O sindicalista António Janeiro na rua onde viveu

Freguesia de Belém (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Belém
(Foto: Sérgio Dias)

O sindicalista António Janeiro viveu com a sua família na Rua 9 no Bairro de Caselas e, cerca de 2 meses após o seu falecimento, recebeu essa artéria o seu nome, pelo Edital municipal de 05/08/1986, com a legenda «Sindicalista/1945 – 1986».

Rua António Janeiro cara

António Gonçalves Janeiro (Vale da Meda – Vila Nova de Ourém/12.12.1945 – 18.06.1986/Lisboa),  foi um dirigente da UGT que começou como delegado sindical em 1969, em plena primavera marcelista. A partir de 1978 tornou-se presidente da direção do SITESE (Sindicato dos Trabalhadores e Técnicos de Serviços) e exerceu essa função até 1986.

António Janeiro foi um grande impulsionador da criação de um centro de formação profissional por um sindicato – o Citeforma (Centro de Formação Profissional dos Trabalhadores de Escritório, Comércio, Serviços e Novas Tecnologias) – que foi instituído no ano seguinte à sua morte, em 1987.

Em 1978, António Janeiro  passou também a exercer o cargo de secretário-geral da FETESE (Federação dos Sindicatos dos Trabalhadores de Serviços) e em outubro desse ano, na sequência do Movimento Carta Aberta, foi também co-fundador da UGT, organização onde integrou o Conselho Geral, assim como o 1º sindicalista português a ser eleito para um órgão internacional, como membro do comité executivo mundial de FIET (Federação Internacional dos Quadros e Técnicos).

Aderiu ao Partido Socialista  em 1974 e aí foi membro das Comissões Nacional e Política. Também pelo PS foi eleito deputado à Assembleia da República a partir de 1979 e  sucessivamente  reeleito pelo círculo eleitoral de Lisboa, até à sua morte. António Janeiro foi postumamente agraciado com a Ordem da Liberdade, em 10 de junho de 1990.

Freguesia de Belém (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Belém
(Planta: Sérgio Dias)

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A Rua do sindicalista Manuel Lopes

Freguesia de Santa Clara (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Santa Clara
(Foto: Sérgio Dias)

A Rua Manuel Lopes, que liga a Rua Maria de Lourdes Pintasilgo à Rua Rogério de Moura, homenageia um fundador da Intersindical Nacional desde que o Edital de 07/05/2001 assim denominou a Rua X do Alto do Lumiar.

O mesmo edital municipal atribuiu na então freguesia da Charneca (hoje, de Santa Clara) um conjunto de 9 topónimos referentes a figuras que se destacaram na vida nacional após o 25 de Abril e faleceram no final da década de noventa do século XX, a saber: o Cardeal Patriarca D. António Ribeiro, o jornalista Victor Cunha Rego, os políticos Luís Sá, Melo Antunes, Octávio Pato, Tito de Morais e Vasco da Gama Fernandes, o autarca Nuno Kruz Abecasis e o sindicalista Manuel Lopes.

Rua Manuel Lopes foto

Manuel Correia Lopes (Coimbra/18.11.1943 – 15.01.1999/Lisboa), figura de referência do movimento sindical português e fundador da Intersindical Nacional, levou uma vida dedicada ao mundo do trabalho, desde o Sindicato dos Lanifícios de Lisboa até membro da Comissão Executiva da CGTP-IN, desde deputado na Assembleia da República no período de 1980/85 – deputado independente nas listas do PCP – até na Assembleia Municipal de Lisboa, a partir de 1990, em três mandatos consecutivos.

Começou a trabalhar aos 12 anos, como aprendiz na indústria têxtil, na empresa Manuel Lopes Henriques & Filho, Lda., em Lisboa. Iniciou a sua empenhada atividade de militante sindical em 1964, no Sindicato dos Lanifícios de Lisboa, de que foi presidente em 1970, altura a partir da qual dedicou a sua vida ao sindicalismo e à luta pela defesa dos direitos dos trabalhadores portugueses e nesse mesmo ano foi fundador da Intersindical Nacional. A partir do 2º Congresso da Intersindical passou a integrar sempre o secretariado e dois anos mais tarde, passou a pertencer à Comissão Executiva, altura a partir da qual Manuel Lopes foi sucessivamente eleito pelos Congressos da CGTP-IN para a Direção da Central Sindical , sendo da Comissão Executiva do Conselho Nacional e também responsável pelo departamento de informação e relações públicas  e pelo departamento de emprego e formação profissional à data do seu falecimento.

