A Rua do Professor de Medicina Tropical e de Letras Silva Teles

Freguesia das Avenidas Novas
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Professor de Medicina Tropical e do Curso Superior de Letras que também foi Reitor da Universidade de Lisboa (1928) e Ministro da Instrução Pública (1929), o Dr. Silva Teles está inscrito na toponímia das  Avenidas Novas desde a publicação do Edital municipal de 17 de abril de 1934, a ligar a Rua Tenente Espanca à  Rua da Beneficência.

Francisco Xavier da Silva Teles (Goa/02.09.1860 – 21.05.1930/Lisboa) que fixou residência em Lisboa no ano de 1900, enquanto docente exerceu como professor da cadeira de Higiene e Climatologia na Escola de Medicina Tropical desde 1902, como professor das cadeiras de Geografia (1904), Geografia Económica Geral e Especial, Geografia Económica de Portugal e suas Colónias e Geografia Económica do Brasil, no Curso Superior de Letras. Em 1911 passou a acumular como professor do Instituto Superior do Comércio de Lisboa e em 1927 foi também professor da cadeira de Administração Colonial, cargo que acumulou com os de diretor da Escola de Medicina Tropical de Lisboa para no ano seguinte, a 24 de fevereiro, ser nomeado Reitor da Universidade de Lisboa e no ano que se seguiu, Ministro da Instrução Pública, de 8 de julho a 11 de setembro, já que demitiu por discordâncias de orientação política.

Formado em medicina na Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa (1880), tornou-se Médico Naval, tendo começado em Moçambique, fundado o laboratório bacteriológico do Hospital da Marinha em 1895 e terminado com o posto de Capitão-de-mar-e-guerra (1918).

Estudou na École d’Anthropologie de Paris, onde se aperfeiçoou em técnicas antropométricas, tendo publicado diversos estudos e regido um curso de Antropologia na Academia de Estudos Livres de Lisboa, para o qual preparou um programa de observações antropológicas que a Sociedade de Geografia de Lisboa usou depois em trabalhos de campo na Serra da Estrela, associação sob a égide da qual organizou o I Congresso Colonial (1901), temática em que também tinha estudos publicados.

Refira-se ainda que  Silva Teles foi deputado do Partido Progressista e em 1908, um dos fundadores da Liga de Educação Nacional, assim como foi Secretário Geral da Sociedade de Geografia durante 12 anos e Sócio Correspondente da Academia de Ciências de Lisboa. Em 1924 também participou no Guia de Portugal dirigido por Raúl Proença.

Agraciado foi com os graus de Cavaleiro, Oficial e Comendador da Ordem Militar de Avis (1919), com o grau de Oficial da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada, para além da Medalha de Prata de Comportamento Exemplar, da Medalha de Ouro de Comportamento Exemplar e da Medalha de Bronze de Filantropia e Caridade.

Freguesia das Avenidas Novas
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

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A Rua do arqtº José Luís Monteiro da Estação do Rossio e Professor de Belas Artes

Freguesia de Marvila
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

José Luís Monteiro é o arquiteto e professor de quatro décadas da Escola de Belas Artes que desde o Edital de 10/08/1978  está consagrado no arruamento formado pelas Ruas 11-B e 12 da Zona N2 de Chelas, que se inicia na Rua Domingo Parente,  na freguesia de Marvila, aquela em cuja toponímia mais arquitetos podemos encontrar.

O Edital municipal de 10 de agosto de 1978 foi aquele que pela primeira vez na toponímia de Lisboa incluiu um conjunto significativo de nomes da arquitetura nacional, a saber: Álvaro Machado, Adães Bermudes, Adelino Nunes, Cassiano Branco, Domingos Parente, José Luís Monteiro, Keil do Amaral, Luís Cristino da Silva, Miguel Nogueira Júnior, Norte Júnior, Pardal Monteiro e  Pedro José Pezerat.

José Luís Monteiro no seu gabinete de trabalho, cerca de 1910
(Foto: Alberto Carlos Lima, Arquivo Municipal de Lisboa)

José Luís Monteiro (Montelavar/25.10.1849 – 27.01.1942/Lisboa), um arquiteto formada nas Belas Artes de Lisboa e de Paris, foi professor de Arquitetura Civil durante mais de 40 anos e funcionário da Câmara Municipal de Lisboa.

