A Rua do autor dos Banhos de São Paulo, Pedro José Pezerat

Freguesia de Marvila
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

Pedro José Pezerat, o autor dos Banhos de  São Paulo que hoje acolhem a sede da Ordem dos Arquitectos, na Travessa do Carvalho, dá o seu nome à Rua que liga a Rua Miguel Nogueira Júnior à Rua Keil do Amaral desde 1978, na freguesia de Marvila. No primeiro Bairro toponímico dos Arquitetos em Lisboa, na freguesia de Marvila, criado pelo Editado municipal  de 10 de agosto de 1978, coube à Rua Pedro José Pezerat o espaço da Rua 10 da Zona N 2 de Chelas e a legenda «Arquitecto/1801 – 1872».

Pierre-Joseph Pézerat (França- La Guiche/1801- 01.05.1872/Lisboa) que em Portugal ficou conhecido como Pedro José Pezerat formou-se em 1821 no curso de engenharia civil na Escola Politécnica de Paris, cidade onde também estudou na Academia de Arquitetura, tendo depois produzido obra no Brasil, Argélia e Portugal, especialmente em Lisboa, tendo sido funcionário da Câmara Municipal desde 1841 e até falecer.

Serviu o Imperador D. Pedro no Brasil onde chegou em 1825, integrando a Academia Militar do Rio de Janeiro para trabalhar na execução de planos geodésicos e mapas. D. Pedro I contratou-o como engenheiro particular  – entre 1824 e 1827 – para lhe remodelar  com uma fisionomia neoclássica o casarão colonial no Rio de Janeiro que havia comprado à Marquesa de Santos e como arquiteto imperial – a partir de 1828 e até 1831-, época em que  também deu uma aparência neoclássica ao Paço de São Cristóvão, na Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro. Pézerat  abandonou o Brasil com a família real, após a abdicação de D. Pedro I, sendo então professor da jovem rainha D. Maria II.

Entre 1831 e 1840 trabalhou para o governo francês na Argélia. No ano seguinte estabeleceu-se em Portugal. Foi contratado pela Câmara Municipal de Lisboa em 1841, encarregado primeiro de trabalhos de Abastecimento de Águas e Rede de Esgotos, tendo elaborado, nomeadamente, o plano de mudança do Chafariz do Loreto para o Largo do Picadeiro. Depois, foram-lhe atribuídos projetos urbanísticos e arquitectónicos, de que se destacam os Banhos de São Paulo (1850) e o novo Matadouro Municipal (1852). Em 1865, José Pedro Pezerat incorporou a Comissão de Melhoramentos da Cidade de Lisboa e apresentou vários projetos para a revitalização e modernização urbanística da cidade, mesmo que as limitações económicas tenha levado a  Câmara a não os executar.

O edifício dos Banhos de São Paulo traçado por Pézerat foi construído entre 1850 e 1858, pela Santa Casa da  Misericórdia de Lisboa, para aproveitar uma nascente de águas medicinais que havia sido descoberta junto à ala Poente da Praça do Comércio em 1829. Na época, os Banhos de São Paulo dispunham dos equipamentos mais modernos e eram considerados um dos melhores da Europa.  Este balneário serviu a população lisboeta até 1975, data em que foi encerrado ao público, em virtude dos índices de poluição da fonte abastecedora. A edilidade lisboeta cedeu o edifício em 1990, à Ordem dos Arquitectos, que aí instalou a sua sede, após as necessárias obras de remodelação concebidas pelos arquitetos Graça Dias e Egas Vieira.

Pezerat desempenhou ainda funções de professor de desenho da Escola Politécnica de Lisboa a partir de 1853, assim como de parceria com o engº Silva e Costa foi responsável pela remodelação do imóvel após um incêndio, para além de ter projetado alguns prédios na artéria da Escola.

Pedro José Pezerat, fora de Lisboa, projetou uma remodelação do Hospital Termal Rainha D. Leonor em Caldas da Rainha (1861) que é hoje o Museu do Hospital das Caldas e foi condecorado com a Ordem de Cristo.

Freguesia de Marvila
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

Anúncios

A rua do coautor do Bairro das Estacas, Formosinho Sanchez

Freguesia do Lumiar
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

Formosinho Sanchez que com Ruy Jervis Athouguia traçou o Bairro das Estacas, o conjunto habitacional da célula 8 do Bairro de São João de Deus em Alvalade, erguido entre 1952 e 1955, que foi Prémio Municipal de Arquitectura de 1954 e Menção Honrosa na Bienal de São Paulo do mesmo ano, desde 2009 dá nome a uma rua do Lumiar, na Quinta dos Alcoutins,  com a legenda «Arquitecto 1922 – 2004».

