Os fantásticos Raúl Nery e El TVfer One no MURO’19

(Foto: © José Vicente, 2019 |DPC |DMC |CML )

O prazer de fazer o que se gosta, quer em fantásticas ilustrações quer num fantástico dedilhar de guitarra, unem Raúl Nery e El TVfer One no MURO’19, 3ª edição do Festival de Arte Urbana de Lisboa, que vai decorrer no Lumiar a partir de quinta-feira, dia 23 e até 26 de maio, unindo a arte urbana à música presente na toponímia local. A Rua Raúl Nery é desde fevereiro do corrente ano o topónimo de uma artéria pedonal próxima da Avenida David Mourão-Ferreira e El TVfer One vai pintar um mural no Edifício Metralha, na Estrada da Torre, na proximidade da mesma Avenida David Mourão-Ferreira.

O setubalense Pedro, de 25 anos, de nome artístico El Tvfer One, é também um ilustrador e tatuador, apaixonado pela vida e pela natureza onde vai buscar a inspiração, com os pormenores de quem está atento ao que o rodeia. As suas criações colocam o foco nos animais, dos ratos aos coelhos, passando pelos cães, assim como dos insetos aos pássaros, em muitas e variadas peças de fruta, em ondas do mar e em órgãos humanos que vão do coração aos olhos e até às caveiras.

Rua Raúl Nery

Já Raúl Nery, engenheiro de profissão mas guitarrista por vocação, desde a publicação do Edital municipal de 15 de Fevereiro de 2019 que é o topónimo do arruamento pedonal do Parque Oeste confinante com a Malha 6 do Projeto de Urbanização do Alto do Lumiar. Raúl Filipe Nery (Lisboa- antiga Freguesia de Santa Engrácia/10.01.1921 – 14.06.2012/Lisboa)  revelou vocação musical desde criança e com apenas 9 anos fez a sua estreia em público, a tocar guitarra, nos retiros de Fado em redor da cidade de Lisboa.

Mais notabilizado por acompanhar a fadista Maria Teresa de Noronha durante 20 anos, Raúl Nery também acompanhou no teatro de revista as vozes de Berta Cardoso, Ercília Costa, Estêvão Amarante ou Hermínia Silva, para além de estar ligado a casas de fado do Bairro Alto como o Café Luso, a Adega Machado ou a Adega Mesquita, nos anos quarenta,  Na década seguinte formou o conjunto de Guitarras Raul Nery, com mais três músicos – o guitarrista José Fontes Rocha, o viola Júlio Gomes e o viola-baixo Joel Pina – quarteto que frequentou bastas vezes os estúdios da Emissora Nacional e acompanhou as deslocações internacionais de nomes como Amália, Maria Teresa de Noronha ou Teresa Tarouca. Em 1958, foi solista em gravações com a Orquestra de George Melachrino em Londres, tendo gravado Uma Casa Portuguesa, Canção do Mar, Mãe Preta, Coimbra, Um Pequeno Café, Fado Obrigado, Rapsódia Portuguesa e Variações em Ré. Também em inúmeras gravações nos legou o seu dedilhar a acompanhar Maria Teresa de Noronha,  Ada de Castro, Adelina Ramos, Amália, António Mourão, Carlos do Carmo, Carlos Ramos, Estela Alves, Fernando Farinha, Frei Hermano da Câmara, João Ferreira Rosa, Lucília do Carmo, Maria da Fé, Teresa Silva Carvalho, Teresa Tarouca, entre outros.

O Quarteto de Guitarras de Raul Nery foi homenageado pela CML no Museu do Fado em 1999 e o próprio Raul Nery foi galardoado Comendador da Ordem de Mérito em 2012.

 

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Ferrer Trindade e a Orquestra de Câmara Portuguesa no MURO’19

Ferrer Trindade, compositor da Canção do Mar e maestro da sua Orquestra Ritmo, tal como a Orquestra de Câmara Portuguesa, criada em 2007, são presenças no MURO’19 que nesta 3ª edição liga a Arte Urbana à criação sonora, a espetáculos musicais, à toponímia musical dos Bairros da Música e  da Cruz Vermelha, na freguesia do Lumiar.

Fundada por Pedro Carneiro, Teresa Simas, José Augusto Carneiro e Alexandre Dias em julho de 2007 a Orquestra de Câmara Portuguesa teve a sua estreia na abertura da temporada do CCB- Centro Cultural de Belém, no dia 13 de setembro desse mesmo ano, sendo a OCP a Orquestra em Residência, desde o ano seguinte e uma presença constante nos Dias da Música em Belém.

