Os Campos e o Campus

Campus de Campolide – Freguesia de Campolide

A toponomemclatura  de Lisboa comporta ainda hoje 6 Campos que guardam algumas das suas memórias mais antigas – rurais, mercantis, militares, religiosas e políticas – e um Campus que sendo foneticamente semelhante se trata, como a sua grafia indica, de uma área universitária em Campolide.

O Campus de Campolide é um topónimo resultante da solicitação da Universidade Nova de Lisboa para que o espaço onde tem a sua Reitoria, as Faculdades de Economia e de Direito, bem como o Instituto Superior de Estatística e Gestão de Informação, tivesse essa designação a que a Câmara respondeu positivamente com a atribuição do mesmo através do Edital de 5 de julho de 2000, ficando delimitado pela Rua Marquês de Fronteira, Travessa de Estêvão Pinto e Rua da Mesquita.

Campo das Amoreiras – Freguesia de Santa Clara
(Foto: Ana Luísa Alvim)

Durante séculos a toponímia de Lisboa dependeu do arbítrio dos seus habitantes, fixando nela os pontos que permitiriam a sua identificação como os edifícios religiosos, as casas mais nobres ou as características específicas do local, como os seus terreiros também denominados como campos.

O Campo das Amoreiras, na freguesia de  Santa Clara, foi atribuído pelo Edital municipal de 12 de outubro de 1891, fixando-lhe uma toponomenclatura que nunca havia sido a sua, já que antes fora denominado como Largo da Charneca, Rocio da Charneca ou Largo das Amoreiras. Refira-se que a Charneca do Lumiar ou Charneca de Sacavém, foi uma povoação do  concelho dos Olivais entre 1852 e 18 de julho de 1885, data em que as povoações do Termo de Lisboa foram incorporadas no território da Cidade de Lisboa, que as distinguiu, como se vê neste caso, com uma toponomemclatura evidentemente rural.

O Campo Grande ( das freguesias das Avenidas Novas, de Alvalade e do Lumiar) era o Campo de Alvalade do sítio de Alvalade e durante séculos o escolhido para a edificação de solares nobres e algumas vezes destinado a concentração de tropas. O arvoredo que nele foi mandado plantar no reinado de D. Maria I, no final do séc. XVIII , transformou-o num dos parques mais aprazíveis de Lisboa e consequentemente, apetecível para mudanças na toponímia que se foram sucedendo. As Ruas paralelas ao parque, a Oriental e a Ocidental do Campo Grande, já eram assim referidas pelo menos desde 1891 de acordo com uma planta municipal, e foram unidas no topónimo único de Campo Grande pelo Edital municipal de 19 de janeiro de 1916. Nove anos depois, em 1925, a antiga  Rua Ocidental do Campo Grande passou a ser a  Avenida Sacadura Cabral, a Oriental  Avenida Óscar Monteiro Torres – os aviadores que três anos haviam concluído a primeira travessia aérea do Atlântico Sul –  e a Rua do topo norte do Campo Grande passou a ser a  Rua António Stromp. Após o golpe de 28 de Maio de 1926, foi resolvido fazer regressar a sua antiga denominação de Campo Grande. Decorridos mais nove anos, por deliberação de Câmara de 16/05/1935, transmutou-se em Campo 28 de Maio.

Refira-se que treze anos depois, o Edital de 23/12/1948, voltou a repor a denominação de Campo Grande, por contraponto com o Campo Pequeno, que também regressou pelo mesmo Edital municipal.

O sítio do Campo Pequeno no início do século XVI era um logradouro público, espaço a descoberto na periferia da cidade, no qual se realizavam exercícios militares, por vezes paradas e feiras improvisadas e até algumas touradas, só sendo instalada uma   Praça de Touros definitiva em 1892. Era conhecido como Largo do Campo Pequeno ou Campo Pequeno e passou a ser o Largo Doutor Afonso Pena por Edital de 8 de outubro de 1908 da já vereação republicana da edilidade lisboeta, e assim ficou durante 40 anos, até voltar a ser Campo Pequeno em 1948.

O antigo Campo de Santana,  passou a designar-se Campo dos Mártires da Pátria, por Edital municipal de 11 de julho de 1879, em memória dos 11 companheiros de Gomes Freire de Andrade suspeitos de conspiração contra o general Beresford, que no local foram enforcados no dia 18 de Outubro de 1817.

O Campo das Cebolas deve ter tido origem no comércio local de produtos hortícolas já que desde os fins do séc. XV o mercado de víveres anteriormente sediado no Terreiro do Paço havia sido transferido para a Praça da Ribeira Velha. De acordo com Gomes de Brito «Era antigamente Rua direita da Ribeira. (…) Comquanto no Tombo da Cidade (1755), venha designado sob o nome de ‘Rua direita da Ribeira’, já a planta de J. Nunes Tinoco (1650), o menciona com o título actual.»  Como Campo das Cebolas aparece na descrição paroquial da freguesia de Santa Maria Mayor anterior ao terramoto de 1755 e, como rua da praya, ou Campo das Cebollas, na planta da freguesia de S. João da Praça após a remodelação paroquial de 1770.

Por último, temos o Campo de Santa Clara  que deve o seu nome a um convento de freiras claristas que ali se estabeleceu e julga-se que a denominação remonte a cerca de 1294 quando se iniciou a construção do Convento de Santa Clara, onde mais tarde será instalada a Fundição de Santa Clara ou Fábrica de Armas. Contudo, ainda no séc. XVI era vulgarmente conhecido por Campo da Forca por nele se realizarem execuções capitais.

