O pombalino Largo do Caldas e o Largo Adelino Amaro da Costa dos anos 80

O traçado pombalino para o Palácio de João Rodrigues Caldas no Terreiro do Ximenes, assinado pelo Conde de Oeiras (depois Marquês de Pombal) e por De Blasco.

O Largo Adelino Amaro da Costa, dado nos anos 80 do séc. XX, é o topónimo oficial do pombalino Largo do Caldas que continua a persistir na memória dos lisboetas.

Pelo menos desde XVI existia no espaço deste arruamento o palacete da família do castelhano Rodrigues Caetano Ximenes,  que em 1476 tinha vindo para Portugal, pelo que chamava ao local Chão de Alcamim mas também Terreiro ou Terreirinho do Ximenes. Segundo Norberto de Araújo o arruamento também foi denominado como Praça da Bela Vista e um pouco antes do Terramoto como Largo do Conde de São Vicente.

Pelo menos desde 1858 seria designado como Largo do Caldas, uma vez que assim consta no levantamento topográfico de Lisboa de Filipe Folque. O topónimo deriva do Palácio urbano pós-terramoto, dos irmãos João e Luís Rodrigues Caldas, edificado entre 1765 e 1775 onde antes fora o Palácio do Ximenes, sendo o traçado desenhado a tinta da china e aguarela assinado pelo Conde de Oeiras (título de 1759 que após a criação do título Marquês de Pombal, em 1769, passou a ser subsidiário deste) e  de Blasco (seria Miguel Ângelo de Blasco ?…). O palácio com uma planta em L irregular, na frente virada para o Largo do Chão do Loureiro, foi edificada em 1766 uma ermida pública sob invocação de Nossa Senhora da Conceição, cuja autorização de culto foi dada a 1 de dezembro de 1766. Os irmãos  Caldas Rodrigues – João e Luís (Viana do Castelo – Badim/22.03.1721 – 25.05.1787) eram contratadores gerais de tabacos do reino.

Segundo Luís Pastor de Macedo, a partir de 1766 morou no Palácio pombalino dos Caldas o francês Jácome Ratton,  industrial amigo e admirador de Pombal e lá lhe nasceram três dos seus filhos.

No séc. XX, coabitando com as irmãs Caldas Machado e por cedência destas, viveu também num quarto no 3º andar, desde 1927, o padre Francisco Rodrigues da Cruz, conhecido como Padre Cruz, que ali  faleceu com 89 anos de idade em 1949, sendo que passados 10 anos e no âmbito do centenário do nascimento do Padre Cruz, a edilidade lisboeta tenha descerrado uma lápide comemorativa no prédio. Por morte das três últimas proprietárias – as irmãs Maria da Assunção, Joana Francisca e Catarina-, solteiras e sem filhos, o Palácio passou por herança para o Seminário dos Olivais.

Adelino Manuel Lopes Amaro da Costa (Lisboa/18.04.1943 – 04.12.1980/Camarate), Ministro da Defesa quando faleceu no desastre de aviação que também vitimou o Primeiro-Ministro Francisco Sá Carneiro, veio dar o seu nome ao Largo do Caldas desde a publicação do Edital de 5 de abril de 1982. Uma proposta dos vereadores da Aliança Democrática foi aprovada por maioria na reunião de Câmara de 22 de dezembro de 1980, para serem atribuídos os nomes de ambos os políticos a ruas de Lisboa, tendo a Comissão Municipal de Toponímia sugerido para o efeito, em 13 de janeiro de  1981, as duas alamedas interiores do Campo Grande. Todavia, acabou por vingar a designação de locais do então Vereador do Pelouro da Cultura, Dr. João Martins Vieira que sugeriu a alteração de denominação do antigo Largo do Caldas para Largo Dr. Adelino Amaro da Costa e, da  antiga Praça do Areeiro para Praça Dr. Francisco Sá Carneiro.

Licenciado em Engenharia Civil pelo Instituto Superior Técnico em 1966, Adelino Amaro da Costa foi também sub-Diretor e Diretor do Gabinete de Estudos e Planeamento do Ministério da Educação (1973 – 1974) tendo em 1974 sido um dos fundadores do Centro Democrático Social (CDS), com Diogo Freitas do Amaral,  e o seu primeiro secretário-geral.  De 1975 a 1980 foi deputado e líder do Grupo Parlamentar do CDS (1976 – 1978), Ministro de Defesa Nacional no Governo presidido por Sá Carneiro e com ele faleceu  quando ambos se deslocavam ao Porto para um comício de campanha eleitoral para as presidenciais desse ano.