A OCP já trabalhou com os compositores Emmanuel Nunes, Miguel Azguime e Sofia Gubaidulina, bem como com os maestros Alberto Roque, Luís Carvalho, Pedro Amaral e Pedro Neves,  e ainda  os coros Voces Celestes e Lisboa Cantat. Também acolheu solistas internacionais como António Rosado, Artur Pizarro, Carlos Alves, Cristina Ortiz, Filipe-Pinto Ribeiro, Gary Hoffman, Heinrich Schiff, Jorge Moyano, Sergio Tiempo, Tatiana Samouil ou Thomas Zehetmair. Já se apresentou em Alcobaça, Almada, Batalha, Castelo Branco, Coimbra, Leiria, Paços de Brandão, Portimão, Setúbal, Tomar, Vila Viçosa e Viseu, bem como no Festival Jovem Músicos da Antena 2, Festival ao Largo do Teatro Nacional São Carlos, concertos de Natal nas Igrejas de Lisboa, concertos da DGPC Música nos Mosteiros (2013) e no City of London Festival (em 2010). Desde 2014, a OCP tem ainda colaborado com a Companhia Nacional de Bailado e foi pioneira em modelos de Responsabilidade Social, no âmbito dos quais desenvolveu a Orquestra Portuguesa (JOP), a OCPsolidária e a OCPdois, com diversos patrocinadores e intercâmbios internacionais, sendo o Município de Lisboa um dos seus parceiros institucionais.

O compositor Ferrer Trindade, autor da famosa Canção do Mar, da qual se produziram inúmeras versões, está desde a publicação do Edital municipal de 14 de julho de 2004 homenageado como topónimo na artéria do Lumiar que se estende da Rua José Cardoso Pires à Rua Helena Vaz da Silva, antes identificada como Rua 7.2 entre a Malha 7 e PER 9.

Francisco Ferrer Trindade (Barreiro/09.12.1917 – 13.01.1999/Lisboa), compositor e maestro consagrado, popular por sucessos como Canção do Mar ou Nem às Paredes Confesso, dedicou-se à música ligeira integrando as orquestras de Tavares Belo e Almeida Cruz, dirigindo a Orquestra de Variedades da Emissora Nacional e também formando a sua própria orquestra –  a Orquestra Ritmo – que circulou pelos Casinos de Espinho, Figueira da Foz, Póvoa de Varzim e Casino Estoril, acompanhando importantes artistas nacionais e estrangeiros. Ferrer Trindade também compôs para o Teatro de Revista e nomes como Amália, Artur Garcia, Anita Guerreiro, António Calvário, António Mourão, Beatriz da ConceiçãoCarlos Ramos, Lenita Gentil, Maria da Fé, Maria de Lurdes Resende ou Madalena Iglésias, entre muitos outros, cantaram músicas suas.

Ferrer Trindade formou no Conservatório Nacional de Lisboa como aluno externo ao mesmo tempo que trabalhava. Somou ainda um curso de Composição e Direção de Orquestra da Academia de Santa Cecília em Milão. Começou por tocar na Orquestra de Câmara do Conservatório, clarinete na Banda da Armada e violino na Orquestra Filarmónica de Lisboa. Foi premiado com o 1º Prémio do Festival da Figueira da Foz – com a composição Olhos de Veludo – e um 3º com Sombras da Madrugada, para além do 1º e 2º Prémios do Festival de Luanda. Sendo colaborador da RTP desde a sua inauguração, como maestro, foi o escolhido em 1969 para dirigir a Orquestra da Eurovisão, com a canção A Desfolhada, no Teatro da Ópera de Madrid.

Foi agraciado com a Medalha de Ouro da Emissora Nacional, a Medalha de Mérito Artístico do Governo Civil do Distrito de Setúbal e a Medalha da Cidade de Setúbal e uma sessão comemorativa do seu centenário organizada pela Câmara Municipal do Barreiro.

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NBC e Adriana de Vecchi: dois músicos no MURO’19

(Foto: ©NBC- Natural Blake Colour)

De origem são-tomense e italiana, NBC e Adriana de Vecchi são dois músicos presentes – pela música e pela toponímia – no MURO’19- Festival de Arte Urbana, que de 23 a 26 de maio vai decorrer na Freguesia do Lumiar.

NBC é o nome artístico de Timóteo Deus Santos, natural de São Tomé e Príncipe onde nasceu em 17 outubro de 1974, que já conta com 20 anos de carreira e que no Festival da Canção 2019 vimos a defender Igual a Ti.

Este cantor e escritor de canções veio com a família para Portugal em 1980 – tendo residido em Enxará dos Cavaleiros, Sobral de Monte Agraço e Torres Vedras – e aqui desenvolveu a sua carreira como um dos fundadores do hip-hop português nos anos 90, tendo com o seu irmão BlackMastah criado Filhos de um Deus Menor para o Oeiras Rap 94 da Antena 3 enquanto como NBC  tornou possíveis os já clássicos «Especial» com Regula ou «Chelas» com Sam The Kid.