Em representação da CGTP-IN, Manuel Lopes desempenhou ainda vários cargos junto de organismos nacionais e internacionais que comprovaram as suas elevadas qualidades de sindicalista, nomeadamente, no Conselho Económico e Social assim como na Comissão Permanente de Concertação Social, no Instituto de Emprego e Formação Profissional desde 1989, no Observatório do Emprego e Formação Profissional, como membro do Comité Permanente do Emprego e do Comité Consultivo para a Formação Profissional, ambos da União Europeia, e ainda, nos conselhos de opinião da RTP e RDP bem como no Conselho Geral do INOFOR.

Foi também um dos oradores do 1º de Maio de 1974 e em julho do ano seguinte foi o primeiro português delegado à conferência da OIT- Organização Internacional do Trabalho, sendo ainda Manuel Lopes  o primeiro sindicalista a falar no direito à greve em televisão.

Refira-se ainda que durante vários anos Manuel Lopes foi o presidente da Mesa da Assembleia Geral da Voz do Operário e que o seu percurso incluiu ter  ingressado aos 15 anos na JOC-Juventude Operária Católica, organização de que foi dirigente entre 1960 e 1966, para mais tarde, militar no MDP/CDE onde foi membro da sua Comissão Política em 1969, assim como em 1973 foi um dos fundadores do MES- Movimento de Esquerda Socialista.

Freguesia de Santa Clara (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Santa Clara
(Planta: Sérgio Dias)

A Rua Emídio Santana, o homem que atentou contra Salazar em 1937

Freguesia de Santa Clara (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Santa Clara
(Foto: Sérgio Dias)

A partir de uma deliberação camarária do dia seguinte à morte de Emídio Santana foi este sindicalista colocado na toponímia de Lisboa, pelo Edital de 09/12/1988, na Rua A à Quinta do Reguengo.

Rua Emidio Santana anos 80Emídio Santana (Lisboa/04.07.1906 – 16.10.1988/Lisboa) foi um sindicalista e libertário sobretudo célebre pelo atentado contra Salazar que ele e outros anarco-sindicalistas concretizaram no dia 4 de julho de 1937, na Avenida Barbosa du Bocage. Após este atentado contra Salazar, refugiou-se em Inglaterra mas a polícia inglesa deteve-o e entregou-o às autoridades portugueses e assim cumpriu 16 anos de prisão.

Emídio Santana começou a trabalhar aos 14 anos, como aprendiz de carpinteiro de moldes, ao mesmo tempo que estudava à noite na Escola Industrial Afonso Domingues e aderiu ao Sindicato da Metalurgia. Em 1924 aderiu às Juventudes Sindicalistas de que foi eleito secretário-geral em abril de 1926, bem como membro do Sindicato Nacional dos Metalúrgicos, filiado na antiga CGT – Confederação Geral do Trabalho. A partir do golpe de estado de 26 de maio de 1926 Emídio Santana integrou o movimento de resistência à ditadura, particularmente, na actividade sindical clandestina o que lhe valeu ser preso em 1927, 1930 e 1933. Também neste contexto participou na organização da greve insurreccional de 18 de janeiro de 1934 e em 1936, representou a CGTP no Congresso da Confederación Nacional del Trabajo de Espanha.

Após o 25 de Abril de 1974, Emídio Santana reorganizou o movimento anarquista e a publicação do jornal anarco-sindicalista A Batalha. Publicou também O atentado à Salazar (1976), Carta de reflexão aos anarquistas : tomemos todos a nossa responsabilidade (1977), Memórias de um militante anarco-sindicalista (1987) e Onde o Homem Acaba e a Maldição Começa (1989).

