A Rua Prof. Pais da Silva e o Arraial do Bairro Padre Cruz

Freguesia de Carnide

O lisboeta historiador de arte e pioneiro na defesa do Património Cultural, Jorge Henrique Pais da Silva, recebe na sua rua alfacinha um Arraial popular, no decorrer deste mês de junho, no largo que se abre junto ao Auditório Natália Correia,  promovido pela Associação de Pais e Encarregados de Educação do Agrupamento de Escolas do Bairro Padre Cruz.

A Rua Prof. Pais da Silva, que se estende da Rua Professor Almeida Lima até à Estrada da Circunvalação, resultou da sugestão da Profª Maria Calado, que na época era a representante da Universidade Técnica de Lisboa na Comissão Municipal de Toponímia e foi concretizada na Rua C da Nova Urbanização do Bairro Padre Cruz através do Edital municipal de 19 de Fevereiro de 1992. O mesmo Edital colocou nos outros novos arruamentos do Bairro mais 3 professores catedráticos, a saber,  na Rua A o filólogo Prof. Lindley Cintra , na Rua D o catedrático de Medicina Legal Prof. Arsénio Nunes  e na Rua F, o Prof. Almeida Lima, fundador da prática da neurocirurgia em Portugal.

Jorge Henrique Pais da Silva (Lisboa/08.07.1929 – 23.09.1977/Lisboa), historiador de Arte e professor universitário que delineou o 1.º Congresso Internacional de Defesa do Património Cultural e Natural – realizado em Alcobaça em 1978 – que potenciou um  boom de associações de defesa do património em Portugal, assim como traçou grande parte do organigrama do que seria o futuro Instituto Português do Património Cultural, começou a sua carreira como professor liceal (1956-1958). Depois foi docente da Escola Superior de Belas Artes do Porto (1959-1966), da Faculdade de Letras do Porto (1965-1966) e da Faculdade de Letras de Lisboa (1966-1967), tendo ainda dirigido a ESBAP em 1970. Realizou ainda cursos de expansão universitária no Museu Nacional de Arte Antiga e na Fundação Calouste Gulbenkian, onde foi também diretor-adjunto do Serviço de Belas-Artes.

As suas pesquisas e investigação centraram-se no  Renascimento, e sobretudo do Maneirismo, em especial no campo da Arquitetura, dentro do país e no estrangeiro, mormente em Itália. Em paralelo, pugnou pela modernização da investigação em Portugal no domínio da História da Arte, em concorrência com a comunidade científica internacional. Do conjunto da sua obra publicada salientamos Notas sobre a arquitectura dos Jesuítas no espaço português (1961), Em torno da arquitectura setecentista portuguesa : Barroco e Rococó (1974), Estudos sobre o Maneirismo (1983), O Pretérito Presente – Para Uma Teoria da Preservação do Património Histórico- Artístico (1984) e os dois volumes de Páginas de História da Arte (1986). Refira-se ainda o Dicionário de Termos de Arte e Arquitectura, editado em 2004,  obra sua que permaneceu inacabada devido à sua morte prematura mas que foi organizada e completada pela Profª Maria Margarida Calado para publicação.

O Prof. Pais da Silva foi académico efetivo da Academia Nacional de Belas Artes, na Cadeira nº 5, sucedendo ao Arqtº Carlos João Chambers Ramos em 9 de dezembro de 1970.

Freguesia de Carnide

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A Rua José Cardoso Pires e o italiano Peeta no 3º Festival de Arte Urbana de Lisboa – MURO’19

PEETA na Rua José Cardoso Pires
(Foto: © José Vicente, 2019 |DPC |DMC |CML )

A passagem que da Rua José Cardoso Pires dá acesso a um pátio que desemboca na Alameda da Música será o alvo da intervenção artística do italiano Peeta, no âmbito do MURO’19 – 3º Festival de Arte Urbana de Lisboa, mostrando a ilusão de tridimensionalidade que caracteriza a sua obra.

Radicado em Veneza, Peeta é o nome artístico de Manuel Di Rita, pintor e escultor que desde 1993 se dedica à Arte Urbana, usando figuras geométricas e letras para criar estruturas mais complexas num estilo de tridimensionalidade ilusória, revelando a ilusão da percepção humana, a falácia de pontos de vista estreitos, sendo de destacar os trabalhos que já realizou em Itália -Agropoli, Bolonha, Gemona, Milão ou Turim -, Vancouver (Canadá), na Catalunha, em Chicago, Atenas, Bristol (Reino Unido) ou Borås (Suécia). Na escultura, usa o pvc através de um software profissional de design 3D, a fibra de vidro e o bronze como materiais. Na pintura, executa telas em acrílico e óleo, quer com pincéis quer com aerógrafo.

Freguesia do Lumiar – Placa Tipo IV

Desde a publicação do Edital de 18 de novembro de 2003 que José Cardoso Pires, que a si se definia como alfacinha de coração, ficou a ser o topónimo da Rua D da Malha 15 do Alto do Lumiar, a ligar a Avenida Álvaro Cunhal à Avenida David Mourão-Ferreira.

