O arraial da ADCEO na Rua da Quinta de Santa Maria e Circular Norte do Bairro da Encarnação

Freguesia dos Olivais

No Bairro da Encarnação, o arraial das Festas de Lisboa 2019 faz-se na Rua Quinta de Santa Maria e na Circular Norte, por serem a morada da ADCEO – Associação Desportiva e Cultural da Encarnação e Olivais que desde a sua fundação em 10 de março de 1990 tem a sua sede no lote 7 da Rua da Quinta de Santa Maria e Circular Norte e assim participa nas festas da cidade.

A ADCEO nasceu da fusão do Centro de Recreio Popular do Bairro da Encarnação (fundado em 16 de maio de 1946), do Clube Atlético e Recreativo da Encarnação (fundado em 28 de fevereiro de 1948) e do Centro de Cultura e Desporto da Quinta do Morgado (fundado em 1 de junho de 1975) e investe na promoção da cultura, da educação, do desporto e do recreio.

O Arraial da ADCEO em 2019
(Foto: José António Estorninho)

A maioria dos topónimos do Bairro da Encarnação, urbanização da autoria do Arqº Paulino Montez, construída de 1940 a 1943 – numa área de cerca de 47 ha de terrenos do então Ministério das Obras Públicas e Comunicações -, nasceram pelo Edital municipal de 15 de março de 1950. No quinhentista sítio da Panasqueira – cuja memória ainda se mantinha em 1939 numa Azinhaga da Panasqueira – foi inaugurado em 1946 o Bairro da Encarnação, o qual procurou reproduzir um pretenso modelo de aldeia portuguesa, mas com a forma de uma borboleta que pode ser admirada por vista aérea, sendo a Alameda da Encarnação o eixo principal das duas asas simétricas de borboleta do Bairro-Jardim da Encarnação.

A Rua da Quinta de Santa Maria, que faz a ligação da Circular Norte à Avenida Cidade do Porto, é uma das doze do Bairro da Encarnação que hoje encontramos a fugir à regra de ter toponímia numérica como era uso nos bairros sociais de então, e se pode ver justamente no Edital municipal de 15/03/1950 também aplicada nos Bairros de Casas Económicas do Alto da Ajuda, do Alto da Serafina, da Calçada dos Mestres, de Caselas e das Terras do Forno. O Bairro da Encarnação, cuja arquitetura já continha  princípios das cidades-jardim que então se iam construindo noutros países europeus, além da toponímia numérica que era tradicional nestes bairros, recebeu alguns topónimos, mesmo se todos esses são referências de localização, conforme se pode ser na ata da reunião da Comissão Consultiva Municipal de Toponímia de 19 de dezembro de 1949: «Praça do Norte, Praça das Casas NovasRua dos Lojistas, Rua da Portela, Rua da Quinta de Santa Maria, Rua da Quinta do Morgado, Rua da Quinta da Fonte, e ruas números: 2, 4, 6, 8, 10, 12, 14, 16, 18, 20, 22, 24, 26 e 28, e 1, 3, 5, 7, 9, 11, 13, 15, 17, 19, 21, 23, 25, 27 e 29,  aos arruamentos situados, respectivamente, à direita e à esquerda da Alameda da Encarnação.» Pelo Edital foram ainda atribuídos os topónimos Rua dos Eucaliptos e Rua das Escolas. A Rua da Quinta de Santa Maria foi arborizada entre 1956 e 1971.

Já as Circulares do Bairro da Encarnação, são atribuídas depois, através do Edital municipal de 27 de novembro de 1957, cabendo à  Rua K e à Rua J passarem a ser a Circular Norte e a Circular Sul, georreferências à Praça do Norte e à Praça das Casas Novas.

