A Rua Carlos Mayer no Pote de Água

Freguesia de Alvalade (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Alvalade
(Foto: Sérgio Dias)

O alfacinha Carlos Mayer era um dos elementos dos Vencidos da Vida e por isso ligado a Ramalho Ortigão, que pelo Edital municipal de 26/05/1956 passou a dar o seu nome à Rua 29 do Sítio de Alvalade, local que antes de ser urbanizado era conhecido como Pote de Água, designação aliás ainda mantida na toponímia local num Largo e numa Travessa.

Esta sugestão resultou da análise do artigo «A Consagração lapidar nas ruas de Lisboa através dos registos toponímicos» (de 14/11/1955) do Diário de Lisboa na reunião de 21/12/1955 da Comissão Municipal de Toponímia que assim deu parecer favorável à atribuição dos nomes de Carlos Mayer, Oliveira Martins, Moura Girão, Rodrigues Vieira, Henrique Pinto, bem como dos pintores do Grupo do Leão, António Ramalho, Cipriano Martins, João Vaz e Ribeiro Cristino.

Carlos Félix de Lima Mayer (Lisboa/11.02.1846 – 28.02.1910/Lisboa), filho de Adolfo de Lima Mayer e de Maria Amália Rosalina Pereira Guimarães, foi um médico, empresário e intelectual que pertenceu ao grupo Vencidos da Vida. Cursou Matemática e Filosofia em Coimbra, onde conheceu Antero de Quental, e depois seguiu Medicina, na Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa, assim como na Bélgica e em França. Mais tarde, trocou a clínica que exerceu em Lisboa durante pouco tempo pela gestão de empresas em Moçambique, Angola, Açores, Beiras e Algarve, tendo-se suicidado em 1910, após completar 64 anos, na sua casa da Rua das Janelas Verdes.

A sua neta, Maria Ulrich, filha de Veva de Lima (Genoveva Lima Mayer), está também presente na toponímia de Lisboa, através da Rua Maria Ulrich, localizada nas proximidades da Casa Veva de Lima.

Freguesia de Alvalade

Freguesia de Alvalade

Gulbenkian duplicado

Estátua de Calouste Gulbenkian por Leopoldo de Almeida, 1965, pedra e bronze (Foto: CML)

Estátua de Calouste Gulbenkian nos jardins da Fundação, da autoria de Leopoldo de Almeida, 1965, pedra e bronze (Foto: CML)

Calouste Gulbenkian tem o seu nome perpetuado em duas artérias de Lisboa: uma Avenida que se estende pelas Freguesias de Campolide e de Benfica e, um Largo no Bairro das Furnas, na Freguesia de São Domingos de Benfica.

A Avenida que tem como legenda «Instituidor da Fundação Calouste Gulbenkian/1869 – 1955» nasceu pelo Edital de 18/08/1966 na Avenida compreendida entre a Praça de Espanha e a Avenida de Ceuta, conhecida por prolongamento da Avenida de Berna, a partir de uma sugestão do Rotary Clube de Lisboa e de notícias publicadas no Diário da Manhã (09/09/1962) e em O Século (20/07/1964).

O Largo, fixado 19 anos depois  no largo compreendido entre os lotes 1 a 15 do Bairro das Furnas, com a legenda «1869 – 1955», pelo Edital de 20/08/1985,  deveu-se à comparticipação da Fundação Gulbenkian na execução deste Bairro para realojamento das famílias das casas abarracadas que ali residiam há 40 anos, pelo que até foi inaugurado por ocasião de uma sessão solene evocativa do 28º aniversário da morte de Calouste Gulbenkian, promovida pela Associação de Moradores do Bairro das Furnas.

Calouste Sarkis Gulbenkian (Arménia, Scutari-Instambul/23.03.1869 – 20.07.1955/Lisboa) foi um empresário arménio, licenciado em engenharia (1887), que em Lisboa instituiu a Fundação com o seu nome por disposição testamentária (de 18 de junho de 1953), destinada a fomentar as artes, as letras, as ciências e o pensamento em geral, como prova de gratidão pela hospitalidade recebida em Portugal, para além de ter feito dádivas em peças de arte ao Museu de Arte Antiga.

