O Largo do Nautilius das «Vinte mil léguas submarinas»

Freguesia do Parque das Nações
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

O Largo do Nautilius, no Parque das Nações, liga a Rua Pedro e Inês ao Passeio de Ulisses e foi um dos 102 topónimos oficializados pelo Edital municipal de 16 de setembro de 2009, após a reconversão da zona da EXPO 98 em Parque das Nações e a sua integração no território do concelho de Lisboa.

Nautilius é o nome de um submarino movido a electricidade, ficcionado por Júlio Verne em 1869, como protagonista da sua obra Vinte mil léguas submarinas (no original, Vingt mille lieues sous les mers). O livro foi originalmente publicado em forma de uma série no periódico Magasin d’Éducation et de Récréation, de março de 1869 a junho de 1870. O enredo situa-se em 1866 quando o capitão Nemo que construiu o Nautilius convida a expedição do professor Pierre Aronnax, especialista em  criaturas marinhas, a fazer a bordo uma jornada pelo fundo dos oceanos na qual vão percorrer vinte mil léguas.

Este topónimo é uma herança da Expo 98, subordinada ao tema “Os oceanos: um património para o futuro”, na qual os arruamentos do evento foram denominados  com topónimos ligados aos oceanos, aos Descobrimentos Portugueses, aos aventureiros marítimos da literatura e banda desenhada mundial, a figuras de relevo para Portugal, a escritores portugueses ou obras de sua autoria ligadas ao mar e ainda mais alguns ligados à botânica.

Freguesia do Parque das Nações
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

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A Rua Flores do Lima nascida a 7 de julho e o Quarteto das 4 salas e 4 filmes

O cinema Quarteto, na Rua Flores do Lima, em 1977 (Foto: Vasques, Arquivo Municipal de Lisboa9

O cinema Quarteto, na Rua Flores do Lima, em 1977
(Foto: Vasques, Arquivo Municipal de Lisboa)

A obra Flores do Lima  da autoria de Diogo Bernardes, impressa em 1597,  deu origem em 1961 à Rua Flores do Lima que justamente tem entrada a partir da Rua Diogo Bernardes,  no Bairro de São Miguel da Freguesia de Alvalade, e na qual esteve sediado de 1975 até 2007 o cinema Quarteto, obra do empenhado Pedro Bandeira Freire para toda a cidade.

A Rua Diogo Bernardes foi atribuída pelo Edital municipal de 6 de março de 1952 e nove anos mais tarde,  os moradores de um arruamento paralelo à Avenida Estados Unidos da América cujo acesso se fazia a partir dessa artéria pediram a atribuição de denominação ao mesmo, tendo a Comissão Municipal de Toponímia proposto «que o referido arruamento se denomine: Rua Flores do Lima, porque Flores do Lima é o título de um livro da autoria de Diogo Bernardes, que teve várias edições», o que se veio a verificar pelo Edital municipal de 7 de julho de 1961.

Freguesia de Alvalade (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Alvalade
(Foto: Sérgio Dias)

O cinema Quarteto,obra do Arqt.º Nuno San-Payo, foi inaugurado no nº 16 da Rua Flores do Lima em 21 novembro de 1975, com 716 lugares e apresentando-se como o 1º complexo de salas de Lisboa,  característica justamente realçada  no slogan que usava: «4 Salas / 4 Filmes.». Foi gerido pelo cinéfilo Pedro Bandeira Freire, garantindo uma atmosfera de cinefilia com exibições exclusivas. Ficaram memoráveis as famosas maratonas de 24 horas de cinema, a exibição de A Religiosa (1967) de Jacques Rivette, um dos mais espantosos sucessos do pós 25 de Abril e o 2º maior êxito do Quarteto, o ter dado a conhecer em Portugal o realizador Martin Scorcese com Taxi Driver  (a partir de 15 de abril de 1977),e a estreia de All That Jazz (1979) de Bob Fosse, em exclusivo e nas quatro salas, sendo o maior êxito de sempre deste cinema, propriedade de Pedro Bandeira Freire e do seu sócio, o escritor Almeida Faria. O Quarteto albergou ainda numa das suas salas, em 1981, a Cinemateca, devido a um incêndio que destruiu o edifício da Rua Barata Salgueiro.