José Augusto Neves Cardoso Pires (Vila do Rei-aldeia de S. João do Peso/02.10.1925 – 08.07.1998/Lisboa), filho de Maria Sofia Cardoso Pires Neves  e de José António das Neves, distinguiu-se nas letras portuguesas quer no jornalismo, quer na dramaturgia, no romance ou no ensaio. Em 50 anos de atividade literária iniciada em 1948 com Caminheiros e outros contos, sobressaem títulos como Histórias de Amor (1952) que foi apreendido pela PIDE, a peça O Render dos Heróis (1960), o ensaio Cartilha do Marialva (1960), a novela O Hóspede de Job (1963) consagrada com o Prémio Camilo Castelo Branco, O Delfim (1968), Dinossauro Excelentíssimo (1972), Balada da Praia dos Cães (1982) que foi Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores,  Alexandra Alpha (1987) que obteve o Prémio Especial da Associação de Críticos de S. Paulo, ou De Profundis, Valsa Lenta (1997) ou o seu póstumo Lavagante (2008).

Cardoso Pires veio morar para Lisboa com poucos meses de idade, para o n.º 7 da Rua Carlos José Barreiros, em Arroios,  e esta foi a sua cidade do coração, a quem dedicou inúmeras páginas e mesmo uma obra inteira – Lisboa, Livro de Bordo (1997)- para além de ter exercido as funções de Vereador da Cultura da Câmara Municipal de Lisboa, em 1975. Estudou no Liceu Camões e na Faculdade de Ciências; fundou com Victor Palla a coleção de bolso «Os Livros das Três Abelhas» (1949) bem como dirigiu as Edições Artísticas Fólio (1954); foi professor de Literatura Portuguesa e Brasileira no King’s College da Universidade de Londres (1969 a 1971); foi jornalista no Diário PopularDiário de LisboaO Jornal e nas revistas Eva, Almanaque ou &etc. Viveu Lisboa desde o Café Herminius à Cervejaria Portugália, dos bilhares da Almirante Reis  à casa de jogo clandestina do carvoeiro da Rua José Estêvão, do Café Chiado ao Monte Carlo, do Toni dos Bifes à Pastelaria Joaninha (junto ao Jardim Constantino) ou o bar Procópio, na companhia de tantos como Abelaira, Alexandre O’Neil,  Carlos de Oliveira, CesarinyEduardo Prado Coelho, Gastão da Cruz, Herberto Helder, José Gomes FerreiraLuiz Pacheco,  Manuel da Fonseca, Pedro Oom ou Vespeira.

Democrata empenhado na luta contra a opressão, com Alçada Baptista, Miller Guerra, Lindley Cintra, Joel Serrão, José-Augusto França, Nuno Bragança e Nuno Teotónio Pereira, constituiu em 1966 o núcleo português da Association Internationale pour la Liberté de La Culture e em 1985 foi agraciado com a Ordem da Liberdade, assim como em 1989 com  a Grande Cruz de Mérito Cultural. Na sua vida pessoal, casou em 1954 com a enfermeira Maria Edite Pereira – a quem chamava Esquilo-  de quem teve duas filhas, a Ana e a Rita.

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Muzai na Escola Nuno Cordeiro da Avenida David Mourão-Ferreira, no MURO’19

Muzai na Escola Nuno Cordeiro: A Balada de Seu Ciro e Dona Elvira
(Foto: © José Vicente| CML| DPC| 2019

No âmbito do MURO’19 foi Muzai o escolhido para deixar a sua intervenção artística – A Balada de Seu Ciro e Dona Elvira – na empena da Escola Básica Nuno Cordeiro, sediada na Avenida David Mourão-Ferreira, nesta 3ª edição Festival de Arte Urbana de Lisboa em que a arte urbana se une à música e à literatura presente no espaço, quer através da toponímia, quer de concertos e peças artísticas que unem a pintura a sonoridades.

O brasileiro Muzai usa o fio condutor da simplicidade do seu traço e de cores puras, fortes e contrastadas, para produzir arte urbana. Procura uma poética visual de fantasia e sonho, como que resgatando a criança interior do interior do homem. Nascido em Minas Gerais, em 1968, como Fabrício Alves, desde criança que era apaixonado por banda desenhada e licenciou-se pela Faculdade de Artes Visuais da Universidade Federal de Uberlândia. Desde 2009 que se tornou o artista Muzai, após ter visitado São Paulo e ter ficado impressionado com o impacto da arte urbana na cidade em contraste com as antigas ruas cinzentas. Começou o seu percurso pela arte urbana mural na sua cidade natal.

David Mourão-Ferreira, escritor romancista, novelista, contista, dramaturgo e poeta que também escreveu para fado, professor universitário de literatura, ensaísta, jornalista e cronista, tradutor e crítico literário é o homenageado nesta longa Avenida onde se encontra a Escola Básica Nuno Cordeiro em cuja empena Muzai pintou a sua obra de caras, guitarra e ternura.

A Avenida David Mourão-Ferreira foi o topónimo dado à Rua 3 da Malha 14,6,1,2 e 3 do Alto do Lumiar através da publicação do Edital municipal de 22 de julho de 2005 e que encontramos desde a rotunda onde confluem a Avenida Carlos Paredes e a Rua General Vasco Gonçalves até ao Eixo Central (no troço entre Rotunda 2 e a Av. Nuno Krus Abecassis). Com a Rua José Cardoso Pires e a Avenida Carlos Paredes define quase um círculo em cujo espaço interior decorre o MURO’19.

O escritor David de Jesus Mourão-Ferreira (Lisboa/24.02.1927-16.06.1996/Lisboa), filho de David Ferreira – secretário do diretor da Biblioteca Nacional – e de Teresa de Jesus Mourão-Ferreira, homem de múltiplas facetas notabilizou-se como poeta do amor e da sensualidade, como uma personalidade que tanto na vida como na escrita celebrou o amor, o erotismo e o corpo em palavras. Nasceu e viveu até aos 15 anos no Bairro da Lapa, frequentou o Colégio Moderno e já nas brincadeiras de infância fazia peças de teatro e jornais que o seu irmão mais novo – Jaime Alberto – ilustrava. Licenciou-se em 1951 em Filologia Românica, na Faculdade de Letras de Lisboa, onde veio a ser professor e catedrático de Teoria da Literatura e Literatura Portuguesa.