Concluído o ensino que desde os 12 anos iniciara na Real Academia das Belas Artes de Lisboa, somou-lhe em 28 de novembro de 1878 o diploma de arquiteto da École Nationale et Spéciale des Beaux Arts de Paris, curso que começara a 17 de novembro de 1873. Ainda nesse ano da sua licenciatura participou com seu mestre Pascal na Exposição Portuguesa no Champ de Mars, em Paris.

Em 1 de março de 1880, começou a trabalhar na Câmara  Municipal de Lisboa sendo Arquitecto Chefe da 1ª secção da  Repartição Técnica e no ano seguinte, a 23 de junho, ingressou como  professor de Arquitetura Civil da Escola de Belas Artes de Lisboa, escola onde a partir de 1912 também assumiu a função de diretor, razão para que a sua obra tenha sobretudo Lisboa como cenário.

O primeiro plano do Liceu Passos Manuel é da sua autoria (1882), alterado depois por Rafael da Silva e Castro em 1888 e por Rosendo Carvalheira em 1896, sendo revisto em 1907 e finalmente inaugurado no ano letivo de 1911-12. Também a Estação do Rossio, na Praça Dom João da Câmara, é obra sua de 1886 – 1887, enquanto  consultor e superintendente do gabinete técnico da Companhia Carris de Ferro, introduzindo o ferro na construção portuguesa. Alguns elementos de decoração dos Paços de Concelho de Lisboa, como os portões de ferro forjado da fachada, os fogões de mármore de Carrara do Salão Nobre, o brasão da cidade na Sala das Sessões Privadas, o mobiliário da Sala do Arquivo, são também obra sua de 1887 a 1891.

Destacam-se ainda do seu traço a antiga Escola Fröbel no Jardim da Estrela (1882), Candeeiros do Monumento aos Restauradores da Independência, na Praça dos Restauradores (1886), o Hotel Avenida Palace  (1890-1892) também na Praça dos Restauradores, o Quartel do Batalhão de Sapadores Bombeiros (1892) na Avenida Dom Carlos I, o Salão Portugal da Sociedade de Geografia (1897) na então Rua de Santo Antão (depois, Rua Eugénio dos Santos e Rua das Portas de Santo Antão), bem como a nova Igreja dos Anjos inaugurada no dia 11 de março de 1910. Delineou ainda diversos coretos para a cidade como o do Jardim de São Pedro de Alcântara ou o da Avenida da Liberdade, tendo este último sido transferido em  1932 para o Jardim da Estrela onde ainda hoje pode ser visto. José Luís Monteiro construiu ainda o carro da cidade de Lisboa no Centenário do Marquês de Pombal e o pavilhão da Praça do Comércio para as comemorações do Centenário de Luís de Camões.

No distrito de Lisboa são ainda obra sua o Palácio de Conde Castro Guimarães e Casa Nova do Duque de Palmela (em Cascais), o Chalet Biester na Estrada da Pena, a Casa da Rainha D. Maria Pia no Estoril, a Casa da Condessa de Cuba em Paço de Arcos e o Palacete de veraneio dos Condes de Tomar na Cruz Quebrada, tendo ainda publicado no Anuário da sociedade dos arquitetos portugueses, de 1905 a 1910.

José Luís Monteiro deu o seu nome a um Prémio  em 1930, instituído na Escola de Belas Artes de Lisboa para distinguir alunos excepcionais do Curso de Arquitetura  e foi agraciado com o grau de Cavaleiro da espanhola Ordem de Isabel a Católica (1881) e com o grau de cavaleiro da Ordem Nacional da Legião de Honra pelo Presidente da República Francesa (1901).

Freguesia de Marvila
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Praça do Professor de Matemática Santos Andrea

Freguesias de Benfica
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

O Professor de Matemática de Liceu e Universitário, Santos Andrea, dá nome a uma Praça de Benfica desde 1970 e 33 anos passados sobre a sua morte.

O topónimo foi sugerido pelo  Vereador Teixeira Bastos e concretizou-se pelo Edital municipal de 11/07/1970 num troço da Travessa da Granja, compreendido entre a Estrada de Benfica e a Rua Dr. José Baptista de Sousa.