Foi pelo Edital nº 91/2009,  de 25 de setembro de 2009, que as novas artérias da Quinta dos Alcoutins acolheram um novo núcleo toponímico lisboeta de arquitetos: Daciano Costa, Jorge Segurado, Maurício de Vasconcelos e Formosinho Sanchez, sendo este último que passou a ser o topónimo da Rua Principal da Quinta dos Alcoutins, unindo a Rua André de Gouveia à Azinhaga do Porto.

Sebastião Pedro Leal Formosinho Sanchez (Lisboa/1922 – 2004) foi um arquiteto formado pela Escola de Belas Artes de Lisboa no ano de 1949, por muitos considerado o arquiteto do rigor, que com Diogo Lino Pimentel fundou em 1966 o Atelier Canon, Lda. na Praça do Comércio, a que mais tarde se associaram mais outros três arquitetos: António Flores Ribeiro, Germano Venade e José Luis Zúquete.

Bairro das Estacas

Em Lisboa, a sua grande obra, em equipa com Ruy Jervis Athouguia, foi o  Bairro das Estacas que retira o seu nome dos blocos de edifícios de habitação estarem assentes sobre pilares, a que os construtores chamavam estacas, permitindo a  ocupação da parte inferior por um espaço verde. Os blocos de habitação são  paralelos entre si, mas perpendiculares ao eixo viário e aplicam princípios do urbanismo moderno definidos na Carta de Atenas de 1933, rompendo assim através de premissas modernistas com o modelo da arquitetura tradicional ao gosto do Estado Novo. A mesma dupla de arquitetos traçou também, entre 1949 e 1953, o Mercado de Alvalade Sul e a Escola Básica do Bairro de São Miguel, ainda em Alvalade.

Ainda em Lisboa, Formosinho Sanchez foi professor do curso de Arquitectura da Escola onde se formara, no período de 1964 a 1973 assim como novamente a partir dos anos 80 e até 1992; o autor do Hospital da Cruz Vermelha (1965); membro da Brigada técnica do Bairro da Quinta das Fonsecas, no âmbito do SAAL, de acordo com o projeto de Raúl Hestnes Ferreira (de  outubro de 1974 a setembro de 1976); o coordenador das obras para a Exposição de Arte, Ciência e Cultura de 1983.

Já fora da capital, esboçou o Palácio da Justiça de Rio Maior (1956) e o Tribunal Judicial do Redondo (1965), edifícios que inovaram os modelos de tribunais portugueses. Por outro lado, a partir da década de 1960, apoiado na sua experiência profissional, publicou teorização sobre a construção hospitalar, como em Hospitais: Da Organização à Saúde, publicado em 1969. Do risco de Formosinho Sanchez saíram ainda o Hospital de Chaves e o de Miranda do Douro, o Centro de Medicina de Reabilitação de Alcoitão (1959), o Hospital Termal das Caldas de Monchique (1960) e o Centro de Reabilitação e Sanatório Hélio Marítimo da Figueira da Foz, em colaboração com Alçada Baptista  e Estêvão da Silva (1965).

Foi um dos fundadores do Movimento para a Renovação da Arte Religiosa, com os arquitetos Diogo Lino Pimentel, Luís Cunha, Nuno Portas e Nuno Teotónio Pereira assim como os  artistas Eduardo Nery, José Escada e Madalena Cabral, entre outros. Formosinho Sanchez projetou também o Externato Diocesano D. Manuel de Mello no Barreiro (1961) e a Igreja Paroquial de Rio Maior, inaugurada em 1968.

Freguesia do Lumiar
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Rua do arquiteto da Praça do Areeiro, Cristino da Silva

Freguesia de Marvila
(Foto: Google Maps, editada pelo NT do DPC)

Cristino da Silva, o arquiteto que traçou a Praça do Areeiro  e assim foi um impulsionadores das linhas da arquitetura do Estado Novo em Lisboa, está desde 1978 homenageado no Bairro dos Arquitetos de Marvila, numa artéria que começa e acaba na Rua Pardal Monteiro.

Foi pelo Edital de 10 de agosto de 1978 que foi atribuída a Rua Luís Cristino da Silva, na Via Comercial da Zona N 2 de Chelas. O arquiteto Silva Dias integrava então a Comissão Municipal de Toponímia e dele saíram as sugestões que além de Cristino da Silva colocaram nesta zona de Marvila mais 11 topónimos referentes a arquitetos, a saber: Rua Adães Bermudes, Rua Adelino Nunes, Rua Álvaro Machado, Rua Cassiano Branco, Rua Domingos Parente, Rua José Luís Monteiro, Rua Keil do Amaral, Rua Miguel Nogueira Júnior, Rua Norte Júnior, Rua Pardal Monteiro e Rua Pedro José Pezerat.