O Largo Adelino Amaro da Costa – Freguesia de Santa Maria Maior

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A Rua do autor da letra d’A Casa da Mariquinhas e d’A minha casinha

Freguesia do Lumiar
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Silva Tavares, o autor da letra do fado A Casa da Mariquinhas primeiro consagrado na voz de Alfredo Marceneiro – bem como da canção A minha casinha – para Milú no filme Costa do Castelo –, com a legenda «Poeta/1893 – 1964» deu  nome a uma Rua da freguesia do Lumiar, em 1972, oito anos após o falecimento do poeta.

Foi por sugestão do Presidente da CML de então, Engº Santos e Castro, que o nome de Silva Tavares foi consagrado na toponímia de Lisboa, unindo numa única artéria da Urbanização da Tóbis Portuguesa a Rua B com o troço da Rua A que lhe ficava paralelo,  pelo Edital municipal de 1 de fevereiro de 1972. Dezasseis anos mais tarde, pelo Edital de 29 de fevereiro de 1988, também a Rua II à Rua Silva Tavares foi incorporada neste arruamento, estendendo-se desde aí da Alameda das Linhas de Torres à Rua Ladislau Patrício.

João da Silva Tavares (Estremoz/27.06.1893 – 03.06.1964/Lisboa) trabalhou na Emissora Nacional, na Repartição dos Serviços de Produção, como chefe da Secção de Coordenação de Programas, de 1934 a 1963. Em paralelo, desenvolveu a sua faceta de dramaturgo e poeta, aquela que o ligou mais estreitamente ao fado, produzindo letras para Alfredo Marceneiro, como A Casa da Mariquinhas ou o Fado da Balada, assim como para Amália Rodrigues, sendo neste caso de salientar o Sabe-se lá ou o Que Deus me perdoe – ambos com música de Frederico Valério -, bem como  Fado de Cada Um (para o filme Fado de 1948) ou Céu da Minha RuaNa canção ligeira Silva Tavares também colaborou com diversos maestros como Tavares Belo, sendo mais famosa a sua parceria com António Melo, da qual nasceu a letra de 6 estrofes para Milú cantar no filme O Costa do Castelo (1943), intitulada A minha casinha que mereceu uma versão dos Xutos & Pontapés, a partir da década de oitenta do século passado, que a começaram a cantar como último tema dos seus concertos e que foi aquela que a Seleção Nacional de Futebol entoou após vencer o Euro 2016.

Silva Tavares começou a publicar poesia aos 18 anos, com a obra  Nuvens, corria então o ano de 1911, e a este livro seguiram-se Luz Poeirenta (1916), Poemas do Olimpo (1917), Claustro (1918), Gente Humilde (1934) e Viagem à Minha Infância (1950). Escreveu ainda  cerca de 90 peças de teatro de vários géneros, desde a ópera à farsa, passando muito pela revista, sendo de destacar a autoria do libreto da ópera D. João IV, para música de Rui Coelho, estreada em 1940, bem como o seu Vasco da Gama (1922) em verso e o Auto da Fundação das Caldas da Rainha (1935). Com  Virgínia Vitorino e Adolfo Simões Muller foi ainda em 1940  membro do Júri de Quadras do XII Concurso de Quadras de São João, promovido pelo Jornal de Notícias.

 

A Rua Maestro Frederico de Freitas, autor do fado Rua do Capelão

Freguesia de São Domingos de Benfica                                             (Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

O Maestro Frederico de Freitas, autor das partituras dos filmes A Severa (1931) e Fado (1948), passou a ser o topónimo de uma Rua de São Domingos de Benfica três anos após o seu falecimento, sendo o 1º filme sonoro português sobre a 1ª fadista que o tornou popular e nele pontuou o seu fado Rua do Capelão, ainda hoje uma memória muito presente no imaginário português.

A Rua Maestro Frederico de Freitas, que une a Rua Cidade de Rabat  à Rua Augusto Pina, foi atribuída pelo Edital municipal de 11 de novembro de 1983 na Rua 2 (entre a Rua Augusto Pina e a Rua dos Soeiros), também identificada como Prolongamento da Rua Augusto Pina, artéria onde desde 1972 estava sediada a então Escola Preparatória Prof. Delfim Santos, a partir de uma solicitação da Sociedade Portuguesa de Autores, que além do nome de Frederico de Freitas propôs os escritores Pedro Bandeira e José Galhardo, assim como o ator Paulo Renato, tendo sido todos incluídos no mesmo Edital.

Frederico Guedes de Freitas (Lisboa/15.11.1902- 12.01.1980/Lisboa) notabilizou-se como compositor, maestro, pedagogo, musicólogo e crítico musical. Revelou-se um músico abrangente e eclético, do fado à música erudita. Somou música erudita, como por exemplo, Concerto para Flauta,  Hino Asas AtlânticasMissa SoleneQuarteto ConcertanteRibatejo  ou Suite Medieval, com música produzida para cinema, teatro ou dança. Adicionou ao património musical português tanto música de câmara como Quinteto de sopros ou Dez Canções Galegas como música sinfónica ( A Lenda dos BailarinosSuite Africana ou Sinfonia Os Jerónimos ), música para comédias, óperas, operetas, revistas (1927 – 1937) e até filmes como Pátio das Cantigas ou As Pupilas do Senhor Reitor (de Leitão de Barros como A Severa), de 1930 e até 1947, fazendo música tanto destinada ao público do Parque Mayer como ao do Teatro Nacional de São Carlos.