O Prof. Santos Andrea, em 1922, lendo o elogio de Gago Coutinho e Sacadura Cabral, na cerimónia de doutoramento dos aviadores, na Faculdade de Ciências de Lisboa (Foto: Arquivo Municipal de Lisboa)

Eduardo Ismael dos Santos Andrea (Lisboa/10.11.1879 – 15.02.1937/Lisboa), filho do Oficial da Armada e Professor de Astronomia da Escola Naval Álvaro José de Sousa Soares de Andrea e de Leopoldina dos Santos, formou-se  em Matemática e começou por trabalhar no Observatório Astronómico de Lisboa, na Tapada da Ajuda, sendo que a partir de 1901 exerceu como professor liceal em Bragança, Vila Real (1903) e em Lisboa, no então Liceu Normal de Lisboa ou Liceu da Lapa e depois Pedro Nunes (1906) e no Liceu Camões (1931). Executou também compêndios de Aritmética, Álgebra, Geometria, Matemática e Trigonometria.

A partir de 1903 passou a ser também professor da Escola Politécnica de Lisboa (depois, Faculdade de Ciências de Lisboa), das disciplinas de Astronomia, Mecânica Celeste, Álgebra Superior, Cálculo Infinitesimal e Análise Superior, tendo sido catedrático em 1913. Em 1914 publicou as suas lições das cadeiras de Cálculo Infinitesimal e Análise Superior. Santos Andrea também dirigiu o Observatório Astronómico da Faculdade e criou os cursos de Aperfeiçoamento de Astronomia e de Engenheiros Geógrafos. Foi também membro do Senado da Universidade de Lisboa e do Conselho Superior de Instrução Pública.

O Professor Santos Andrea também integrou a Escola Normal Superior, de 13 de novembro de 1915 até à sua extinção em 1930, como professor de Metodologia Geral das Ciências Matemáticas, secretário e diretor.

Freguesias de Benfica
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Rua da primeira catedrática de Química, Branca Edmée Marques

Freguesias de Alvalade
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Branca Edmée Marques  foi a primeira catedrática de Química do nosso país, em 1966, pelo que dá nome a uma artéria da Cidade  Universitária, na freguesia de Alvalade, desde 2009.

O topónimo nasceu a  partir de uma proposta do Professor José Pedro Sousa Dias, membro da Comissão Municipal de Toponímia em representação da Universidade de Lisboa e a Comissão escolheu a Rua Interior da Alameda da Universidade entre a Avenida Prof. Aníbal Bettencourt e a Avenida Gama Pinto, que a deliberação de câmara de 02/09/2009 aprovou e assim foi a Rua Branca Edmée Marques fixada pelo Edital municipal de 16/09/2009. Pelo mesmo Edital mais 3 arruamentos da zona da Universidade Clássica de Lisboa ganharam nomes de investigadores, a saber, os do matemático António Aniceto Monteiro, do geólogo Paul Choffat e da pedagoga Teresa Ambrósio.

Branca Edmée Marques (Lisboa/14.04.1899 – 19.07.1986/Lisboa), filha de Berta Rosa Marques e de Alexandre Théodor Roux, licenciada em Ciências Físico-Químicas pela Faculdade de Ciências de Lisboa no ano de 1925, começou nesse mesmo ano a ser professora dessa Faculdade, onde regeu vários cursos teóricos, entre os quais os de Químicas Orgânica e Análise Química, embora só tenha chegado a Catedrática em 1966, e foi a 1ª mulher em Portugal a atingir essa categoria na área da Química.

Ainda antes de concluir a sua licenciatura, no ano letivo de 1923-24, a convite de Aquiles Machado, estagiou no Laboratório de Química Analítica no Instituto Superior Técnico sob orientação de Charles Lepierre.   Depois, com uma bolsa atribuída pela Junta de Educação Nacional, de 1931 a 1935 fez trabalho de investigação em física nuclear no Laboratoire Curie do Instituto do Rádio, primeiro sob a orientação de Marie Curie e depois da morte desta, em 1934, sob a de André Debierne, doutorando-se em 1935 na Faculdade de Ciências de Paris, com a tese intitulada «Nouvelles Recherches sur le Fractionnement des Sels de Baryum Radifère».

