas as publicações.

 

Património Comum do Desporto na Toponímia de Lisboa: os Dirigentes Desportivos

Os dirigentes desportivos também surgem nos topónimos lisboetas, em representação do Comité Olímpico Português, do Casa Pia Atlético Clube, do Sport Lisboa e Benfica e do Sporting Clube de Portugal.

Rua Engº Nobre Guedes, atribuída pelo Edital camarário de 20/05/1970, homenageia o engenheiro e desportista (Beja/12.02.1893 – 27.10.1969/Lisboa) cujo nome ficou ligado ao Comité Olímpico português por ter sido seu Secretário-Geral,  Vice-presidente, Presidente e Presidente de honra. Nobre Guedes foi também dirigente do Clube Internacional de Futebol (CIF) e presidente das Federações Portuguesas de Atletismo, de Boxe e da União do Pentatlo Moderno.

Rua Alfredo Soares, atribuída Edital municipal de 05/06/1972, perpetua o director da Casa Pia de Lisboa (Lisboa/1869 – 02.12.1951/Lisboa)  que foi também o 1º Presidente do Casa Pia Atlético Clube, de 3 de julho de 1920 até 1923 e também em 1928/29, a partir do núcleo fundador de 18 ex-alunos da Casa Pia que contava com Cândido de Oliveira, Ricardo Ornelas, Mário da Silva Marques, António Pinho e David Ferreira. Alfredo Soares foi também o 1º Presidente da Liga Portuguesa dos Clubes de Natação em 1921.

A Praça Cosme Damião, atribuída pelo Edital de 25/11/1991 , fixa um dos fundadores do Sport Lisboa e Benfica (Lisboa/02.11.1885 – 12.06.1947/Sintra) nas proximidades do Estádio da Luz, atleta, árbitro do 1º desafio de hóquei em patins em Portugal (1917), treinador de futebol que enquanto dirigente do clube da Luz foi vogal, tesoureiro, vice-presidente e presidente da Assembleia Geral, ostentando o Museu do Benfica o seu nome, tendo sido iniciativa sua a instalação de um secretaria do clube na Baixa lisboeta em 1922. Cosme Damião foi ainda dirigente da Liga Portuguesa de Futebol (1909) e do Casa Pia Atlético Clube (1936-37), para além de se ter destacado no campo do jornalismo desportivo, sendo um dos fundadores do jornal Sport de Lisboa, que dirigiu de 1927 a 1931.

A Rua Félix Bermudes, nascida do Edital municipal de 31/08/1993, fixou o escritor teatral (Porto/04.07.1874- 05.01.1960/Lisboa) que foi também com Ernesto Rodrigues e João Bastos autor do guião do filme O Leão da Estrela (1947), criador da divisa benfiquista E Pluribus Unum  e autor da letra do primeiro Hino do Benfica, desportista e também fundador do Sport Lisboa e Benfica,  e seu dirigente como vogal da Direção e eleito seu Presidente por 3 vezes.

A Rua Francisco Stromp, gerada pelo Edital camarário de 26/03/1971 e junto ao Estádio de Alvalade, homenageia um dos fundadores do Sporting Clube de Portugal (Lisboa/21.05.1891 – 01.07.1930/Lisboa),  atleta e dirigente sportinguista, por dez vezes na direção como membro da Mesa da Assembleia Geral, Vogal e Vice-Presidente. Ao seu nome se deve a forma como é conhecida a camisola sportinguista de duas metades verticais, verde e branca, e a inspiração para o Grupo Stromp, criado em 1962, e que atribui o maior  galardão do Clube leonino.

Francisco Stromp

NOTA: Quase todos os topónimos relacionados com desporto em Lisboa estão já publicados neste blogue e pode consultá-los descendo até ao fundo do mesmo, e na zona azul, encontrar as «Categorias» e aí clicar em Desporto e Desportistas na Toponímia de Lisboa, para aceder a todas as publicações.

 

Património Comum do Desporto na Toponímia de Lisboa: a Natação e o Tiro

Rua de Dom Luís de Noronha – Freguesia das Avenidas Novas

Lisboa junto ao Tejo sempre teve o rio como um património para desportos náuticos, pelo que não se estranha que na ribeirinha freguesia de Belém se encontre o Largo Luís Alves Miguel, atribuído por Edital de 29/01/1979,  junto à Rua da Praia de Pedrouços e como tal, perto do Club Sportivo de Pedrouços, para homenagear o seu sócio Luís Alves Miguel (30.06.1900 – 05.02.1977), seu atleta e durante grande parte da sua vida, seu instrutor de natação.

