A Parada do Alto de São João

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Placa Tipo II

Um século após o nascimento de um cemitério no sítio do Alto de São João foi atribuído ao largo fronteiro a esse 1º Cemitério, limitado pelas Rua Morais Soares e Avenida Afonso III, o topónimo Parada do Alto de São João (Edital municipal de 28 de Julho de 1939).

No século XIX, no começo da década de 30, as epidemias de cólera mórbus forçaram o aparecimento de 2 cemitérios em Lisboa, o do Alto de São João e o dos Prazeres que, nessa época, se situavam fora da cidade. Conforme informa Norberto Araújo nas suas Peregrinações em Lisboa, «Eis-nos agora no Alto de S. João. O Cemitério foi ordenado sobre terrenos que pertenciam também, na sua reduzida área primitiva, à Quinta dos Apóstolos». E os cemitérios eram tanto mais necessários quanto o Decreto de 21 de Setembro de 1835, do Ministro do Reino Rodrigo da Fonseca, proibia os enterramentos em igrejas e instituía a sua obrigatoriedade em cemitérios com administração municipal. Em Setembro e Outubro de 1833 travaram-se combates entres liberais e absolutistas no Alto de S. João e, as vítimas resultantes foram os primeiros enterramentos do cemitério que só foi inaugurado em 1841, com o nome de Cemitério Oriental da Cidade. O Dr. Alfredo Guisado mandou que lhe fosse construído um Crematório, o que aconteceu entre 1911 e 1925, sendo depois encerrado em 1936 e, reactivado em 1985.

Refira-se que em 1852 o Alto de S. João tinha um posto fiscal já que haviam sido decretados nesse ano novos limites para a cidade de Lisboa e foi construída a Estrada da Circunvalação que, nesta zona, seguia pelo percurso das actuais Rua Morais Soares e Avenida Afonso III, sendo para lá desta Circunvalação já território do Termo de Lisboa ou “fora de portas”.

Quando a edilidade lisboeta atribui o topónimo Parada do Alto de São João em 28 de Julho de 1939 era este um arruamento movimentado já que desde 1926 lá arribava a carreira de eléctricos Belém-Alto de S. João e, desde 1935, também uma das carreiras em que havia tarifas reduzidas para operários: a da Praça do Comércio – Alto de S. João.

Por fim, lembramos que esta não é a única artéria de Lisboa com a categoria de Parada, já que no largo situado na Calçada da Ajuda, em frente ao Centro de Instrução da GNR, foi atribuída a denominação Parada General Afonso Botelho, por edital de 1989.