Em 1936, já de volta a Portugal, foi-lhe reconhecida a equiparação do seu Doctorat d’État ao grau de Doutor em Ciências Físico-Químicas das Universidades Portuguesas em 13 de Junho de 1936, tendo criado o Laboratório de Radioquímica, que dirigiu que até à sua jubilação, o qual originaria o Centro de Estudos de Radioquímica  da Comissão de Estudos de Energia Nuclear (em 1953), o 1º centro de investigação em Química da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, hoje extinto.

Branca Edmée Marques publicou 6 trabalhos nos Comptes Rendus de l’Académie des Sciences de Paris, quatro dos quais ainda antes do seu doutoramento e em 1936 publicou 3 artigos no Journal de Chimie Physique, todos na área dos seus estudos sobre o bário radífero. Refira-se ainda que escreveu uma breve biografia de Marie Curie para a revista Ciência, e outra de Jean Perrin, a convite do Instituto Francês em Portugal, no primeiro aniversário da morte do grande cientista.

No centésimo aniversário do nascimento de Madame Curie, Branca Edmée Marques foi convidada pelo Instituto de Rádio de Paris para as cerimónias de homenagem que se realizaram na Universidade de Paris, em outubro de 1967, na qualidade de antiga colaboradora da nobelizada Maria Sklodowska Curie.

Branca Edmée Marques foi casada com o naturalista, geólogo e professor da Faculdade de Ciências António da Silva e Sousa Torres (1876-1958).

Freguesias de Alvalade
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

Prof. Lindley Cintra numa rua de Carnide

Freguesia de Carnide
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Por sugestão da Assembleia Municipal de Lisboa, através da sua Moção de 10 de outubro de 1991, foi o nome do Prof. Prof. Lindley Cintra,  docente de Românica e Linguística, fixado na toponímia de Lisboa, pelo Edital camarário de 19/02/1992, na Rua A da Nova Urbanização do Bairro Padre Cruz, na freguesia de  Carnide, com a legenda «Filólogo e Investigador/1925 – 1991».

Pelo mesmo edital mais 3 professores catedráticos foram atribuídos nesta zona de Carnide, a saber, na Rua Prof. Pais da Silva, a Rua Prof. Arsénio Nunes e a Rua Prof. Almeida Lima. Este núcleo toponímico de professores universitários em Carnide conta ainda com a Rua Fernando Piteira Santos,  a Rua Prof. Francisco Pereira de Moura, a Rua Jorge Vieira, a Rua Profª Maria Leonor Buescu, a Rua Professor Sedas Nunes e a Rua Prof. Tiago de Oliveira.

Luís Filipe Lindley Cintra (Espariz – Tábua/05.03.1925 – 18.08.1991/Lisboa) foi um investigador, filólogo, linguista, historiador da cultura e professor universitário na Faculdade de Letras de Lisboa, docente de Românica e Linguística desde 195o até ao seu falecimento e catedrático desde 1962, tendo também aí criado o Departamento de Linguística Geral e Românica e reformado o Centro de Estudos Filológicos.

Como investigador, dedicou-se principalmente às origens da língua portuguesa – literatura medieval, linguística românica, dialetologia – e ao espaço da língua portuguesa, da sua geografia nos nossos dias, isto é, do espaço geográfico definido como produto da expansão extraeuropeia da língua nascida do latim vulgar do Noroeste peninsular. Lindley Cintra colaborou no Atlas Linguístico da Península Ibérica e dirigiu o Glossário Medieval, destacando-se da ainda na sua obra Alguns Estudos de Fonética com base no Atlas Linguístico da Península Ibérica (1958), A Linguagem dos Foros de Castelo Rodrigo (1959),  Áreas Lexicais no Território Português (1962), os três volumes de Crónica Geral de Espanha de 1344 (1951-1961), Estudos de Dialectologia Portuguesa (1983) e com Celso Cunha a a elaboração da Nova Gramática do Português Contemporâneo (1984).

Refira-se ainda que em 1950 começou logo a colaborar no Centro de Estudos Filológicos do Instituto de Alta Cultura e, quatro anos depois, passou a dirigir o Boletim de Filologia, tal como a Revista Lusitana, para além de pertencer a diversas sociedades científicas. Foi agraciado com a Ordem da Liberdade (1983) e a  Ordem da Instrução Pública (1988).