A Rua da Quinta de Santa Maria e a Circular Norte

 

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Lisboa Mistura no jardim da quinta dos fósseis pré-históricos

Freguesia do Lumiar

Hoje é último dia do Lisboa Mistura 2019  que desde dia 8 de junho tem decorrido no Jardim da Quinta das Conchas, espaço cuja toponímia  decorre de vestígios aí encontrados, fósseis calcários do Miocénico lisboeta ( ou seja, de cerca de 20 a 7 milhões de anos atrás), como sucedeu no Alto das Conchas, em Marvila, e onde  no séc. XVI nasceu uma quinta agrícola.

Lisboa Mistura é um festival com músicos internacionais do Médio Oriente, da América do Norte e de África, assim  como grupos comunitários, de diferentes gerações e proveniências culturais, para celebrar a comunidade urbana e a diversidade que integra o ADN de Lisboa. Pela primeira vez realiza-se na Quinta das Conchas, na Freguesia do Lumiar, depois de ter tido como palcos o Castelo de São Jorge, o Largo do Intendente Pina Manique ou a Avenida da Ribeira das Naus.

 

A Quinta das Conchas está perpetuada na Rua da Quinta das Conchas e no parque ou jardim da Quinta das Conchas. Os fósseis pré-históricos definiram o nome do lugar e em meados do século XVI aí nasceu a Quinta de Afonso de Torres, sabendo-se que já em 1520 era um morgadio deste rico negociante de origem espanhola. Sucederam-se vários proprietários na Quinta das Conchas de que se destaca no final do séc. XIX,  em 1897, Francisco Mantero, um dos grandes exploradores das roças de café de São Tomé – que dá nome a uma Rua dos Olivais tal como seu filho, Mantero Belard, dá a uma Rua de Santa Clara -, que somou a parte rústica da Quinta das Conchas à sua Quinta dos Lilazes, onde a sua residência reproduzia o modelo  da mansão colonial, e incluindo um grande lago artificial,  com duas pequenas ilhas nas quais plantou palmeiras, em homenagem às ilhas de São Tomé e Príncipe.

Contudo, no século XX, a área desta Quinta foi mais utilizada pela então muito recente indústria cinematográfica, uma vez que  em 1920 foi nela fundada  a Caldevilla Film, que produziu por exemplo, Os Faroleiros e As Pupilas do Senhor Reitor e doze anos depois, em 1932, foi a vez da Tobis Portuguesa adquirir parte da Quinta para aí edificar os seus estúdios. Em 1966, os descendentes de Francisco Mantero transferiram para a Câmara Municipal de Lisboa a gestão da Quinta que recebeu obras de requalificação em 2005 que mereceram o Prémio Valmor e Municipal de Arquitectura desse ano.

Freguesia do Lumiar

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As Ruas do Arraial do Centieirense

Freguesia do Parque das Nações

A Rua da Centieira e a Avenida de Pádua vão ser o palco do Arraial Popular promovido pelo Grupo Recreativo Centieirense e a Junta de Freguesia do Parque das Nações, no local em que ambas as artérias se encontram.

O Grupo Recreativo Centieirense está sediada na Rua da Centieira nº 88 e foi constituído enquanto associação recreativa em 9 de outubro de 1975.

Freguesia do Parque das Nações

A Rua da Centieira é um topónimo que deve derivar da Quinta da Centieira que ali existiu, tal como havia uma Estrada da Centieira junto a esta quinta e à Quinta Ché, conforme surge na planta topográfica de Lisboa de Silva Pinto, de 1907. A Rua da Centieira é a parte da Estrada da Centieira que sobreviveu enquanto arruamento.

Nessa planta de 1907 podemos ver que outros topónimos desta zona eram a Estrada do Patacão, a Rua do Vale Formoso de Cima, a Quinta dos Paios -que era propriedade de Henrique Bastos-, a Quinta do Brincão, a Quinta do Desterro, a Quinta Nova, a Rua Direita dos Olivais, a Azinhaga do Casal das Rolas, a Rua do Vale Formoso de Baixo, o Casal das Rolas, a Azinhaga dos Manicotes, a Quinta dos Manicotes, a Quinta dos Ingleses e a Quinta do Vale Formoso de Baixo, delineando assim o carácter rural do local.