Com Alain Oulman, David Mourão-Ferreira levou os seus poemas também para o fado e para a voz de Amália, em que se destacam Barco Negro (1954), Abandono, Solidão,  Espelho Quebrado, Primavera, Anda o Sol na Minha Rua, Nome de Rua ou Maria Lisboa (1961). Depois, também produziu letras para Simone de Oliveira ou Luís Cília, apesar de ter sido alvo de uma campanha de difamação, assim como de um processo judicial por  ter subscrito a apresentação da Antologia da Poesia Portuguesa Erótica e Satírica, organizada por Natália Correia (em 1965), bem como por no ano seguinte ter prefaciado a tradução de A Filosofia da Alcova do Marquês de Sade.

Começou a sua vida literária na poesia com a A Viagem (1950) a que somou, entre outros, Tempestade de Verão (1954) que foi Prémio Delfim Guimarães, Os Quatro Cantos do Tempo (1958), A Arte de Amar (1962), Cancioneiro de Natal (1971) que foi Prémio Nacional de Poesia, Matura Idade (1973), Sonetos do Cativo (1974), Os Ramos e os Remos (1985), No Veio de Cristal (1988) que foi Grande Prémio Inasset de Poesia, Nos Passos de Pessoa (1988) que ganhou o Prémio Jacinto Prado Coelho e a antologia erótica Música de Cama (1994).

São também de destacar as novelas Gaivotas em Terra (1959) que conquistaram o Prémio Ricardo Malheiros e são topónimo de uma artéria do Parque das Nações, a peça O Irmão (1965) que foi Prémio de Teatro da Casa da Imprensa, os contos Os Amantes (1968), As Quatro Estações (1980) galardoada com prémio da Associação Internacional dos Críticos Literários, o romance Um Amor Feliz (1986) – que recebeu o Prémio de Narrativa do Pen Clube Português, o Prémio D. Dinis da Fundação da Casa de Mateus, o Prémio de Ficção Município de Lisboa, o Grande Prémio de Romance da Associação Portuguesa de Escritores e a Medalha Oskar Nobiling da Academia Brasileira de Letras -, Duas Histórias de Lisboa (1987) e o CD Um Monumento de Palavras.

Colaborou também em jornais e revistas, como o Diário Popular ou a revista Seara Nova (onde em 1945 publicara os seus primeiros poemas), para além de ter sido um dos fundadores da revista literária Távola Redonda (1950-1954) que dirigiu com António Manuel Couto Viana e Luís de Macedo. Em 1967, tinha a rubrica «Poesia para Todos» no Diário de Lisboa e após o 25 de Abril dirigiu A Capital e foi diretor-adjunto de O Dia. Na década de sessenta do séc. XX também foi o autor do programa Música e Poesia na Emissora Nacional e de Hospital das Letras e Imagens da Poesia Europeia na RTP, tendo nos anos setenta criado também O Dom de Contar para a televisão.

Desempenhou ainda as funções de Secretário de Estado da Cultura (nos anos de 1976, 1977 e 1979), sendo seu o despacho que criou a Companhia Nacional de Bailado. A partir de 1981 dirigiu o Serviço de Bibliotecas Itinerantes e Fixas da Fundação Calouste Gulbenkian e depois, presidiu à Associação Portuguesa de Escritores (1984 – 1986) e ao Pen Club Português (1991).

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Rua Prof. Mário Chicó

Rua Prof. Mário Chicó, topónimo atribuído a um arruamento da freguesia do Lumiar por Edital de 27 de Fevereiro de 1978

Mário de Sousa Tavares Chicó (1905-1966), historiador de Arte, conservador de museu e professor universitário. O seu apelido Chicó foi por ele adoptado em homenagem ao seu avô adoptivo, Manuel Rodrigues Chicó, natural de Goa, engenheiro agrónomo que trabalhou nas propriedades agrícolas da Casa Cadaval, em Évora. Terá sido também por influência deste avô que Mário Chicó, após o Liceu, se decidiu a frequentar a Escola Agrícola de Coimbra, curso que viria a abandonar e a trocar pelo de Direito, na mesma Universidade, até finalmente, ingressar e completar o Curso de Ciências Histórico-Filosóficas na Faculdade de Letras de Lisboa (1935). Entre 1937 e 1939 foi bolseiro do Instituto de Alta Cultura, o que lhe permitiu frequentar o Instituto de Arte e Arqueologia da Universidade de Paris, e de estudar Arqueologia Medieval. A sua obra escrita revela bem o interesse por este período tendo publicado Remarques sur le choeur de l´église Sainte Marie de la Victoire Batalha (1940), A arquitectura da Idade Média em Portugal (1944), A catedral de Évora na Idade Média (1946), A arquitectura gótica em Portugal (1954), entre outros. Em 1942 colaborou na História da Arte em Portugal com diversos outros historiadores e em 1959 planeou e dirigiu um inovador Dicionário da Pintura Universal em colaboração com José-Augusto França e Artur Nobre Gusmão. Concorreu ao lugar de director do Museu Regional de Évora, que venceu em 1943, aqui permanecendo até à sua morte. A partir de 1946, ingressou na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa como professor da cadeira de Estética e História da Arte, tendo sido convidado a leccionar em várias universidades europeias e brasileiras. Em 1951 concretiza um outro projecto de investigação, obtendo o apoio da Junta das Missões Geográficas e Investigações Coloniais, viajando até à Índia para estudar a arquitectura de influência portuguesa naquela parte do Mundo. Foi o primeiro presidente da mesa da assembleia geral da Associação Portuguesa de Museologia, e pertenceu à Academia Nacional de Belas Artes.