Campo de Santa Clara -Freguesia de São Vicente

 

 

Lisboa das Escadinhas, Escadas e Escadaria

A Escadaria José António Marques quando era vulgarmente conhecida por Escadinhas da Rocha, em 1965
(Foto: Armando Serôdio, Arquivo Municipal de Lisboa)

Lisboa, com as suas colinas, tem escadas que auxiliam as subidas e as descidas e isso também se espelha na sua toponomenclatura, através de 34 Escadinhas, umas Escadas repartidas por Arroios e São Vicente e ainda, uma Escadaria na freguesia da Estrela.

A Escadaria, construída entre 1880 e 1882, era vulgarmente conhecida por Escadinhas da Rocha, dando acesso a partir da Rua 24 de Julho (desde 1928 é a Avenida 24 de Julho) ao Jardim das Albertas (desde 1925 é o Jardim 9 de Abril), até o Edital municipal de 21/02/1985 a tornar a Escadaria José António Marques, para homenagear o fundador da Cruz Vermelha Portuguesa conforme está na legenda, um lisboeta de nascimento (Lisboa/29.01.1822 – 08.11.1884/Lisboa) que foi cirurgião do Exército e em 11 de fevereiro de 1865 fundou a Comissão Provisória para Socorros e Feridos e Doentes em Tempo de Guerra, sendo o seu primeiro Secretário Geral, influenciado pela participação em representação de Portugal, na Conferência Internacional de Genebra, em que Portugal foi um dos doze países que assinou a I Convenção de Genebra de 22 de agosto de 1864, destinada a melhorar a sorte dos militares feridos em campanha.

A unir a Rua Damasceno Monteiro à Rua das Olarias encontramos as Escadas do Monte, ainda atribuídas por do Edital do Governo Civil de Lisboa, em 11 de janeiro de 1876, que se caracteriza segundo Norberto de Araújo assim: « A empinada Calçada do Monte, defronte do Largo, é, como estás vendo, a resultante de um caminho ou vereda que nos séculos velhos dividia a Cerca do Convento da Graça da encosta poente do Monte de S. Gens».

Escadinhas do Alto do Restelo – Freguesia de Belém

Já Escadinhas são 34 e qualquer que seja a sua época de construção, do início de Lisboa até ao nosso séc. XXI, têm a característica comum de terem recebido, informalmente da população ou do município lisboeta, denominações relativas ao local onde estão implantadas.

Em  Belém,  na Urbanização da Encosta do Restelo estão as Escadinhas do Alto do Restelo, firmadas pelo Edital municipal de 30/07/1999.

Na Ajuda, encontramos as Escadinhas do Mirador do antigo Alto das Pulgas, fixadas pelo Edital municipal de   17/11/1917.

Escadinhas da Saúde – Freguesia de Santa Maria Maior
(Foto: Ana Luísa Alvim)

Em Alcântara, por via da Ermida de Santo Amaro edificada em 1549 temos as Escadinhas de Santo Amaro e as Escadinhas do Quebra Costas a avisar do perigo que as mesmas representam.

Em Campolide, no Bairro da Liberdade , estão as Escadinhas da Liberdade, fixadas pelo Edital municipal de 12/04/1995.

Em Campo de Ourique, encontramos as Escadinhas dos Terramotos relativas à Ermida do Senhor Jesus dos Terramotos, situada na Rua Arco do Carvalhão.

Na freguesia da Estrela temos as Escadinhas da Praia fluvial da Madragoa.

Na freguesia da Misericórdia deparamos com as Escadinhas de São João Nepomuceno  a denunciarem a proximidade ao Convento do mesmo santo.

Escadinhas do Carmo – Freguesia de Santa Maria Maior

Em Santa Maria Maior concentram-se 16 Escadinhas. Relativas à proximidade a Ermidas ou Igrejas surgem as Escadinhas de Santo Estêvão próximas da Igreja de Santo Estêvão, as Escadinhas de São Crispim da Ermida de São Crispim, as Escadinhas de São Cristóvão da Igreja de São Cristóvão, as Escadinhas dos Remédios da Ermida de Nossa Senhora dos Remédio (Edital municipal de 24/12/1879), as Escadinhas da Saúde próximas da Ermida da Senhora da Saúde (Edital de 17/05/1906), as Escadinhas de São Miguel, resultado das remodelações de Alfama nos anos 60 do séc. XX e próximas da Igreja da mesma invocação (Edital de 25/01/1963), e também através da recuperação do Chiado após o incêndio de 1988, da autoria do Arqº Siza Vieira, nasceram as  Escadinhas do Santo Espírito da Pedreira pegando no nome do convento dessa Irmandade que ali existiu antes de passar a Armazéns do Chiado (Edital de 12/04/1995), bem como as  Escadinhas do Carmo que permitem a circulação pelos Terraços do Carmo (Edital de 06/06/2016). Com toponímia relativa a moradores locais encontramos as Escadinhas do Marquês de Ponte de Lima (Edital de 01/11/1905) e as Escadinhas de João de Deus (Edital de 08/11/1917). E por último, existem aquelas que guardam a memória do sítio: as Escadinhas Costa do Castelo, as Escadinhas da Rua das Farinhas, as Escadinhas do Terreiro do Trigo, as Escadinhas das Portas do Mar que até ao séc. XVIII eram conhecidas como Escada de Pedra,  as Escadinhas da Oliveira da Rua da Oliveira, ao Carmo (Edital de 29/09/1920) e as Escadinhas da Achada (Edital de 02/05/1940).

Santa Maria Maior ainda partilha com  Arroios as Escadinhas da Barroca, por referência ao Palácio da Barroca já citado em 1755, bem como as Escadinhas das Olarias que vieram susbtituir o antigo Beco dos Empenhadores por Edital municipal de  04/12/1883.