Finalmente, refira-se que ele e João Freire sugeriram à autarquia lisboeta a atribuição dos nomes de Mário Castelhano, Alexandre Vieira e Confederação Geral do Trabalho a ruas de Lisboa, pedido que foi analisado na reunião da Comissão Municipal de Toponímia de 28 de maio de 1979 e do qual resultou a atribuição da Rua Mário Castelhano em 19 de junho de 1979 já que a Rua Alexandre Vieira já existia desde o Edital municipal de 29 de janeiro de 1979.

Freguesia de Santa Clara (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Santa Clara
(Planta: Sérgio Dias)

A Rua do sindicalista Mário Castelhano, último coordenador da CGT

Freguesia das Avenidas Novas (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia das Avenidas Novas
(Foto: Sérgio Dias)

Mário Castelhano, que foi o último coordenador do secretariado da Confederação Geral do Trabalho e morreu em 1940 no Tarrafal, teve passados quase 39 anos, desde a publicação do Edital de 19/06/1979, uma artéria que o homenageia, na Freguesia das Avenidas Novas, no que era um troço da Avenida António Augusto de Aguiar entre as Ruas Dr. Álvaro de Castro e Cardeal Mercier, com a legenda «Sindicalista/1896 – 1940». A sugestão aceite pela edilidade partiu de Emídio Santana, outro sindicalista libertário.

Mário dos Santos Castelhano (Lisboa/31.05.1896 – 12.10.1940/Tarrafal-Cabo Verde) foi um operário ferroviário e militante prestigiado do movimento operário e sindical que desempenhou as funções de secretário-geral da Confederação Geral do Trabalho (CGT) e de diretor do jornal diário A Batalha, órgão da confederação de sindicatos portugueses, a partir de 1926 e por isso o último antes da CGT ser ilegalizada e o jornal proibido no ano de 1927.

Mário Castelhano começou a trabalhar aos 14 anos começou a trabalhar na Companhia Portuguesa do Caminhos-de-Ferro e assim participou na greve de 1911 e esteve envolvido na organização das greves de 1918 e 1920, o que lhe custou o despedimento. Passou então a ocupar-se na escrituração do Sindicato de Ferroviários de Lisboa, da Federação Ferroviária e da Confederação Geral do Trabalho. Foi depois membro da comissão executiva da Federação Ferroviária, com o pelouro das relações internacionais e a responsabilidade de redator-principal do jornal A Federação Ferroviária. Dirigiu também os jornais O Ferroviário e O Rápido.

Mário Castelhano foi preso em outubro de 1927 e deportado para Angola, onde ficou dois anos. Em setembro de 1930, foi enviado para os Açores e em Abril de 1931, para a Madeira, participando na insurreição desta ilha contra o Governo mas após a derrota fugiu da ilha embarcando clandestinamente no porão do navio Niassa e, em 1933, estava de novo à frente do secretariado da CGT e do grupo que organiza o movimento revolucionário e grevista do 18 de janeiro de 1934, mostrando sempre o seu carácter íntegro, uma grande tolerância e ser um defensor acérrimo de ideias anarco-sindicalistas, razões pelas quais acumulou  o ter sido várias vezes preso e deportado, com a última a acontecer três dias antes do 18 de janeiro e acabando por falecer aos 44 anos, vítima de infecção intestinal contraída enquanto estava preso no campo de concentração do Tarrafal e para a qual lhe foi negada qualquer assistência médica.

Mário Castelhano publicou Os Meios de Transportes e a Transformação Social (1932), e postumamente, Quatro Anos de Deportação (1975) como volume 19 da Coleção Seara Nova. A 30 de Junho de 1980 foi galardoado como Grande-Oficial da Ordem da Liberdade.

Freguesia das Avenidas Novas (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia das Avenidas Novas
(Planta: Sérgio Dias)

 

No 130º aniversário de Alexandre Vieira a sua rua no Bairro 2 de Maio

Nascido no dia 11 de Setembro de 1884, Alexandre Vieira cujo 130º aniversário hoje passa dá nome a uma artéria do Bairro 2 de Maio, na freguesia da Ajuda, desde o Edital municipal de 29/01/1979, com a legenda «Sindicalista e Historiador/1884 – 1973».