Conhecido pela sua garra em palco e com influências do groove, do funk, do rock,  soul e blues, a discografia de NBC  soma os álbuns Afro-Dísiaco (2003), Maturidade (2008), o EP  Epidemia (2013) e Toda a Gente Pode Ser Tudo (2017), que foi eleito pela Antena 3 como um dos discos desse ano. Nas duas décadas da sua carreira assinou ainda colaborações com New Max, Orelha Negra, Dealema,, Mundo Segundo, Bob da Rage Sense, Sir Scratch, Grognation, Time for T., Zimun, Dino d’Santiago, DJ Ride ou Gatupreto. Esteve com os GNR no Rock in Rio Lisboa’ 2006 e em 2014 no Meo Out Jazz, Super Bock Super Rock, Meo Sudoeste e no Vodafone Mexefest. Também participou no filme Fados de Carlos Saura e no Do Desassossego.

A origem do nome NBC deriva do rei bíblico de Israel, Nabucodonosor, mas que posteriormente foi assumido como Natural Black Color.

adriana-de-vecchiJá Adriana de Vecchi (Viana do Castelo/14.09.1896 – 1995), nasceu em Portugal filha de mãe italiana e de pai português e foi educada em Itália a partir dos 2 anos, tendo estudado piano e violoncelo no Conservatório de Turim, para além de ter concluído o curso de Pedagogia pelo método da educadora Maria Montessori.

A Rua Adriana de Vecchi, que liga a Rua Shegundo Galarza à Rua Ferrer Trindade,  foi atribuída por Edital Municipal de 15/12/2003, o mesmo Edital que na mesma zona atribuiu mais 6 topónimos ligados à música –  Rua Luís Piçarra, Rua Nóbrega e Sousa, Rua Belo Marques, Rua Shegundo Galarza, Rua Tomás Del Negro e Rua Arminda Correia –, tendo todos estes arruamentos mais a Alameda da Música tido uma cerimónia de inauguração no dia 1 de Outubro de 2004,  formando um Bairro da Música nesta zona da cidade.

Violoncelista como o seu marido Fernando Costa, que conheceu em Lisboa, criou a Fundação Musical Amigos das Crianças,  em 29 de junho de 1953, com o apoio de Sofia Abecassis, que disponibilizou salas da sua residência no nº 97 da Rua Saraiva de Carvalho para o efeito, depois de ouvir a conferência de Adriana «O Ensino da Música na infância e a sua projecção no futuro», no Museu João de Deus, em 15 de junho desse ano. A escola começou com aulas de violoncelo dadas por Adriana de Vecchi, aulas de piano por Abreu Mota, aulas de violino por Lamy Reis e aulas de Canto Coral por Jaime Silva. Adriana criou ainda material didático para ensino de música a crianças em idade pré-escolar pelo que esta escola desempenhou um papel pioneiro em Portugal no ensino da música desde a infância. Também foi a partir dela que se gerou a Orquestra Juvenil de Instrumentos de Arco da FMAC, dirigida por Fernando Costa, da qual saíram na década de 60 os primeiros jovens para os quadros da Orquestra Sinfónica da Emissora Nacional, enquanto outros alunos integraram a Orquestra Gulbenkian e a Orquestra Sinfónica Portuguesa.

A Fundação criada por Adriana de Vecchi designa-se hoje Academia Musical dos Amigos das Crianças e tem sede no 1.º andar do n.º 19 da Rua Dom Luís I, tendo já editado três discos – Canções Tradicionais PortuguesasCantar o Natal e Clássicos Madeirenses –, assim como publicado a partitura do Quarteto em Lá menor de Fernando Costa e um livro sobre a Nova Técnica de Contrabaixo, de Álvaro Silva.

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Tó Trips e Tomás del Negro no MURO’19

Tó Trips
(Foto: © Mónica de Sousa, 2018)

Tó Trips e Tomás del Negro, o autor do álbum Guitarra Makaka e o divulgador de música em concertos públicos na Lisboa da passagem do séc. XIX para o XX, encontram-se este ano no espaço do Festival de Arte Urbana de Lisboa que neste MURO’19 junta à vertente da arte urbana a sonoridade de música inspirada pela toponímia do local.

Tó Trips do imaginário alternativo musical nacional é convidado do MURO’19 que decorrerá de 23 a 26 de maio. Já como cidadão António Manuel Antunes foi estudante do Liceu Dom Pedro V e da Escola de Artes António Arroio e nesse percurso gerou os Amen Sacristi – que estiveram em dois concursos de música moderna no Rock Rendez Vous -, os Santa Maria Gasolina em Teu Ventre! e os Lulu Blind com Jorge Ferraz. Oficialmente desde 2003, partilha com Pedro Gonçalves os Dead Combo, banda nascida a partir de um convite de Henrique Amaro da Antena 3 para gravarem um tema de homenagem a Carlos Paredes. A discografia a solo de Tó Trips soma Guitarra 66 (2010) e Guitarra Makaka: Danças A Um Deus Desconhecido (2015).