Funcionário da  Emissora Nacional entre 1935 e 1975, como Segundo Maestro da Orquestra Sinfónica da Emissora Nacional,  tanto colaborou em 1940 nas comemorações da celebração do Estado Novo  como esteve na fundação da Sociedade Coral de Lisboa (1940-1949) para apresentação de obras do repertório coral sinfónico. Depois, na Orquestra Sinfónica do Conservatório de Música do Porto (1949-1953), dirigiu as primeiras audições no Porto de obras de Fernando Lopes Graça, um resistente musical durante o Estado Novo. Acresce que Frederico de Freitas foi o compositor português de música sacra mais destacado do século XX, autor de As Sete Palavras de Nossa Senhora, tal como foi o responsável por orquestrar A Portuguesa e Grândola Vila Morena. A sua versatilidade revela-se no índice do seu catálogo musical que junta Bailado, Música de Câmara, Música para Cinema, Música Coral, Harmonizações, Hinos, Música para Instrumento Solista, Música de Cena, Ópera, Opereta, Música Sinfónica, Orquestrações, Música de Teatro de Revista, Vaudeville, Voz e Piano. Registe-se ainda que Frederico de Freitas também exerceu  funções de chefe de orquestra no Brasil, na Bélgica, em Espanha, França, Holanda, Itália e Suíça.

Frederico de Freitas  foi  ainda docente de Canto Coral, a partir de 1924, no Liceu Camões (onde fora aluno em 1913 e 1914) e no Liceu Gil Vicente, assim como desde  1967, ensinou Composição, Contraponto e Fuga no Centro de Estudos Gregorianos de Lisboa. Na dança, também trabalhou como diretor musical e compositor na Companhia de Portuguesa de Bailado Verde Gaio fundada pelo Secretariado de Propaganda Nacional/SPN (1940 – 1950), assim como compôs música para dança para o seu amigo de juventude e coreógrafo Francis Graça durante a década de 1940. Somou ainda a direção musical da delegação portuguesa da His Master’s Voice na transição para a década de 1930 e a função de crítico musical no jornal Novidades, sendo ainda autor de vários estudos como «O fado, canção da cidade de Lisboa» ou «O fado veio do Brasil».

Refira-se que Frederico havia iniciado os seus estudos de música com a sua mãe, a pianista Elvira Cândida Guedes de Freitas e a partir de 1915 no Conservatório Nacional em Lisboa. Morou na Rua do Prior Coutinho, entre a Rua de Santa Marta e a Rua do Passadiço. Em 1918, aos 16 anos, compôs as suas primeiras obras – Duas Ave Marias –, cuja primeira audição pública ocorreu em 1922.  Concluiu o curso de Composição no Conservatório Nacional em 1925, e foi seleccionado para Pensionista do Estado no estrangeiro nesse mesmo ano, o que lhe possibilitou a realização de viagens a vários países europeus em 1927 e 1928.

Foi um dos mais empenhados membros da Sociedade Portuguesa de Autores, em cuja fundação participou quando tinha 23 anos (era então denominada Sociedade de Escritores e Compositores Teatrais Portugueses) e da qual foi mais tarde Presidente de Honra. Frederico de Freitas foi também agraciado, por ordem cronológica, com  Prémio da CML para a Sonata Violino e Violoncelo (1924), o Prémio Nacional de Composição Carlos Seixas (1926), o Prémio de Composição Domingos Bomtempo ( 1935), a Comenda de Santiago de Espada (1967), o seu nome dado ao Auditório da SPA (1981).

Em 2010,  o espólio do compositor Frederico de Freitas foi doado à Universidade de Aveiro pela filha do compositor, Elvira de Freitas, tendo dois anos depois sido também instituído o Prémio de Interpretação Frederico de Freitas/Universidade de Aveiro.

Freguesia de São Domingos de Benfica
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

Da Calçada de Damião Aguiar à de Manuel Lopes do Lavre

Freguesias de Santo António e de Arroios

Damião de Aguiar no séc. XVI e XVII e Manuel do Lavre no séc. XVIII, moradores à vez num palacete junto ao Largo da Anunciada, deram também à vez nome à artéria que hoje conhecemos como Calçada do Lavra, a ostentar o 1º elevador  da Companhia de Ascensores Mecânicos de Lisboade 1884.