O seu contributo para o conhecimento da história de Lisboa prende-se sobretudo com a sua carreira de Conservador de Museu, curso que fez em 1940 após o seu regresso do estrangeiro. É a Mário Chicó que a Câmara Municipal de Lisboa recorre para o projecto de criação de um museu municipal. A ideia de criar um espaço museológico dedicado à história da cidade fora lançada em 1909, e muito tenuemente executada em 1922, numa sala da Associação dos Arqueólogos Portugueses. O projecto de um museu de Lisboa, arrancou definitivamente por proposta do vereador Pereira Coelho, de 1935, destinando-se-lhe o Palácio da Mitra, adquirido pela autarquia em 1930. A adaptação do Palácio a Museu Municipal foi entregue a Mário Chicó, conservador dos Museus Municipais, o qual, consciente que seria uma morada provisória (como aliás tinha sido afirmado pela própria Câmara na proposta que apresentou à Junta Nacional de Educação, organismo da tutela), e das dificuldades em expor todas as espécies, optou por um circuito expositivo de acordo com a tipologia das peças (pinturas, gravuras, cerâmica, etc.) em detrimento de uma exposição cronológica, ao mesmo tempo que procurava valorizar o próprio edifício. No entanto, Mário Tavares Chicó deixou delineado um outro projecto para um futuro museu municipal que se pretendia edificar de raiz. Neste projecto, o museu deveria ter as seguintes secções: História e Geografia Locais, Arqueologia, Artes Plásticas, Estampas e Desenhos, Artes Decorativas, Etnografia, Medalhas, Sala de Exposições Temporárias, Biblioteca Olisiponense, Arquivo Municipal e Arquivo Fotográfico.

É de facto, Mário Tavares Chicó o primeiro a propor a criação de um núcleo arquivístico dedicado exclusivamente à fotografia, destinado a preservar a colecção inicial de fotografias que a Câmara possui, datadas de 1898-1908, e que constituem o seu núcleo antigo, bem como as fotografias que eram então tiradas, fosse para efeitos de propaganda da cidade, fosse para efeitos de recolha de imagens do património lisboeta. Desde o início da sua carreira de historiador de Arte Chicó utilizara a fotografia para documentar os seus trabalhos, valorizara a importância da fotografia para o estudo do património e deu destaque aos fotógrafos que com ele colaboraram como co-autores. Apesar desta sua proposta inicial, o Arquivo Fotográfico só abriria ao público, na década de 60 do século XX.

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A Rua do arquiteto Adães Bermudes, vereador da CML em 1918 e 1919

Freguesia de Marvila
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

O arquiteto portuense Adães Bermudes, foi também vereador da Câmara Municipal de Lisboa em 1918 e 1919, tendo sido perpetuado como topónimo de uma rua de Marvila em 1978, com mais onze arquitetos.

Republicano assumido e membro da Maçonaria, Adães Bermudes foi vereador da Comissão Administrativa da CML de 15 de março de 1918 a 21 de  fevereiro de 1919, a que sucedeu à presidida pelo também republicano José Carlos da Maia, que saiu para ser ministro da Marinha de Sidónio Pais em março de 1918 e fez com que pedisse a exoneração dos vereadores republicanos Matias Ferreira de Mira, Raul de Almeida Carmo, António Ferreira e António do Couto Abreu, tendo sido então designados em 15 de março de 1918, para os mesmos cargos, o presidente da Sociedade de Ciências Médicas Zeferino Falcão para Presidente da edilidade, o tenente-coronel de engenharia José Tavares de Araújo e Castro, o advogado Carlos Barbosa e Adães Bermudes, a quem coube o Pelouro da Arquitetura e a 4ª Repartição. Nesta Comissão Administrativa serviu como presidente de 10 de maio  até 4 de julho de 1918, a partir do que será presidente  José Tavares de Araújo e Castro, bem como nos impedimentos deste, tendo assim assinado como vogal-presidente os Editais que permitiram à Companhia de Carris de Ferro de Lisboa aumentar os preços das tarifas das carreiras durante os dias da semana excepto ao domingo, durante 3 meses, bem como aumentar a lotação em 50%, assim como o que determinou iguais condições para a  Nova Companhia dos Ascensores Mecânicos de Lisboa (23 de maio de 1918); o dos termos da cobrança dos impostos municipais a partir de 15 de julho para os relativos ao 2º semestre de 1918,  (1 de junho de 1918); a atribuição da Rua da Paz e outras desanexações e integrações toponímias na Ajuda ( 11 de novembro de 1918).