Por diversas escrituras municipais sabemos também que entre 1906 e 1917 se procedeu ao alargamento da Centieira fosse ela ainda Estrada ou já designada Rua, tendo cedido terrenos para esse efeito Henrique Bastos. Em 1932, para alargamento da Rua da Centieira, também cederam terrenos à Câmara José Lopes Júnior – da sua Quinta Ché – e Albino Marques e sua mulher. E depois, nos anos cinquenta, percebemos a industrialização do arruamento com venda de terreno à UTIC – União de Transportadores para Importação e Comércio (1953) e à SACOR – Sociedade Anónima de Combustíveis e Óleos Refinados (1958) que estava na zona de Cabo Ruivo desde 1940, ao mesmo tempo que a edilidade – em 1956 – comprava prédios e o Pátio Joaquim Pereira a Joaquim Pereira Junior  e a Maria das Dores Pereira.

Segundo José Pedro Machado, no seu Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa, centieira é topónimo de diversos locais em Portugal e deriva de uma ave denominada centieiro, que é também nome de uma localidade no Bombarral.

Já a Avenida de Pádua foi atribuída pelo Edital  municipal de 10 de novembro de 1966 no arruamento de acesso ao Cemitério dos Olivais, também conhecido como Rua E, mas desconhecem-se as razões dessa escolha. A única Ata da Comissão Consultiva Municipal de Toponímia que menciona o assunto é a de 7 de novembro de 1966, na qual apenas se expressa o seguinte : « Processos números 13184/65, 13852/65, 14032/65 e 14052/65, originados por requerimentos de Sociedade Lorilleux-Lefranc [ empresa produtora de tintas para processos gráficos, vernizes e secantes, sediada no lote 67 desse arruamento]e outros, solicitando que seja atribuída denominação definitiva ao arruamento de acesso ao Cemitério dos Olivais. A Comissão foi de parecer que à referida artéria seja atribuído o nome de Avenida de Pádua.»

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A Travessa do Bahuto, da Quinta do mesmo nome, oficializada em 1918

Freguesia de Campo de Ourique
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

A Travessa do Bahuto, que já assim era vulgarmente denominada há muito tempo, foi oficializada pelo Edital municipal de 8 de fevereiro de 1918, assinado pelo presidente da Câmara Municipal de Lisboa, José Carlos da Maia, que foi assassinado na Noite Sangrenta de 1921 e que em 1932 virá também a ser topónimo de Campo de Ourique.

Em 1918, esta Travessa ligava a Rua Saraiva de Carvalho com a Parada dos Prazeres (hoje é a Praça de São João Bosco) e guardava a memória da Quinta do Bahuto, cujo nome seria provavelmente o apelido do seu proprietário.

Um pouco antes do Terramoto de Lisboa, em 1741, foi  criada a freguesia de Santa Isabel, então destacada do território de Santos-o-Velho. Em 1959, a parte em que se incluía a Travessa do Bahuto foi para a nova freguesia de Santo Condestável e desde 2012 que esta artéria é pertença da freguesia de Campo de Ourique.

Por altura do terramoto de 1755, através do Rol dos Confessados da paróquia de Santa Isabel, podemos ter uma ideia aproximada dos lugares já habitados desta zona: Rua Direita da Boa Morte (Rua do Patrocínio), Rua da Fonte Santa (Rua Possidónio da Silva), Quinta do Bahuto, Quinta do Sargento-Mor, Casal Ventoso, Arco do Carvalhão, Vila Pouca, Sítio dos Moinhos e Campo de Ourique. A enorme Quinta do Bahuto ocupava em 1770 toda a área a sudoeste da Rua de Campo de Ourique (na altura era a Rua dos Pousos) até à Rua Saraiva de Carvalho (era então Caminho dos Prazeres).