A Ilustração Portuguesa, 26 de janeiro de 1924

Luís Ribeiro Carvalhosa Cristino da Silva (Lisboa/21.05.1896 – 31.10.1976/Lisboa) foi um arquiteto formado pela ESBAL em 1919 e estágio com bolsa de estudo em Paris (de 1920 a 1925), funcionário da edilidade lisboeta (a partir de 1927) e professor de Arquitetura da ESBAL (1933 – 1966), neto e filho de pintores, respetivamente, João Cristino da Silva e João Ribeiro Cristino da Silva.

Cristino da Silva começou como arquiteto modernista, com o pórtico de entrada do Parque Mayer e o Cineteatro Capitólio (1931) e a elegante dupla escadaria que liga os dois planos de jardins do Palácio de São Bento (1937-1938). Depois, seguiu os modelos da arquitetura do Estado Novo, ao traçar o Pavilhão de Honra e de Lisboa da Exposição do Mundo Português (1940), e  o prédio do nº 12 da Avenida Sidónio Pais, com um baixo-relevo de uma «entalada», processo que teve o seu auge quando é o autor do projeto da então novel Praça do Areeiro (1938 – 1949).  Foi ainda  o autor do traçado do Café Portugal, com portas para a Rua Primeiro de Dezembro e a Praça Dom Pedro IV, bem como da Agência do Diário de Notícias nessa mesma Praça, tudo em 1938; de uma moradia no nº 20 da Avenida António José de Almeida, também na década de trinta.

Fora de Lisboa, saliente-se o seu Liceu de Beja (1929-1934) e a Cidade Universitária de Coimbra (1948) de que foi o arquiteto-chefe. Cristino da Silva desempenhou ainda funções de Vogal do Conselho Superior de Obras Públicas, no período de 1942 a 1954.

Este arquiteto foi galardoado com a Medalha de Honra da Sociedade Nacional de Belas Artes – SNBA (1943), os Prémios Valmor e Municipal de Arquitetura de Lisboa (1944) por uma moradia na Avenida Pedro Álvares Cabral n.º 67 – que era aliás a sua casa de família-, o Prémio Nacional de Arte do Secretariado Nacional de Informação-SNI de 1961, assim como recebeu em 1973 o Prémio José de Figueiredo pelo seu estudo A Sede da Academia Nacional de Belas-Artes.  Cristino da Silva foi ainda agraciado com as Comendas da Ordem Militar de Santiago da Espada (1941), da Ordem da Instrução Pública (1957) e da Ordem do Infante D. Henrique (1961).

Freguesia de Marvila
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

#EuropeForCulture

A Rua do presidente da Associação Promotora da Indústria Fabril, Fradesso da Silveira

Freguesia de Alcântara
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Fradesso da Silveira, que no séc. XIX foi presidente da Associação Promotora da Indústria Fabril, executou um inquérito à indústria fabril e promoveu a Biblioteca das Fábricas, veio em 1888, treze anos após a sua morte,  a substituir o topónimo da Rua Alexandre Herculano, em Alcântara, um dos pólos industriais da Lisboa dessa época.

Em 1878, o Governo Civil de Lisboa determinou pelo seu Edital de 18 de janeiro atribuir a denominação Rua Alexandre Herculano ao «prolongamento do novo atêrro marginal do Tejo, desde a ponte sôbre a Ribeira de Alcântara até ao Largo das Fontaínhas», atendendo assim ao pedido da Câmara Municipal de Belém para homenagear o primeiro presidente daquele município. Nove anos passados, a deliberação da Câmara Municipal de Lisboa do último dia do ano de 1887 e o consequente Edital de 10 de janeiro de 1888, alterou esse topónimo para Rua Fradesso da Silveira, tanto mais que desde 6 de maio de 1882 que também dera existência em Lisboa a uma nova Rua Alexandre Herculano, agora no Bairro Barata Salgueiro, junto à Avenida da Liberdade.

Fradesso da Silveira n’ O Diário Illustrado, 16 de novembro de 1873

Joaquim Henriques Fradesso da Silveira (Lisboa/14.04.1825 – 26.04.1875/Lisboa) distinguiu-se como industrial e fundador a Gazeta das Fábricas mas sobretudo como presidente da Associação Promotora da Indústria Fabril de Lisboa, tendo promovido a edição da Biblioteca das Fábricas, que coligia pequenos e elucidativos opúsculos dos trabalhos que levara a cabo como Comissário Régio para o inquérito à indústria fabril.

