A Estrada da Quinta das Laranjeiras

FReguesias das Avenidas Novas e de São Domingos de Benfica (Foto: Sérgio Dias)

Freguesias das Avenidas Novas e de São Domingos de Benfica
(Foto: Sérgio Dias)

A obra de Luís Dourdil está representada na Embaixada do Brasil em Lisboa, razão para incluirmos o arruamento que lhe dá morada, a Estrada das Laranjeiras, neste roteiro toponímico alfacinha do pintor.

Refira-se ainda que Dourdil esteve presente em exposições no Brasil, como na de Arte Portuguesa Contemporânea em Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro (1976).

Este extenso arruamento que vai da  Avenida dos Combatentes até à Estrada da Luz tem o seu topónimo nascido da Quinta das Laranjeiras.

A Quinta das Laranjeiras foi inicialmente denominada Quinta de Santo António. No final do séc. XVII pertencia a Manuel da Silva Colaço, passando em 1760 para Luís Garcia Bívar e, mais tarde, para Francisco Azevedo Coutinho a quem, em 1779,  a adquiriu o Desembargador Luís Rebelo Quintela, por 24 contos e, assim se tornou em 1802 herança de Joaquim Pedro Quintela, seu sobrinho e 1º barão de Quintela. O Palácio das Laranjeiras ou Palácio Farrobo ganhará fama pelas festas no seu salão de baile revestido de espelhos  e pelo seu teatro para 560 espectadores (construído em 1820), com o 2º Barão de Quintela e 1º Conde de Farrobo, na 2ª metade do século XIX.

Em 1904 o Jardim Zoológico passou a ocupar grande parte dos terrenos da Quinta das Laranjeiras e, a sua inauguração foi a 28 de Maio de 1905, continuando o palácio e a sua zona ajardinada privativa, na posse da família Burnay. Em 1940 o Estado adquiriu aos herdeiros da condessa de Burnay toda a propriedade rústica e urbana.

Refira-se ainda que na documentação municipal encontramos um requerimento de 1889 de alguns proprietários e inquilinos de prédios situados na Estrada das Laranjeiras a pedir a construção de um cano geral de esgoto bem como uma escritura de 1920 de expropriação de um prédio para permitir o alargamento da artéria a que se segue outra de 1928 para  cedência de terreno da Quinta das Laranjeiras para o mesmo efeito.

A cidade de Lisboa acolhe ainda uma Rua das Laranjeiras que se inicia na Estrada das Laranjeiras, e que tomou este topónimo pela proximidade, por Edital de 19/07/1919, já que até aí era a Azinhaga da Ponte Velha.

Freguesia de qualquer coisa

Freguesias das Avenidas Novas e de São Domingos de Benfica

A Estrada da Torre do Lumiar

Em 1963 (Foto: Artur Goulart, Arquivo Municipal de Lisboa)

Em 1963 (Foto: Artur Goulart, Arquivo Municipal de Lisboa)

A Estrada da Torre é um  topónimo antigo da Freguesia do Lumiar cuja data de fixação na memória de Lisboa se desconhece embora seja provável que advenha do sítio da Torre do Lumiar, assim já denominado e conhecido no séc. XVI.

No séc. XVI a documentação da época a par da Torre do Lumiar menciona outros novos lugares como Chão do Meirinho, Vale do Forno, Mejam Frio, Poço do Ouro ou Ribeiro do Porto. De acordo com as Memórias Paroquias de 1758 o sítio ou lugar da Torre do Lumiar tinha nesse ano 19 fogos e 104 habitantes, bem como uma Ermida de Nª Srª do Livramento.

Esta artéria acolhe a sede da Junta de Freguesia do Lumiar. E na freguesia do Lumiar existem mais 5 Estradas:  da Ameixoeira, do Desvio, do Lumiar, do Paço do Lumiar e de Telheiras.

Freguesia do Lumiar (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia do Lumiar
(Foto: Sérgio Dias)

Freguesia do Lumiar (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia do Lumiar
(Planta: Sérgio Dias)

A Estrada do apóstolo-mártir

Placa Tipo II (Foto: José Carlos Batista)

Placa Tipo II
(Foto: José Carlos Batista)

A Estrada de São Bartolomeu, entre a Ameixoeira e o Largo dos Defensores da República, oficialmente consignada por deliberação camarária de 1 de Outubro de 1891 e respectivo edital do dia 12 seguinte, deve o seu nome à antiga paróquia local de São Bartolomeu da Charneca, cujo registo mais antigo está datado de 1583, confinando os seus limites com as freguesias de Nossa Senhora da Encarnação das Ameixoeiras, São João Baptista do Lumiar, Santa Maria dos Olivais, Santos Reis do Campo Grande e Santiago de Camarate.

Supõe-se que deve ter existido um ermida dedicada ao apóstolo-mártir, anterior à igreja de São Bartolomeu que só foi edificada em 1685 e que, provavelmente, terá sido esta construída no mesmo lugar da primitiva sede da paróquia dedicada ao Espírito Santo, tantos mais que algumas pias de água benta, algumas lápides sepulcrais com inscrições góticas e o cruzeiro manuelino no adro argumentam em favor desta hipótese.

De acordo com uma informação da antiga Repartição de Urbanização e Expansão da CML, de 26/02/1963, a Estrada de São Bartolomeu também foi por vezes denominada como Estrada da Ameixoeira à Charneca ou Estrada da Charneca. Lisboa tem hoje na sua toponímia um total de 40 Estradas.

Freguesia de Santa Clara (Foto: José Carlos Batista)

Freguesia de Santa Clara
(Foto: José Carlos Batista)

A Estrada do Desvio ao tráfego da Calçada de Carriche

Freguesias do Lumiar e de Santa Clara (Foto: José Carlos Batista)

Freguesias do Lumiar e de Santa Clara
(Foto: José Carlos Batista)

São quarenta as Estradas que integram a toponímia oficial de Lisboa e a Estrada do Desvio tem o seu nome por ser mesmo um desvio pelo Lumiar para fugir ao trânsito na Calçada de Carriche e permitir o descongestionamento desta. 

Grosso modo, esta Estrada corre paralela à Calçada de Carriche, que outrora foi a estrada de ligação, por onde passavam touros e campinos para as touradas no então Campo de Santana (hoje, Campo Mártires da Pátria). 

A Estrada do Desvio aparece referenciada em 1907 na planta topográfica de Júlio Silva Pinto e Alberto de Sá Correia, onde se mencionam os topónimos Posto de Carriche, Estrada Militar, Quinta de Nova Sintra, Calçada de Carriche, Estrada do Desvio, Calçada do Poço e Ameixoeira.

Poucas mais referências encontramos nos arquivos municipais, a não ser a pavimentação da via em 1937, fotos de Eduardo Portugal do ano de 1939 mostrando uma estrada ladeada de ambos os lados por campos e zonas agrícolas bem como uma imagem de Artur Goulart não datada mas com a significativa legenda “Estrada do Desvio do Lumiar para descongestionamento de trânsito na Calçada de Carriche”.

Em 1956, por edital de 28 de Dezembro, o troço da Estrada do Desvio compreendido entre a Rua do Lumiar e a Estrada que conduz à Ameixoeira, passou a denominar-se Rua Alexandre Ferreira, homenageando assim o fundador dos Inválidos do Comércio, instituição cuja sede se encontra nesse arruamento.

Placa Tipo IV (Foto: José Carlos Batista)

Placa Tipo IV
(Foto: José Carlos Batista)