Bahuto seria, provavelmente, o apelido de família do proprietário da Quinta, se considerarmos que em Belém também existia uma família com esse apelido que até originou junto ao antigo Mercado de Belém uma Rua do Bahuto e Gonçalves, referenciada de 1907 a 1913, no que são hoje  terrenos dos jardins de Belém, assim como em Belas (no concelho de Sintra) existiu uma Quinta do Bahuto e existe hoje uma Rua Felisberto Bahuto da Fonseca. Aliás, um vereador da Câmara Municipal de Lisboa em 1918 e 1919 chamava-se Pedro Midosi Baúto.

Já antes da sua oficialização em 1918, a artéria em causa era vulgarmente conhecida por Travessa do Bahuto, surgindo já assim nos documentos municipais do séc. XIX, para introdução de canalização no arruamento, bem como para construção de prédios entre 1891 e 1901.

 

Da Azinhaga da Ponte Velha à Rua das Laranjeiras em 1919

Excerto da planta municipal de maio de 1905

A Azinhaga da Ponte Velha, na Palma de Baixo, passou em 1919 a ter categoria de Rua e a denominação de Rua das Laranjeiras, por referência à Estrada das Laranjeiras onde começava, por via do Edital municipal de 19 de julho desse ano.

Esta decisão foi aprovada por unanimidade na reunião 10 de julho da Comissão Executiva da CML, a partir da proposta do Vereador Augusto César de Magalhães Peixoto, «Considerando que tal denominação [ a de Azinhaga ] não se coaduna com as construções que actualmente possue, e que a tornam hoje uma via pública moderna», tanto mais que já em 1905 a Azinhaga da Ponte Velha havia sido alargada conforme planta municipal. O sítio da Ponte Velha situava-se no extremo da Estrada das Laranjeiras. Já o topónimo Laranjeiras, nesta zona de Lisboa está ligado à famosa Quinta das Laranjeiras.

A Rua das Laranjeiras hoje
Freguesia de São Domingos de Benfica
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

Denominada inicialmente Quinta de Santo António, a Quinta das Laranjeiras, de Estêvão Augusto de Castilho, tem como referência mais antiga conhecida a data de 1671. No final do séc. XVII já era de Manuel da Silva Colaço e  em 1760 pertencia a Luís Garcia Bívar. Sabe-se que depois foi propriedade de Francisco Azevedo Coutinho, até em 1779 ser adquirida pelo Desembargador Luís Rebelo Quintela que em 1802, com um Palácio novo, a deixou de herança ao seu sobrinho,  Joaquim Pedro de Quintela (1801-1869), o 2º Barão de Quintela e 1º Conde de Farrobo.

É com este último que o Palácio da Quinta passou a ser famoso e identificado como Palácio Farrobo. O 2º Barão de Quintela deu-lhe a divisa OTIA TUTA (Toda prazeres). Os bailes, os festejos e eventos artísticos ocorridos nesta propriedade do 1º Conde de Farrobo, que passou também a incluir o Teatro das Laranjeiras ou Teatro Tália – construído em 1820 para 560 espectadores-, geraram a expressão popular «farrobodó». No ano da morte Joaquim Pedro de Quintela, ano de 1869, o Palácio das Laranjeiras foi comprado pelo Monteiro dos Milhões, o capitalista António Augusto Carvalho Monteiro, e em 1874, foi vendido ao fidalgo espanhol Duque de Abrantes e Liñares. Três anos depois, a propriedade foi adquirida pelo comendador José Pereira Soares que também comprou as adjacentes Quintas das Águas Boas e dos Barbacenas e que 1888 vendeu uma casa na Estrada das Laranjeiras para o Serviço de Incêndios em 1892 vendeu outra, para um posto de limpeza.