Posteriormente, Fradesso da Silveira transferiu-se para a área das estatísticas industriais na Direcção-Geral de Estatística para além de se ter dedicado às questões do fomento industrial e da competitividade, tendo exercido também as funções de vogal do Conselho Geral do Comércio, Agricultura e Manufaturas. Na década de 1860 era também membro da secção industrial do Conselho Geral das Alfândegas, tendo realizado vários inquéritos destinados a avaliar a competitividade da indústria portuguesa face às suas congéneres europeias.

Fradesso da Silveira assentara praça na marinha em 1842 – onde foi condiscípulo de Carlos Testa – e em 1844 passou para a Infantaria do Exército, tendo depois conseguido por concurso a regência da cadeira de Física e Química da Escola Politécnica, onde se manteve até 1853 e à qual voltou em 1860, levando esta docência a fazê-lo publicar o Manual do curso de química elementar professado na Escola Politécnica (1846) e Lições de Óptica (1848).  Também dirigiu o Observatório Meteorológico de Lisboa, anexo à Escola Politécnica. Em 1853, desempenhou as funções de chefe da Repartição de Pesos e Medidas (da Comissão Central de Pesos e Medidas) o que lhe permitiu contribuir decisivamente para a adoção do sistema métrico em todo o país.

Joaquim Fradesso da Silveira que foi  casado com Maria Amália Cordeiro Feyo, filha do 1º Visconde de Fontainhas, também ao longo da sua vida manteve uma ligação próxima à imprensa escrita já que editou a  Revista Popular (1849-1851), organizou o Almanaque Popular,  o Diário Mercantil e a Gazeta do Povo, para além de colaborar na Revista Universal Lisbonense, no Jornal do Comércio e no Diário de Notícias, tendo sido ainda, enquanto membro do Partido Histórico, deputado por Lisboa em 1865 e 1866.

Freguesia de Alcântara
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

#EuropeForCulture

A Rua Bernardo Lima, do professor de agronomia e veterinária Silvestre

Freguesias de Santo António
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Silvestre Bernardo Lima, professor de Zootecnia e de Higiene no Instituto de Agronomia e Veterinária no séc. XIX, está desde 8 de junho de 1903 inscrito na toponímia de Lisboa,  na artéria sita entre a Rua Bernardim Ribeiro e a Avenida Duque de Loulé, como Rua Bernardo Lima, paralela à Rua Ferreira Lapa de um seu condiscípulo e amigo, atribuída na mesma altura e ambas hoje território da freguesia de Santo António.

(Foto: Joshua Benoliel, cerca de 1914, Arquivo Municipal de Lisboa)

Sylvestre Bernardo Lima (Alpiarça/01.04.1824 – 10.09.1893/Lisboa) foi um agrónomo e veterinário que exerceu funções como lente de Zootecnia e de Higiene, no Instituto Geral de Agricultura como então se denominava, durante 30 anos. Desenvolveu intensa actividade pedagógica e científica sendo na época o maior especialista português em  zootecnia, para além de ter organizado o recenseamento geral dos gados em 1870. Bernardo Lima, como o seu condiscípulo e amigo João Ignácio Ferreira Lapa, transitaram do Corpo Docente da antiga Escola Veterinária Militar na Rua do Salitre para o então novo Instituto Geral de Agricultura. No ano letivo de 1878/79 também desempenhou as funções de Diretor Interino do Instituto. Terminou a sua carreira docente em 1881 por em março ter sido nomeado Diretor Geral da Agricultura, Comércio e Indústria no Ministério das Obras Públicas, substituindo Morais Soares que falecera, onde se manteve até à aposentação em 25 de julho de 1886.

Da sua vasta obra publicada destaquem-se Estudos hípicos (1858-1878), Tabela do resultado do estudo das lãs portuguesas (1862), Doenças da oliveira, laranjeira e sobreiro do Sul de França (1865), Bibliografia agrícola (1878) ou Chá do feno (1879), bem como o primeiro manual de divulgação agrícola escrito em língua portuguesa e acessível ao grande público,  o Catecismo Popular de Agricultura (1856), elaborado em conjunto com Ferreira Lapa. Em paralelo, foi um colaborador assíduo da revista Portugal e Brasil , bem como do Jornal Oficial de Agricultura (1880) e do Archivo Rural, que em 1858 fundara de parceria com Ferreira Lapa, José Maria Teixeira e Elvino de Brito, sendo a 1ª publicação periódica portuguesa dedicada à agricultura.