Damião de Aguiar (1535-1618) foi um homem letrado, desembargador do Paço e chanceler do Reino. Por documentos da chancelaria régia sabemos também que prestou juramento a Filipe II assinando o auto de entrega da cidade de Lisboa em 11 de setembro de 1580 e no ano seguinte,   foi eleito com Rodrigo de Menezes como procurador da cidade de Lisboa às Cortes de Tomar de 20 de abril. Segundo o olisipógrafo Norberto de Araújo, Damião de Aguiar morou «no edifício apalaçado, ao Largo da Anunciada, onde hoje está a Escola Nacional», que no século seguinte foi também a morada de família de Manuel Lopes do Lavre, deputado da Junta e Alfândega do Tabaco, cujo irmão André Lopes Lavre, era secretário do Conselho Ultramarino. A Calçada terá sido mandada abrir por Manuel Lopes do Lavre e assim, a artéria empinada que nasce no Largo da Anunciada passou a chamar-se do Lavre ou do Lavra.

O Elevador do Lavra, obra de Raul Mesnier du Ponsard, foi inaugurado no dia 19 de abril de 1884.

Freguesias de Santo António e de Arroios
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

 

A Rua Bernardo Lima, do professor de agronomia e veterinária Silvestre

Freguesias de Santo António
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Silvestre Bernardo Lima, professor de Zootecnia e de Higiene no Instituto de Agronomia e Veterinária no séc. XIX, está desde 8 de junho de 1903 inscrito na toponímia de Lisboa,  na artéria sita entre a Rua Bernardim Ribeiro e a Avenida Duque de Loulé, como Rua Bernardo Lima, paralela à Rua Ferreira Lapa de um seu condiscípulo e amigo, atribuída na mesma altura e ambas hoje território da freguesia de Santo António.

(Foto: Joshua Benoliel, cerca de 1914, Arquivo Municipal de Lisboa)

Sylvestre Bernardo Lima (Alpiarça/01.04.1824 – 10.09.1893/Lisboa) foi um agrónomo e veterinário que exerceu funções como lente de Zootecnia e de Higiene, no Instituto Geral de Agricultura como então se denominava, durante 30 anos. Desenvolveu intensa actividade pedagógica e científica sendo na época o maior especialista português em  zootecnia, para além de ter organizado o recenseamento geral dos gados em 1870. Bernardo Lima, como o seu condiscípulo e amigo João Ignácio Ferreira Lapa, transitaram do Corpo Docente da antiga Escola Veterinária Militar na Rua do Salitre para o então novo Instituto Geral de Agricultura. No ano letivo de 1878/79 também desempenhou as funções de Diretor Interino do Instituto. Terminou a sua carreira docente em 1881 por em março ter sido nomeado Diretor Geral da Agricultura, Comércio e Indústria no Ministério das Obras Públicas, substituindo Morais Soares que falecera, onde se manteve até à aposentação em 25 de julho de 1886.

Da sua vasta obra publicada destaquem-se Estudos hípicos (1858-1878), Tabela do resultado do estudo das lãs portuguesas (1862), Doenças da oliveira, laranjeira e sobreiro do Sul de França (1865), Bibliografia agrícola (1878) ou Chá do feno (1879), bem como o primeiro manual de divulgação agrícola escrito em língua portuguesa e acessível ao grande público,  o Catecismo Popular de Agricultura (1856), elaborado em conjunto com Ferreira Lapa. Em paralelo, foi um colaborador assíduo da revista Portugal e Brasil , bem como do Jornal Oficial de Agricultura (1880) e do Archivo Rural, que em 1858 fundara de parceria com Ferreira Lapa, José Maria Teixeira e Elvino de Brito, sendo a 1ª publicação periódica portuguesa dedicada à agricultura.

Ainda desempenhou funções como vice-Presidente do Conselho Especial de Veterinária e vogal da Secção de Agricultura do Conselho Geral do Comércio Industria e Manufaturas.

Bernardo Lima viveu os seus últimos anos no Bussaco, responsável pela Intendência das Matas do Reino e foi agraciado como Cavaleiro da Ordem de Cristo (1862), como Conselheiro (1877), assim como com a colocação de um busto na Escola de Medicina Veterinária, da autoria de Costa Mota (sobrinho), tendo ainda a mesma Escola  celebrado o centenário do nascimento deste professor em 1924.

Freguesias de Santo António
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

 

A Rua do arqtº José Luís Monteiro da Estação do Rossio e Professor de Belas Artes

Freguesia de Marvila
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

José Luís Monteiro é o arquiteto e professor de quatro décadas da Escola de Belas Artes que desde o Edital de 10/08/1978  está consagrado no arruamento formado pelas Ruas 11-B e 12 da Zona N2 de Chelas, que se inicia na Rua Domingo Parente,  na freguesia de Marvila, aquela em cuja toponímia mais arquitetos podemos encontrar.