Freguesia de Carnide
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Rua do Professor de Coimbra e político, Carlos Alberto da Mota Pinto

Freguesias de Campo de Ourique e de Santo António
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Carlos Alberto da Mota Pinto foi um político e vice-reitor da Universidade de Coimbra que desde o ano do seu falecimento, através do Edital municipal de  29/08/1985, passou a dar nome a uma artéria hoje pertença das freguesias de Campo de Ourique e Santo António, que era a Rua A do plano de Reordenamento das Amoreiras, compreendida entre a Rua José Gomes Ferreira e a Avenida Engº Duarte Pacheco, com a legenda «Professor Universitário e Político/1936 – 1985».

Carlos Alberto da Mota Pinto (Pombal/25.07.1936 – 07.05.1985/Coimbra), licenciou-se  em Direito pela Universidade de Coimbra, tendo nessa instituição sido Professor catedrático desde 1975, bem como docente de Teoria Geral do Direito Civil, Direito das Obrigações, Direitos Reais  e Direito Público da Economia, tendo ainda sido Vice Reitor e Presidente do Conselho Diretivo da Faculdade de Direito, para além de ter sido também professor da Universidade Católica. É de destacar ainda o seu manual de Teoria Geral do Direito Civil.

Enquanto político, Mota Pinto junto com Francisco Sá Carneiro, Pinto Balsemão e Magalhães Mota fundou após o 25 de Abril o PPD (PSD) e foi Deputado logo na Assembleia Constituinte e depois, na Assembleia da República, tendo sido presidente do Grupo Parlamentar do PSD e mandatário nacional do candidato da AD, general Soares Carneiro, à presidência da República, em 1980. Liderou o Partido Social Democrata em 1983 a 1984, na chamada “Troika“, com Nascimento Rodrigues e Eurico de Melo, bem como a Comissão Política Nacional do partido, entre 1984 e 1985, passando depois a Presidente do partido. Foi ainda Ministro do Comércio e Turismo no I Governo constitucional de Mário Soares (25 de março de 1977 a 30 de janeiro de 1978 ), Primeiro-Ministro no  IV Governo constitucional nomeado por iniciativa presidencial de Ramalho Eanes ( 22 de novembro de 1978 a 1 de agosto de 1979) e ainda Vice-Primeiro-Ministro e Ministro da Defesa no IX Governo constitucional de Pinto Balsemão (9 de junho de 1983 a 15 de fevereiro de 1985).

Carlos da Mota Pinto foi agraciado com um Doutoramento Honoris Causa pela Universidade de Coimbra (1982), a Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo (1981), a Grã- Cruz da Ordem da Instrução Pública (1985, póstuma), a Grã-Cruz de Isabel a Católica (Espanha), a Grã-Cruz de Ouro da Ordem do Mérito da Áustria, a Grã-Cruz da Ordem de Danburg do Reino da Dinamarca, bem como Grande-Oficial do Mérito Civil da Itália (1985).

Freguesias de Campo de Ourique e de Santo António
(Planta: Sérgio Dias| NT

 

O Largo Prof. Arnaldo Sampaio da Escola Nacional de Saúde Pública

Freguesia de Campolide
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

O Prof. Arnaldo Sampaio foi um médico que se repartiu por três sectores fundamentais – o ensino, a investigação e a administração de Saúde Pública – e que desde 1986 tem o seu nome fixado num Largo situado em frente do Centro de Saúde de Sete Rios, na Freguesia de Campolide.

Com a legenda «Médico de Saúde Pública/1908 – 1984», o Largo Prof. Arnaldo Sampaio foi atribuído pelo Edital municipal de 08/07/1986 ao largo situado em frente do Centro de Saúde de Sete-Rios, por proposta da Administração Regional de Saúde de Lisboa.

António Arnaldo Carvalho Sampaio (Guimarães/07.06.1908 – 16.10.1984/Lisboa), licenciado pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (1933), junto com Gonçalves Ferreira, foi na década de 50 do séc. XX, responsável pela reforma do ensino da Saúde Pública no País, o que muito contribuiu para o desenvolvimento da Escola Nacional de Saúde Pública, a cujos destinos presidiu durante alguns anos, como Professor Catedrático de Administração de Saúde Pública.