Ainda desempenhou funções como vice-Presidente do Conselho Especial de Veterinária e vogal da Secção de Agricultura do Conselho Geral do Comércio Industria e Manufaturas.

Bernardo Lima viveu os seus últimos anos no Bussaco, responsável pela Intendência das Matas do Reino e foi agraciado como Cavaleiro da Ordem de Cristo (1862), como Conselheiro (1877), assim como com a colocação de um busto na Escola de Medicina Veterinária, da autoria de Costa Mota (sobrinho), tendo ainda a mesma Escola  celebrado o centenário do nascimento deste professor em 1924.

Freguesias de Santo António
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

 

A Rua do Conselheiro Mariano de Carvalho, professor da Escola Politécnica

Freguesia dos Olivais
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Mariano Cirilo de Carvalho, professor de Matemática da Escola Politécnica, jornalista e político, foi consagrado ainda em vida, dez meses após se demitir do cargo de Ministro da Fazenda, na Rua do Conselheiro Mariano de Carvalho, na última década do século XIX, nos  Olivais, artéria que hoje começa hoje junto ao nº 365 da Avenida Infante Dom Henrique  e se estende até à Praça da Viscondessa dos Olivais (em virtude de alterações urbanísticas ocorridas na zona foi eliminado o troço entre a Avenida Infante Dom Henrique e a Avenida D. João II).

Foi por deliberação camarária de 25 de novembro de 1892 e consequente Edital municipal de dia 30 que a Rua Direita, que da Praça da Viscondessa dos Olivais seguia para o nascente até à Praia do Tejo, se passou a denominar Rua do Conselheiro Mariano de Carvalho, tendo o mesmo Edital  consignado também em Ruas da mesma freguesia os nomes de Conselheiros de Estado que haviam sido ministros ou governadores na mesma época, a saber, a Rua do Conselheiro Dias Ferreira, a Rua do Conselheiro Ferreira do Amaral, a Rua do Conselheiro Lopo Vaz e a Rua do Conselheiro Teles de Vasconcelos.

N’ O Berro, 29 de março de 1896,  caricaturado por Celso Hermínio

Mariano Cirilo de Carvalho (Alenquer-Abrigada/25.06.1836 – 19.10.1905/Estoril), formado em Farmácia e em Matemática pela Escola Politécnica de Lisboa, distinguiu-se como  professor de Matemática dessa mesma Escola a partir da década de sessenta do séc. XIX, tendo sido também vogal do Conselho Superior de Instrução Pública.

Mariano de Carvalho foi  também jornalista, começando logo a partir de 1864 no Gazeta de Portugal mas chegou até a fundar títulos como o Notícias, o Novidades, o Correio Português e o Diário Popular. Em paralelo, ainda se dedicou à tradução, tendo sido o primeiro tradutor para português de Júlio Verne (nas obras Aventuras de três russos e de três ingleses,Viagem ao centro da terra, O país das peles, A galera Chanceler).

Filiado no Partido Reformista foi deputado de 1870 a 1880, eleito pelos círculos da Chamusca, do Porto, de Timor e do Cartaxo, tendo em 1900 sido deputado independente. Em 1876, por fusão do Reformista com o Partido Histórico, passou a representar o Partido Progressista. Foi ainda Ministro da Fazenda (1886-1889; 1891-1892) com José Luciano e com João Crisóstomo, época que publicou as obras Reorganização das Finanças Portuguesas – Relatório e Proposta de Lei (1887),  A Questão dos Tabacos (1889) e Os Planos Financeiros (1893).

Mariano de Carvalho conseguiu ainda ser o Comissário português à Exposição de Paris de 1890, presidente da Câmara Municipal de Setúbal e Comissário régio no Banco Nacional Ultramarino.

Por último, refira-se que Mariano de Carvalho foi um empenhado defensor da construção da linha de caminho de ferro para Cascais, tendo mesmo apresentado um plano de construção de um porto franco naquela vila, bem como de uma linha férrea que pela Quinta Marinha, seguisse até Colares.

Freguesia dos Olivais
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Rua do Professor de Medicina Tropical e de Letras Silva Teles

Freguesia das Avenidas Novas
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Professor de Medicina Tropical e do Curso Superior de Letras que também foi Reitor da Universidade de Lisboa (1928) e Ministro da Instrução Pública (1929), o Dr. Silva Teles está inscrito na toponímia das  Avenidas Novas desde a publicação do Edital municipal de 17 de abril de 1934, a ligar a Rua Tenente Espanca à  Rua da Beneficência.