O Edital municipal de 10 de agosto de 1978 foi aquele que pela primeira vez na toponímia de Lisboa incluiu um conjunto significativo de nomes da arquitetura nacional, a saber: Álvaro Machado, Adães Bermudes, Adelino Nunes, Cassiano Branco, Domingos Parente, José Luís Monteiro, Keil do Amaral, Luís Cristino da Silva, Miguel Nogueira Júnior, Norte Júnior, Pardal Monteiro e  Pedro José Pezerat.

José Luís Monteiro no seu gabinete de trabalho, cerca de 1910
(Foto: Alberto Carlos Lima, Arquivo Municipal de Lisboa)

José Luís Monteiro (Montelavar/25.10.1849 – 27.01.1942/Lisboa), um arquiteto formada nas Belas Artes de Lisboa e de Paris, foi professor de Arquitetura Civil durante mais de 40 anos e funcionário da Câmara Municipal de Lisboa.

Concluído o ensino que desde os 12 anos iniciara na Real Academia das Belas Artes de Lisboa, somou-lhe em 28 de novembro de 1878 o diploma de arquiteto da École Nationale et Spéciale des Beaux Arts de Paris, curso que começara a 17 de novembro de 1873. Ainda nesse ano da sua licenciatura participou com seu mestre Pascal na Exposição Portuguesa no Champ de Mars, em Paris.

Em 1 de março de 1880, começou a trabalhar na Câmara  Municipal de Lisboa sendo Arquitecto Chefe da 1ª secção da  Repartição Técnica e no ano seguinte, a 23 de junho, ingressou como  professor de Arquitetura Civil da Escola de Belas Artes de Lisboa, escola onde a partir de 1912 também assumiu a função de diretor, razão para que a sua obra tenha sobretudo Lisboa como cenário.

O primeiro plano do Liceu Passos Manuel é da sua autoria (1882), alterado depois por Rafael da Silva e Castro em 1888 e por Rosendo Carvalheira em 1896, sendo revisto em 1907 e finalmente inaugurado no ano letivo de 1911-12. Também a Estação do Rossio, na Praça Dom João da Câmara, é obra sua de 1886 – 1887, enquanto  consultor e superintendente do gabinete técnico da Companhia Carris de Ferro, introduzindo o ferro na construção portuguesa. Alguns elementos de decoração dos Paços de Concelho de Lisboa, como os portões de ferro forjado da fachada, os fogões de mármore de Carrara do Salão Nobre, o brasão da cidade na Sala das Sessões Privadas, o mobiliário da Sala do Arquivo, são também obra sua de 1887 a 1891.

Destacam-se ainda do seu traço a antiga Escola Fröbel no Jardim da Estrela (1882), Candeeiros do Monumento aos Restauradores da Independência, na Praça dos Restauradores (1886), o Hotel Avenida Palace  (1890-1892) também na Praça dos Restauradores, o Quartel do Batalhão de Sapadores Bombeiros (1892) na Avenida Dom Carlos I, o Salão Portugal da Sociedade de Geografia (1897) na então Rua de Santo Antão (depois, Rua Eugénio dos Santos e Rua das Portas de Santo Antão), bem como a nova Igreja dos Anjos inaugurada no dia 11 de março de 1910. Delineou ainda diversos coretos para a cidade como o do Jardim de São Pedro de Alcântara ou o da Avenida da Liberdade, tendo este último sido transferido em  1932 para o Jardim da Estrela onde ainda hoje pode ser visto. José Luís Monteiro construiu ainda o carro da cidade de Lisboa no Centenário do Marquês de Pombal e o pavilhão da Praça do Comércio para as comemorações do Centenário de Luís de Camões.

No distrito de Lisboa são ainda obra sua o Palácio de Conde Castro Guimarães e Casa Nova do Duque de Palmela (em Cascais), o Chalet Biester na Estrada da Pena, a Casa da Rainha D. Maria Pia no Estoril, a Casa da Condessa de Cuba em Paço de Arcos e o Palacete de veraneio dos Condes de Tomar na Cruz Quebrada, tendo ainda publicado no Anuário da sociedade dos arquitetos portugueses, de 1905 a 1910.

José Luís Monteiro deu o seu nome a um Prémio  em 1930, instituído na Escola de Belas Artes de Lisboa para distinguir alunos excepcionais do Curso de Arquitetura  e foi agraciado com o grau de Cavaleiro da espanhola Ordem de Isabel a Católica (1881) e com o grau de cavaleiro da Ordem Nacional da Legião de Honra pelo Presidente da República Francesa (1901).

Freguesia de Marvila
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Rua do Professor de Pintura Histórica, Miguel Lupi

Capa de Occidente, 21 de março de 1883

Miguel Lupi que foi Professor de Pintura Histórica e de Desenho e Figura da Academia de Belas Artes de Lisboa dá nome a uma das duas ruas do Bairro Brandão desde 1902, na freguesia da Estrela.