Já o atleta olímpico António Martins (Abrantes/04.04.1892 – 03.10.1930/Lisboa), foi o 3º desportista da toponímia de Lisboa, através do edital de 25/02/1932 que atribuiu a Rua Dr. António Martins a uma artéria na então freguesia de Benfica (desde 1959, no território da freguesia de São Domingos de Benfica). Este médico dedicou-se a várias modalidades desportivas como era comum naquela época, como atletismo, boxe, esgrima, ginástica sueca, hipismo e natação, mas destacou-se no tiro de guerra e de chumbo e tragicamente faleceu em 1930 ao disputar um Concurso na Carreira de Tiro de Pedrouços.

António Martins em 1921

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Património Comum do Desporto na Toponímia de Lisboa: Educação Física e Ginástica, Hóquei em Patins e Patinagem

Estátua de homenagem a Luís Monteiro na Avenida da Liberdade, em 1932 (Foto: Ferreira da Cunha, Arquivo Municipal de Lisboa)

Estátua de homenagem a Luís Monteiro na Avenida da Liberdade, em 1932
(Foto: Ferreira da Cunha, Arquivo Municipal de Lisboa)

Em Portugal, a Ginástica começou a ser praticada na segunda metade do século XIX, a partir da criação do Real Ginásio Clube Português em 1875,  e muita graças à iniciativa de Luís Monteiro que pugnou o desenvolvimento da modalidade no nosso país. Em 1905 a Educação Física oficial já estava regulamentada e, 14 anos depois nasceu o Lisboa Ginásio Clube focado nesta área desportiva.

Na toponímia de Lisboa encontramos

  • Rua Luís Monteiro (Edital de 19/06/1926), o introdutor da Ginástica e da Educação Física em Portugal e o 1º português a exercer a profissão de professor de educação física no nosso país, cabendo-lhe também o lugar de ser o 2º desportista a integrar as placas toponímicas alfacinhas, depois de Francisco Lázaro;
  • Rua Robalo Gouveia (Edital de 07/09/1987), ginasta licenciado em Educação Física pelo INEF, que foi professor em vários liceus lisboetas e elemento da 1ª equipa nacional de ginástica aplicada que participou no Jogos Olímpicos,  em Helsínquia no ano de 1952.

Sobre rodas, as modalidades de hóquei em patins e patinagem também registam na toponímia de Lisboa figuras que ficaram na memória de todos:

  • a Rua Xavier de Araújo (Edital de 29/12/1989), o professor de patinagem de várias gerações de lisboetas no ringue do Jardim Zoológico e no Jardim do Campo Grande que também iniciou a patinagem artística e, que a partir de 1922 foi crucial na introdução do rugby em Portugal;
  • a Rua António Livramento (Edital de 07/05/2001 ), o ídolo do Hóquei em Patins nacional nas décadas de sessenta e setenta do séc. XX, quer pela equipa das águias quer pela leonina, bem como pela Seleção Nacional da qual também foi treinador nos anos 80 e assim marcou de forma determinante a época áurea do hóquei em Portugal;
  • a Rua Olivério Serpa (Edital de 08/07/1986), o mais velho dos irmãos Serpa, atleta de sempre do Clube Futebol Benfica (o Fofó),  internacional de 1936 a 1949, ter contribuído para dar a Portugal as suas primeiras vitórias nos campeonatos da Europa(1948 e 1950) e do Mundo (1947 e 1949);
  • a Rua Sidónio Serpa (Edital de 29/09/1997), o mais novo dos irmãos Serpa, que integrou a Seleção Nacional de Hóquei em Patins desde os 16 anos e até foi o seu capitão nos anos de 1950 e de 1951, somando 75 internacionalizações entre 1937 e 1951.

0 António Livramento

 

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Património Comum do Desporto na Toponímia de Lisboa: o Futebol

(Foto: Amadeu Ferrari, Arquivo Municipal de Lisboa)

No país, como na capital, o Futebol é um desporto muito popular e também na toponímia de Lisboa é a modalidade com mais referências somando 6 Ruas, um Passeio e uma Avenida, num total de 9 registos que por ordem cronológica são os seguintes:

  • A Rua Fernando Vaz , atribuída pelo último Edital municipal de toponímia de 1989, do dia  29 de dezembro, em memória do jogador no Casa Pia Atlético, que mais se distinguiu como treinador no Sporting, no Belenenses, Vitória de Setúbal, Braga, Porto, Vitória de Guimarães, Caldas,  Académica, Atlético,  Beira-Mar e Marítimo e foi Presidente do Sindicato dos Treinadores de Futebol, formado após o 25 de Abril,  bem como jornalista de A Bola onde foi chefe de redacção;
  • O único massagista na toponímia de Lisboa, Manuel Marques, por Edital municipal de 06/09/1990, uma Rua próxima do Estádio do Sporting, clube de sempre do homenageado, que sobretudo trabalhou para a equipa de futebol do seu clube pelo que até recebeu a camisola com o nº 12 , apesar de ter sido também o massagista de algumas Seleções nacionais de Atletismo, Boxe, Ciclismo, Esgrima, Futebol,  Hóquei em Patins e Voleibol;
  • A Rua José Manuel Soares (Pepe) que fixa num arruamento de Belém próximo do Estádio do Restelo este jogador extraordinário do Clube de Futebol Os Belenenses, desde a publicação do Edital de 16/12/1992;
  • Rua António Pinho que homenageia este futebolista do Casa Pia Atlético Clube e da 1ª Seleção Nacional de futebol, atribuída pelo Edital municipal de 07/05/2001;
  • A Rua José Travassos, um dos Cinco Violinos do Sporting Clube de Portugal, dada pelo Edital de 10/04/2007 que também colocou o guarda-redes Vítor Damas nas proximidades do Estádio de Alvalade, bem como outras  figuras leoninas: Francisco Stromp e o médico Prof. Armando Santos Ferreira;
  • Passeio do Campo da Bola, oficializado pelo Edital de 16/09/2009, herdado da Expo 98, que recebe o seu nome por estar encostado a um recinto desportivo que é um campo de futebol relvado;
  • E finalmente, a Avenida Eusébio da Silva Ferreira, o único desportista perpetuado numa Avenida lisboeta, pelo Edital de 23/12/2014, junto ao Estádio da Luz, conhecido pelos epítetos de Pantera Negra, Pérola Negra ou Rei que foi um dos melhores jogadores de futebol de todos os tempos e se afirmou como um herói dos relvados portugueses e mundiais, ao serviço do Sport Lisboa e Benfica e como nº 10 da Seleção Nacional, fazendo vibrar multidões de diversas gerações.

 

0 travassinhos 2

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Património Comum do Desporto na Toponímia de Lisboa: o Ciclismo e a Esgrima

Freguesia do Lumiar – Placa Tipo II

O ciclismo, modalidade que se tornou popular no nosso país muito pela realização da Volta a Portugal em Bicicleta, também em Lisboa tem guardada memória desse património comum através de três nomes: a  Rua Alfredo Trindade e a Rua José Maria Nicolau, bem como a Rua Joaquim Agostinho.

O primeiro ciclista a ser perpetuado na toponímia de Lisboa foi Joaquim Agostinho (Brejenjas – Torres Vedras/07.04.1943 – 10.05.1984/Lisboa) , pelo Edital de 07/09/1987, após este ter sido vítima de uma trágico acidente em prova numa etapa da X Volta ao Algarve, num arruamento próximo do Estádio de Alvalade, dada a sua filiação sportinguista mas também considerado o melhor desportista do ano de 1971 em Portugal e o «Embaixador de Portugal» junto dos emigrantes portugueses. Seguiram-se os que entre si alternavam a vitória na Volta a Portugal durante a década de 30 do século XX:  o benfiquista José Maria Nicolau fixado numa artéria próxima do Estádio da Luz (Edital de 09/06/1992) e no ano seguinte,  o seu rival sportinguista,  Alfredo Trindade (Cartaxo – Valada do Ribatejo/03.01.1912 – 11.10.1977), que deu nome a rua próxima do Estádio de Alvalade (Edital municipal de 04/02/1993).

A esgrima conta nas ruas de Lisboa com os nomes do Mestre António Martins (Edital de 14/03/1932), considerado o percursor da esgrima em Portugal e o 4º desportista a integrar a toponímia de Lisboa, bem como de Herculano Pimentel (Edital municipal de 23/10/1991) que formou várias  gerações de esgrimistas e  várias vezes, foi o treinador da Selecção Nacional.

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Património Comum do Desporto na Toponímia de Lisboa: o Bilhar e o Boxe

As modalidades de Bilhar e de Boxe estão perpetuadas na toponímia de Lisboa cada uma com um nomes significativo dessa prática:  Alfredo Ferraz e José Santa Camarão.

A Rua Alfredo Ferraz, gerada com o Edital municipal de de 12/04/1995, perpetua o o 1º português que foi Campeão Mundial de Bilhar, Alfredo Ferraz (Madeira-Madalena do Mar/08.11.1901 – 16.09.1960/Lisboa).

A Rua José Santa Camarão, nascida pelo Edital camarário de 14/o7/2004, perpetua o pugilista de 2 metros e 2 centímetros de altura José Soares Santa (Ovar/25.12.1902 – 05.04.1968/Ovar) e Camarão por alcunha de família, que em meados dos anos 20 do século XX era campeão nacional de boxe e durante toda a sua carreira tinha versos que lhe eram dedicados na literatura de cordel vendida pelos músicos cegos nas ruas de Lisboa.

Freguesia de Alvalade – Placa Tipo II

 

NOTA: Quase todos os topónimos relacionados com desporto em Lisboa estão já publicados neste blogue e pode consultá-los descendo até ao fundo do mesmo, e na zona azul, encontrar as «Categorias» e aí clicar em Desporto e Desportistas na Toponímia de Lisboa, para aceder a todas as publicações.