 

Tomás Del Negro, foi um solista de trompa e compositor que se distinguiu na passagem do séc. XIX para o XX através de concertos públicos que promoveu em Lisboa para divulgar música. Desde a publicação do Edital  municipal de 15 de dezembro de 2003 é um topónimo do Lumiar.  Sugerido pela  Comissão para a Comemoração do 150º Aniversário do Maestro Tomás Del Negro este topónimo teve inauguração oficial no Dia Mundial da Música de 2004, em conjunto com outros 7 topónimos da mesma área temática: a Alameda da Música , a Rua Adriana de Vecchi, a Rua Arminda Correia, a Rua Belo Marques, a Rua Nóbrega e Sousa e a Rua Shegundo Galarza.

Joaquim Thomaz del Negro (Lisboa/05.06.1850 – 12.02.1933/Lisboa), oriundo de uma família italiana que cultivava a arte musical e estava estabelecida no alto comércio de Lisboa desde finais do séc. XVIII, nasceu na então freguesia de Santos-O-Velho e foi batizado  na Igreja  de Nossa Senhora do Loreto, vulgarmente conhecida como Igreja dos Italianos. Del Negro foi solista de trompa do Teatro Real de São Carlos (até 1878 e depois de 1890) e na Capela e Teatro Real de Madrid (de 1879 a 1889), compositor de música sacra, de câmara, para piano, para trompa, para banda filarmónica, empresário teatral e musical e ainda, o promotor de concertos públicos de música sinfónica e de câmara, em que deu a conhecer pela primeira vez ao público de Lisboa obras de grandes compositores como Beethoven, Haydn, Mendelssohn, Wagner, Weber, Glimka e Saint-Saens, divulgação essa que reforçou com artigos de divulgação musical em jornais da especialidade.

Del Negro foi também dirigente da Associação Música 24 de Junho, fundada por Santos Pinto, professor de trompa no Conservatório Nacional de Música de Lisboa durante 27 anos, diretor musical e coproprietário de O Álbum-Jornal de Música para Piano (1869-1871), diretor musical de O Mundo Artístico – Gazeta Musical de Lisboa (1883) e colaborador e crítico musical de inúmeros jornais e revistas como a Perfis artísticos, sob o pseudónimo de Ruy Blas. Acrescente-se a sua função de empresário e diretor musical dos Teatros D. Afonso,  Carlos Alberto, Real de S. João e Príncipe Real, todos no  Porto, bem como do Teatro da Trindade, em Lisboa.

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A Avenida Carlos Paredes e Utopia no MURO’19

Avenida Carlos Paredes
(Freguesia do Lumiar)

O MURO’19 que vai decorrer de 23 a 26 de maio na freguesia do Lumiar tem como tema a Música aproveitando a toponímia do local específico onde vai decorrer, em que a Avenida Carlos Paredes serve como o braço de uma guitarra portuguesa em que os outros arruamentos com topónimos ligados à música, de ambos os lados, funcionam como o corpo do instrumento.

Esta 3ª edição do Festival de Arte Urbana de Lisboa comportará ainda, em 3 espaços distintos, a criação de uma peça única em resultado do trabalho conjunto de um músico e de um street artist.

Utopia, de seu nome Oliveiros junior, é um artista brasileiro, natural de São Paulo, que desde 1997 realiza arte urbana usando uma mistura de materiais, de formas e de cores que tornam o seu estilo único. No MURO’19, vai ter intervenção na Avenida Carlos Paredes, na EB 2+3 do Alto Lumiar, onde está sediado também o Agrupamento Escolar, bem como em mais duas escolas da zona (a EB Nuno Cordeiro e a EB Padre José Manuel Rocha e Melo).

O mestre da guitarra portuguesa Carlos Paredes está homenageado nesta artéria que antes de ter topónimo era identificada como Avenida 2 do Plano de Urbanização no Alto do Lumiar. Ficou Avenida Carlos Paredes, a primeira da cidade a ser dedicada a um nome ligado à Música, através da publicação do Edital municipal de 6 de outubro de 2005, próxima da Alameda da Música e de outras ruas com topónimos de compositores, instrumentistas e cantores, com que a edilidade pretendeu criar um Bairro da Música através da toponímia em 2004.

Carlos Paredes (Coimbra/16.02.1925 – 23.07.2004/Lisboa), guitarrista ímpar da cultura portuguesa, filho, neto e bisneto de vultos da guitarra portuguesa – Artur, Gonçalo e António Paredes -, estudou  este instrumento logo a partir dos 4 anos. Aos 9 anos veio residir para Lisboa, estudou no Liceu Passos Manuel e chegou a frequentar o primeiro ano do Curso industrial do Instituto Superior Técnico. Porém, em 1949, apresentou-se em parceria com o seu pai no programa semanal deste na Emissora Nacional e nesse mesmo ano tornou-se arquivista de radiografias do Hospital de São José. Em 1958 aderiu ao Partido Comunista Português e por denúncia de colegas de trabalho, foi preso pela PIDE em setembro e libertado só 18 meses depois, com a consequente expulsão da função pública. Mas  Carlos Paredes vai tornar-se uma figura reconhecida nacional e internacionalmente como músico, tanto como executante, quer como compositor e ainda como um dos grandes responsáveis pela divulgação e popularidade da guitarra portuguesa. Usou uma guitarra de Coimbra e a afinação do Fado de Coimbra mas a sua vida em Lisboa inspirou-lhe inúmeras das suas composições.