Manuel Francisco de Almeida Brandão construiu um Bairro com o seu nome tendo o Edital municipal de 1 de agosto de 1902 dado à Rua Um do Bairro Brandão o nome de Rua Almeida Brandão e à artéria que parte da Calçada da Estrela, de nordeste para sudoeste fazendo cotovelo, em sentido perpendicular à Rua Almeida Brandão, denominou-a Rua Miguel Lupi.

Freguesia da Estrela
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Miguel Ângelo Lupi (Lisboa/08.05.1826 – 26.02.1883/Lisboa),  filho de Francisco Lupi , de origem italiana, e de Maria Soriana do Carmo, foi pintor toda a sua vida mas após concluir o curso de Desenho Histórico da Academia de Belas Artes de Lisboa em 1843, teve de ingressar no funcionalismo público para sobreviver, tendo trabalhado na Imprensa Nacional (1849- 1851), na Junta da Fazenda Pública em Luanda (1851 – 1853) e no Tribunal de Contas (a partir de 1855).

Em 1860, fez um retrato de D. Pedro V para a Sala de Audiências do Tribunal de Contas, que lhe trouxe sucesso e lhe valeu uma bolsa para estudar para Roma até novembro de 1863. A partir daqui conseguiu o lugar de professor das disciplinas de Pintura Histórica bem como de Desenho e Figura da Academia de Belas Artes. A pintura de Lupi incidiu fundamentalmente no retrato dos ricos e famosos da época – como António Feliciano de Castilho, o 1º Duque de Ávila e Bolama, D. Luís I, Filipe Folque ou Bulhão Pato – embora também tenha pintado cenas da vida familiar e da sociedade portuguesa, nus e alegorias, para além de temas históricos, como o seu famoso óleo Marquês de Pombal examinando o projeto da reconstrução de Lisboa (1881), que foi o seu último quadro e está exposto na sala das sessões privadas da Câmara Municipal de Lisboa.

Também foi incumbido em 1867 de ir em comissão do governo a Paris, averiguar dos trabalhos do monumento a D. Pedro IV que ali se estava a ser executado, assim como em 1879, publicou as suas Indicações para a reforma da Academia Real de Belas Artes de Lisboa, onde salientava a importância pedagógica dos Museus no ensino artístico.

Os seus quadros Mãe (1871) e Lavadeiras do Mondego (1878) foram premiados em Madrid e Paris e a sua obra está representada no Museu do Chiado e no Museu de Lisboa, bem como em diversas instituições oficiais para as quais executou retratos e cenas históricas. Foi condecorado coma Grã-Cruz da Ordem de Santiago e de Cristo. Miguel Lupi faleceu aos 56 anos de idade, na sua casa no nº 218 da Rua de São Bento.

Onze anos depois da atribuição da Rua Miguel Lupi, pelo Edital municipal de 16/05/1913, o arruamento que nasce frente ao nº 44 da Rua Miguel Lupi recebeu a denominação de Travessa Miguel Lupi.

Freguesia da Estrela (Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

O Príncipe dos Poetas Brasileiros numa Praça de Arroios

A Praça Olegário Mariano em 1964
(Foto: Artur João Goulart, Arquivo Municipal de Lisboa)

A Praça Olegário Mariano foi um topónimo sugerido à edilidade lisboeta pelo Diário de Notícias, na sua edição de 15 de dezembro de 1958, para homenagear o poeta brasileiro que vinte anos antes fora eleito o Príncipe dos Poetas Brasileiros, igualmente conhecido como Poeta das Cigarras e como João da Avenida, enquanto cronista.

O Edital municipal de 4 de maio de 1959 colocou o topónimo na artéria até aí era identificada como Praceta da Rua Pascoal de Melo, cinco anos após o homenageado deixar de ser o embaixador do Brasil em Portugal.

Óleo sobre tela de 1928, por Candido Portinari, na Enciclopédia Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras

Olegário Mariano Carneiro da Cunha (Recife/24.03.1889- 28.11.1958/Rio de Janeiro) foi um poeta, político e diplomata brasileiro que em 1938 foi eleito, num  concurso promovido pela revista Fon-Fon,  como Príncipe dos Poetas Brasileiros. Inicialmente parnasianista e simbolista, iniciou a sua vida literária aos 22 anos com Angelus, publicado em 1911. Depois, nos 23 livros seguintes adquiriu uma tendência intimista e ficou conhecido como o Poeta das Cigarras  por serem um de seus temas favoritos. Além da obra poética editada em livros a partir de 1911, e enfeixada nos dois volumes de Toda uma vida de poesia (1957), Olegário Mariano também publicou sob o pseudónimo de João da Avenida, durante anos, nas revistas Careta e Para Todos,  crónicas mundanas em versos humorísticos que mais tarde foram reunidas em dois livros sob os títulos Ba-ta-clan (1924) e Vida, caixa de brinquedos (1937). Em 23 de dezembro de 1926 sucedeu a Mário de Alencar na cadeira 21 da Academia Brasileira de Letras.