A freguesia de Arroios detém em exclusivo as Escadinhas da Porta do Carro  de abastecimentos do Hospital de S. José e partilha com  São Vicente as Escadinhas Damasceno Monteiro, junto à Rua Damasceno Monteiro (Edital de  21/03/1914).

São Vicente tem 3: as Escadinhas de São Tomé da Igreja de São Tomé do Penedo, as Escadinhas do Bairro América (Edital de 28/12/1932) e as Escadinhas das Comendadeiras de Santos da Quinta das Comendadeiras de Santos (Edital de 10/04/2007). Partilha ainda com  Santa Maria Maior as Escadinhas das Escolas Gerais e as Escadinhas do Arco de Dona Rosa que ali morou numa casa com capela.

Por último, a freguesia do Beato apresenta as Escadinhas de Dom Gastão junto à Calçada de Dom Gastão.

Escadinhas do Santo Espírito da Pedreira – Freguesia de Santa Maria Maior
(Foto: Sérgio Dias)

As Calçadas e Calçadinhas lisboetas

Calçadinha da Figueira – Freguesia de Santa Maria Maior
(Foto: Mário Marzagão)

Lisboa comporta nos nossos dias 83 Calçadas e 6 Calçadinhas, distribuídas por quase toda a cidade,  excepto em seis freguesias – Areeiro, Alvalade, Avenidas Novas, Campo de Ourique, Carnide, Parque das Nações -, todas mais planas, guardando nelas as memórias de antigas igrejas, árvores e outros vestígios rurais do local, produções artesanais, características específicas do sítio, moradores locais e ainda algumas figuras públicas da época da sua atribuição.

Do latim vulgar calciata, Calçada é uma rua pavimentada com material duro ou uma ladeira íngreme, aludindo às vias romanas, sendo uma toponomenclatura muito  frequente em Portugal e na Galiza, onde é Calzada.  Da Calçada deriva a Calçadinha de menor dimensão.

As 6 Calçadinhas de Lisboa concentram-se na zona mais antiga da cidade sendo pertença da freguesia de Santa Maria Maior três delas e ainda parte de outra, a saber, a Calçadinha da Figueira; a Calçadinha de Santo Estêvão derivada da igreja do séc. XIII da mesma invocação; a Calçadinha de São Lourenço junto à Igreja de São Lourenço do séc. XIII; a Calçadinha de São Miguel na proximidade à Igreja de São Miguel do séc. XII; e repartida com São Vicente, a Calçadinha do Tijolo que já existia antes do Terramoto de 1755. A que falta das seis é a Calçadinha dos Olivais, na freguesia do mesmo nome.

Calçada de Santo André – Freguesias de Santa Maria Maior e de São Vicente
(Foto: Sérgio Dias)

Já as Calçadas lisboetas são 83. De Ocidente para Oriente, comecemos pelas Freguesias de Belém e da Ajuda que partilham entre si a Calçada da Ajuda, a Calçada da Memória da salvação de D. José num atentado e a Calçada do Galvão, em homenagem a um funcionário da Secretaria de Estado dos Estrangeiros e da Guerra. A Calçada da Boa-Hora, derivada da Igreja,  reparte-se pelas Freguesias de  Belém , Ajuda e Alcântara, tendo a Ajuda em exclusivo a Calçada Ernesto Silva, nas proximidades da Liga Portuguesa dos Deficientes Motores com que o homenageado colaborou, bem como a Calçada do Mirante à AjudaAlcântara também tem só suas a Calçada de Santo Amaro e a Calçada da Tapada (das Necessidades).

Campolide tem 5 :  a Calçada do Baltazar, a Calçada da Estação dos Caminhos de Ferro, a Calçada dos Mestres que construíram o Aqueduto das Águas Livres, a Calçada da Quintinha e a Calçada dos Sete Moinhos, por mor dos moinhos de vento ali existentes.

São Domingos de Benfica só tem a Calçada de Palma de Baixo e Benfica a Calçada do Tojal.

Por seu turno,  Arroios tem 4 Calçadas só suas: a de Arroios, a  do Conde de Pombeiro junto ao seu palácio, a Calçada Nova do Colégio e a de Santana. Reparte com  Santo António mais 3 – a Calçada do Lavra derivada de Manuel Lopes do Lavre e com elevador desde 1884, a Calçada do Moinho de Vento e a Calçada de Santo António – e com Santa Maria Maior, outras tantas: a Calçada do Desterro evocativa do Convento do mesmo nome, a Calçada do Garcia e a Calçada do Jogo da Pela.

Já a Freguesia de  Santo António tem a Calçada Bento da Rocha Cabral, antiga Calçada da Fábrica da Loiça  e a Calçada da Patriarcal, partilhando ainda com a Misericórdia a Calçada Engenheiro Miguel Pais, engenheiro militar autor de Melhoramentos de Lisboa e Seu Porto e a Calçada da Glória com o seu elevador desde 1885.

Pelo lado da Misericórdia esta soma só suas 6 Calçadas: a da Bica Grande, a da Bica Pequena, a do Cabra, a do Combro, a de Salvador Correia de Sá que lá morou e a do Tijolo. Reparte ainda a Calçada do Duque D. Pedro de Meneses, Alferes-mor de D. Manuel e a Calçada do Ferragial com Santa Maria Maior, tal como acontece com a Estrela, nos casos da Calçada da Estrela e da Calçada Marquês de Abrantes aberta após o Terramoto.

A  freguesia da Estrela conta 5 exclusivamente suas: a Calçada de Castelo Picão da Madragoa, a Calçada do Livramento do Convento do mesmo nome, a Calçada das Necessidades, a Calçada da Pampulha e  a Calçada Ribeiro Santos, em memória do estudante assassinado pela PIDE em 1972.