A sua discografia soma os singles  Mudar de VidaAntónio Marinheiro e Balada de Coimbra(todos em 1972); os EP’s Carlos Paredes (1957), Porto SantoDivertimento e  Variações em Ré Menor (todos em 1968); bem como os álbuns Guitarra Portuguesa (1967), Movimento Perpétuo(1971), Carlos Paredes-Meister der portugiesischen Guitarre (1977, na RDA), O Oiro e o Trigo (1980, na RDA), Concerto em Frankfurt (1983), Espelho de Sons ( 1988), Na Corrente (1996), Canção para Titi (2000).  Acompanhou e/ou produziu ainda discos de poemas de  Ary dos Santos (1969), da cantora Cecília de Melo(1971), de Manuel Alegre(1974), para além de colaborações com Adriano Correia de Oliveira (1975), António Vitorino de Almeida (1986), Charlie Haden (1990) ou Madredeus (1992).

Para o cinema fez a banda sonora da curta Rendas de Metais Preciosos (1960) de Cândido Costa Pinto, de Os Verdes Anos (1962)  e Mudar de vida (1966) de Paulo Rocha, de P.X.O. (1962) de Pierre Kast, de Fado corrido (1964) de Jorge Brum do Canto, As pinturas do meu irmão Júlio (1965) de Manoel de Oliveira, Crónica do esforço perdido (1966) de António de Macedo, A cidade (1968) e The Columbus route (1969) de José Fonseca e Costa, Tráfego e estiva (1968) de Manuel Guimarães, bem como do documentário Na corrente (1969) de  Augusto Cabrita. Colaborou também com o Teatro Moderno de Lisboa, o Teatro Experimental de Cascais, o Grupo de Teatro de Campolide, o  Teatro Na Caixa e Vasco Wallenkamp também usou a sua música para a criação do bailado Danças para Uma Guitarra (1982).

Após o 25 de Abril de 1974, Carlos Paredes  foi reintegrado nos quadros do Hospital de São José e o anúncio televisivo diário das primeiras eleições livres para a Assembleia Constituinte tinha música sua. A sua última actuação em público ocorreu em outubro de 1993, na Aula Magna da Reitoria da Universidade de Lisboa, acompanhado por Luísa Amaro.

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O Largo do fotógrafo e homem de cinema Gérard Castello-Lopes

Freguesia do Lumiar
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

Gérard Castello-Lopes foi um homem do cinema e da fotografia a preto e branco, cuja memória está fixada como topónimo da Freguesia do Lumiar desde 2017, seis anos passados sobre o seu falecimento aos 85 anos de idade.

O Largo Gérard Castello-Lopes nasceu no Impasse entre os lotes 2 e 3 da Malha 6 do Projeto de Urbanização do Alto do Lumiar, por deliberação camarária de 22 de fevereiro de 2017 e consequente Edital de 17 de março seguinte, na freguesia onde se encontram a maioria dos topónimos ligados ao cinema português.

Gérard Maria José Leveque de Castello-Lopes (França – Vichy/06.08.1925 — 12.02.2011/Paris-França) foi um português que desenvolveu uma carreira no cinema como distribuidor, crítico e assistente de realização, assim como fotógrafo.

Filho de José Castello-Lopes, dos Filmes Castello-Lopes, e da pianista Marie-Antoinette Lévéque, foi herdeiro e gerente da distribuidora Castello-Lopes. Na década de sessenta foi assistente de realização de Artur Ramos, no filme Os Pássaros de Asas Cortadas (1962) – onde também interpretou o médico Manuel -, tal como o será mais tarde na curta-metragem Nacionalidade: Português (1970), sobre a emigração portuguesa em França, realizada por Fernando Lopes, a partir de texto de Nuno de Bragança, que era também o produtor. Também fez a voz-off da curta A Aventura Calculada (1970) de Fernando Lopes. Exerceu como crítico de cinema  na revista O Tempo e o Modo, de 1964 a 1966, bem como nos jornais A Tarde e o Semanário, entre 1982 e 1984. Esteve entre os fundadores da cooperativa Centro Português de Cinema nos final dos anos 60, foi presidente do júri do Instituto Português de Cinema (1991 a 1993) e integrou o Conselho Consultivo da Culturgest.