Calouste Gulbenkian que era por gosto um coleccionador de arte acolheu-se em Portugal em 1942 e acabou por cá ficar até à sua morte, a morar no Hotel Aviz, em Lisboa, acalentando o sonho de reunir sob um mesmo tecto, todas as suas obras dispersas, o que sucedeu quando a sua coleção completa veio para Portugal em 1960, tendo estado exposta primeira no Palácio dos Marqueses de Pombal (entre 1965 e 1969).

Este magnate da indústria petrolífera que desde 1898 era conselheiro económico das embaixadas Otomanas de Paris e Londres naturalizou-se inglês em 1902. Na Turkish Petroleum Company, criada em 1912, ele detinha 15% do capital e passou a ser conhecido como «Senhor cinco por cento» quando em 1913-14 com a reorganização desta Companhia ficou estipulada para si essa quota, que manteve também a partir de 1928, com a assinatura do Red Line Agreement que permitiu a compatibilização dos interesses locais e internacionais sobre a exploração petrolífera no ex-Império Otomano na nova Iraq Petroleum Co. Ltd.

Avenida Calouste Gulbenkian -Freguesias de Campolide e de Benfica (Foto: Sérgio Dias)

Avenida Calouste Gulbenkian – Freguesias de Campolide e de Benfica
(Foto: Sérgio Dias)

Localização do Largo Calouste Gulbenkian na Freguesia de São Domingos de Benfica

Localização do Largo Calouste Gulbenkian na Freguesia de São Domingos de Benfica

A Rua do fundador da Carris, Luciano Cordeiro

A Rua Luciano Cordeiro homenageia desde a publicação do Edital de 11/12/1902 aquele que entre outras coisas, fundou em Lisboa, com o seu irmão, os americanos, o embrião da Carris de Ferro de Lisboa, melhorando a circulação de pessoas na capital.

De seu nome completo Luciano Baptista Cordeiro de Sousa (Mirandela/21.06.1844 – 24.12.1900/Lisboa), professor, político e fundador da Sociedade de Geografia em 1875, criou com o seu irmão Francisco no Rio de Janeiro, em 1870, um sistema de transporte colectivo movido por força animal e deslocando-se sobre carris de ferro colocados ao nível do solo, que replicaram em Lisboa a partir de 18 de novembro de 1873 e, que os lisboetas apelidaram de os americanos. A primeira linha inaugurada foi a de Santa Apolónia-Aterro da Boavista e, o americano possuía assentos para 22 pessoas e, outros tantos lugares de pé, junto do condutor ou nas plataformas laterais.

Luciano Cordeiro formado pelo Curso Superior de Letras foi também professor de Literatura e de Filosofia do Colégio Militar (1871 a 1874) e do Curso Superior de Letras (a partir de 1872), diretor-geral da Instrução Pública e deputado por duas vezes, tendo-se notabilizado pela defesa dos direitos de Portugal em África, motivação que também o impulsionou para a fundação da  Sociedade de Geografia, onde ficou como secretário perpétuo.  Publicou vários livros sobre as mais diversas matérias como Livros de Crítica – Arte e Literatura Portuguesa de Hoje (1869), Ciência e Consciência (1872), Viagens (1874-1875), Serões Manuelinos (1861 – 1892), Da Arte Nacional (1876), Portugal e o Movimento Geográfico Moderno (1877) e Questões Histórico-Coloniais (1935 – 36).

Freguesia de Santo António

Freguesia de Santo António

A Rua do Electric General Edison

Thomas Edison em 1818/19

Thomas Edison em 1818-1819

Já que hoje é o Dia Mundial da Energia recordamos que Lisboa acolhe a Rua Edison, na freguesia do Areeiro, em homenagem ao inventor americano da lâmpada e dos dínamos para gerar corrente eléctrica, o qual também fundou a empresa General Electric.