Começou na investigação em 1939, no Laboratório do Instituto Dr. Ricardo Jorge e, em 1948, após regressar dos Estados Unidos da América – onde obteve o Mestrado em Saúde Pública pela John Hopkins (1945) -, desenvolveu novas técnicas e promoveu a formação de uma equipa de técnicos especializados para a melhoria da saúde em Portugal, bem como impulsionou o Centro de Bacteriologia, particularmente na descoberta das doenças da sífilis e brucelose, baseado na evidência epidemiológica e científica das doenças transmissíveis em Portugal. Em 1953, após um ano de trabalho como investigador do Centro Mundial da Gripe, em Londres, foi encarregado de montar e dirigir, no Instituto Superior de Higiene, o Centro Nacional da Gripe, ligado à Organização Mundial de Saúde e aí criou os Laboratórios de Bacteriologia e Virologia do Instituto Ricardo Jorge, que depressa se desenvolveu e distinguiu como um dos mais acreditados no País. Em 1955, foi nomeado Inspetor Superior de Saúde, continuando sempre a trabalhar no sentido de melhorar os serviços de Saúde, o que o levou à realização de um pormenorizado inquérito sobre os laboratórios existentes no País, com vista à instituição de uma rede laboratorial de Saúde Pública, que só viria a materializar-se com a reforma de 1971.

Na administração, Arnaldo Sampaio dirigiu o Instituto Superior de Higiene, de outubro de 1968 a janeiro de 1972. Entretanto, fora chamado, em 1970, a dirigir o recém-criado Gabinete de Estudos e Planeamento do Ministério da Saúde e Assistência, tendo promovido a publicação dos «Trabalhos Preparatórios do IV Plano de Fomento — 1971», que constituíram um pormenorizado diagnóstico da situação de Saúde do País, com uma profundidade nunca antes atingida para além da sua contribuição pessoal para a elaboração do Decreto-Lei 413/71, peça fundamental da legislação portuguesa de Saúde  que lançou os fundamentos de uma moderna política de saúde e determinou uma completa reestruturação dos serviços, com a criação de uma rede de cuidados primários, destinada a cobrir todo o País. Foi depois nomeado Diretor-geral de Saúde (de 1972 a 1978), concebendo, elaborando e aplicando a reforma dos Serviços de Saúde portugueses de 1971, da autoria do seu grande amigo Gonçalves Ferreira. Destaque-se ainda que  em 1969, criou a Associação Portuguesa para a Promoção da Saúde Pública (APPSP).

Este Professor Catedrático de Administração de Saúde Pública dirigiu a Escola Nacional de Saúde Pública (1974-1976),  foi ainda membro da Organização Mundial de Saúde e, a partir de certa data e durante muitos anos, chefe da delegação portuguesa à Assembleia Mundial de Saúde. Pertenceu ainda aos Comités de Peritos da OMS e foi consultor da Organização. Quando, em 1977, Portugal foi eleito para o Comité Executivo — a mais alta instância técnico-científica e operacional da OMS — o governo Português incumbiu-o dessa representação.

Arnaldo Sampaio foi agraciado com Grande-Oficial da Ordem de Benemerência (1973) e a Grã-Cruz da Ordem do Mérito (1993), bem como com a criação em  1988 do Prémio Professor Arnaldo Sampaio pela APPSP  para o melhor trabalho de Investigação em Saúde Pública realizado em Portugal.

Refira-se ainda que o Prof. Dr. Arnaldo Sampaio foi o pai do antigo Presidente da República Jorge Sampaio (1939) e do psiquiatra e escritor Daniel Sampaio (1946).

Freguesia de Campolide
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

 

A Rua do cirurgião professor de Anatomia, José António Serrano

Freguesias de Santa Maria Maior e de Arroios
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

José António Serrano, «Doutor Tratadista, Osteólogo», conforme diz a sua placa toponímica foi um professor de Anatomia que desde 1906 dá o seu nome à artéria que liga a Rua do Arco da Graça à Rua de São Lázaro, dois anos após o seu falecimento.