Antes do cinema fizera-se fotógrafo pelo desejo de registar o que via quando mergulhava. Começou de forma autodidata, a partir de 1956, através de revistas e livros estrangeiros da especialidade e seguindo os ensinamentos de Henri Cartier-Bresson como mestre e paradigma. Fotografou os modos de viver da Lisboa do Estado Novo para testemunhar a realidade que o rodeava. Realizou dezenas de exposições individuais e coletivas, antes e depois do 25 de Abril de 1974, em Portugal e no estrangeiro mas foi a sua mostra retrospetiva de 1956 a 1982, na Galeria Ether- Vale Tudo Menos Tirar Olhos, no nº 25 da Rua Rodrigo da Fonseca da Lisboa de 1982, que relançou a sua obra para o reconhecimento público. A partir desta passou a fotografar sobretudo objetos e composições mais abstractas, que vão surgir na retrospectiva Oui/Non de 2004, continuando a fotografar e a expor até 2008. Contudo, Gérard Castello-Lopes era muito exigente consigo declarando que «Nunca achei que era excepcional ou muito bom fotógrafo» e que Joshua Benoliel era «o único génio da fotografia portuguesa», mesmo que as suas fotografias estejam representadas no Museu Nacional de Arte Contemporânea do Chiado e na The Berardo Collection.

Gérard Castello-Lopes, licenciado em Economia pelo Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras foi ainda assistente de encenação de duas óperas produzidas pelo Grupo Experimental de Ópera de Câmara, com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian, já que ele próprio era um pianista talentoso e foi um dos fundadores do Hot Clube de Portugal, em Lisboa, em 1950, com Luiz Villas-Boas, os irmãos Ivo e Augusto Mayer, Helena Villas-Boas e os irmãos Sangareau.

Ao longo da sua vida, Gérard residiu em Lisboa, Cascais, Estrasburgo – quando integrou o Corpo Diplomático da Missão Permanente de Portugal junto do Conselho da Europa – Azóia e Paris, onde fixou residência. Casou com Danièle de quem teve uma filha (1972) e um filho (1982) e foi vítima de  Alzheimer.

O cineasta Fernando Lopes, que afirmou inspirar-se no estilo da fotografia de Gérard para realizar o seu filme Belarmino (1964), rodou em 1997 o seu retrato através do documentário  – Olhar / Ver – Gérard Fotógrafo, com direção de produção de Manuel Costa e Silva, assim como seis meses após a sua morte Jorge Calado concretizou a mostra Aparições (2011) e, em 2012, no Consulado de Portugal em Paris foi organizada uma exposição de homenagem só com fotografias dos anos 50 e de Portugal.

O Largo de Lambertini, o homem dos 7 ofícios musicais

Freguesia do Lumiar
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

O Largo Michel’Angelo Lambertini homenageia na freguesia do Lumiar o homem dos 7 ofícios na arte musical – pianista, maestro e compositor, musicólogo e organizador de eventos, professor de canto, editor e comerciante de instrumentos musicais -,  assim existindo desde a publicação do Edital municipal de 17 de março de 2017 no largo interior formado entre a Alameda das Linhas de Torres, a Rua Luís de Freitas Branco e a Rua Virgínia Vitorino, a partir de uma sugestão de Miguel Lambertini Gouveia à Autarquia lisboeta.

O Occidente, 20 de novembro de 1907

Michel’Angelo Lambertini (Porto/14.04.1862 – 21.12.1920/Lisboa) foi um pianista, maestro e compositor, musicógrafo e organizador de eventos, professor de canto coral, além de editor da revista A Arte Musical e ainda, comerciante lisboeta de fabrico e revenda de instrumentos musicais.

Neto do compositor e construtor de pianos Luiz Joaquin Lambertini  – que veio para Lisboa em 1864 e montou a sua 1ª fábrica no Palacete do então Largo de São Roque [hoje Largo Trindade Coelho] à esquina da Travessa da Queimada – começou a estudar piano aos 6 anos no Conservatório. Concluiu os cursos de Piano (1879) e de Harmonia e Contraponto (1881) no Real Conservatório de Lisboa, bem como o Instituto Comercial e o Liceu.

O seu grande sonho foi criar um Museu Instrumental em Lisboa. Recomendado por vultos da I República como José Relvas,  foi incumbido por portaria de 22/12/1911  da recolha e ordenação dos instrumentos musicais que encontrasse em edifícios públicos ou religiosos, sem quaisquer custos para o Estado e desempenhou essa missão até à sua morte. Dos contributos recebidos ia dando notícia no seu quinzenário A Arte Musical.  A partir de janeiro de 1912, as peças eram colocadas em exíguas salas do Palácio das Necessidades e sobre essa experiência publicou O Museu Instrumental e as minhas relações com o Estado (1913). O seu sonho não esmoreceu e publica Primeiro nucleo de um museu instrumental em Lisboa : catalogo summario (1914) para no ano seguinte, o Decreto nº 1681, de 28 de junho, o instituir no Conservatório e nomeando Lambertini conservador mas que ficou sem execução prática. Assim, num andar do Palácio Quintela da Rua do Alecrim, instalou e dirigiu o Museu Instrumental Português, com cerca de cinco centenas de peças. A partir de 1929 o espólio do Museu Instrumental foi sendo adquirido pelo Conservatório Nacional e é deste modo que a herança de Lambertini , através de inúmeras vicissitudes, passa a ser uma parte considerável do atual acervo do Museu Nacional da Música, na Estação do Metropolitano dos Altos do Moinhos, em Lisboa.