O Occidente, 20 de maio de 1913

Arnaldo Redondo Adães Bermudes (Santo Ildefonso – Porto/29.09.1863 – 18.02.1947/Paiões- Rio de Mouro) foi um arquiteto formado pela Academia Portuense de Belas Artes (entre 1880 e 1886), Escola de Belas-Artes de Lisboa e pela École des Beaux-Arts de Paris. Destacou-se como um expoente do movimento da Arte Nova e criou em 1898 um modelo de escola que foi difundido em todo o país e identificado como Escola Adães Bermudes. Traçou o Bairro de casas económicas do Arco do Cego, em 1897,  de acordo com o conceito cidade-jardim. Como arquiteto já antes lhe dedicámos um artigo mas sintetizamos agora que a sua obra em Lisboa soma um edifício Arte Nova concebido em 1908 para a Avenida Almirante Reis (na época, era a Avenida Dona Amélia) que foi distinguido com o Prémio Valmor; o restauro do Mosteiro dos Jerónimos, do Museu Nacional de Arte Antiga e do Museu Nacional de Belas Artes; o mausoléu dos benfeitores da Santa Casa da Misericórdia  no Cemitério do Alto de São João (1908); o Instituto Superior de Agronomia (1910); a Escola Normal Primária de Lisboa (1913), em Benfica;  e o Monumento ao Marquês de Pombal (1914), em equipa com Francisco Santos e António do Couto.

O Edital de 10 de agosto de 1978, proposto pela primeira Comissão Municipal de Toponímia que integrou um arquiteto – o  arqº Frederico George -, procurou criar pela toponímia um «bairro de arquitetos», até aí quase ausentes da toponímia lisboeta. A Adães Bermudes coube a  a Rua 14 da Zona N 2 de Chelas e os outros onze escolhidos foram Adelino Nunes (ruas 2 e 3), Álvaro Machado (arruamento de ligação entre a via envolvente e a rua 6), Cassiano Branco (ruas 4 e 5), Domingos Parente (rua 13), José Luís Monteiro (ruas 11B e 12), Keil do Amaral (ruas 1, 6 e 7), Luís Cristino da Silva (via comercial), Miguel Nogueira Júnior(rua 11), Norte Júnior (ruas 8 e 11A), Pardal Monteiro (via envolvente) e Pedro José Pezerat (rua 10).

Adães Bermudes foi pai do arquiteto Jorge Bermudes, irmão mais velho de Félix Bermudes e assim, também tio de Cesina Bermudes.

Está também presente na toponímia de Rio de Mouro (no concelho de Sintra), localidade onde faleceu e foi sepultado.

Freguesia de Marvila
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

Publicação municipal da Rua Padre Manuel Antunes

A publicação municipal de toponímia referente à Rua Padre Manuel Antunes, hoje distribuída no decorrer da inauguração oficial deste arruamento, na Freguesia do Lumiar, já está online.

É só carregar no link acima ou na capa abaixo e poderá ler.

Caso queira conhecer publicações anteriores poderá ir às Publicações Digitais do site da CML e escolher o separador Toponímia.

Ou no topo do nosso blogue carregar em 3 – As nossas Edições.

Inauguração da Rua Padre Manuel Antunes na próxima quarta, dia 19

Na próxima quarta-feira, dia 19 de dezembro, às 12:00 horas, Catarina Vaz Pinto, Vereadora da Cultura e das Relações Internacionais da Câmara Municipal de Lisboa,  junto com representantes do Instituto Europeu de Ciências da Cultura Padre Manuel Antunes, procederá à inauguração da Rua Padre Manuel Antunes, na freguesia do Lumiar.

O Padre Manuel Antunes (Sertã/03.11.1918 – 18.01.1985/Lisboa), cujo centenário do nascimento se cumpre este ano, foi um sacerdote jesuíta que se destacou como professor universitário na Faculdade de Letras de Lisboa e na forma como dirigiu a revista Brotéria, abrindo-a a todas as correntes de pensamento.

A Rua Vitorino Nemésio, das ilhas, se bem me lembro

Freguesia de Santa Clara
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Vitorino Nemésio da açoriana Ilha Terceira, escritor e professor da Faculdade de Letras, de rosto conhecido pelo seu programa televisivo Se bem me lembro, está desde o ano do seu falecimento perpetuado numa artéria da freguesia de Santa Clara.

Foi pelo Edital municipal de 20 de novembro de 1978 que passou a ser o topónimo da Rua B da Quinta de Santa Clara à Ameixoeira, o mesmo que colocou na Rua A o também escritor Jorge de Sena.

Vitorino Nemésio Mendes Pinheiro da Silva (Ilha Terceira-Praia da Vitória/19.12.1901 – 20.02.1978/Lisboa), filho de Vitorino Gomes da Silva e de Maria da Glória Mendes Pinheiro, notabilizou-se como professor universitário e escritor.

Na sua carreira académica foi também diretor da Faculdade de Letras de Lisboa, de 1956 a 1958, bem como agraciado como Doutor Honoris Causa pelas Universidades de Montpellier e Ceará, sendo também sócio efetivo da Academia das Ciências de Lisboa. Cumpriu o serviço militar, como voluntário, a partir de 1919 e concluiu o liceu em Coimbra, em 1921. Inscreveu-se em Direito em Coimbra mas, três anos mais tarde, trocou pelo curso de Ciências Histórico-Filosóficas, e no ano seguinte, passou para o curso de Filologia Românica. Em 1930 transferiu-se para a Faculdade de Letras de Lisboa onde concluiu, em 1931, o curso de Filologia Românica, e desde logo começou a ensinar Literatura Italiana e, mais tarde, Literatura Espanhola. Doutorou-se em 1934 com a tese A Mocidade de Herculano até à Volta do Exílio. Também foi professor na Universidade Livre de Bruxelas, entre 1937 e 1939, assim como no Brasil, em 1958. Publicou diversos ensaios de que se salientam Sob os Signos de Agora (1932), Relações Francesas do Romantismo Português (1936) ou Conhecimento de Poesia (1958).