Esta artéria hoje do território administrativo das freguesias de Santa Maria Maior e de Arroios, tem o seu topónimo em resultado da deliberação camarária de 6 de dezembro de 1906, para substituir a Calçada do Colégio que fixava a proximidade ao Colégio Jesuíta de Santo Antão que se tornara Hospital de São José após o terramoto de 1755. Ainda hoje encontramos a Travessa do Colégio junto à Rua do Arco da Graça.

Ilustração Portuguesa, 12 de dezembro de 1904

José António Serrano (Castelo de Vide/01.10.1851 – 07.12.1904/Lisboa), foi Lente da Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa e o primeiro cirurgião português que conseguiu curar um tumor sólido do ovário, por meio de laparatomia (em 1889), bem como pioneiro na realização da histerectomia (remoção do útero).

Licenciado em 1875,  começou por fazer clínica na sua terra natal, durante dois anos, até ser  nomeado preparador e conservador do Museu de Anatomia da Escola Médica (1878), ao mesmo tempo se exercia como cirurgião do Banco do Hospital de São José (1879). A partir de 1895, desempenhou também funções de diretor de enfermaria de São Fernando do Hospital do Desterro bem como de Secretário e Bibliotecário da Escola Médica em 1896, para além de diretor da Repartição de Estatística do Hospital de São José, em 1901. Foi lente de Anatomia Descritiva a partir de 1880, para além de ter regido na Escola de Belas Artes a cadeira de Anatomia Artística e Higiene de Edifícios desde 1888. As suas obras essenciais foram o Manual Sinóptico de Anatomia Descritiva e o Tratado de Osteologia Humana (1895).

José António Serrano integrou o grupo Vencedores da Medicina (1890), a Sociedade Portuguesa de Bromatologia Prática e assumiu a vice-presidência da Sociedade das Ciências Médicas. O Anfiteatro de Anatomia da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa (construída em 1953) recebeu o nome de Auditório Professor José António Serrano e na sua parede fundeira foram sendo colocadas placas de homenagem e medalhões de falecidos professores de Anatomia, como José António Serrano, Armando Ferreira, Barbosa Sueiro, Caria Mendes,  José Gentil e Victor Fontes.

Freguesias de Santa Maria Maior e de Arroios (Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

 

 

A Rua do químico cabo-verdiano, Roberto Duarte Silva

Freguesia de São Domingos de Benfica
(Foto: Sérgio Dias | NT do DPC )

O químico cabo-verdiano Roberto Duarte Silva, que também pode ser reclamado como português e como francês, está numa rua de  São Domingos de Benfica, a unir a estrada da Luz à Rua Virgílio Correia, desde a publicação do Edital de municipal de 22/12/1960, com a legenda na placa toponímica de «Químico Notável/1837 – 1889».

Pelo mesmo Edital foram também atribuídas na mesma freguesia a Rua Major Neutel de Abreu, a Rua Padre Francisco Álvares e a Rua General Schiappa Monteiro.

Roberto Duarte Silva (Cabo Verde – Santo Antão/25.02.1837 – 09.02.1889/Paris – França) começou a trabalhar aos 14 anos como aprendiz num boticário, na ilha de Santo Antão, mas acabou por rumar a Lisboa, onde foi trabalhar para a Farmácia Azevedo enquanto se formava na Escola de Farmácia lisboeta. Foi enviado para Macau para montar uma farmácia mas comércio de Macau colapsou pela  concorrência da recém-fundada cidade de Hong-Kong, para onde seguiu a abrir farmácia própria, tendo conseguido ser o fornecedor oficial dos militares franceses. Em 1863 vai fixar-se em Paris. Na capital francesa concluiu uma licenciatura em Ciências Físicas e a partir de 1867 até à sua morte, trabalhou nos laboratórios de  Wurtz e de Friedel, especializado no  ramo da Química Orgânica. Publicou o seu primeiro trabalho também em  1867.

Exerceu ainda como docente na Escola de Física e Química  Industriais (de 1882 a 1887), bem como na Escola Central de Artes e Manufacturas (de 1887 até ao seu falecimento), ambas em Paris, e na segunda, iniciou cursos experimentais, imprimindo uma orientação prática sem precedentes ao ensino da química. Na primeira, foi docente de Química Analítica do também futuro engenheiro químico Charles Lepierre, o qual por  sugestão sua se instalou em Portugal em 1888, pelo que no centenário do nascimento de Roberto Duarte Silva proferiu uma palestra em que o qualificou como «um excelente professor» que «Falava correctamente o francês, o inglês, o alemão, além do português, é claro. » Refira-se também que para ser nomeado professor das escolas de Paris lhe foi imposta a naturalização francesa mas é sabido, nomeadamente através da sua correspondência com familiares e amigos em Cabo Verde, que lhes pedia materiais locais para os estudar, em busca de uma aplicação industrial que ajudasse a economia do arquipélago.