Encerrou no dia 16 de novembro de 2007, por ordem da Inspecção-Geral das Actividades Culturais (IGAC) que invocou falhas de segurança, sobretudo no combate a incêndios. Pedro Bandeira Freire faleceu 5 meses depois, a 16 de abril de 2008, aos 68 anos de idade. Em 2014, o edifício passou para a Igreja da Plenitude de Cristo, de protestantes evangélicos.

Freguesia de Alvalade (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Alvalade
(Planta: Sérgio Dias)

A «Orpheu» na Toponímia de Lisboa, no centenário da revista

nº 1 capa de Pacheko

O nº 1 (janeiro-fevereiro-março de 1915) com capa de Pacheko

Passa este ano o centenário da Orpheu, uma revista trimestral de literatura editada em Lisboa,  dada a lume a 21 de março de 1915, em resultado do plano de Fernando Pessoa  e Mário de Sá Carneiro, e que apesar da escassez de números publicados – apenas 2, já que o 3º foi cancelado por falta de financiamento – teve um papel fundamental na afirmação do modernismo português e o seu vanguardismo inspirou movimentos literários subsequentes de renovação da literatura portuguesa, sendo mesmo considerada o marco inicial do Modernismo em Portugal.

Dessa Geração d’Orpheu que colaborou na feitura da revista, a toponímia de Lisboa fixou Fernando Pessoa – numa Rua e numa Avenida-, Mário de Sá-Carneiro, Almada Negreiros  (no nº 1 e previsto para o nº 3 com a sua A Cena do Ódio),  Alfredo Guisado, Camilo Pessanha e  Amadeu de Sousa Cardoso (todos os três previstos por Fernando Pessoa para surgirem no nº3).

Os nomes que não ficaram perpetuados na cidade foram José Pacheko (arquiteto e responsável gráfico da Orpheu que desenhou a 1ª capa), António Ferro (editor dos 2 números e que foi nome de rua em Lisboa desde 14/06/1967 até 28/07/1975, altura em que passou a denominar-se Rua Luís de Freitas Branco), Armando Côrtes Rodrigues (nº1), Ângelo de Lima (poeta marginal, internado em Rilhafoles desde 1900, integrou o nº 2), Eduardo Guimarães (poemas no nº 2), Luís de Montalvor (diretor para Portugal e poema na nº 2), Raul Leal (novela na nº2), Ronald de Carvalho (diretor para o Brasil), Santa-Rita Pintor (artista plástico futurista publicado no nº 2), Violante de Cysneiros (pseudónimo de Armando Cortes-Rodrigues cujos poemas apareceram no nº2),  e Albino de Meneses, Augusto Ferreira Gomes, C. Pacheco (outro heterónimo de Pessoa), Carlos Parreira, Castelo de Morais e D. Tomás de Almeida (todos previstos para o nº3).

Outros arruamentos alfacinhas ligados à  Orpheu são a Rua da Oliveira ao Carmo, em cujo nº 10 se estabelecia a Tipografia do Comércio que imprimia a revista, a Rua Áurea onde a redação estava sediada, na Livraria Brasileira, no nº 190, mesmo que mencionada na publicação pela denominação vulgar de Rua do Ouro e, ainda a morada do diretor do 1º número que era o nº 17 do Caminho do Forno do Tijolo (desde a publicação do Edital de 17/10/1924 que é a Rua Angelina Vidal).

A Orpheu, destinada a Portugal e Brasil, introduziu em Portugal o movimento modernista, associando importantes nomes das letras e das artes e conforme carta de Fernando Pessoa  para Armando Cortes-Rodrigues «Somos o assunto do dia em Lisboa; sem exagero lho digo (…) O escândalo maior tem sido causado pelo “16” do Sá-Carneiro e a “Ode Triunfal”. Até o André Brun nos dedicou um número das “Migalhas”».

Em julho de 1915, Alfredo Guisado e António Ferro anunciaram publicamente o seu afastamento da revista por divergências políticas com Fernando Pessoa, aliás, Álvaro de Campos. Mário de Sá-Carneiro também partiu para Paris de onde em 13 de setembro seguinte escreveu a Pessoa para informar que o seu pai não podia continuar o mecenato involuntário da revista e assim se esfumou o 3º número da revista.

Recorde-se que a Portugal Futurista, publicada em Novembro de 1917 e dirigida por Carlos Filipe Porfírio, continuou a tradição vanguardista e provocadora de Orpheu, com trabalhos dos seus colaboradores, designadamente Álvaro de Campos, Almada Negreiros, Amadeu de Sousa Cardoso, Fernando Pessoa, Mário de Sá Carneiro, Raul Leal e Santa-Rita Pintor.  A importância da Orpheu começou a ser reconhecida pela segunda geração modernista nas páginas da revista Presença, publicada de 1927 a 1940, em Coimbra. Em 1984, foi publicado o terceiro número da Orpheu, , que devia ter saído em Outubro de 1917, compilado por Arnaldo Saraiva.