Em 1903, o conjunto da propriedade foi comprado pelo Conde Burnay, que  em 1904 arrendou os jardins das Laranjeiras e das Águas Boas ao Jardim Zoológico, que assim foi inaugurado em 28 de maio de 1905. Em 1940, o Palácio das Laranjeiras e toda a restante propriedade rústica e urbana foi adquirida aos herdeiros da condessa de Burnay pelo Ministério das Colónias e desde aí vários serviços ministeriais foram lá instalados.

Freguesia de São Domingos de Benfica
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

 

A Rua dos Sete Moinhos, o primeiro topónimo de 1919

A Rua dos Sete Moinhos em 1939
(Foto: Eduardo Portugal, Arquivo Municipal de Lisboa)

O primeiro topónimo de 1919 nasceu do Edital municipal de 17 de março e foi a Rua dos Sete Moinhos, junto à  Rua do Arco do Carvalhão, no território da Freguesia de Campo de Ourique de hoje, oficializando a denominação pela qual já era conhecido o arruamento.

Conforme se pode ler no Edital emitido pelo então presidente da Câmara Municipal de Lisboa, o bacharel de Direito Alberto Ferreira Vidal, «a Comissão Executiva da Câmara deliberou em sua sessão de 14 de outubro do ano findo, que a rua que começa na Rua do Arco do Carvalhão e finda no Alto dos Sete Moinhos, e que o vulgo denomina Rua dos Sete Moinhos ou Rua do Alto dos Sete Moinhos, tenha a denominação oficial de Rua dos Sete Moinhos.»

Este topónimo perpetua no local a memória do lugar dos Sete Moinhos, que no final do séc. XIX também determinou na zona do vale o Caminho dos Sete Moinhos  e no alto, esta Rua dos Sete Moinhos. Na última década do século XX eram ainda visíveis os vestígios dos moinhos que neste sítio existiram. No séc. XVIII, como se pode ver nas plantas paroquias de 1780, esta zona era a Quinta do Sargento-Mor e nas memórias paroquiais  de 1769 refere-se a «estrada q passa junto à Quinta do Sargº Mor ou de sete moinhos». Aliás, nas proximidades existiu também a Rua do Sargento-Mor que hoje em dia designamos por Rua do Arco do Carvalhão.

Em 1939, de maio a agosto, a edilidade comprou diversos prédios e casas abarracadas nesta Rua dos Sete Moinhos, para conseguir abrir um arruamento de acesso à autoestrada, a A5, também conhecida por Autoestrada de Cascais, a mais antiga autoestrada portuguesa, quando era Presidente da Câmara lisboeta o Engº Duarte Pacheco (de 1938 a 1943). O primeiro troço desta autoestrada – Lisboa-Estádio Nacional – foi inaugurado em 1944.

Nos nossos dias existe também na vizinha freguesia de Campolide, um topónimo semelhante mas posterior, a Calçada dos Sete Moinhos, nascida 5 anos depois, pelo Edital municipal de 17 de outubro de 1924, embora a deliberação camarária ocorra apenas de 3 anos depois, em 24 outubro de 1920.

Freguesia de Campo de Ourique
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Alameda da Quinta de Santo António de Telheiras

Pormenor da Quinta de Santo António na planta de Silva Pinto de 1907

Este topónimo preserva no sítio a memória da Quinta de Santo António e da sua Ermida de Santo António, em Telheiras, na Urbanização da Quinta de Santo António dos anos 80 do século XX.

A Alameda da Quinta de Santo António, que vai da Rua Fernando Namora à Rua Prof. Simões Raposo – no espaço que comercialmente foi denominado Parque dos Príncipes-, foi atribuída pelo Edital municipal de 25 de outubro de 1989 a um troço da Rua B da Urbanização da Quinta de Santo António a Telheiras, perpendicular à Rua A.