Nascido no mesmo ano da Proclamação da República (1889), filho de Olegária Carneiro da Cunha e de José Mariano Carneiro da Cunha, ambos heróis pernambucanos da Abolição da Escravatura e da República, também Olegário Mariano se sentiu motivado pela política tendo sido deputado à Assembleia Constituinte de 1934 e em 1937 à Câmara dos Deputados.

A sua ligação a Portugal começou em 1940, como ministro plenipotenciário nos Centenários de Portugal, seguida da sua nomeação como delegado da Academia Brasileira na Conferência Interacadémica de Lisboa para o Acordo Ortográfico de 1945 e finalmente, foi o embaixador do Brasil em Portugal nos anos de 1953 e 1954.

Na sua carreira desempenhou ainda as funções de inspetor do ensino secundário e censor de Teatro, de secretário de embaixada na Bolívia, de tabelião de  notas e oficial do 4.° Ofício de Registro de Imóveis do Rio de Janeiro.

E resta-nos deixar um poema do seu tema predileto:

Cigarra

Figurinha de outono!
Teu vulto é leve, é sensitivo,
Um misto de andorinha e bogari.
Num triste acento de abandono,
A tua voz lembra o motivo
De uma canção que um dia ouvi.

Quando te expões ao sol, o sol te impele
Para o rumor, para o bulício e tu, sorrindo,
Vibras como uma corda de guitarra…
É que o sol, quando queima a tua pele,
Dá-te o grande desejo boêmio e lindo
De ser flor, de ser pássaro ou cigarra

Cigarra cor de mel. Extraordinária!
Cigarra! Quem me dera
Que eu fosse um velho cedro adusto e bronco,
E tu, nessa alegria tumultuária,
Viesses pousar sobre o meu tronco
Ainda tonta do sol da primavera.

Terias glórias vegetais sendo vivente.
Mas um dia de lívidos palores,
Tu, cigarra, que vieste não sei donde,

Morrerias de fome lentamente
No teu leito de liquens e de flores
No aconchego sutil da minha fronde.

E eu, na dor de perder-te, no abandono,
Sem ter roubado dessa mocidade,
Do teu corpo de flor um perfume sequer,
Morreria de tédio e de saudade…
Figurinha de Outono!
Cigarra que o destino fez mulher!

Freguesia de Arroios
(Planta: Sérgio Dias | NT do DPC )

 

O Carrasco num Pátio

Freguesia de Santa Maria Maior
(Foto: Eduardo Portugal, sem data, Arquivo Municipal de Lisboa)

Para além do Beco do Carrasco, junto à Rua do Poço dos Negros, Lisboa tem também um Pátio do Carrasco  que nasce junto ao Largo do Limoeiro e até julho de 1974, também na proximidade da cadeia que também usava essa toponímia de árvore.

Segundo Luís Pastor de Macedo, o Pátio do Carrasco aparece referido pela primeira vez em 1689. Antes, teria sido conhecido como Pátio do Limoeiro ( por volta de 1630), Pátio do Terreiro do Limoeiro (1682) e Pátio Defronte do Limoeiro (1686). Mais informa o olisipógrafo que antes de 1888, lhe começou a ser dado o nome de Pátio do Gama mas tal topónimo não vingou na memória do local.

O Pátio do Carrasco por Alfredo Roque Gameiro

Sobre a origem do topónimo sugere ainda Pastor de Macedo que «O nome do pátio indica-nos que seria ali a morada dos carrascos em casa paga pelo rei, ou revela sòmente a estada temporária de qualquer daqueles executores da Justiça? Não sabemos responder; no entanto, talvez que o nome primitivo de Pátio do Limoeiro, dê a este estabelecimento penal a aparência de proprietário do pátio ou de algumas das suas casas, aparência que mais se acentua depois de sabermos que entre o edifício da cadeia e o pátio corria um passadiço, que também comunicava com a Igreja de S. Martinho. Neste caso seria muito natural que uma daquelas casas fosse a residência oficial do carrasco.»  Pastor de Macedo acrescenta a nota de que no ano de 1706, dois carrascos morreram às mãos dos sentenciados.

Na zona do Limoeiro existia desde 1168 a igreja de São Martinho, em frente ao chamado Paço-a-Par de São Martinho, e ambos os edifícios estavam ligados por um arco sobre a rua. Por isso, quando em 1383 o Conde Andeiro  foi morto no Paço, o seu corpo  foi depositado na Igreja. O rei D. Manuel I mandou transformar este Paço em Casa da Suplicação e Casa do Cível, que assim passaram a coexistir com a Cadeia que já estava instalada no Limoeiro desde o séc. XV, no reinado de D. João II. Na 1ª metade do séc. XVIII, a cadeia sofreu alterações segundo um plano traçado pelo Arqº Volkmar Machado e  após o Terramoto de 1755 teve de ser reconstruída, sendo certo que entre 1758 e 1760, dos habitantes de S. Martinho 490 eram presos da Cadeia do Limoeiro.