Calçada do Menino Deus – Freguesias de Santa Maria Maior e de São Vicente
(Foto: Rui Mendes)

Santa Maria Maior  tem 9 exclusivas do seu território: a  Calçada do Carmo, a Calçada do Conde de Penafiel que foi o  último Correio-Mor do Reino, a Calçada do Correio Velho, a Calçada do Marquês de Tancos junto ao seu palácio, a Calçada da Mouraria, a Calçada da Rosa, a Calçada do Sacramento, a Calçada de São Francisco e a Calçada Nova de São Francisco, ambas relativas ao antigo grande mosteiro dessa invocação. E para além das partilhadas já acima referidas esta freguesia ainda reparte com São Vicente mais 5: a Calçada Agostinho de Carvalho industrial de cerâmica da zona das Olarias, a Calçada do Menino Deus pela proximidade à Igreja de 1737 com a mesma invocação, a Calçada do Forte seiscentista de Santa Apolónia, a Calçada de Santo André e a Calçada de São Vicente.

Já São Vicente guarda 7: a Calçada dos Barbadinhos, a Calçada do Cardeal da Mota, a Calçada dos Cesteiros, a Calçada do Cascão onde morou João Cascão, a Calçada da Graça, a Calçada do Monte de S. Gens e Calçada de Santa Apolónia. E ainda partilha a Calçada da Cruz da Pedra com a Penha de França, que tem mais 3: a Calçada da Ladeira, a Calçada das Lajes e a Calçada do Poço dos Mouros.

Na Freguesia do Beato, estão mais 6: a Calçada do Carrascal, a Calçada de Dom Gastão da família Coutinho ali com palácio, a Calçada do Grilo, a Calçada do Olival, a Calçada de Santa Catarina a Chelas e a Calçada do Teixeira. O Beato partilha com Marvila mais 2: a Calçada do Duque de Lafões e a Calçada da Picheleira. Por seu turno, Marvila dispõe também de 2: a Calçada do Perdigão relativa à Quinta de Manuel Sequeira Perdigão e a Calçada dos Vinagreiros.

Falta referir que na zona norte de Lisboa ainda existem mais 4 calçadas: a do Forte da Ameixoeira em Santa Clara, mais a Calçada de Carriche (que António Gedeão imortalizou num poema) e  a Calçada do Poço partilhadas por Santa Clara e Lumiar, e ainda, a Calçada do Picadeiro, exclusiva do Lumiar.

Calçada do Duque – Freguesia de Santa Maria Maior
(Foto: Sérgio Dias)

 

Altos e Cabeços de Lisboa

Freguesia de Arroios
(Foto: Mário Marzagão)

Já aqui abordámos os Altos das 7 colinas de Lisboa mas de toponomenclaturas de lugares mais elevados faltam os seus Cabeços, guardando a cidade ainda dois.

Do latim capitìum, que significa capuz, um cabeço é um  cume arredondado de um monte, um outeiro isolado ou um penedo.

Na freguesia de Arroios resiste um topónimo que guarda memória de um cabeço que como sítio se finou no séc. XIX: o Largo do Cabeço de Bola, na confluência da Rua da Escola do Exército e da Rua das Barracas. Foi o Edital camarário de 10 de junho de 1884 que integrou o antigo sítio do Cabeço de Bola na Rua da Escola do Exército. Curiosamente, apesar do local estar mais elevado que algumas artérias circundantes parece que o topónimo não deriva dessa circunstância. Segundo Luís Pastor de Macedo, era antes Cabeça de Bola, referindo-se à alcunha de Belchior de Oliveira que encontramos em 1644 como padrinho dum baptismo realizado na Igreja dos Anjos ou então Jerónimo de Oliveira, que tinha a mesma alcunha e em 1662 vivia na mesma freguesia dos Anjos, sendo certo que em 1724 já os registos paroquiais referem paroquianos como morador à Cabeça de Bola. Em 1858, Filipe Folque no seu Atlas da Carta Topográfica de Lisboa, com o nome de Cabeço da Bola, assinala nesta zona a existência do Largo, mas também de uma Azinhaga ( que ainda existia em 1875, surgindo em 1878 um beco na planta de Francisco e César Goullard)  e de um quartel.

O Cabeço das Rolas que nasce na Rua Corsário das Ilhas, perpetua o facto de no passado este lugar ser frequentado por rolas durante o seu trajeto migratório e foi uma toponomenclatura oficializada pelo Edital de 16/09/2009, pelo qual o concelho de Lisboa aceitou 102 topónimos da Expo 98 após a sua reconversão em Parque das Nações.

Cabeço das Rolas – Freguesia do Parque das Nações

Toponomenclatura da água: os Cais, os Boqueirões e o Regueirão de Lisboa

Cais da Lingueta – Freguesia de Santa Maria Maior
(Foto: Artur Matos)

Lisboa, como cidade edificada frente ao Tejo, tem toponomenclatura ligada ao rio nas suas freguesias ribeirinhas: os Cais, os Boqueirões e os Regueirões.

A cidade tem ainda 6 Cais. Na freguesia da Misericórdia, temos o Cais do Sodré, sobre o qual os olisipógrafos divergem quanto à origem. Júlio de Castilho aponta uma família Sodré Pereira Tibau, da qual dois membros, António e Duarte, foram proprietários de prédios naquela zona. Silva Túlio defende ser de Vicente Sodré, descendente do inglês Fradique Sodré, que ali edificou grandes imóveis e ajudou a fazer a obra do cais, opinião que Gomes de Brito também segue. E Norberto de Araújo quer que António, Duarte e Vicente sejam descendentes de Fradique Sodré, um inglês que passara em Portugal no tempo de D. Afonso V.