Como topónimo, esta Alameda da Quinta de Santo António, surgiu na sequência de um pedido da Junta de Freguesia do Lumiar para que fosse atribuído o nome do médico e investigador Prof. Luís Simões Raposo. A Comissão Municipal de Toponímia na sua reunião de 17 de outubro de 1989 colocou esse topónimo no troço da Rua B situado entre a Alameda da Quinta de Santo António e o Impasse 2 (da Urbanização da Quinta de Santo António), na mesma altura fazendo uso do troço  da mesma Rua B, com início na Rua A e perpendicular a esta, para fixar esta Alameda da Quinta de Santo António, memória de uma das quintas de Telheiras e da sua ermida.

A partir do séc. XVIII povoavam Telheiras proprietários lavradores e assalariados agrícolas, sendo estes últimos que trabalhavam nas quintas dos nobres  então conhecidos como  «os saloios de Tilheiras». Eram famosas as Quintas de São Vicente e de Santo António mas todas estas quintas de lazer possuíam um conjunto de terrenos de cultura e a casa com jardim do proprietário. Em 1758, a Quinta de Santo António pertencia a António Francisco Gorge e tinha uma Ermida dedicada a Santo António,  conforme relato do pároco Feliciano Luz Gonzaga.

Ainda segundo a mesma narrativa deste padre do Lumiar, de 4 de maio de 1758, tinha a paróquia do Lumiar 450 fogos e 2226 pessoas, ficando a um quarto de légua de distância do lugar do Campo Grande; precisa ainda que «os lugares que compreende são o do Lumiar que tem 188 fogos e 93 pessoas, o de Tilheyras em que se acham 92 fogos e 440 pessoas, o do Paço com 122 fogos e 603 pessoas, tem mais 2 lugares pequenos que são a Urmeyra que tem 5 fogos e 34 pessoas, e a Torre do Lumiar que tem 19 fogos e 104 pessoas, e os mais fogos que tem que são 24 em que habitam 142 pessoas são em várias quintas que se acham pelos limites desta freguesia».

Mais tarde, na planta de Silva Pinto de 1907 ainda está assinalada a Quinta de Santo António, bem como a Quinta dos Ingleses e a Quinta da Torre do Fato e ainda depois, nas plantas municipais  de 1967 do plano de urbanização da malha de Telheiras ainda aparece a Quinta de Santo António.

Freguesia do Lumiar
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

A Rua da Quinta das Conchas

Freguesia do Lumiar
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

A Rua da Quinta das Conchas, no Lumiar,  é um topónimo que deriva da proximidade à Quinta do mesmo nome, sendo que esta, por seu turno, é uma denominação que advém de vestígios aí encontrados, provavelmente fósseis calcários do Miocénico lisboeta ( ou seja, entre cerca de 20 a 7 milhões de anos atrás), como sucedeu no Alto das Conchas, em Marvila.

Esta artéria inicialmente designada por Rua F à Quinta das Conchas passou a ser a Rua David Mourão-Ferreira por Edital municipal de 18 de novembro de 2003. Todavia, ao pretender-se que o nome do escritor designasse um arruamento de maior extensão passou este homenageado a deter uma Avenida também na freguesia do Lumiar e a Rua passou a denominar-se Rua da Quinta das Conchas, tudo conforme o Edital nº 56/2005 de 22 de julho de 2005.

A Quinta das Conchas – que hoje é um Parque – nasceu como uma estrutura agrícola concebida e desenvolvida em meados do século XVI por Afonso de Torres, sabendo-se que já em 1520 era um morgadio deste rico negociante de origem espanhola. Ao longo do tempo teve vários proprietários, dos quais se destacou no final do séc. XIX Francisco Mantero – que dá nome a uma Rua dos Olivais tal como seu filho, Mantero Belard, dá a uma Rua de Santa Clara -, após se ter tornado um dos grandes exploradores das roças de café de São Tomé na qual restaurou e ampliou a casa da Quinta dos Lilases, dando-lhe um carácter de mansão colonial e, em 1897, comprou a parte rústica da Quinta das Conchas, não sendo assim de estranhar que tenha mandado fazer um grande lago artificial,  com duas pequenas ilhas nas quais plantou palmeiras, em homenagem às ilhas de São Tomé e Príncipe.