A Rua Edison, que liga a Avenida de Roma à Avenida Madrid, foi atribuída pelo Edital de 29 de julho de 1948 à Rua F da Zona compreendida entre a Alameda Dom Afonso Henriques e a Linha Férrea de Cintura, e por esse mesmo Edital a Câmara Municipal de Lisboa atribuiu mais onze topónimos na então freguesia de São João de Deus, todos ligados a personalidades de cariz internacional ou, a cidades europeias e brasileiras procurando assim dar algum cosmopolitismo à capital, e neste contexto foram escolhidos os cientistas Pasteur e Marconi (em Praça e Avenida), os  escritores Cervantes e Vítor Hugo (em Ruas), os brasileiros Afrânio Peixoto e João do Rio (em Praças), o único Papa português João XXI (em Avenida) e, as cidades capitais Madrid, Paris, Rio de Janeiro (em Avenidas) e Londres (numa Praça). 

Thomas Alva Edison (Ohio/11.02.1847 – 19.09.1931/Nova Jersey) foi um inventor prolífero que registou mais de duas mil patentes – embora os inventos dos empregados da Edison General Electric também fossem registados em seu nome – sendo obra sua a lâmpada elétrica incandescente, os dínamos para gerar corrente elétrica, o gramafone, o cinematógrafo e o cinescópio, o megafone, o microfone de grânulos de carvão para o telefone, bem como o sistema automático de telegrafia.

Edison foi um dos precursores da revolução tecnológica do século XX e, a sua Edison General Electric (fundada em 1888) revelou-se uma potência económica dominando a eletricidade, fabricando todos os tipos de dispositivos elétricos, como gereadores, motores e válvulas. Durante a Primeira Guerra Mundial a empresa entrou também no campo da metalurgia naval, produzindo máquinas e novos equipamentos para navios.

Rua Edison em 1964 (Foto: Arnaldo Madureira, Arquivo Municipal de Lisboa)

Rua Edison em 1964 (Foto: Arnaldo Madureira, Arquivo Municipal de Lisboa)

 

A Rua do Hermínio da Assírio

Placa Tipo II

Placa Tipo II

Hermínio Monteiro, que hoje completaria 61 anos, deu o seu nome  à Rua E do Parque das Conchas, dois anos após o seu falecimento, através do Edital municipal de 29/12/2003, perpetuando em Lisboa o nome deste editor que é sinónimo de Assírio & Alvim.

De seu nome completo, Manuel Hermínio Monteiro (Vila Real/10.09.1952  – 03.06.2001/Lisboa), foi um licenciado em História que veio a ser director da Editora Assírio & Alvim, onde trabalhou mais de duas décadas. Em 1974, ingressou na Assírio & Alvim como vendedor e, em pouco tempo, os percursos de ambos tornaram-se comuns. Quando Hermínio entrou, a editora então com dois anos de existência encontrava-se numa grave crise e, em 1983, ele assumiu a direcção da editora e conseguiu não só salvá-la da falência, como levá-la a ser um dos maiores casos de sucesso editorial em Portugal, graças à sua aposta na poesia, particularmente nas obras de Al Berto,  Fernando Pessoa, Herberto Helder, Mário Cesariny, Teixeira de Pascoaes ou Ruben A.

De 1999 até à sua morte, Hermínio Monteiro foi membro da Direcção da APEL (Associação Portuguesa de Editores e Livreiros) e,  a propósito do trabalho de edição afirmava que “Gosto de pensar que trato a editora como quem trata uma vinha” e, até defendia que “Às vezes, tenho a sensação de que a edição é outra forma de escrita, é uma maneira de escrevermos um livro maior”.

Foi ainda autor de programas televisivos e de rádio, tendo colaborado na maioria da imprensa portuguesa. Fundou a revista mensal A Phala (1986) para veicular o espírito muito próprio da editora, bem como a revista K (1990-1993), com Miguel Esteves Cardoso ; foi director da revista MetropoLIS (1994) no âmbito da Lisboa Capital Europeia da Cultura; colaborou no jornal O Independente (1989-1991), bem como nas revistas Ler (1990-1997) e  Epicur (1998-2000); assinou crónicas de gastronomia (1997-1999) na revista Visão e ainda, integrou o conselho editorial da revista Espacio/Espaço Escrito (1993- 2001), de Badajoz.