Freguesia de Santa Maria Maior – Placa Tipo I
(Foto: Artur Matos)

Cais da Lingueta, na freguesia de Santa Maria Maior, liga a Rua do Jardim do Tabaco à Avenida Infante Dom Henrique e fixa na memória de Lisboa o antigo Cais do tempo em que o mar aqui chegava. Refira-se ainda que lingueta é o nome dado à ladeira ou rampa ao pé da qual se arrima a embarcação para receber ou despejar gente nos embarcadouros. Esta artéria teve vários topónimos e até diferentes toponomenclaturas: Boqueirão da Lingueta num parecer municipal sobre a remoção de obstáculos que pudessem impedir a Procissão do Triunfo de 6 de abril de 1875, Travessa do Cais da Lingueta numa planta de Augusto César dos Santos referente à zona do Largo do Chafariz de Dentro datada de 1894 e, nesse mesmo ano, como Rua Cais da Lingueta num documento da autoria do mesmo funcionário municipal para implantação de uma barraca de venda de refrescos. Com a criação da Comissão Municipal de Toponímia em 1943 que reviu todas as denominações toponímicas de Lisboa foi dado parecer favorável à fixação de Cais da Lingueta, na reunião de 17 de outubro de 1944.

Os outros quatro estão no Parque das Nações, herdados da Expo 98 e oficializados pelo Edital de 16/09/2009: o Cais das Naus  junto à Praça do Tejo, a evocar a denominação genérica dada a navios de grande porte, usados em viagens de grande percurso; o Cais do Olival junto ao Passeio dos Heróis do Mar; o Cais dos Argonautas, que vai do Passeio de Ulisses ao Cais Português e refere os tripulantes da nau Argo  que na mitologia grega foram até à Cólquida em busca do Velo de Ouro; e o Cais Português  que é o cais da doca que abre entre o Passeio das Tágides e o Passeio de Neptuno.

Lisboa comporta ainda mais 5 Ruas que fixaram Cais nos seus topónimos : a Rua do Cais da Alfândega Velha (Belém), a Rua do Cais de Alcântara ( Estrela ), a Rua do Cais do Tojo ( Estrela e Misericórdia), a Rua do Cais de Santarém ( Santa Maria Maior ) e a Rua do Cais das Naus ( Parque das Nações ).

Boqueirão da Ponta da Lama – Freguesia de Santa Maria Maior
(Foto: Artur Matos)

Um Boqueirão é uma rua virada ao mar ou ao rio e em Lisboa ainda permanecem 4 Boqueirões.

Na freguesia de Santa Maria Maior são dois: o Boqueirão da Ponte da Lama a ligar Rua do Jardim do Tabaco à Avenida Infante Dom Henrique e o Boqueirão da Praia da Galé que também une a Rua do Jardim do Tabaco à Avenida do Infante D. Henriques, guardando a memória da praia que então ali se faria no Tejo. Os outros dois pertencem à freguesia da Misericórdia: o Boqueirão do Duro que liga a Avenida 24 de Julho ao Largo do Conde Barão e que segundo Pastor de Macedo «Estende-se no chão vizinho ao antigo Cais do Tojo e no sítio da velha marinha da Boa Vista. Segundo verificámos em vários processos de emprazamentos, da freguesia de Santos, o boqueirão do Duro só aparece com este nome depois do incêncio que houve no Cais do Tojo em 1821»; e o Boqueirão dos Ferreiros, que liga a Avenida 24 de Julho à Rua da Boavista.

E o único Regueirão lisboeta é o dos Anjos, numa freguesia não ribeirinha, a de Arroios. Contudo, a ligação faz todo o sentido ao verificarmos que Regueirão é o aumentativo de regueiro ou regueira, logo é um rego grande ou um regato maior e Arroio significa uma pequena corrente de água, um regato, pelo que Arroios é a freguesia dos regatos. Segundo Norberto de Araújo, o Regueirão dos Anjos que liga a Avenida Almirante Reis à Rua Frei Francisco Foreiro, é anterior à própria Rua dos Anjos e «foi vale natural, onde depois de correr água, nos séculos velhos, correu o trânsito». Refira-se finalmente que nos anos oitenta, a escassez de arruamentos fez com se usasse o troço superior do Regueirão dos Anjos para homenagear uma personalidade de apelido Ribeiro: a Rua Francisco Ribeiro (Ribeirinho), atribuída pelo Edital de 24 de abril de 1986.

Freguesia de Arroios – Placa Tipo II
(Foto: Mário Marzagão)

Publicações municipais de toponímia sobre o Prof. Oliveira Marques e a Profª Teresa Ambrósio

As publicações municipais de toponímia referentes à Rua Prof. Oliveira Marques e à Rua Profª Teresa Ambrósio, hoje distribuídas no decorrer das inauguração oficiais destes arruamentos, na Freguesia de Alvalade, já estão online.

É só carregar nas capas abaixo e poderá ler.

Caso queira conhecer publicações anteriores poderá ir às Publicações Digitais do site da CML e escolher o separador Toponímia.

Ou no topo do nosso blogue carregar em 3 – As nossas Edições.

Toponomenclatura do passado rural: as Azinhagas

Azinhaga da Cidade – Freguesias de Santa Clara e do Lumiar
(Foto: Sérgio Dias/NT)

Em Lisboa existem hoje 52 azinhagas, nas freguesias da coroa periférica da cidade que foram aquelas que se mantiveram como espaço rural durante mais tempo, como caminhos entre as suas quintas muradas, fixando nestas azinhagas topónimos derivados do nome dos sítios, das suas características, do nome das quintas próximas, do nome de moradores ou do nome de mosteiros ou das ordens que os ocupavam, sendo as freguesias de Marvila e do Lumiar as que mais azinhagas possuem no presente.