Na carreira literária, pontificou na revista Presença a partir de 1930 e tanto foi poeta como cronista ou romancista. É o autor de obras incontornáveis como o romance Mau Tempo no Canal (1944) –  galardoado com o Prémio Ricardo Malheiros – ou as crónicas de Corsário das Ilhas (1956) tendo sido o seu primeiro livro de poemas: Canto Matinal (1916). Na poesia, destaquem-se também Eu, Comovido a Oeste (1940), Limite de idade (1972), Sapateia Açoriana, Andamento Holandês e Outros Poemas (1976) e o póstumo Caderno de Caligraphia e outros Poemas a Marga (2003), tal como na ficção Varanda de Pilatos (1926) ou Quatro prisões debaixo de armas (1971).

Na televisão ficou célebre pelo seu programa semanal Se bem me lembro, de 1970 a 1975, onde de postura e forma descontraída, durante meia hora em horário nobre, discorria sobre mentalidades e cultura em geral. Mas na comunicação social tinha uma história longa: fundou e dirigiu Estrela d’Alva. Revista Literária Ilustrada e Noticiosa (1916), a Revista Portugal (1937) e dirigiu o jornal O Dia entre 11 de dezembro de 1975 a 25 de outubro de 1976; com Branquinho da Fonseca e Gaspar Simões fundou a revista Tríptico (1924) e com Paulo Quintela, Cal Brandão e Sílvio Lima, Gente Nova. Jornal Republicano Académico (1927); foi redator de A Pátria, A Imprensa de Lisboa, Última Hora (1921), do Humanidade de Coimbra (1925); e ainda colaborou na revista Bizâncio (1923), na Seara Nova (1928), em O Diabo (1935), regularmente com uma rubrica no Diário Popular (1946), na revista Vértice (1947) e também regularmente na revista Observador (1971).

Foi agraciado com o Grande Oficialato da Ordem da Infante D. Henrique (1961) e da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada (1967) de que também recebeu,  a título póstumo, a Grã-Cruz (1978). Foi ainda Prémio Nacional de Literatura em 1965 e Prémio Montaigne em 1974.

Está também homenageado na toponímia de sul a norte de Portugal: em Abrantes, Albufeira, Alcabideche, Alhos Vedros, Amadora, Amora (Seixal), Arcozelo, Arrifana (Santa Maria da Feira), Azeitão, Baixa da Banheira, Beja, Braga, Campo Maior, Carcavelos, Cascais, Charneca da Caparica, Coimbra, Corroios, Eixo (Aveiro), Entroncamento, Ermesinde, Esmoriz, Estoril, Évora, Famões (Odivelas), Fânzeres (Gondomar), Ferreira do Alentejo, Figueira da Foz, Fontinhas (Praia da Vitória), Gaio-Rosário, Loures, Lousã, Maia, Mangualde, Matosinhos, Mem Martins, Montijo, Odivelas, Oeiras, Ovar, Palmela, Parede (Cascais), Pinhal Novo, Portalegre, Porto, Porto Martins (Praia da Vitória), Póvoa de Santa Iria, Póvoa de Santo Adrião (Odivelas), Queluz, Quinta do Conde (Sesimbra), Ramada (Odivelas), Regadas (Fafe), Rio de Mouro, Rio Tinto (Gondomar), São Mamede Coronado, Samora Correia, São Domingos de Rana, São João da Madeira, São João da Talha (Loures), São Julião do Tojal (Loures), Sobrado (Valongo), Sobreda (Almada), Trofa, Valbom (Gondomar), Vila Nova da Barquinha, Vila Praia de Âncora, Vilar de Andorinho (Vila Nova de Gaia) e Vilar do Paraíso (Vila Nova de Gaia).

David Mourão-Ferreira, o «escrevivente» do amor feliz, na toponímia de Lisboa

Freguesia do Lumiar
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

Poeta, romancista, novelista, contista, dramaturgo, professor, ensaísta, cronista, tradutor e crítico literário, assim era David Mourão-Ferreira que tanto na vida como na escrita celebrou o amor, o erotismo e o corpo em palavras porque, como ele dizia, tinha «o ofício de escreviver»: precisava de viver para escrever e de escrever para viver.

David Mourão-Ferreira começou por ser o topónimo de uma Rua lisboeta através do Edital Municipal de 18 de novembro de 2003, aquela que hoje conhecemos como Rua da Quinta das Conchas, mas por se entender que o escritor devia estar consignado num arruamento de maior extensão passou o seu nome para uma Avenida – que era a Rua 3 da Malha 14,6,1,2 e 3 do Alto do Lumiar, também na freguesia do Lumiar, pelo Edital de 22 de julho de 2005, ficando a unir a Rotunda onde confluem a Avenida Carlos Paredes e a Rua General Vasco Gonçalves ao Eixo Central. 

Com David Mourão-Ferreira são dez os escritores que estão homenageados em Avenidas de Lisboa: Carlos Pinhão, Eugénio de Andrade, Fernando Pessoa, Guerra Junqueiro, José Régio, Júlio Dinis, Miguel Torga, o Poeta Mistral e Vergílio Ferreira.

David de Jesus Mourão-Ferreira (Lisboa/24.02.1927-16.06.1996/Lisboa), filho de David Ferreira – secretário do diretor da Biblioteca Nacional – e de Teresa de Jesus Mourão-Ferreira, apesar das suas múltiplas facetas ficou mais conhecido como o poeta do amor  e da sensualidade. Nasceu e viveu até aos 15 anos no bairro da Lapa, frequentou o Colégio Moderno e já nas brincadeiras de infância fazia peças de teatro e jornais que o seu irmão mais novo –  Jaime Alberto – ilustrava. Licenciou-se em 1951 em Filologia Românica, na Faculdade de Letras de Lisboa,  onde veio a ser professor e catedrático de Teoria da Literatura e Literatura Portuguesa.