Na cultura portuguesa de finais do século XIX, princípios do século XX, Michel’Angelo Lambertini foi relevante como organizador e animador de eventos musicais e literários, a ponto de Margarida Rebocho Ferreira o classificar como «benemérito  na cultura da música do Portugal dos inícios de novecentos». Foi o promotor da representação Portuguesa à Exposição Musical de Milão de 1881 – tendo conseguido reunir 121 obras-, o fundador da Sociedade de Música de Câmara em 1899 bem como da Grande Orquestra Portuguesa em 1907, para além de ter sido o responsável pela primeira apresentação em Portugal da Filarmónica de Berlim, em 1901.

Lambertini foi o autor do 1ª grande síntese da história musical portuguesa, publicado em 1915, na Encyclopédie de la Musique Et Dictionnaire du Conservatoire, dirigida por Lavignac. No mesmo ano publicou Pela Índia, sobre a música desse país. Já em 1900, editara os 2 volumes do Diccionario Biograhico de Músicos Portuguezes de Ernesto Vieira e  editou e dirigiu a sua revista A Arte Musical fazendo-a publicar de 15 de janeiro 1889 a 31 de dezembro de 1915, sendo que já nos seus 15 anos  havia sido redator da revista musical A Chitara – revista de musica e theatros, sedeada na Rua do Benformoso nº 266.

Em dezembro de 1887, com a morte do seu tio Ermete Lambertini, assumiu com seu pai a gerência da Casa Lambertini & Irmão, então sediada na Praça dos Restauradores nº 43 a 49, detentora do exclusivo da venda de pianos Bechstein para Portugal e fornecedores da Casa Real, desde o alvará de 2 de novembro de 1868. Neste âmbito publicou Annuario musical da Casa Lambertini (1900), As collecções de instrumentos musicos (1913), Indústria instrumental portuguesa (1914).

Michel’angelo Lambertini  foi também professor de canto coral das escolas  municipais centrais nºs 14 e 15, desde 1883 e redigiu o relatório da Comissão para Melhorar o Ensino da Música em Portugal, presidida por Viana da Mota. Foi ainda fundador da Caixa de Socorro a Músicos Pobres e sócio da Academia Marcos de Portugal.

Em Lisboa, vivia no Palacete Lambertini na Avenida da Liberdade, da autoria de Nicola Bigaglia, que foi Menção Honrosa no Prémio Valmor de 1904.

Lambertini foi condecorado como Cavaleiro da Real Ordem Militar de Cristo (1888) e da Coroa de Itália (1896), bem como Comendador da Ordem Militar de Nª Srª da Conceição de Vila Viçosa (1898) e da Ordem de Santiago de Espada (1908) e no 140º aniversário do seu nascimento o Museu Nacional da Música inaugurou uma exposição em sua homenagem.

A Rua do compositor Jorge Croner de Vasconcelos

Freguesia de Santa Clara
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

O compositor Jorge Croner de Vasconcelos está perpetuado na toponímia da urbanização da Quinta da Torrinha à Ameixoeira, desde a publicação do  Edital municipal de 1 de fevereiro de 1993, onde deu nome à Rua E, assim como nas Ruas D e B ficaram os compositores Rui Coelho e Constança Capdeville e na Rua projectada à Rua Particular fixou-se o cantor lírico Hugo Casaes.

Jorge Croner de Sant’Ana e Vasconcellos Moniz de Bettencourt (Lisboa/11.04.1910 – 09.12.1974/Lisboa),  oriundo de uma vasta família de músicos e  filho do violinista Alexandre Bettencourt e da pianista Laura Croner, distinguiu-se também na área musical, como pianista,  compositor e professor de música.

Estudou solfejo com a mãe e a partir de 1927, no Conservatório de Lisboa: piano com Alexandre Rey Colaço, composição com Luís de Freitas Branco, António Eduardo da Costa Ferreira, Francisco Lacerda e Eduardo Libório. Com Fernando Lopes Graça, Armando José Fernandes e Pedro do Prado formou o Grupo dos Quatro, com jovens e alunos do Conservatório Nacional de Lisboa, que influenciou a música neoclássica portuguesa na década de trinta do séc. XX.

Croner de Vasconcelos também frequentou Histórico-Filosóficas na Faculdade de Letras de Lisboa e findos os estudos no Conservatório Nacional de Lisboa, em 1934, abalou para Paris, com uma bolsa da Junta de Educação Nacional, para estagiar na École Normale de Musique, até ao verão de 1937: harmonia, contraponto e história da música com Nadia Boulanger; composição, com Paul Dukas, Roger Ducasse e  Igor Stravinsky; piano com Mme Giraud-Latarse; e interpretação, com Alfred Cortot.