Francisco Xavier da Silva Teles (Goa/02.09.1860 – 21.05.1930/Lisboa) que fixou residência em Lisboa no ano de 1900, enquanto docente exerceu como professor da cadeira de Higiene e Climatologia na Escola de Medicina Tropical desde 1902, como professor das cadeiras de Geografia (1904), Geografia Económica Geral e Especial, Geografia Económica de Portugal e suas Colónias e Geografia Económica do Brasil, no Curso Superior de Letras. Em 1911 passou a acumular como professor do Instituto Superior do Comércio de Lisboa e em 1927 foi também professor da cadeira de Administração Colonial, cargo que acumulou com os de diretor da Escola de Medicina Tropical de Lisboa para no ano seguinte, a 24 de fevereiro, ser nomeado Reitor da Universidade de Lisboa e no ano que se seguiu, Ministro da Instrução Pública, de 8 de julho a 11 de setembro, já que demitiu por discordâncias de orientação política.

Formado em medicina na Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa (1880), tornou-se Médico Naval, tendo começado em Moçambique, fundado o laboratório bacteriológico do Hospital da Marinha em 1895 e terminado com o posto de Capitão-de-mar-e-guerra (1918).

Estudou na École d’Anthropologie de Paris, onde se aperfeiçoou em técnicas antropométricas, tendo publicado diversos estudos e regido um curso de Antropologia na Academia de Estudos Livres de Lisboa, para o qual preparou um programa de observações antropológicas que a Sociedade de Geografia de Lisboa usou depois em trabalhos de campo na Serra da Estrela, associação sob a égide da qual organizou o I Congresso Colonial (1901), temática em que também tinha estudos publicados.

Refira-se ainda que  Silva Teles foi deputado do Partido Progressista e em 1908, um dos fundadores da Liga de Educação Nacional, assim como foi Secretário Geral da Sociedade de Geografia durante 12 anos e Sócio Correspondente da Academia de Ciências de Lisboa. Em 1924 também participou no Guia de Portugal dirigido por Raúl Proença.

Agraciado foi com os graus de Cavaleiro, Oficial e Comendador da Ordem Militar de Avis (1919), com o grau de Oficial da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada, para além da Medalha de Prata de Comportamento Exemplar, da Medalha de Ouro de Comportamento Exemplar e da Medalha de Bronze de Filantropia e Caridade.

Freguesia das Avenidas Novas
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Rua do arqtº José Luís Monteiro da Estação do Rossio e Professor de Belas Artes

Freguesia de Marvila
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

José Luís Monteiro é o arquiteto e professor de quatro décadas da Escola de Belas Artes que desde o Edital de 10/08/1978  está consagrado no arruamento formado pelas Ruas 11-B e 12 da Zona N2 de Chelas, que se inicia na Rua Domingo Parente,  na freguesia de Marvila, aquela em cuja toponímia mais arquitetos podemos encontrar.

O Edital municipal de 10 de agosto de 1978 foi aquele que pela primeira vez na toponímia de Lisboa incluiu um conjunto significativo de nomes da arquitetura nacional, a saber: Álvaro Machado, Adães Bermudes, Adelino Nunes, Cassiano Branco, Domingos Parente, José Luís Monteiro, Keil do Amaral, Luís Cristino da Silva, Miguel Nogueira Júnior, Norte Júnior, Pardal Monteiro e  Pedro José Pezerat.

José Luís Monteiro no seu gabinete de trabalho, cerca de 1910
(Foto: Alberto Carlos Lima, Arquivo Municipal de Lisboa)

José Luís Monteiro (Montelavar/25.10.1849 – 27.01.1942/Lisboa), um arquiteto formada nas Belas Artes de Lisboa e de Paris, foi professor de Arquitetura Civil durante mais de 40 anos e funcionário da Câmara Municipal de Lisboa.

Concluído o ensino que desde os 12 anos iniciara na Real Academia das Belas Artes de Lisboa, somou-lhe em 28 de novembro de 1878 o diploma de arquiteto da École Nationale et Spéciale des Beaux Arts de Paris, curso que começara a 17 de novembro de 1873. Ainda nesse ano da sua licenciatura participou com seu mestre Pascal na Exposição Portuguesa no Champ de Mars, em Paris.

Em 1 de março de 1880, começou a trabalhar na Câmara  Municipal de Lisboa sendo Arquitecto Chefe da 1ª secção da  Repartição Técnica e no ano seguinte, a 23 de junho, ingressou como  professor de Arquitetura Civil da Escola de Belas Artes de Lisboa, escola onde a partir de 1912 também assumiu a função de diretor, razão para que a sua obra tenha sobretudo Lisboa como cenário.