Contudo, no século XX, a área desta Quinta foi mais utilizada pela então muito recente indústria cinematográfica, uma vez que  em 1920 foi nela fundada  a Caldevilla Film, que produziu por exemplo, Os Faroleiros e As Pupilas do Senhor Reitor e doze anos depois, em 1932, foi a vez da Tobis Portuguesa adquirir parte da Quinta para aí edificar os seus estúdios. Em 1966, os descendentes de Francisco Mantero transferiram para a Câmara Municipal de Lisboa a gestão da Quinta que recebeu obras de requalificação em 2005 que mereceram o Prémio Valmor e Municipal de Arquitectura desse ano.

Freguesia do Lumiar
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Calçada da Quintinha do Marquês de Pombal

A Calçada da Quintinha em 1953
(Foto: Fernando Martinez Pozal, Arquivo Municipal de Lisboa)

A Calçada da Quintinha, onde assenta um dos arcos do Aqueduto das Águas Livres e que hoje no seu nº 6 lhe dá morada, é um topónimo proveniente da Quintinha do Carvalhão, isto é, de uma das propriedades que o Marquês de Pombal possuía em Campolide.

Campolide medieval e renascentista era uma soma de campos e quintas «fora de portas», isto é fora da cidade de Lisboa, vocacionada para a produção agrícola de frutas, vinho e azeite, para além de desde o século XV ali se proceder à extração da pedra existente, prática que acabou por também se fixar em topónimos como a Rua da Cascalheira do séc. XIX e a Rua da Pedreira do Fernandinho atribuída em 1986.

Por ordem de D. João V, através do seu alvará de 12 de maio de 1731, foi erguido o Aqueduto das Águas Livres, para melhorar o abastecimento de água a Lisboa, e em Campolide arrabaldino começam nos finais do século XVII e inícios do século XVIII a surgir outras quintas, pertencentes a nobres ou a ordens religiosas, sendo um grande proprietário local aquele que era conhecido como Carvalhão, de seu nome Sebastião José de Carvalho e Melo, o Marquês de Pombal, que aqui detinha propriedades que se estendiam desde a Cruz das Almas até à Ribeira de Alcântara, sendo dono de casas, terras, olivais, pedreiras (a da Cascalheira, por exemplo), fornos de cal, moinhos e azenhas. Foi justamente  uma das suas Quintas, a Quintinha, que deu  o seu nome à Calçada, onde as casas solarengas ostentavam no portal de acesso o brasão do Marquês.

No séc. XIX, o Atlas de Filipe Folque de janeiro de 1857  já mostra a Calçada da Quintinha  a ligar a Estrada do Aqueduto das Águas Livres até um arco do próprio Aqueduto, situada à esquerda da Estrada da Circunvalação e passando pela Calçada dos Mestres e a Meia Laranja das Águas Livres. Em 31 de outubro de 1896, nasceu no nº 17 desta Calçada o futuro maestro Pedro de Freitas Branco.

Em 1907, a edilidade traçou um plano de alargamento da Calçada da Quintinha e do caminho entre o Alto dos Sete Moinhos e o Largo da Senhora de Santana. Hoje, a Calçada da Quintinha começa na Rua Dom Carlos de Mascarenhas e segue até junto ao prolongamento da Rua 12 do Bairro da Calçada dos Mestres.

Freguesia de Campolide
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

A antiga Praça do Areeiro e Francisco Sá Carneiro

Freguesia do Areeiro
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Desde 1982 que a Praça do Areeiro – cerca de um ano e meio após a trágica morte de Francisco de Sá Carneiro – se denomina oficialmente Praça Francisco Sá Carneiro, embora a maioria da população a continue a designar pelo antigo topónimo fixado em 1947, a ponto de a Comissão Municipal de Toponímia no seu parecer de 11 de novembro de 1994 ter aditado à legenda  deste topónimo «Antiga Praça do Areeiro».