Azinhaga é uma palavra que deriva da árabe az-zinaiqa, com o significado de rua estreita e que é toponomenclatura para um caminho rústico estreito, ladeado de muros ou sebes altas, o que denota que as  as azinhagas de Lisboa são memórias da ruralidade que marcou as zonas onde se encontram.

Começando pelo norte de Lisboa, na Freguesia de Santa Clara estão 8 azinhagas: a do Beco, a dos Milagres, a da Póvoa, a do Reguengo, a do Rio [da Ameixoeira que o Intendente Pina Manique mandou desentulhar em 1781], a de Santa Susana, a da Torrinha e a Azinhaga das Galinheiras, no sítio das Galinheiras que cerca de 1950 recebeu o bairro camarário das Galinheiras para receber os desalojados dos terrenos do Aeroporto. Conta ainda com mais uma azinhaga partilhada com a Freguesia do Lumiar: a Azinhaga da Cidade.

Passando para a Freguesia do Lumiar, nela persistem mais 10 azinhagas: a de Entremuros, a da Fonte Velha, a do Frade, a do Jogo da Bola [a mencionar uma ocupação de lazer com bola que não seria ainda o futebol], a das Lajes, a da Musgueira, a do Poço de Baixo, a do Porto, a das Travessas e a dos Ulmeiros.

Azinhaga da Torre do Fato – Freguesias do Lumiar e de Carnide – Placa Tipo II
(Foto: Sérgio Dias/NT)

Mas o Lumiar tem  mais duas azinhagas que partilha com Carnide –  a Azinhaga dos Lameiros e a Azinhaga da Torre do Fato – e ainda, mais uma que reparte com Alvalade que é a Azinhaga das Galhardas.

A Freguesia de Carnide tem no seu território 8 azinhagas: a dos Cerejais, a das Cerejeiras, a da Cova da Onça, a das Freiras e a das Carmelitas- ambas referentes às monjas do Convento de Santa Teresa – , a da Fonte, a do Serrado,  e a Azinhaga da Luz, atribuída por  Edital municipal de 4 de março de 1974 ao arruamento de ligação entre a Azinhaga do Serrado e a Azinhaga das Carmelitas.

Alvalade conta com duas azinhagas – a Azinhaga dos Barros e a Azinhaga das Murtas – para além de ter a Azinhaga da Fonte do Louro partilhada com as freguesias do Areeiro e da Penha de França. A Penha de França conta ainda com a Azinhaga do Alto do Varejão.

Já a Freguesia de Marvila é a que tem mais azinhagas, num total de 11 : a dos Alfinetes, a do Armador, a do Baptista,  a do Ferrão, a da Maruja, a do Poço de Cortes, a da Quinta do Alfenim, a do Vale Fundão, a das Veigas, a Azinhaga da Troca (cujo topónimo foi oficializado pelo Edital de 24/10/1938) e a Azinhaga da Bela Vista (atribuída pelo Edital municipal de 27/11/2012 para fixar o troço ainda remanescente da azinhaga original).  Marvila reparte ainda com a Freguesia do Beato mais duas azinhagas: a do Planeta e a da Salgada.  Por seu lado, o Beato tem outras duas azinhagas: a da Bruxa e a do Carrascal (atribuída pelo Edital de 16/01/1970 para distinguir os dois troços que tinham deixado de estar ligados ficando no outro o topónimo Calçada do Carrascal).

Finalmente, na Freguesia dos Olivais, existem 3 azinhagas: a da Alagueza fixada pela memória da população, e a da Quinta das Courelas e a   do Casquilho, ambas atribuídas pelo Edital municipal de 25/07/2001, para perpetuar a Quinta de que fez parte e no segundo caso, para oficializar o topónimo pelo qual era conhecida.

Azinhaga de Santa Susana
(Foto: Rui Mendes)

 

Inauguração da Rua Prof. Oliveira Marques e da Rua Profª Teresa Ambrósio na Cidade Universitária

Amanhã, dia 7 de junho,  às 12:00 horas, a Srª Vereadora da Cultura e Presidente da Comissão Municipal de Toponímia, Catarina Vaz Pinto, procederá à inauguração sequencial de dois novos arruamentos na Cidade Universitária, na Freguesia de Alvalade: a Rua Prof. Oliveira Marques e a Rua Profª Teresa Ambrósio, ambos docentes catedráticos ligados à Universidade Nova de Lisboa.

O ponto de encontro será na Rua Prof. Oliveira Marques, entre a Faculdade de Letras e a Torre do Tombo.

O Prof. Oliveira Marques, inserido na toponímia lisboeta com a legenda «Historiador/1933 – 2007», é o especialista da História Medieval portuguesa, pioneiro na sua vertente económica e social, bem como da História Contemporânea da I República de um ponto de vista estruturalista, tendo publicado fontes, monografias e sínteses gerais. Introduziu em Portugal como temas históricos a vida quotidiana, a urbanização medieval, as técnicas, o clima ou a Maçonaria Portuguesa, para além de ter adaptado ao caso português os conceitos de Feudalismo e de Fascismo. A. H. de Oliveira Marques foi também o primeiro diretor da Biblioteca Nacional após o 25 de Abril de 1974 e como docente trabalhou de 1957 até 1962 na Faculdade de Letras de Lisboa, de 1965 a 1970 nas Universidades americanas de Auburn, Flórida, Columbia, Minnesota, Chicago e, a partir de 1976 na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova, nos departamentos de História, Estudos Alemães, Ciência Política e Relações Internacionais, tendo ainda sido o primeiro presidente da Comissão Instaladora da Faculdade e fundado o Centro de Estudos Históricos.