Exerceu como docente de História da Música na Academia de Amadores de Música a partir de 1937, assim como a partir do ano seguinte marcou várias gerações no Conservatório Nacional, nas disciplinas de Composição, Canto e História da Música, como Constança Capdeville, Maria de Lourdes Martins, Filipe Pires, Armando Santiago ou Filipe de Sousa. Também deu aulas particulares de Canto e Piano, para além dos  Cursos de Verão do Estoril dos anos sessenta do séc. XX.

Chegou a apresentar-se em recitais internacionais, em Paris, Londres e Bruxelas, em 1939, com a cantora Arminda Correia mas em 1843 abandonou a carreira de pianista. Como compositor produziu algumas obras neoclássicas muito importantes, de música dramática, coral e sinfónica, muitas delas compostas a partir de textos de poetas clássicos da Literatura Portuguesa – como Comigo me desavim de 1938 ou Erros Meus de 1972 -, misturando modalismo e cromatismo, mostrando evidentes raízes na música portuguesa de Carlos Seixas, para a qual fez  um repertório para piano e arranjos para diversas peças, como Três Tocatas a Seixas  de 1942. Criou também obras de música sinfónica para o Secretariado Nacional de Informação (SNI) nas décadas de quarenta e cinquenta e os Oito Cantos de Natal no seu último ano de vida.

Jorge Croner de Vasconcelos está também na toponímia da Charneca da Caparica (Almada) e de Corroios (Seixal).

Freguesia de Santa Clara
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

 

A Rua do multifacetado David de Sousa

Freguesias do Areeiro e de Alvalade
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

O multifacetado músico David de Sousa – violoncelista, maestro e compositor-, que faleceu prematuramente vítima da gripe pneumónica de 1918, dá o seu nome à artéria que liga a Avenida Óscar Monteiro Torres à Rua João Villaret, desde a publicação do Edital municipal de 12 de março de 1932, na que era a Rua D do projeto ao Campo Pequeno e aprovado em sessão de câmara de 30 de março de 1923.

Freguesias do Areeiro e de Alvalade
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

O figueirense David de Souza (Figueira da Foz/06.05.1880 – 03.10.1918/Figueira da Foz), filho de Maria Leonor Marques de Figueiredo e de Mariano Augusto dos Reis Souza,  iniciou-se aos 9 anos  no solfejo e no canto, em Lisboa,  na Escola da Sé Patriarcal, sendo que aos 20 já completara o curso de violoncelo do Conservatório de Lisboa, onde entrara em 1895/96, tendo sido discípulo de Eduardo Wagner e de Cunha e Silva, tal como foi aluno de Freitas Gazul em teoria musical.  A partir de 1904 e até 1908, como bolseiro do estado, prosseguiu os estudos no Conservatório de Leipzig, na Alemanha.

Entre 1908 e 1910, surgiu como violoncelista de orquestra em Inglaterra, França, na Alemanha, na Áustria Imperial e na Rússia, sendo solista na Orquestra de Concertos Históricos de Moscovo e será aqui que começará a gerar o seu primeiro êxito como compositor, a Rapsódia Eslava de 1908. Em 1911, regressou a Londres, que repetirá mais tarde,  em 1914 e 1917, para exercer quer como solista quer como maestro.

Em Lisboa está em 1913, para se estrear como diretor de orquestra  no Teatro Nacional (no dia 19 de outubro). No ano seguinte é contratado como maestro titular da Orquestra Sinfónica Portuguesa, sediada no Politeama, que regeu até à sua morte, tendo ficado famosas os seus concertos das tardes de domingo. David de Sousa interpretou pela primeira vez em Portugal peças como a Segunda Sinfonia de Vincent D’Indy, as Valsas Nobres e Sentimentais de Maurice Ravel ou o poema sinfónico de Luís de Freitas Branco intitulado Depois de uma leitura de Antero de Quental. Apaixonado pela música russa, revelou igualmente ao público português, inúmeras obras dos compositores daquele país.

Como compositor a sua obra revelou-se eminentemente nacionalista, englobando composições para piano, canto e piano, violino e piano ou violoncelo e piano, poemas sinfónicos, obras para orquestra, das quais se destacam a já referida Rapsódia Eslava, bem como a Rapsódia Cantares Portugueses, o Intermezzo Saudade ou o poema sinfónico Babilónia, para além de ter deixado inédita a sua ópera Inês de Castro. David de Sousa exerceu ainda como professor de Violoncelo e da classe de Orquestra do Conservatório Nacional, a partir do ano letivo de 1915/16.

Faleceu aos 38 anos, em 1918, vítima da pneumónica que nesse ano fustigou Portugal, e está perpetuado também no nome de um Coro da Figueira da Foz ebem como na toponímia da Figueira da Foz e de Corroios.