Começou a sua vida literária na poesia com a A Viagem (1950) a que somou, entre outros, Tempestade de Verão (1954) que foi Prémio Delfim Guimarães, Os Quatro Cantos do Tempo (1958), In Meae ou A Arte de Amar (1962), Cancioneiro de Natal (1971) que foi Prémio Nacional de Poesia, Matura Idade  (1973),  Sonetos do Cativo (1974), Os Ramos e os Remos (1985), No Veio de Cristal (1988) que foi Grande Prémio Inasset de Poesia, Nos Passos de Pessoa (1988) que ganhou o Prémio Jacinto Prado Coelho e uma antologia erótica: Música de Cama (1994).

São também de destacar as novelas Gaivotas em Terra (1959) com o Prémio Ricardo Malheiros, a peça O Irmão (1965) que foi Prémio de Teatro da Casa da Imprensa, os contos Os Amantes (1968), As Quatro Estações (1980) premiada pela Associação Internacional dos Críticos Literários, o romance Um Amor Feliz (1986) que recebeu o  Prémio de Narrativa do Pen Clube Português, o Prémio D. Dinis da Fundação da Casa de Mateus, o Prémio de Ficção Município de Lisboa, o Grande Prémio de Romance da Associação Portuguesa de Escritores e a Medalha Oskar Nobiling da Academia Brasileira de Letras. Refira-se ainda  Duas Histórias de Lisboa (1987) e o CD Um Monumento de Palavras que David Mourão-Ferreira gravou com a sua voz.

Com o contributo determinante de Alain Oulman, David Mourão-Ferreira levou os seus poemas também para o fado e para a voz de Amália, destacando-se Barco Negro (1954), AbandonoEspelho Quebrado, SombraAnda o Sol na Minha Rua, Nome de Rua ou Maria Lisboa (1961). Depois, fez também letras para  Simone de Oliveira, Francisco Pessoa, Mercês da Cunha Rego, Dário de Barros ou Luís Cília, apesar de ter sido alvo de uma campanha de difamação e de um processo judicial, por ter subscrito a apresentação da Antologia da Poesia Portuguesa Erótica e Satírica, organizada por Natália Correia e prefaciado a tradução de A Filosofia da Alcova do Marquês de Sade.

Colaborou em jornais e revistas, como o Diário Popular ou a Seara Nova onde em 1945 publicou os seus primeiros poemas-, para além de ter sido um dos fundadores da revista literária Távola Redonda (1950-1954)  que dirigiu com António Manuel Couto Viana e Luís de Macedo. Em 1967, tinha a rubrica «Poesia para Todos» no Diário de Lisboa e após o 25 de Abril dirigiu A Capital e foi diretor-adjunto de O Dia. Na Emissora Nacional foi o autor de Música e Poesia nos anos 60, década em que para a RTP fez Hospital das Letras e Imagens da Poesia Europeia, assim como nos anos 70, O Dom de Contar.

Desempenhou ainda as funções de Secretário de Estado da Cultura (nos anos de 1976, 1977 e 1979), sendo dele o despacho que criou a Companhia Nacional de Bailado. A partir de 1981 dirigiu o Serviço de Bibliotecas Itinerantes e Fixas da Fundação Calouste Gulbenkian e presidiu à Associação Portuguesa de Escritores (1984 – 1986) e ao  Pen Club Português (1991).

Do primeiro casamento nos anos 50, com Maria Eulália , sobrinha de Valentim de Carvalho, teve dois filhos: David João e Adelaide Constança. Em 1966 voltou a casar, com Maria do Pilar de Jesus Barata.

Foi agraciado como Chevalier de L´Ordre des Arts et des Lettres (1973), a Grã-Cruz da Ordem de Rio Branco (1976), como Grande Oficial (1981) e a Grã-Cruz (1996) da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada, o título de Cidadão Honorário de Cascais e a Medalha de Ouro da Câmara Municipal de Oeiras (1996), o Prémio de Carreira da Sociedade Portuguesa de Autores (1996) e a abertura da Cátedra David Mourão-Ferreira na Universidade italiana de Bari (2005).

Em Lisboa, dá também o seu nome a uma biblioteca na freguesia do Parque das Nações. O escritor integra também a toponímia de Alcabideche, Alhos Vedros, Amadora, Amora (Seixal), Barcarena, Beja, Braga, Caparica, Cascais, Corroios, Eixo (Aveiro), Évora, Fafe, Faro, Odivelas, Pombal (Leiria), Portimão, Póvoa de Santa Iria, Prior Velho, Quinta do Anjo, Regadas (Braga), Rio Tinto, Santa Iria de Azóia, Santarém, Santo António dos Cavaleiros, São Domingos de Rana, São Julião do Tojal, Sesimbra, Sobreda (Almada), Vialonga e Vila Nova da Barquinha.