Este Edital fez nascer no Bairro 2 de Maio as Ruas Alexandre Vieira, César Nogueira e Pinto Quartin para designar o Impasse 2, o Impasse 1 e o Impasse 3, correspondendo assim a uma solicitação do cidadão António Perianes Palma dirigida à Secretaria de Estado da Comunicação Social, para que fossem consagrados na toponímia de Lisboa os nomes destes jornalistas.

O Bairro 2 de Maio foi conhecido como bairro da Fundação Salazar até ao dia 2 de maio de 1974, em que centenas de pessoas que moravam em barracas na freguesia da Ajuda ocuparam os prédios que estavam a ser construídos, tendo mesmo pedido ajuda a alunos do Instituto Superior Técnico para o efeito. Depois, deram ao bairro o nome desse dia e foram concluindo os prédios que a partir daí lhes deram casa.

Alexandre Vieira (Porto/11.09.1884 – 26.12.1973/Lisboa) que viveu a infância em Viana do Castelo e a adolescência em Caminha, começou a trabalhar em artes tipográficas aos 15 anos, compondo e imprimindo o Jornal de Caminha. Em 1906 veio radicar-se em Lisboa, como operário gráfico mas começou a afirmar-se também nos movimentos sindicalistas. Em 1908 fundou o diário sindicalista A Greve e dirigiu mais tarde O Sindicalista (1911-1915), bem como O Movimento Operário (1917) e, o então nascido A Batalha (1919). Alexandre Vieira foi também membro efetivo do conselho administrativo da extinta Universidade Popular e de várias instituições de carácter cooperativo e cultural.

São da sua autoria as obras Em volta da minha profissão: Subsídios para a história do movimento operário (1950), Como se corrigem provas tipográficas: Noções úteis para quem manda executar impressão às tipografias (1951), Figuras gradas do Movimento Social Português (1959), Delegacia a um Congresso Sindical (1960), Para a História do Sindicalismo em Portugal (1970).

Freguesia da Ajuda

Freguesia da Ajuda

João Amaral, parlamentar e Presidente da Assembleia Municipal de Lisboa

Freguesia de Santa Clara

Freguesia de Santa Clara

Amanhã seria o 70º aniversário de nascimento de João Amaral, deputado na Assembleia da República durante 26 anos e Presidente da Assembleia Municipal de Lisboa durante quase 13 anos, que foi homenageado pelo Município de Lisboa no próprio ano da sua morte com a consagração do seu nome na Rua G do Alto do Lumiar, por edital de 03/10/2003.

João António Gonçalves do Amaral (Angra do Heroísmo/07.12.1943 – 10.01.2003/Lisboa), licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra em 1969, participou nas lutas académicas de então. A partir de 1967 tornou-se militante do PCP e, foi seu dirigente  durante quase quatro décadas, nomeadamente como membro do Comité Central do PCP no período de 1988 a 2002. De 1972 a 1974 foi secretário-geral do Sindicato dos Metalúrgicos do Porto. Após o 25 de Abril de 1974, exerceu o cargo de chefe de gabinete dos Ministros do Trabalho dos I e V Governos Provisórios e, trabalhou ainda para os Secretários de Estado da Estruturação Agrária do VI Governo Provisório. Em 1976, João Amaral entrou para o Parlamento para exercer o cargo de chefe de gabinete do grupo parlamentar do PCP e, passados  três anos tornou-se deputado, durante 26 anos (até 2002), eleito tanto por Lisboa como pelo Porto sem nenhum conflito, tendo sido  no seu último mandato Vice-Presidente da Assembleia da República, desempenhos que o tornaram num dos obreiros da democracia portuguesa e  um grande parlamentar considerado pelos diversos quadrantes. 

Enquanto autarca de Lisboa, João Amaral iniciou o seu percurso em 1990, quando a Coligação Por Lisboa  (PS-PCP) ganhou as eleições para a Câmara Municipal de Lisboa e ele se tornou o Presidente da Assembleia Municipal de Lisboa. E em  2001, quando a mesma coligação perdeu as eleições para Câmara de Lisboa para o PSD, João Amaral venceu na corrida à Assembleia Municipal e continuou eleito no cargo.

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