O primeiro plano do Liceu Passos Manuel é da sua autoria (1882), alterado depois por Rafael da Silva e Castro em 1888 e por Rosendo Carvalheira em 1896, sendo revisto em 1907 e finalmente inaugurado no ano letivo de 1911-12. Também a Estação do Rossio, na Praça Dom João da Câmara, é obra sua de 1886 – 1887, enquanto  consultor e superintendente do gabinete técnico da Companhia Carris de Ferro, introduzindo o ferro na construção portuguesa. Alguns elementos de decoração dos Paços de Concelho de Lisboa, como os portões de ferro forjado da fachada, os fogões de mármore de Carrara do Salão Nobre, o brasão da cidade na Sala das Sessões Privadas, o mobiliário da Sala do Arquivo, são também obra sua de 1887 a 1891.

Destacam-se ainda do seu traço a antiga Escola Fröbel no Jardim da Estrela (1882), Candeeiros do Monumento aos Restauradores da Independência, na Praça dos Restauradores (1886), o Hotel Avenida Palace  (1890-1892) também na Praça dos Restauradores, o Quartel do Batalhão de Sapadores Bombeiros (1892) na Avenida Dom Carlos I, o Salão Portugal da Sociedade de Geografia (1897) na então Rua de Santo Antão (depois, Rua Eugénio dos Santos e Rua das Portas de Santo Antão), bem como a nova Igreja dos Anjos inaugurada no dia 11 de março de 1910. Delineou ainda diversos coretos para a cidade como o do Jardim de São Pedro de Alcântara ou o da Avenida da Liberdade, tendo este último sido transferido em  1932 para o Jardim da Estrela onde ainda hoje pode ser visto. José Luís Monteiro construiu ainda o carro da cidade de Lisboa no Centenário do Marquês de Pombal e o pavilhão da Praça do Comércio para as comemorações do Centenário de Luís de Camões.

No distrito de Lisboa são ainda obra sua o Palácio de Conde Castro Guimarães e Casa Nova do Duque de Palmela (em Cascais), o Chalet Biester na Estrada da Pena, a Casa da Rainha D. Maria Pia no Estoril, a Casa da Condessa de Cuba em Paço de Arcos e o Palacete de veraneio dos Condes de Tomar na Cruz Quebrada, tendo ainda publicado no Anuário da sociedade dos arquitetos portugueses, de 1905 a 1910.

José Luís Monteiro deu o seu nome a um Prémio  em 1930, instituído na Escola de Belas Artes de Lisboa para distinguir alunos excepcionais do Curso de Arquitetura  e foi agraciado com o grau de Cavaleiro da espanhola Ordem de Isabel a Católica (1881) e com o grau de cavaleiro da Ordem Nacional da Legião de Honra pelo Presidente da República Francesa (1901).

Freguesia de Marvila
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Praça do Professor de Matemática Santos Andrea

Freguesias de Benfica
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

O Professor de Matemática de Liceu e Universitário, Santos Andrea, dá nome a uma Praça de Benfica desde 1970 e 33 anos passados sobre a sua morte.

O topónimo foi sugerido pelo  Vereador Teixeira Bastos e concretizou-se pelo Edital municipal de 11/07/1970 num troço da Travessa da Granja, compreendido entre a Estrada de Benfica e a Rua Dr. José Baptista de Sousa.

O Prof. Santos Andrea, em 1922, lendo o elogio de Gago Coutinho e Sacadura Cabral, na cerimónia de doutoramento dos aviadores, na Faculdade de Ciências de Lisboa (Foto: Arquivo Municipal de Lisboa)

Eduardo Ismael dos Santos Andrea (Lisboa/10.11.1879 – 15.02.1937/Lisboa), filho do Oficial da Armada e Professor de Astronomia da Escola Naval Álvaro José de Sousa Soares de Andrea e de Leopoldina dos Santos, formou-se  em Matemática e começou por trabalhar no Observatório Astronómico de Lisboa, na Tapada da Ajuda, sendo que a partir de 1901 exerceu como professor liceal em Bragança, Vila Real (1903) e em Lisboa, no então Liceu Normal de Lisboa ou Liceu da Lapa e depois Pedro Nunes (1906) e no Liceu Camões (1931). Executou também compêndios de Aritmética, Álgebra, Geometria, Matemática e Trigonometria.