A Profª Teresa Ambrósio, incluída na toponímia lisboeta com a legenda «Pedagoga e Política/1937 – 2006» é a primeira e única mulher que presidiu ao Conselho Nacional de Educação, tendo desde a juventude dedicado a sua vida às causas da Democracia  e da Educação, assim como à elevação do papel da mulher nos campos da cultura, da educação e da política. Do seu vasto percurso de vida como investigadora, planificadora ou política, destaque-se o trabalho nos serviços de Planeamento do Ministério da Educação ; na criação da Universidade Nova de Lisboa, na direção do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento, como docente  e responsável pelo Núcleo de Ciências da Educação da Faculdade de Ciências e Tecnologias da Nova e ainda como fundadora da Unidade de Investigação em Educação e Desenvolvimento; como docente da Universidade François Rabelais e membro do Conselho Científico da Universidade Europeia de Formação; bem como fundadora da Sociedade Portuguesa de Ciências da Educação e da Associação Portuguesa de Mulheres Cientistas, e ainda, enquanto membro do Partido Socialista, nas funções políticas de vereadora na Câmara Municipal de Lisboa (1974-1976), deputada na Assembleia Municipal de Lisboa (1977-1979) e deputada na Assembleia da República (1976 – 1983).

Os Arcos oficiais de Lisboa

Arco de Jesus, na década de dez do séc. XX
(Foto: Joshua Benoliel, Arquivo Municipal de Lisboa)

Na toponímia oficial da Câmara Municipal de Lisboa ainda existem 7 artérias com a nomenclatura de Arcos, todos em freguesias mais antigas da cidade, as que nasceram com a cidade medieval, já que muitos desses arcos são vestígios das antigas portas das muralhas de Lisboa.

Arco deriva do latim arcus, para designar uma obra de arquitetura com abóbada curva sobre pilares verticais e foram os romanos que que o divulgaram no decorrer da sua política expansionista de conquista e ocupação de outros territórios, apesar de não serem os seus criadores mas terem aprendido como fazê-lo com os etruscos.

Os 7 arruamentos que possuem essa toponomenclatura, estão 5 na Freguesia de Santa Maria Maior, um em São Vicente e um repartido pelas freguesias de Santo António e da Misericórdia.

Arco das Portas do Mar em 1965
(Foto: Armando Serôdio, Arquivo Municipal de Lisboa)

Arco das Portas do Mar ( Santa Maria Maior ) faz referência a uma das portas da muralha (da Cerca Moura), a Porta Nova do Mar.

O Arco de Jesus ( Santa Maria Maior ), cuja denominação provém de uma imagem do Menino Jesus colocada sobre o fecho do arco, pelo lado inferior,  já existiria com este nome em 1627 e correspondia à Porta da muralha da Cerca Moura, onde segundo o Padre Castro, embora não o prove, a cidade foi invadida pelos cruzados que auxiliaram D. Afonso Henriques na tomada de Lisboa aos mouros.

O Arco do Rosário ( Santa Maria Maior ) fez parte integrante da antiga Cerca Moura e foi reaproveitado para ser uma das 34 portas da cerca nova, denominada de D. Fernando. Antes foi a Porta da Judiaria e passou a Arco do Rosário porventura devido a uma capelinha onde se venerava Nª Srª do Rosário, localizada no cimo do arco, mas que entretanto desapareceu.

O Arco Escuro ( Santa Maria Maior )  fazia parte da Cerca Moura de Lisboa e quiçá, terá sido a primeira serventia rasgada na muralha, pois já o cruzado R. (vulgarmente conhecido como Osberno) a ele se referiu na sua carta onde relata a conquista de Lisboa  por Afonso Henriques e os cruzados. Este Arco também foi vulgarmente conhecido por Postigo da Rua das Canastras, Arco do Armazém Velho ou ainda Arco de São Sebastião.

Arco da Conceição ( Santa Maria Maior ) que se apresenta em túnel com um escadinha apertada e íngreme tem no seu interior um oratório a Nossa Senhora da Conceição de onde advém o topónimo cuja denominação foi fixada  em 1822.  Antes também se denominou Passadiço de Gaspar Pais (1657), Passadiço que sobe da Ribeira para as Cruzes da Sé (1676), Passadiço da Ribeira (1755), Passadiço da Ribeira Velha (1801), Arco da Senhora da Conceição (1804) e Passadiço da Conceição (1807).

O Arco Grande de Cima ( São Vicente ) terá sido o Arco Grande e segundo Norberto de Araújo, « Êste Arco foi erguido em 1808, um pouco adiante do sítio onde se rasgava desde 1373-1375 a Porta ou Postigo de S. Vicente, da Cerca (nova) de D. Fernando. Ligava esse Arco o Convento às suas quintas e jardins, e hoje faz ligação ao Liceu (antigos Paços Patriarcais) à cerca-recreio dos alunos e que atrás vimos.» 

Finalmente, o Arco do Evaristo ( Santo António e Misericórdia ) tem uma origem ainda não esclarecida. Situado na zona do Alto do Penalva ou do Marquês de Penalva, que ali morou, poderá estar ligado à informação que Luís Pastor de Macedo dá de «(…) Nos verbetes da Câmara Municipal declara-se que esta serventia pública [Alto do Penalva] se denominou também pátio da Evarista o que ainda não achámos confirmado por qualquer outra via.»

Existem mais 14 topónimos em Lisboa que incluem Arco mas a sua toponomenclatura é de beco, escadinhas, rua e travessa.