Luís Pastor de Macedo anotou ainda que moraram neste Pátio, em 1756, José Carlos Freire (cantor da Igreja de S. Nicolau) e António Rodrigues (alcaide do bairro do Limoeiro), assim como  depois de 1846, Ana Gertrudes, mãe da Severa. No decorrer do séc. XIX, alguns documentos apontam para a falta de salubridade do local já que com data de 6 de setembro de 1854 encontramos um parecer  do delegado inspetor do Distrito Oriental Sanitário sobre uma vistoria ao Pátio do Carrasco, a solicitar que a Câmara promova limpezas regulares de modo a cessar o foco de infeção, assim como em 29 de outubro de 1857 o subdelegado do Círculo do Castelo solicita a limpeza de um saguão e o desentupimento dos desaguadouros do Pátio do Carrasco.

Freguesia de Santa Maria Maior
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

 

O Carrasco num Beco

Freguesia da Misericórdia
(Foto: José Vicente| Departamento de Património Cultural)

O algoz, executor último de uma pena de morte, está também inscrito na toponímia de Lisboa através do Beco do Carrasco, artéria que existe pelo menos desde 1733 e se abre junto ao nº 77 da Rua do Poço dos Negros, hoje território da Freguesia da Misericórdia.

Francisco Santana, na sua comunicação às 3ªs jornadas de Toponímia de Lisboa, em 1998, recordou a este propósito que «Ligado à morte e, mais, agente dela, o carrasco foi e é também objecto de sentimentos contraditórios: as sociedades pedem-lhe que exerça uma função que consideram necessária mas desprezam-no por a exercer. Mas vá lá, isso não levou a que desaparecessem como topónimos o Beco do Carrasco, ao Poço dos Negros, e o Pátio do Carrasco, ao Largo do Limoeiro». Os carrascos, pagos  pelo Estado, foram muitas vezes também homens que haviam sido eles próprios condenados à forca, que viram sua pena comutada tendo sido profissão. De acordo com o investigador Luís Farinha «A pena de morte é cada vez mais rara, fora do período das Invasões Francesas e da Guerra Civil, de 1826 e 1833. Nesses períodos era mais fácil o carrasco justificar a sua própria existência. A partir os anos 1840, as notícias são caricatas nesse sentido, porque não há carrasco, o carrasco desiste, não há pessoas que estejam dispostas a fazer aquele trabalho.» Com a abolição da pena de morte em Portugal em 1 de julho de 1867 deixou também de existir esta profissão.

Freguesia da Misericórdia – Placa de azulejo
(Foto: José Vicente| Departamento de Património Cultural)

O Beco do Carrasco  fixa neste arruamento um seu morador que exercia essa função. É um topónimo já firmado em 1733 nos registos paroquiais, dado que conforme relata Luís Pastor de Macedo foi neste Beco do Carrasco,  da então Freguesia de Santa Catarina de Monte Sinai,  que em 3 de outubro de 1733, nasceu Diogo Inácio de Pina Manique, filho de Pedro Damião de Pina Manique e Helena Inácia de Faria, personalidade que se viria a notabilizar como Intendente-Geral da Polícia do reinado de D. Maria I, orientado para a repressão das ideias oriundas da Revolução Francesa, designadamente através da proibição de circulação de livros e perseguição a diversos intelectuais.

Para além deste registo o topónimo Beco do Carrasco surge em mais documentos do séc. XVIII, como as descrições paroquiais imediatamente anteriores ao Terramoto de 1755, bem como nas plantas da remodelação paroquial de 1770 e posteriores em que aparece como a artéria paralela à Rua Marcos Marreiros (ou Barreiro ou Marreyro) e à Rua João Brás (ou João Braz), com a diferença de que estas duas artérias surgem já em documentos seiscentistas, mencionadas à Rua da Cruz de São Bento que era então a Rua dos Poços dos Negros que hoje conhecemos. Recordemos  que na passagem do séc. XVI para o XVII foi encomendado um plano de urbanização dos arruamentos da Bica, da Boa Vista e Poço dos Negros ao arquiteto contemporâneo Teodósio de Frias que escolheu uma tipologia da malha regular ordenada por eixos direccionais que articularam a zona com o exterior, formando um traçado em forma de espinha, mais solto na zona do Poço dos Negros/Boa Vista.

Lisboa comporta ainda um Pátio do Carrasco, junto ao Largo do Limoeiro, que amanhã será o tema do nosso artigo.

Freguesia da Misericórdia
(Planta: Sérgio Dias| NT do Departamento de Património Cultural)