A partir de 1903 passou a ser também professor da Escola Politécnica de Lisboa (depois, Faculdade de Ciências de Lisboa), das disciplinas de Astronomia, Mecânica Celeste, Álgebra Superior, Cálculo Infinitesimal e Análise Superior, tendo sido catedrático em 1913. Em 1914 publicou as suas lições das cadeiras de Cálculo Infinitesimal e Análise Superior. Santos Andrea também dirigiu o Observatório Astronómico da Faculdade e criou os cursos de Aperfeiçoamento de Astronomia e de Engenheiros Geógrafos. Foi também membro do Senado da Universidade de Lisboa e do Conselho Superior de Instrução Pública.

O Professor Santos Andrea também integrou a Escola Normal Superior, de 13 de novembro de 1915 até à sua extinção em 1930, como professor de Metodologia Geral das Ciências Matemáticas, secretário e diretor.

Freguesias de Benfica
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Rua da primeira catedrática de Química, Branca Edmée Marques

Freguesias de Alvalade
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Branca Edmée Marques  foi a primeira catedrática de Química do nosso país, em 1966, pelo que dá nome a uma artéria da Cidade  Universitária, na freguesia de Alvalade, desde 2009.

O topónimo nasceu a  partir de uma proposta do Professor José Pedro Sousa Dias, membro da Comissão Municipal de Toponímia em representação da Universidade de Lisboa e a Comissão escolheu a Rua Interior da Alameda da Universidade entre a Avenida Prof. Aníbal Bettencourt e a Avenida Gama Pinto, que a deliberação de câmara de 02/09/2009 aprovou e assim foi a Rua Branca Edmée Marques fixada pelo Edital municipal de 16/09/2009. Pelo mesmo Edital mais 3 arruamentos da zona da Universidade Clássica de Lisboa ganharam nomes de investigadores, a saber, os do matemático António Aniceto Monteiro, do geólogo Paul Choffat e da pedagoga Teresa Ambrósio.

Branca Edmée Marques (Lisboa/14.04.1899 – 19.07.1986/Lisboa), filha de Berta Rosa Marques e de Alexandre Théodor Roux, licenciada em Ciências Físico-Químicas pela Faculdade de Ciências de Lisboa no ano de 1925, começou nesse mesmo ano a ser professora dessa Faculdade, onde regeu vários cursos teóricos, entre os quais os de Químicas Orgânica e Análise Química, embora só tenha chegado a Catedrática em 1966, e foi a 1ª mulher em Portugal a atingir essa categoria na área da Química.

Ainda antes de concluir a sua licenciatura, no ano letivo de 1923-24, a convite de Aquiles Machado, estagiou no Laboratório de Química Analítica no Instituto Superior Técnico sob orientação de Charles Lepierre.   Depois, com uma bolsa atribuída pela Junta de Educação Nacional, de 1931 a 1935 fez trabalho de investigação em física nuclear no Laboratoire Curie do Instituto do Rádio, primeiro sob a orientação de Marie Curie e depois da morte desta, em 1934, sob a de André Debierne, doutorando-se em 1935 na Faculdade de Ciências de Paris, com a tese intitulada «Nouvelles Recherches sur le Fractionnement des Sels de Baryum Radifère».

Em 1936, já de volta a Portugal, foi-lhe reconhecida a equiparação do seu Doctorat d’État ao grau de Doutor em Ciências Físico-Químicas das Universidades Portuguesas em 13 de Junho de 1936, tendo criado o Laboratório de Radioquímica, que dirigiu que até à sua jubilação, o qual originaria o Centro de Estudos de Radioquímica  da Comissão de Estudos de Energia Nuclear (em 1953), o 1º centro de investigação em Química da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, hoje extinto.

Branca Edmée Marques publicou 6 trabalhos nos Comptes Rendus de l’Académie des Sciences de Paris, quatro dos quais ainda antes do seu doutoramento e em 1936 publicou 3 artigos no Journal de Chimie Physique, todos na área dos seus estudos sobre o bário radífero. Refira-se ainda que escreveu uma breve biografia de Marie Curie para a revista Ciência, e outra de Jean Perrin, a convite do Instituto Francês em Portugal, no primeiro aniversário da morte do grande cientista.

No centésimo aniversário do nascimento de Madame Curie, Branca Edmée Marques foi convidada pelo Instituto de Rádio de Paris para as cerimónias de homenagem que se realizaram na Universidade de Paris, em outubro de 1967, na qualidade de antiga colaboradora da nobelizada Maria Sklodowska Curie.

Branca Edmée Marques foi casada com o naturalista, geólogo e professor da Faculdade de Ciências António da Silva e Sousa Torres (1876-1958).

Freguesias de Alvalade
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)