O nº 2 (abril-maio-junho de 1915)

O nº 2 (abril-maio-junho de 1915)

A Rua da Menina do Mar no Dia Mundial da Criança

a-menina-do-mar

Como hoje é o Dia Mundial da Criança evocamos a Rua Menina do Mar, na Freguesia do Parque das Nações, topónimo que regista o título de um livro infantil de Sophia de Mello Breyner Andresen.

A Rua Menina do Mar, que vai da Rua Sinais de Fogo à Avenida Fernando Pessoa, perpetua A Menina do Mar, um dos livros infantis de Sophia de Mello Breyner Andresen, publicado em 1958, com ilustrações de Sara Afonso, no qual a autora aproveitou a ideia de uma história que lhe tinha sido contada por sua mãe e à qual foi acrescentando pormenores conforme as perguntas dos filhos, para quem criou a história. Sophia que adorava o mar considerou que essa menina era para si o símbolo da felicidade máxima, porque vivia no mar, com as algas e os peixes. Uma grande parte do texto é composta pelo relato das aventuras vividas pelos amigos para alcançarem o seu sonho: a ânsia de atingirem a liberdade plena, pois qualquer um deles tinha barreiras físicas que os impediam de serem completamente livres.

Este topónimo é uma herança da Expo 98,  que subordinada ao tema «Os oceanos: um património para o futuro» nomeou os arruamentos do evento com topónimos ligados aos oceanos, aos Descobrimentos Portugueses, aos aventureiros marítimos da literatura e banda desenhada mundial, a figuras de relevo para Portugal, a escritores portugueses ou obras de sua autoria e ainda alguns ligados à botânica. Com a reconversão da zona em Parque das Nações foram estes 102 topónimos oficializados pelo Edital de 16/09/2009.

Também a autora Sophia de Mello Breyner Andresen dá nome a um miradouro em Lisboa, na freguesia de São Vicente, antes conhecido como Miradouro da Graça, desde o Edital 13/11/2008.

Sophia

Sophia de Mello Breyner Andresen

No Dia Mundial do Livro, a Jangada de Pedra no Parque das Nações

jangada de pedra

Neste Dia Mundial do Livro e Direitos de Autor discorremos sobre a Rua Jangada de Pedra, na Freguesia do Parque das Nações, que evoca o livro de José Saramago com esse título, publicado em 1986.

A Rua Jangada de Pedra, que nasce na Avenida Fernando Pessoa, refere-se a uma obra de José Saramago, publicada em 1986, no qual se conta a separação geográfica da Península Ibérica do resto da Europa, acontecimento sem explicação científica, precedido de outros quatro acontecimentos igualmente sobrenaturais que unem as personagens Joana Carda, Joaquim Sassa, José Anaiço e Maria Guavaira, Pedro Orce e Cão, os quais vão percorrer uma longa jornada em busca de algo que lhes tire das almas o tormento de se sentirem culpados pelo ocorrido.

Esta artéria nasceu com a realização da Expo 98, subordinada ao tema «Os oceanos: um património para o futuro», na qual foram nomeados os arruamentos do evento com topónimos ligados aos oceanos, aos Descobrimentos Portugueses, aos aventureiros marítimos da literatura e banda desenhada mundiais, a figuras de relevo para Portugal, a escritores portugueses ou obras de sua autoria e, ainda alguns ligados à botânica. Com a reconversão da zona em Parque das Nações foram estes 102 topónimos oficializados pelo Edital de 16/09/2009 e, a Rua Jangada de Pedra é um deles.

Esta área da cidade de Lisboa comporta ainda mais 6 topónimos que evocam livros de autores portugueses, a saber: a Rua do Adeus Português (poema de Alexandre O’Neill, 1950) , a Rua Corsário das Ilhas (Vitorino Nemésio, 1956), a Rua Finisterra (Carlos de Oliveira, 1978), a Rua Gaivotas em Terra (David Mourão-Ferreira, 1959), a Rua Menina do Mar (Sophia de Mello Breyner Andresen, 1958) e  a Rua Sinais de Fogo (Jorge de Sena, 1979).