A Rua do cantor lírico Hugo Casaes

Freguesia de Santa Clara
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

Aceitando a proposta da viúva, Beatriz Casaes,  a edilidade lisboeta consagrou o cantor lírico Hugo Casaes na Rua projetada à Rua Particular na Quinta da Torrinha da Ameixoeira, pelo Edital municipal de 1 de fevereiro de 1993.

Esse mesmo Edital usou mais 4 arruamentos da antiga Quinta da Torrinha para homenagear outros nomes ligados à música : os compositores Constança Capdeville, Jorge Croner de Vasconcelos e Rui Coelho, para além de Brunilde Júdice, uma atriz filha de cantores líricos.

Hugo César de Castro Meneses de Campos Casaes (Lisboa/26.12.1919 – 25.02.1989/Lisboa) foi um barítono que trocou uma carreira de engenheiro pela de cantor lírico e triunfou graças à sua mestria vocálica, ao volume da voz bem timbrada e uma dicção perfeita, como todo o lastro de ter sido aluno de piano desde os 7 anos e do Conservatório de Música de Lisboa desde os quinze.

A carreira lírica de Hugo Casaes nasceu no Teatro Nacional de São Carlos, na ópera Leonor Teles, de João Arroio. A sua qualidade angariou-lhe bolsas de estudo dos governos de Itália e de Portugal, como bolseiro do Instituto de Alta Cultura, bem como da Fundação Calouste Gulbenkian, tendo estudado canto e representação em Milão.

Cantou em palcos famosos da Europa e no Cornegie Hall de New York. Todavia, o fim da Companhia Portuguesa de Ópera, em 1975, foi um golpe rude para a carreira de Casaes. Em 1985, aos 66 anos de idade, interpretou o Barão Mirko Zeta da Viúva Alegre, no palco do São Luiz.

Hugo Casaes também trabalhou como ator cinematográfico, em Pássaros de Asas Cortadas (1963) de Artur Ramos,  A Culpa (1980) de António Vitorino de Almeida e A Estrangeira (1982) de João Mário Grilo, para além de ter sido professor de canto e de ópera.

Foi galardoado com o Prémio da Imprensa – Música Erudita (1967), o Prémio Tomás Alcaide (1968) e, a título póstumo, com a Medalha de Mérito Cultural (1990), sendo que  também integra  a toponímia da Charneca da Caparica (Almada) e de Fernão Ferro (Seixal).

Freguesia de Alvalade
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

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Luísa Todi, a cantora lírica de carreira internacional

Rua Luísa Todi placa

Freguesia da Encarnação – futura Freguesia da Misericórdia

Há precisamente 260 anos nasceu em Setúbal a cantora lírica Luísa Todi que veio viver para Lisboa em 1765, tendo morado sobretudo no Bairro Alto, nomeadamente no nº 2 da então denominada Travessa da Estrela, artéria na qual ficou perpetuada pelo Edital municipal de 12/06/1917, com a legenda «Insigne Cantora Portuguesa do Século XVIII».

Sabe-se que em Lisboa, Luísa Todi também morou no Pátio do Conde de Soure, na Rua do Tesouro Velho (hoje, Rua António Maria Cardoso), na Rua da Barroca, na Rua da Atalaia, no Rua de S. Nicolau e, na Travessa da Estrela.

Luísa Rosa de Aguiar Todi (Setúbal/09.01.1753 – 01.10.1833/Lisboa), filha do professor de música e instrumentista Manuel José de Aguiar, começou a sua carreira no teatro musical com a sua irmã, aos 14 anos, no Teatro do Conde de Soure (ou Teatro do Bairro Alto), no Tartufo de Molière e, dois anos depois, em 28 de Julho de 1769 casou na Igreja de Nª Srª das Mercês com Francesco Saverio Todi, natural de Nápoles e violinista na orquestra do mesmo teatro, com quem teve 6 filhos: João (Porto, 1772), Ana José (Porto, 1773), Maria Clara (Guimarães, 1775), Francisco Xavier (Aranjuez, 1777), Adelaide (Paris, 1778), Leopoldo Rodrigo Ângelo (Turim,1782).

Após o casamento viveu nas proximidades do Teatro, no Pátio do Conde de Soure e, em 1770 estreou-se já como cantora na ópera em  Il Viaggiatore Ridicolo de Guiseppe Scolari. Depois, a mais célebre meia-soprano portuguesa enveredou por uma carreira internacional, tanto mais necessária quanto a partir do reinado de D. Maria I as mulheres foram proibidas de cantar em público. Percorreu muitos palcos da Europa, como Londres, Paris, Versalhes, Madrid, Turim, Nápoles, Berlim, Varsóvia, Viena, Prússia e Rússia, tendo voltar para cantar na corte portuguesa em 1783 e em 1793 mas, com a autorização especial para cantar em público. Em 1799 terminou a sua carreira internacional e em 1801 ainda cantou na cidade do Porto, embora as invasões francesas a tenham feito deslocar-se para Lisboa, onde se radicou a partir de 1811. Passados 11 anos Luísa Todi cegou completamente e, em Junho de 1833, aos 80 anos, fez o seu testamento e, nesse mesmo ano acabou por falecer, no dia 1 de Outubro, ficando sepultada na Igreja da Encarnação.