Cronologicamente, o Edital municipal de 17/02/1947 instituiu que «a via pública situada no término da Avenida Almirante Reis, conhecida por Praça do Areeiro, toma a referida denominação», sendo o topónimo derivado da antiga Quinta do Areeiro que Júlio Silva Pinto ainda em 1908 representava na sua planta de Lisboa.  Após a morte do então Primeiro-Ministro, Francisco Sá Carneiro, em 4 de dezembro de 1980 a deliberação camarária de 22 de dezembro de 1980 e o consequente Edital municipal de 5 de abril de 1982 alteraram a denominação Praça do Areeiro para Praça Francisco Sá Carneiro, cuja legenda é desde 1994 a seguinte: «1934 – 1980/Antiga Praça do Areeiro».

No seguimento das dramáticas mortes de Francisco Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa, que na época eram o Primeiro-Ministro e o Ministro da Defesa, foi aprovada por maioria na reunião de Câmara de 22 de dezembro de 1980 uma proposta dos vereadores da Aliança Democrática  para serem atribuídos os seus nomes a ruas de Lisboa. A Comissão Municipal de Toponímia sugeriu para o efeito, em 13 de janeiro de 1981, as duas alamedas interiores do Campo Grande. Todavia, acabou por vingar o local sugerido pelo então Vereador do Pelouro da Cultura, Dr. João Martins Vieira, que mudou a antiga Praça do Areeiro para Praça Dr. Francisco Sá Carneiro e o antigo Largo do Caldas para Largo Dr. Adelino Amaro da Costa.  Em 19 de julho de 1991, data do 57º aniversário de nascimento de Francisco Sá Carneiro, foi inaugurado na praça como o nome deste político um monumento em sua homenagem, da autoria de Mestre Soares Branco, conseguido através de subscrição pública lançada pelo jornal O Dia .

Francisco Manuel Lumbrales de Sá Carneiro (Porto/19.07.1934 – 04.12.1980/Camarate), advogado que se empenhou com paixão numa carreira política, foi fundador e o primeiro Secretário Geral do PPD (Partido Popular Democrático) em maio de 1974. Em 1979, o já então denominado PSD (Partido Social Democrata), por coligação com o CDS e o PPM, formaram a AD (Aliança Democrática) que através das eleições legislativas intercalares alcançou o governo do qual Sá Carneiro foi primeiro-ministro (o VI Governo Constitucional) até falecer, com 46 anos, vítima de um controverso acidente aéreo.

Formado em Direito pela Universidade de Lisboa em julho de 1956, Francisco Sá Carneiro exerceu advocacia no Porto e dirigiu a  Revista dos Tribunais a partir de 1961. Viveu por muitos anos em Lisboa, na Rua Dom João V, já que nos anos do fim do marcelismo, de 1969 a 1973,  foi deputado independente da chamada Ala Liberal, propondo com o deputado Pinto Balsemão uma Lei de Imprensa que reduzia a Censura (1970), assim como uma revisão constitucional (1970) num projeto conjunto com Mota Amaral, acabando mesmo por se confessar social-democrata e renunciar ao cargo de deputado em 26 de janeiro de 1973. Após o 25 de Abril foi ministro sem pasta no I Governo Provisório de Adelino da Palma Carlos, deputado à Assembleia Constituinte e depois na Assembleia da República, sendo o líder da bancada parlamentar do PPD/PSD.

A título póstumo foi condecorado com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo (1981), da Ordem Militar da Torre e Espada (1986) e da Ordem da Liberdade (1990), bem como com uma Sessão Solene de homenagem na Assembleia da República(1990), a Medalha de Ouro da Ordem dos Advogados (2006) e a Ordem do Infante D. Henrique (2017), para além de o seu nome ter sido dado ao Aeroporto Internacional da sua cidade natal (1990).

A Praça do Areeiro nos anos 40 do séc. XX
(Foto: António Passaporte, Arquivo Municipal de Lisboa)