Roberto Duarte Silva desempenhou ainda os cargos de vice-presidente (1885) e presidente (1887) da Société Chimique; foi membro da Association Française pour l’Avancement des Sciences e seu secretário entre 1875 e 1877, bem como presidente da secção de Química em 1886; foi membro corresponde da Academia das Ciências de Lisboa a partir de 1876 e membro honorário da Sociedade Pharmaceutica Luzitana. Foi ainda agraciado com o Jecker Prize da Académie de Sciences de Paris, em 1885.

Em Paris, Roberto Duarte da Silva viveu  no nº 26 da Rue de la Harpe, perto do Museu de Cluny,  e nessa cidade faleceu aos 51 anos de idade, provavelmente vítima da tuberculose. Está sepultado no Cemitério de Montparnasse. Foi homenageado numa nota de Cabo Verde e na Escola da Ribeira Grande, localidade da ilha de Santo Antão onde nasceu.

Freguesia de São Domingos de Benfica
(Planta: Sérgio Dias | NT do DPC )

 

 

 

Jorge Luis Borges dá o seu nome ao Jardim do Arco do Cego

na Freguesia de Nª Srª de Fátima - na futura Freguesia das Avenidas Novas

Freguesia das Avenidas Novas                                                             (Foto: Artur Matos)

Jorge Luis Borges dá nome ao Jardim do Arco do Cego, situado entre a Avenida João Crisóstomo, Rua Dona Filipa de Vilhena e a Avenida Duque d’Ávila, desde 2009 (Edital de 16/09/2009) que – quando então passava o 110º aniversário deste escritor argentino- Lisboa acolheu neste espaço verde  um Memorial a Borges, da autoria de Federico Brook, doado pela Casa da América Latina, estendendo o seu nome a todo o espaço.

De seu nome completo, Jorge Francisco Isidoro Luis Borges Acevedo (Buenos Aires/24.08.1899 – 14.06.1986/Genebra), o mais universal dos escritores argentinos, era oriundo de uma família portuguesa por parte do pai, com um bisavô oriundo de Torre de Moncorvo, como refere no seu poema “Os Borges”, para além de na sua obra salientar vivências e memórias dos seus antepassados lusos. Este escritor cujo primeiro livro foi de poesia e publicado em 1923 (Fervor de Buenos Aires), reclamava-se portador do modo português de sentir o universo e, em 1984 foi galardoado em Portugal com a Ordem de Santiago da Espada e, como Doutor Honoris Causa da Universidade de Coimbra em reconhecimento pela sua obra, com títulos de que se destacam História Universal da Infâmia (1935), Ficções (1944), O Aleph (1949), Manual de zoologia fantástica em colaboração com Margarita Guerrero (1957) ou O relatório de Brodie (1970).

Não obstante a sua carga genética ter determinado a sua cegueira total a partir de 1956, Borges para além da sua prosa aparentemente despojada mas carregada de de fantástico e de fina ironia, foi também poeta, ensaísta, tradutor, crítico literário, professor universitário, presidente da Associação Argentina de Escritores e, diretor da Biblioteca Nacional da Argentina (1955 – 1973), tanto mais mais adequado ao autor do conto “Biblioteca de Babel” quanto ele afirmou que “Sempre imaginei que o paraíso será uma espécie de biblioteca”.

Refira-se ainda que foi vencedor do primeiro prémio Formentor, instituído em 1961, ex-aequo com Samuel Beckett, e visitou Lisboa em 1929, bem como  em 1980, com a sua companheira inseparável, Maria Kodama.

Do conjunto de cerca de 8 dezenas de personalidades estrangeiras que integram a toponímia de Lisboa, Jorge Luis Borges é o único argentino.

Freguesia das Avenidas Novas (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia das Avenidas Novas
(Planta: Sérgio Dias)