Freguesia do Lumiar
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

 

Livro de Bordo da Rua José Cardoso Pires

Freguesia do Lumiar (Fotos: NT do DPC)

Alfacinha de coração, como a si próprio se definia, José Cardoso Pires, legou-nos 50 anos de atividade literária onde cresceram títulos como O Render dos HeróisCartilha do Marialva,  Dinossauro Excelentíssimo, Balada da Praia dos Cães, Alexandra Alpha ou De Profundis, Valsa Lenta, para além do Lisboa, Livro de Bordo sobre esta cidade capital do país – de que se assumia amante – e na qual vivia a sua boémia, sendo que desde o dia 18 de novembro de 2003 ficou no seu seio, a dar o seu nome a uma Rua da Freguesia do Lumiar – até aí identificada como Rua D da Malha 15 do Alto do Lumiar -, a ligar a Avenida Álvaro Cunhal à Avenida David Mourão-Ferreira.

José Cardoso Pires por João Abel Manta (1981)

De seu nome completo José Augusto Neves Cardoso Pires (Vila do Rei-aldeia de S. João do Peso/02.10.1925 – 08.07.1998/Lisboa), filho de Maria Sofia Cardoso Pires Neves  e de José António das Neves, foi um vulto das letras portuguesas que se distinguiu no jornalismo, na crónica, na dramaturgia, no romance e ensaio.

José Cardoso Pires veio morar para Lisboa com poucos meses de idade, para o n.º 7 da Rua Carlos José Barreiros, em Arroios,  e esta foi a sua cidade do coração, a quem dedicou inúmeras páginas e mesmo uma obra inteira – Lisboa, Livro de Bordo (1997)- para além de, em 1975, ter exercido as funções de Vereador da Cultura da Câmara Municipal de Lisboa.

Aluno do Liceu Camões frequentou Matemáticas até ao 3º ano na Faculdade de Ciências mas partiu para a Marinha Mercante, cumpriu tropa e fez colaborações literárias esporádicas até em 1948 iniciar a sua carreira literária, com Caminheiros e outros contos,  a que se seguiu Histórias de Amor (1952) que foi apreendido pela PIDE. Somou 18 títulos de que destacamos a peça O Render dos Heróis (1960), o ensaio Cartilha do Marialva (1960), a novela O Hóspede de Job (1963) consagrada com o Prémio Camilo Castelo Branco, O Delfim (1968), Dinossauro Excelentíssimo (1972), Balada da Praia dos Cães (1982) que foi Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores, Alexandra Alpha (1987) que obteve o Prémio Especial da Associação de Críticos de S. Paulo ou De Profundis, Valsa Lenta (1997). Em 2008 foi publicado, postumamente, o seu Lavagante.

Em 1949 também fundou com Victor Palla, a coleção de bolso «Os Livros das Três Abelhas» e cinco anos depois dirigiu as Edições Artísticas Fólio que revelaram em Portugal a obra de Samuel Beckett. Em paralelo, Cardoso Pires foi jornalista, nomeadamente no Diário Popular, Diário de Lisboa, O Jornal e nas revistas Eva, Almanaque ou &etc e legou-nos inúmeras páginas da sua boémia assumida, percorrida desde o Café Herminius à Cervejaria Portugália  e aos bilhares da Almirante Reis ou à casa de jogo clandestina do carvoeiro da Rua José Estêvão, até ao Café Chiado, o Monte Carlo, o Toni dos Bifes, a Pastelaria Joaninha junto ao Jardim Constantino ou o bar Procópio, na companhia de tantos como Abelaira, Alexandre O’Neil,  Carlos Oliveira, Cesariny, Eduardo Prado Coelho, Gastão da Cruz, Herberto Helder, José Gomes Ferreira, Luiz Pacheco,  Manuel da Fonseca, Pedro Oom ou Vespeira.

Democrata empenhado na luta contra a opressão, com Alçada Baptista, Miller Guerra, Lindley Cintra, Joel Serrão, José-Augusto França, Nuno Bragança e Nuno Teotónio Pereira, constituiu em 1966 o núcleo português da Association Internationale pour la Liberté de La Culture. De 1969 a 1971 exerceu com professor de Literatura Portuguesa e Brasileira no King’s College da Universidade de Londres, colaborando também na BBC.

Na sua vida pessoal, casou em 1954 com a enfermeira Maria Edite Pereira – a quem chamava Esquilo-  tendo tido duas filhas – Ana e Rita-, sendo a casa de família na Rua Bulhão Pato, em Alvalade.

José Cardoso foi ainda agraciado com o Prémio União Latina de Literaturas Românicas (1991) e o Astrolábio de Ouro do Prémio Internacional Ultimo Novecento (1992), o Bordalo de Literatura da casa da Imprensa (em 1994  e em 1997), o Prémio D. Dinis da Fundação da Casa de Mateus e o Prémio Pessoa (ambos em 1997), o Prémio Vida Literária da Associação Portuguesa de Escritores e o da Crítica do Centro Português da Associação Internacional de Críticos Literários (ambos em 1998), a Ordem da Liberdade (1985) e a Grande Cruz de Mérito Cultural (1989).

Está também presente na toponímia de Abrantes, Alcabideche, Alcochete, Almada, da Amadora, da Amora, de Aveiro, Azeitão, do Barreiro, de Beja, Borba, Camarate, da  Caparica, de Cascais, Castro Verde, da Covilhã, do Estoril, de Faro, do Forte da Casa, de Gondomar, Guimarães, Lagos, da Maia, de Mem Martins, Montemor-o-Novo, Odemira, Oliveira do Hospital, do Pinhal Novo, de Portimão, Porto Salvo, da Póvoa de Santa Iria, Quinta do Anjo, de Rio de Mouro, Rio Tinto, Santa Iria de Azóia, Santo António dos Cavaleiros, São Julião do Tojal, do Seixal, de Sesimbra, Setúbal, Tavira, da Trofa e de Vila Franca de Xira.

Freguesia do Lumiar
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)