Hermínio Monteiro impulsionou também outras formas de divulgação cultural, como um espaço/galeria de arte (1987), pelo qual passaram vários pintores, escultores e fotógrafos; dinamizou as livrarias da editora, em Lisboa (1995) e no Porto (1998), através do lançamento de livros,  encontros, debates e espectáculos musicais;  criou a “Assírio Líquida”, o primeiro bar-livraria no Bairro Alto. Em 1995 foi um dos fundadores da Associação Cultural Saldanha como o mote da cultura underground das décadas de 60 a 80 no cinema, poesia, música e teatro, junto com questões sociais actuais.

Foi ainda fundador, com Gonçalo Ribeiro Telles, entre outros, do Movimento O Partido da Terra e, em 1993, recebeu o grau de Comendador da Ordem do Infante D. Henrique.

na Freguesia do Lumiar

na Freguesia do Lumiar

O Director do Diário de Notícias que sucedeu ao fundador

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Placa Tipo II

Alfredo da Cunha dá o seu nome a uma rua de Lisboa desde que o Edital de 20/05/1970 crismou a Praceta da Rua das Pedreiras como Praça Alfredo da Cunha, embora decorridos dois meses tenha sido corrigida a epígrafe para Praça Dr. Alfredo da Cunha (Edital de 11/07/1970) e agora com a legenda «Jornalista/1863 – 1942».

Alfredo Carneiro da Cunha (Fundão/21.12.1863 – 25.11.1942/Lisboa) foi o empresário que geriu e dirigiu o Diário de Notícias entre 1894 e 1919, sucedendo ao fundador e primeiro director Eduardo Coelho, que era também seu sogro.

Formado em Coimbra em 1885, Alfredo da Cunha ainda exerceu advocacia em Lisboa, mas foi o jornalismo que mais marcou o seu percurso de vida, primeiro enquanto jornalista do Diário de Notícias, depois como proprietário desse jornal e finalmente, como um dos primeiros historiadores da génese do jornalismo em Portugal. Pelo falecimento do seu sogro (em 1889) e do sócio capitalista do Diário de Notícias, Tomás Quintino Antunes (1898), Alfredo da Cunha assumiu a direcção da empresa  e tornou-se o principal proprietário do periódico e sócio maioritário da Tipografia Universal de Lisboa, património que vendeu em 1919 à Companhia Industrial de Portugal e Colónias e, Augusto de Castro que fora intermediário neste negócio assumiu a direcção do jornal.

Alfredo da Cunha presidiu à Associação dos Jornalistas e Homens de Letras de Lisboa, bem como participou na dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto  e,  enquanto sócio benemérito na Associação dos Trabalhadores da Imprensa, tendo para além da vida jornalística e empresarial, dedicado-se à escrita de poesias, contos, obras teatrais e ensaios de que são de destacar Gil Vicente da Lisboa Antiga e a Antiga Lisboa nas obras de Gil Vicente (1937), Lisboa na paremiologia peninsular (1939) publicado pela Câmara de Lisboa, bem como os estudos de índole histórica sobre a imprensa periódica em Portugal, como a biografia do seu sogro que foi oferecida às bibliotecas de todas as escolas oficiais e particulares portuguesas – Eduardo Coelho: a sua vida e a sua obra, 1891 –  ou O Diário de Notícias: A sua Fundação e os seus Fundadores  (1914), Camillo Castello Branco jornalista (1925), Jornalismo Nacional (1941) e Elementos para a História da Imprensa Periódica Portuguesa – 1641-1821 (1942).

A partir de Maio de 1889, Alfredo da Cunha também exerceu o cargo de auditor jurídico das Administrações da Indústria dos Tabacos e, desde 1934, integrou a administração do Banco Lisboa & Açores. Ainda presidiu ao conselho director dos Amigos do Museu de Arte Antiga e, foi director da Sociedade de Geografia e do Jardim Zoológico, assim como membro da Associação dos Arqueólogos Portugueses e da Sociedade Propaganda de Portugal, tendo sido agraciado com a Comenda da Ordem de Santiago (1903) e o Oficialato da Legião de Honra (1905) e, igualmente com a Placa de Honra (1919) e a da Dedicação (1920) pela Cruz Vermelha.

A Praça Dr. Alfredo da Cunha na freguesia de Stª Mª de Belém – futura freguesia de Belém

A Praça Dr. Alfredo da Cunha na freguesia de Stª Mª de Belém – futura freguesia de Belém