Arco do Evaristo em 1945
(Foto: Eduardo Portugal, Arquivo Municipal de Lisboa)

 

As Avenidas e as Alamedas

A Alameda da Universidade
(Foto: Manuel Rodrigues Levita)

As Avenidas e as Alamedas são artérias quase sempre em linha reta, como as ruas, mas mais largas e mais extensas, distinguindo-se as Alamedas das Avenidas por as primeiras terem de ser ladeadas de árvores e isso não ser uma característica determinante nas Avenidas. No decorrer do séc. XX, as Alamedas também passaram a distinguir-se como zona de estadia de pessoas enquanto as Avenidas ganharam mais tráfego automóvel.

À letra, Alameda  é uma artéria ornada de álamos que consensualmente passou a ter o significado de arruamento mais arborizado do que uma avenida. Este tipo de artéria possui uma grande quantidade de árvores e não sendo isentas de trânsito, privilegiam contudo o espaço de convivências das pessoas, como podemos observar em Lisboa na Alameda Dom Afonso Henriques.

Alameda das Linhas de Torres – Placa Tipo II
(Foto: Mário Marzagão)

Lisboa apresenta 18 Alamedas cujos topónimos se referem a personalidades em 8 casos; em 7 outras, o topónimo relaciona-se com o local onde estão (como por exemplo, a Alameda das Linhas de Torres [Edital de 07/08/1911],  a Alameda da Encarnação [Edital de 15/03/1950] ou a Alameda da Universidade [Edital de 31/03/1970])  e por último,  3 delas são simbólicas homenagens: a Alameda da Música [Edital de 04/08/2004], como centro de um toponímico Bairro da Música; a Alameda das Comunidades Portuguesas [Edital de 09/12/1988], próxima do aeroporto de Lisboa, numa manifestação de solidariedade para com os portugueses radicados no estrangeiro; e a Alameda dos Oceanos [oficializada pelo Edital de 16/09/2009], nascida na EXPO 98, a perpetuar o tema dessa Exposição: «Os oceanos: um património para o futuro».

A Avenida é mais extensa que qualquer outra tipologia de artéria urbana, não sendo por isso de estranhar que o maior arruamento de Lisboa seja uma Avenida: a Infante Dom Henrique. A tipologia Avenida começou a ser usada na cidade de Lisboa no último quartel do séc. XIX, acontecimento a que não será estranho a passagem das responsabilidades da toponímia do Governo Civil para o Município, como se a criação de uma visão conjunta de fazer cidade impusesse a necessidade da Avenida como nova artéria citadina moderna, e repare-se aqui nas Avenidas Novas em que se algumas nasceram como ruas viram alterada a sua categoria para avenidas no séc. XX, como sucedeu, por exemplo, com a Avenida Fontes Pereira de Melo (antes Rua Fontes) , bem como, por exemplo, o Edital municipal de 29 de novembro de 1902  atribuiu 5 avenidas referentes a políticos regeneradores da Monarquia Constitucional ( Avenidas António de Serpa, Casal RibeiroDuque d’Ávila, Hintze Ribeiro (hoje, Avenida Miguel Bombarda) e José Luciano (hoje, Avenida Elias Garcia).

Avenida Francisco Salgado Zenha – Placa Tipo IV
(Foto: Sérgio Dias)

Nos dias de hoje Lisboa tem 150 Avenidas, sendo que 131 têm como topónimo o nome de diversas personalidades, cidades, países  e oceanos a que acresce também o nome de uma organização através da Avenida das Nações Unidas. Surgem ainda 13 avenidas às quais foi atribuído um topónimo simbólico ou de homenagem específico – a Avenida Vinte e Quatro de Julho [Avenida desde 22/10/1928 e antes Rua em 13/09/1878] para perpetuar a vitória liberal de 24 de Julho de 1833 sobre os absolutistas de D. Miguel bem como a Avenida Praia da Vitória [Edital de 28/06/1906] pela vitória das tropas liberais contra a esquadra absolutista em 11 de agosto de 1829 ; a Avenida da Liberdade [deliberação camarária de 18/08/1879], como espaço aberto ao invés do Passeio Público com portões que a antecedeu; a Avenida da República, a Avenida Cinco de Outubro [ambas pelo Edital de 05/11/1910] e a Avenida dos Defensores de Chaves [Edital de 19/09/1912], todas a registarem datas e acontecimentos caros aos Republicanos; a Avenida das Descobertas [Edital de 28/07/1958], a Avenida da Boa Esperança [ oficializada pelo Edital de 16/09/2009] e a Avenida da Peregrinação [oficializada pelo Edital de 06/05/2015] para exaltar a época da Expansão Portuguesa; a Avenida das Forças Armadas [Edital de 30/12/1974 ] para perpetuar o 25 de Abril de 1974; a Avenida dos Bombeiros [ Edital de 24/03/1975] para homenagear todos os bombeiros portugueses tal como a Avenida dos Combatentes [Edital 15/03/1971] procedera de igual forma com os militares portugueses; a Avenida Lusíada [Edital de 29/12/1989], para homenagear todos os portugueses usando o termo divulgado por Camões no seu poema épico. Finalmente, 6 delas registam o local onde foram abertas: Avenida da Torre de Belém [Edital de 07/08/1945], a Avenida do Restelo [Edital de 29/04/1948], Avenida da Ribeira das Naus [Edital de 22/06/1948], Avenida da Igreja [Edital de 19/07/1948], Avenida do Colégio Militar [Edital de 23/02/1978] e a Avenida da Universidade Técnica [Edital de 19/04/2004].

A Avenida Rovisco Pais